quinta-feira, 12 de julho de 2012

A equação brasileira: a saída para o Pacífico(pelo Paraguai).O que há por trás do golpe de estado no Paraguai?

Manifestação anti-Golpe de Estado no Paraguai

Além da semente transgênica da Monsanto, há também a necessidade de os EUA impedirem o acesso do Brasil ao Oceano Pacífico (e à China).

Nada ali se refere exclusivamente ao Paraguai que, apesar de ser nação pequena, localiza-se no coração geopolítico e geoestratégico do continente sul-americano, como já observaram estrategistas brasileiros do século passado. Controlar o Paraguai é fator chave do controle sobre o continente, para os EUA, cuja principal meta é frear o aumento crescente da influência do Brasil, integrante do chamado grupo BRICS, com Rússia, China, Índia e África do Sul.

Recentemente, o Brasil descobriu enormes reservas de petróleo em suas águas, na costa do Atlântico, o que levou o país a melhorar e reforças suas forças navais e aéreas, sobretudo depois de os EUA reativarem a IV Frota, do Atlântico Sul, criada durante a IIa. Guerra Mundial, desativada em 1953 e novamente ativada durante o governo de George W. Bush.

A aproximação entre Brasil, Rússia, China e Índia exige que se estabeleçam novas rotas pelo Pacífico, distantes do Atlântico cada vez mais controlado pela OTAN. O controle político e militar norte-americano sobre o Paraguai é obstáculo considerável no caminho desses interesses do Brasil e, além disso, é passo preliminar nos projetos norte-americanos de constituir um bloco comercial com países seus aliados na América Latina, especialmente México, Panamá (e o canal), Colômbia, Peru, Chile e, agora, o Paraguai. Está sendo construído um verdadeiro “muro do Pacífico”, que visa a cercar o Brasil e impedir que chegue ao Pacífico e que caberá ao Brasil ultrapassar.

O tipo de “democracia” que os EUA desejam...

Ao longo do século 20, a América Latina assistiu a várias tentativas de golpes de estado – civis e militares – orquestrados por EUA, Reino Unido e suas respectivas agências de inteligência, CIA e MI6, que, sistematicamente, orquestraram, financiaram, armaram e promoveram “mudanças de regime” em vários países que resistiam a suas imposições.

Esses golpes de “mudança de regime” instalaram no poder governos pró-EUA que lá permaneceram ao longo de décadas, tendo à frente figuras de fama planetária, como os generais Augusto Pinochet (Chile), Anastasio Somoza (Nicarágua), Aramburu, Onganía e Videla (Argentina), Carlos Andrés Perez (Venezuela), Fulgencio Batista (Cuba), Alfredo Stroessner (Paraguai), [e os generais MILICANALHAS BRASILEIROS - Nota da redecastorphoto] dentre muitos outros.

Dividir para governar. Também vale na versão “enfraquecer para governar”. Essa parece ser a pauta fundamental de uma bem provável espécie de ‘primavera latino-americana’, exatamente como também já é pauta hoje da chamada ‘primavera árabe’.
É hora de alerta máximo. Há novidades à vista.

De qual soberania fala Federico Franco?

"Não nos deixemos enganar por uns poucos donos de meios que a cada dia nos intoxicam com suas mentiras”

Por ocasião da solidariedade expressa pelos povos da América Latina para com o Paraguai a propósito do "golpe de Estado Express” com que deputados e senadores derrocaram a Fernando Lugo, eleito pela maioria do povo no dia 20 de abril de 2008, Federico Franco –que agora usurpa o cargo presidencial- e seus partidários, afirmam que dita solidariedade é um ataque à soberania paraguaia.

Apesar de que suas palavras nos fazem rir, desejo perguntar-lhes: de qual soberania estão falando? Certamente, não da verdadeira soberania do povo do Paraguai, que está a favor de seu presidente Fernando Lugo, legítima e legalmente eleito.

Federico Franco e seus partidários se referem à pretensa soberania de um punhado de pessoas que, sendo somente 2% da população, usufruem 80% das terras; se refere a essas 600 famílias de sojeiros, pecuaristas, empresários, mafiosos do contrabando e da droga e aos senadores e deputados que acreditam ser os amos atuais do Paraguai.

Esta não é nenhuma soberania; é somente o benefício da oligarquia.

Todos eles se esquecem de que existe o povo. Se esquecem da pequena classe média, dessa maioria de camponeses, cujo 45% está na maior pobreza, e dos grandes cinturões de miséria que rodeiam as cidades dos 17 Departamentos.

