sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Adolescentes flagram em vídeo Óvni sobre cidade de Três Pontas (MG)

Internautas flagram Ovni no céu de Três Pontas (MG). (Foto: Laís Aparecida da Silva Correia)

Imagens foram enviadas para o VC no G1.Gravação foi feita por volta de 15h do último domingo (26).

Imagens gravadas por quatro adolescentes neste domingo (26) em Três Pontas (MG) levantam dúvidas sobre o suposto aparecimento de um disco voador no Sul de Minas. O vídeo foi enviado pela internauta Laís Aparecida da Silva Correia para a seção "Vc no G1". As imagens foram gravadas por volta de 15h no quintal de uma casa do bairro Filadélfia, onde as crianças brincavam no quintal com uma câmera fotográfica.

No vídeo, o Óvni (Objeto Voador Não Identificado) aparece entre as nuvens. Quando as crianças acionam o zoom do equipamento, o objeto fica em foco por alguns segundos no centro da tela. Pouco depois, o objeto desaparece rapidamente. Durante a gravação, é possível ouvir a expressão de espanto dos adolescentes. "Dá pra ver certinho. É uma nave, eu tenho certeza.", dizem as crianças.

Segundo a advogada Laís Aparecida da Silva Correia, que enviou o vídeo, todos ficaram assustados após a gravação. "Elas viram algo estranho no céu e começaram a gritar. Depois, elas chamaram os adultos. Parece muito uma nave. Nós achamos melhor enviar o vídeo para saber do que de fato se trata", disse ela.

A reportagem do G1 Sul de Minas entrou em contato por email com a assessoria de imprensa da Força Aérea Brasileira (FAB), mas até esta publicação, ainda não recebeu retorno sobre o registro de algum Óvni no espaço aéreo do Sul de Minas Gerais.

Veja a filmagem aqui nesse Link do G1

ou veja no You tube abaixo:


Stanton Friedman: Há suficientes evidências de visita extraterrestre ao nosso planeta

Em 28 de agosto passado, o ovniólogo norte americano Stanton Friedman foi entrevistado pelo programa de rádio Coast to Coast AM, de George Noory.
Friedman é físico nuclear e pioneiro estudioso de muitos casos da pesquisa de OVNIs, que incluem Roswell, Majestic 12 e o caso de abdução de Betty e Barney Hill, entre outros. Ele tem estado interessado no assunto desde 1958.
Quando Norry perguntou a Friedman o que ele achava que estava acontecendo no campo da ovniologia por estes dias, Friedman disse ter quatro grandes preocupações:
“A evidência de que o planeta está sendo visitado por veículos extraterrestres controlados inteligentemente é enorme. Isso não significa que todos os OVNIs sejam naves alienígenas”.
“Estamos lidando aqui com um Watergate cósmico… Há pouquíssimas pessoas no governo que sabem o que está acontecendo. É claro, há algumas pessoas que acham que se estivesse acontecendo alguma coisa, eles saberiam. Eles não sabem, assim acham que não há nada”.
“Não há nenhum bom argumento contra os dois primeiro pontos… Dizer que não há evidências não é uma boa forma de dizer que não existe nada”.
“Estamos lidando aqui com a maior história do milênio”.
Friedman acredita que muitos dos debunkers, os céticos que alegam que os OVNIs extraterrestres não existem, são preguiçosos e simplesmente não querem pesquisar. É mais fácil exigir prova definitiva do que sair lá fora e executar o trabalho.
Ele acredita que “toda a civilização avançada está preocupada com sua própria sobrevivência e segurança. Se eles não fossem tão preocupado, não sobreviveriam. E isso significa que você deve sempre ficar vigiando seus vizinhos primitivos, mas somente aqueles que mostram sinais de que são capazes de perturbá-lo”.
Friedman diz que no final da Segunda Guerra Mundial, três sinais indicaram que logo os terráqueos poderiam ser capazes de se tornar uma ameaça:
  • As armas nucleares
  • O uso de potentes mísseis
  • O radar, como indicação de uma evolução eletrônica
De acordo com Friedman, só havia um lugar no mundo onde você poderia encontrar todos estes três elementos: no sudeste do estado do Novo México, EUA.
Foi lá que o incidente de Roswell ocorreu.

Fonte das informações: www.examiner.com

ovnihoje

Pepe Escobar: “Mursi distribui cartões de visita”

Melhor você não fazer graças com o Irmão Muçulmano Mursi.

Saído diretamente da China “comunista” – onde foi recebido com tapete vermelho pelo presidente Hu Jintao e pelo vice-presidente Xi Jinping – Mursi do Egito aterrissou em terras do “Irã-do-mal” como verdadeiro líder do mundo árabe. [1]

Imagine pesquisa feita em Tampa, Florida, com delegados da Convenção Republicana bajuladores do sinistro duo Mitt Romney-Paul Ryan, candidatos. As chances são de Mursi ficar abaixo de Hitler, nas preferências (Oh, não... abaixo de Hitler já está Saddam. Talvez Osama. Ou, quem sabe, Ahmadinejad...).

De Tampa para Teerã. A mais recente foto da atual divisão geopolítica. De um lado, a massa dos 1% clamando por sangue, seja sangue de Barack Obama ou de bandeja de muçulmanos sortidos. De outro lado, o grosso da verdadeira “comunidade internacional”, praticamente todo o Sul Global (incluindo observadores como China, Brasil, Argentina e México) que se recusa a curvar-se ante os diktats imperiais militares/financeiros. Reafirmando suas impecáveis credenciais jornalísticas, a imprensa-empresa dos EUA dá de mão, e desqualifica tudo: não passa de “baboseira terceiro-mundista”.

Seja como for, a notícia é que o Egito voltou. A segunda notícia é que o eixo Washington-Telavive está apoplético.

Mohamed Mursi

É possível que Mursi pareça estar, como o egípcio do provérbio na imaginação popular, andando de lado. De fato, não para de avançar, nem por um segundo. A essa altura, já é evidente que a nova política externa do Egito está focada em repor o Egito, historicamente o centro intelectual do mundo árabe, na posição que lhe compete, de liderança – e que lhe foi usurpada pelos bárbaros sauditas milionários do petróleo, nas décadas durante as quais o Egito não passou de lava-penicos servil, dos desígnios geopolíticos de Washington.

Longe vão (bem longe) os dias – mais de 30 anos! – quando Teerã rompeu relações com o Cairo, quando o Egito assinou os acordos de Camp David. O fato de Mursi ter ido à Conferência dos Não Alinhados em Teerã pode não indicar reatamento pleno de relações diplomáticas, como anda explicando o porta-voz de Mursi, Yasser Ali. Mas é golpe diplomático com magnitude de terremoto.

Começa o novo grande jogo

Indispensável uma rápida recapitulação. A primeira viagem crucial de Mursi presidente foi à Arábia Saudita, para a reunião da Organização da Conferência Islâmica (OCI), em Meca. A Casa de Saud olha a Fraternidade Muçulmana com extrema desconfiança, para dizer o mínimo. Imediatamente depois, Mursi recebeu visita pessoal do Emir do Qatar, que levava um cheque de US$2 bilhões, sem cláusulas de reciprocidade. E Mursi, na sequência, mandou passear o velho líder do orwelliano Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA).

Fraternidade Muçulmana

No entretempo, Mursi já havia lançado o plano egípcio para por fim à interminável tragédia síria: um grupo de contato em que se reúnam Egito, Irã, Turquia e Arábia Saudita. Nenhuma solução síria será jamais alcançada sem esses atores estrangeiros chaves – com o Egito tendo tomado o cuidado de se autoinstalar como mediador entre os interesses de Irã e de Turquia/sauditas (que são praticamente os mesmos: em 2008, a Turquia firmou acordo estratégico, político, econômico e de segurança com o CCG).

Num único movimento, Mursi cortou a cabeça da falsa serpente que há anos estava sendo vendida a Washington pelo rei de Playstation da Jordânia e pela Casa de Saud, segundo os quais um “Crescente Xiita do Mal”, que iria do Irã ao Líbano via Iraque e Síria, estaria minando a “estabilidade” do Oriente Médio.