Para a oligarquia, esses grupos majoritários do povo não existem; "sobram” e, se fosse possível, desejariam que desaparecessem.

É hora de que abramos os olhos e não nos deixemos enganar por uns poucos donos das rádios comerciais, da imprensa escrita e dos canais de TV, que a cada manhã nos intoxicam com suas mentiras.

Aceitamos com agradecimento a solidariedade de nossos irmãos latino-americanos com a verdadeira soberania do povo paraguaio e contra o golpe de Estado do Congresso.

Como repete a canção: "Nós, o povo, venceremos”. E nele reside a verdadeira soberania.

Gílson Sampaio


Lugo denuncia ameaças e retaliações do regime golpista

Em nota enviada à opinião pública nacional e internacionalo, o presidente Fernando Lugo denunciou ameaças e atos de violência que estariam sendo cometidos pelo "regime ilegítimo e golpista de Federico Franco". "Os senadores Carlos Filizzola e Sixto Pereira estão sendo ameaçados por senadores golpistas com a suspensão por terem se oposto ao julgamento político", diz a nota que aponta onda de demissões de simpatizantes de Lugo.

Redação

Assunção - Fernando Lugo, o presidente paraguaio que foi alvo de um golpe parlamentar, divulgou nota oficial na noite desta segunda-feira (9) endereçada à opinião pública nacional e internacional denunciando ameaças e atos de violência que estariam sendo cometidos pelo “regime ilegítimo e golpista” de Federico Franco. A íntegra da nota:

Não à violência do regime ilegítimo e golpista!

O julgamento político de 21 e 22 de junho teve origem em um ato de violência em Curuguaty que deixou 17 mortos e que foi parte de uma conspiração para desestabilizar o Poder Executivo. Propusemos desde a Presidência a constituição de uma comissão especial de investigação séria do ocorrido com acompanhamento de organismos internacionais. No entanto, a primeira medida do regime encabeçado por Federico Franco foi suspender essa iniciativa, o que desperta a suspeita de toda a nação de que não há interessa por parte desse regime de esclarecer aqueles fatos.

O governo atual é um regime originado na violência e frente a isso temos realizado, desde o começo, um chamado ao povo para manter a calma, evitar as provocações e a violência. Essa tem sido a atitude de nossa parte, mas temos encontro violência e perseguição por parte do atual regime.

A Mesa do Senado não entregou até agora, após mais de quinze dias, nem ao presidente Fernando Lugo nem ao senador Filizzola, o registro gravado das sessões e a sentença com as razões da destituição do presidente constitucional, apesar dos vários pedidos feitos neste sentido.

Os senadores Carlos Filizzola e Sixto Pereira estão sendo ameaçados por senadores golpistas com a suspensão por terem se oposto ao julgamento político.

No Senave (órgão de controle das sementes), o novo presidente, um vendedor de agrotóxicos, militante do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), afastou mais de cem funcionários sob a acusação de que seriam “luguistas”.

Na Itaipu Binacional, o sindicato controlado por Honor Colorado, em aliança com o atual diretor geral paraguaio, dirigente do PLRA, anunciou a demissão de 300 funcionários sob a acusação de serem “esquerdistas”.

O novo regime tratou de assaltar a TV Pública, o que gerou uma heroica defesa de seus funcionários. Mas já se iniciaram também as ameaças para sufocar a resistência e começaram demissões em massa. Em vários ministérios recebemos denúncias no mesmo sentido. Acreditávamos que as demissões por motivos ideológicos eram práticas do passado estronista, mas elas voltam agora pelas mãos da cúpula do PLRA.

O novo regime apresentou com clara intenção intimidatória um vídeo de muitos anos atrás onde aparecem líderes políticos como o atual senador Sixto Pereira e o governador de São Pedro, José Pakova Ledesma. A partir de vários espaços, os golpistas anunciam ações contra o presidente Lugo. Eles não somente violaram princípios fundamentais do direito para poder implementar um julgamento político arranjado, como continuam as
ilegalidades com perseguições e atentados contra a pessoas que resistem pacificamente e buscam amedrontar os dirigentes políticos que não vacilaram na defesa da democracia paraguaia.

São estes alguns dos fatos que convocam a opinião pública internacional e nacional, a todos os democratas da região e do país, às instituições internacionais e regionais a não ceder na denúncia para impedir que o atropelo contra a Democracia e a Constituição paraguaia fique impune.

Carta Maior

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