O que o rei Abdullah da Arábia Saudita e o Abdullah mais jovem da Jordânia temem, de verdade, é a agitação e a fúria de suas próprias populações (para nem citar, nem de longe, qualquer ideia de democracia). Então é hora de culpar o xiismo rampante por tudo que aconteça, dado que Washington é suficientemente otária – ou esperta – para comprar a tese.

O mito do “Crescente Xiita” pode ser desmascarado de vários modos. Eis um deles – em cena de que fui testemunha ocular, ao vivo, por bom tempo, em meados dos anos 2000s. Teerã sabe que a maioria do poderoso clericato iraquiano é totalmente contrário ao conceito khomeinista de República Islâmica. Não surpreende que Teerã ande tão preocupada com o renascimento de Najaf, no Iraque, como principal cidade santa do Islã Xiita, em detrimento de Qom, no Irã.

Washington compra essa propaganda porque está bem exatamente no coração do Novo Grande Jogo. Seja qual for o governo de plantão, de Bush a Obama, e adiante, uma obsessão chave de Washington é neutralizar o que é visto como um eixo xiita do Líbano, via Síria e Iraque, passando pelo Irã e direto até o Afeganistão.

Mera espiada no mapa diz-nos que esse eixo está no centro do vastíssimo deslocamento militar dos EUA na Ásia – de frente para China e Rússia. Obviamente, a melhor inteligência em Pequim e Moscou já o identificou há anos.

Russos e chineses veem como o Pentágono “administra” – indiretamente – grande parte das reservas de petróleo da região, incluindo o nordeste xiita da Arábia Saudita. E veem como o Irã – centro de gravidade de toda a região – só pode ser a absoluta obsessão de Washington. A conversa “nuclear” não passa de pretexto, de fato o único disponível no mercado. Em síntese, não é questão de destruir o Irã, mas de subjugá-lo e reduzi-lo à condição de aliado dócil.
Ban Ki-Moon, Ahmadinejad e Mursi na Conferência de Teerã

Nesse jogo barra pesadíssima de poder, entra o Irmão Mursi, jogando uma mão de cartas com a rapidez fulminante de um crupiê empregado, em Macau, de Sheldon Adelson. Cartada que poderia ter exigido meses, talvez anos – o descarte da velha liderança do CSFA do Egito; o Qatar privilegiado, em detrimento da Arábia Saudita; uma visita presidencial a Teerã; o Egito voltando ao centro do palco como líder do mundo árabe – foi completada em apenas dois meses.

Claro que tudo depende de como se desenvolvam as relações entre Egito e Irã, e de se o Qatar – e mesmo o Irã – serão capazes de ajudar a Fraternidade Muçulmana a impedir o colapso do Egito (falta dinheiro para tudo: o déficit anual é de $36 bilhões; quase metade da população é analfabeta; e o país importa metade de tudo que come).

Levem-me de volta a Camp David

O problema imediato com o grupo de contato do Egito para a Síria é que a Turquia – em mais uma instância de sua política externa espetacularmente contraproducente – decidiu boicotar a Conferência do Movimento dos Não Alinhados. Nem isso deteve o Egito, que propôs acrescentar Iraque e Argélia ao grupo de contato. [2]

E entra em cena Teerã, com mais uma proposta diplomática “de amplo espectro”, segundo o Ministério de Relações Exteriores: uma troika de Não Alinhados – Egito, Irã e Venezuela, plus Iraque e Líbano, vizinhos da Síria. Quer dizer: todos querem conversar – exceto, dadas as evidências, a Turquia. A Rússia apoia plenamente a proposta de Teerã.
Aliatolá Ali Khamenei, Supremo Líder do Irã

E bem quando a cobertura da imprensa-empresa dos EUA lambuza-se com os discursos de ódio da convenção de milionários em Tampa, em Teerã, no “isolado” Irã, o Supremo Líder, Aiatolá Khamenei recebe o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, e conclama a ONU a trabalhar a favor de um Oriente Médio sem armas nucleares. [3]

Não é precisamente atitude de algum “novo Hitler” que deseje a bomba atômica, como ainda tentava repetir, ontem, em Israel, o duo Bibi-Barak, inventadores de guerras. Mais parece, com certeza, denúncia vinda de um sul global muito popular, da hipocrisia cósmica de Washington, que espertamente ignora o arsenal nuclear de Israel, enquanto tenta apertar o Irã e seu programa nuclear.

Desnecessário dizer que nada disso foi notícia na imprensa-empresa norte-americana.

Simultaneamente, todos os olhos do sul global estão postos em Mursi. Pelo andar da carruagem, não é fantasioso imaginar que a Fraternidade Muçulmana, mais dia menos dia, jogue a carta de Camp David. Nesse caso, deve-se esperar que Washington entre em modo balístico – e talvez viaje no tempo, de volta à América Latina dos anos 1970s, e tente (mais um) golpe militar.

Em resumo, se a Fraternidade Muçulmana realmente articular uma política externa independente nos próximos meses, que dê pelo menos um sinal de que Camp David tenha de ser renegociado (movimento que terá o apoio de 90% dos egípcios), a única saída que sobrará para o duo Bibi-Barak, inventadores de guerras, será cair na real.

redecastorphoto

Aiatolá Ali Khamenei: “Discurso de Abertura da 16ª. Conferência do Movimento dos Não Alinhados”

Aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo da República Islâmica do Irã

Em nome de Alá, o Benéfico, o Generoso.

Todas as honras a Alá, Senhor dos Dois Mundos. Que a paz e todas as bênçãos desçam sobre o maior e mais confiável Mensageiro, todos seus descendentes, companheiros seletos e todos os seus profetas e enviados divinos.

Saúdo nossos honrados hóspedes, líderes e delegações representantes dos estados membros do Movimento dos Não Alinhados, e todos demais participantes desse grande encontro internacional.

Reunimo-nos aqui para continuar um movimento, com a ajuda e a orientação de Deus, para dar-lhe nova vida e energia, consideradas as atuais condições e necessidades do mundo. O Movimento dos Não Alinhados foi fundado há quase 60 anos, graças à inteligência e à coragem de uns poucos líderes políticos atentos e responsáveis que sabiam das condições e circunstâncias de seu tempo.

Nossos hóspedes reuniram-se aqui, vindos de diferentes pontos geográficos, uns mais próximos, outros mais distantes, de diferentes nacionalidades e povos, com características ideológicas, culturais e históricas diferentes. Mas, como Ahmad Sukarno, um dos fundadores desse Movimento, disse na famosa Conferência de Bandung em 1955, o fundamento do Movimento dos Não Alinhados não é geográfico ou racial, nem a unidade de religião; o fundamento do Movimento dos Não Alinhados é a unidade de carências e necessidades. Naquele momento, os estados membros do Movimento dos Não Alinhados careciam de um elo que os protegesse contra as redes autoritárias, arrogantes e insaciáveis; hoje, com o progresso e a disseminação dos instrumentos de hegemonia, essa carência ainda existe.

Gostaria de destacar mais uma verdade. O Islã nos ensinou que, apesar das diferenças raciais, linguísticas e culturais, todos os seres humanos partilham a mesma natureza, que os encaminha na direção da pureza, da justiça, da generosidade, da compaixão e da cooperação. Essa natureza humana universal é que – quando consegue afastar-se com segurança das motivações enganosas – conduz os seres humanos na direção do monoteísmo e da compreensão da transcendente essência de Deus.

Essa luminosa verdade tem tal poder, que serve como base para a fundação de sociedades livres e orgulhosas delas mesmas, e que, ao mesmo tempo, alcançam progresso e justiça para muitos. Ela permite que a luz da espiritualidade ilumine todos os projetos materiais da humanidade e, assim, permite que os homens criem para eles mesmos, sobre a Terra, paraísos de bem-estar, antecipação do paraíso que depois virá, prometido por muitas religiões. E é essa verdade comum e universal que pode oferecer os fundamentos da irmandade e da cooperação fraterna entre nações e povos que pouco ou nada tenham de semelhança entre eles, em termos de estruturas externas, passado histórico ou localização geográfica.

Sempre que a cooperação internacional for baseada nesse tipo de fundamento, os governos poderão construir relações entre eles, não baseadas no medo, nem construídas sob ameaças, ou por ganância, ou baseadas na disputa entre interesses unilaterais, ou que brotam da mediação de indivíduos traiçoeiros e venais, mas baseadas em interesses partilhados entre todos e – mais importante – que visam a atender a interesses de toda a humanidade. Assim, os governantes podem dar paz às próprias consciências despertas e alargadas e podem garantir paz também à consciência dos seus povos.

Essa ordem baseada em valores é o exato oposto da ordem baseada na força hegemônica, que tem sido ostentada, propagandeada e capitaneada pelas potências ocidentais nos últimos séculos; e pelo governo agressivo e autoritário dos EUA, hoje.
16a. Conferência dos Países Não Alinhados - Teerã, 30/8/2012

Caros visitantes e hóspedes, hoje, passadas já quase seis décadas, os principais valores do Movimento dos Não Alinhados permanecem vivos e firmes: valores como o anticolonialismo, a independência econômica e política, o não alinhamento com blocos de poder, e sempre crescentes e aprimoradas solidariedade e cooperação entre os estados membros. As realidades do mundo contemporâneo não mostram fartura desses valores. Mas o desejo coletivo manifestado, somado a esforços amplos e firmes para mudar as realidades de hoje e realizar aqueles valores, embora carregados de desafios, são promissores e recompensadores.

No passado recente, assistimos ao fracasso das políticas da era da Guerra Fria e ao unilateralismo que se seguiu àquelas políticas. Aprendidas as lições dessa experiência histórica, o mundo está em transição para uma nova ordem internacional. E o Movimento dos Não Alinhados pode, aí, desempenhar um novo papel. A nova ordem terá de ser baseada na participação de todas as nações e em direitos iguais para todas. Como membros desse movimento, nossa solidariedade é necessidade óbvia no atual momento, para estabelecer essa nova ordem.

Felizmente, a visão geral dos desenvolvimentos globais promete um sistema multifacetado, no qual os tradicionais blocos de poder são substituídos por grupos de países, culturas e civilizações de diferentes origens econômicas, sociais e políticas. Os importantes eventos cuja ocorrência testemunhamos nas últimas três décadas mostram claramente que a emergência de novas potências coincidiu com o declínio das velhas potências. Essa gradual transição de poder oferece aos países não alinhados importante ocasião para desempenhar papel significativo no palco mundial e para preparar o terreno para nova governança global, justa e realmente participativa.

Apesar das muitas perspectivas e orientações, nós, estados membros desse Movimento de Não Alinhados, conseguimos preservar por muito tempo nossa solidariedade e os laços que nos ligam, no quadro de nossos valores partilhados. Não é realização pequena ou desimportante. Esses laços e nossa solidariedade podem preparar o terreno para a transição para uma nova ordem humana e justa.

As atuais condições globais oferecem ao Movimento dos Não Alinhados uma oportunidade que talvez não volte a aparecer. Nosso pensamento é que a sala de controle do mundo não deve ser administrada pelo desejo de poder ditatorial com que a administram os interesses e desejos de uns poucos países ocidentais.

Tem de ser possível estabelecer e preservar um sistema participativo de administração dos assuntos internacionais que seja global e democrático. É o que querem e do que carecem todos os países que, direta ou indiretamente, foram agredidos por ações de países tão hegemônicos quanto violentos e agressivos.

A estrutura e os mecanismos do Conselho de Segurança da ONU são hoje ilógicos, injustos e absolutamente não democráticos. Vê-se ali flagrante modalidade de ditadura, antiquada e obsoleta, cujo prazo de validade já se esgotou. Mediante repetido abuso daqueles mecanismos impróprios, os EUA e seus cúmplices têm conseguido mascarar seus atos de injustificável agressão, travestindo-os com conceitos nobres e impondo-os à força, ao mundo. Aqueles mecanismos preservam os interesses do ocidente, apresentando-os como se implicassem “direitos humanos”. Os EUA interferem militarmente em outros países, mascarando a intervenção em nome de alguma “democracia”. Atacam populações indefesas em vilas e cidades, bombardeando inocentes, como se isso fosse “combater o terrorismo”. Da perspectiva dos EUA, a humanidade divide-se em cidadãos de primeira e de segunda classe.

A vida humana na Ásia, África e América Latina vale nada; só é valiosa e cara nos EUA e na Europa Ocidental. A segurança de EUA e Europa é artigo importante; a segurança do resto da humanidade vale nada. Tortura e assassinato são permitidos e absolutamente inatingíveis pela lei, se o torturador e o assassino é EUA ou os sionistas ou algum de seus fantoches. Nada agita a consciência deles: mantêm prisões secretas em várias partes do mundo, em vários continentes, nos quais prisioneiros aos quais se nega qualquer defesa ou advogado, nega-se até o direito de ser julgado em tribunal legal, vivem em condições abjetas, inadmissíveis. O bem e o mal são valores definidos seletivamente, viciosamente. Impõem seus próprios interesses a nações livres, como se alguma “lei internacional” existisse especialmente para legalizar o que é injusto. Impõe sua dominação e suas exigências, como se fossem exigência de alguma “comunidade internacional”. Usando sua própria rede de imprensa, comunicação e mídia, exclusiva e organizada, conseguem mascarar como verdade a falsidade e suas mentiras; a opressão que impõem, são apresentadas como esforços para promover alguma justiça. Ao mesmo tempo, apresentam como se fossem mentiras todas as declarações e informações verdadeiras que exponham a falsidade e a simulação; e chamam de “rogue” toda demanda legítima.

Amigos, essa situação daninha e viciosa não pode continuar. Todos se cansaram dessa estrutura internacional viciosa. O movimento dos 99% do povo contra os centros de riqueza e poder nos EUA, e os protestos populares que se alastram na Europa Ocidental contra as políticas econômicas dos respectivos governos mostram que o povo começa a perder a paciência. É necessário remediar essa situação irracional. Elos de conexão firmes, lógicos, abrangentes, entre os estados membros do Movimento dos Não Alinhados, podem ter importante função na ação de encontrar remédio.

Honrado público presente, a paz e a segurança internacional estão entre as questões cruciais do mundo contemporâneo; eliminar as catastróficas armas de destruição em massa é necessidade urgente e demanda universal. No mundo de hoje, a segurança é necessidade partilhada – e não há espaço para discriminação.

Ninguém, dos que mantêm armas anti-humanidade em seus arsenais, pode, de modo algum, declarar-se padrão exemplar de guardião da segurança global. Sequer são capazes de proteger a própria segurança e a segurança dos seus cidadãos.

Máxima infelicidade é ver que países que mantêm os maiores arsenais de bombas nucleares do planeta ainda não deram qualquer sinal de disposição genuína para desmontar esses arsenais e apagar essas armas anti-humanidade de suas doutrinas militares. De fato, aqueles países ainda consideram aquelas armas como instrumento útil para usar como ameaça – e como importante padrão que define a posição política e internacional, de força, dos países “atômicos”. É indispensável rejeitar e condenar completamente esse conjunto de ideias.

Armas nucleares nem garantem autoproteção e segurança, nem são fator que consolide algum poder político. Não passam de ameaças diretas tanto à segurança quanto a qualquer poder político. Os eventos dos anos 1990s mostraram que a posse de armas nucleares sequer conseguiu manter no poder um regime como o da antiga União Soviética. E hoje se veem alguns países expostos a trágicas ondas de mortal insegurança, apesar das suas bombas atômicas.

A República Islâmica do Irã define o use de armas químicas e similares como pecado grave e imperdoável.

Propusemos a ideia do “Oriente Médio livre de armas nucleares” e continuamos comprometidos com ela. Não implica abrir mão de nosso direito de usar a energia atômica para finalidades pacíficas e para produzir combustível atômico. Em estrito respeito à legislação internacional, todos os países têm direito de usar energia nucelar para finalidades pacíficas. Todos os países devem poder empregar essa importante fonte de energia para várias finalidades vitais, em benefício do país e de seu povo, sem ter de depender de fornecedores para exercer esse direito.

Alguns países ocidentais os quais, eles mesmos, mantêm arsenais de bombas atômicas e são culpados, portanto, dessa prática ilegal, desejam monopolizar a produção de combustível nuclear. Movimentos clandestinos estão em processo hoje, para consolidar um monopólio permanente da produção e venda de combustível nuclear, em centros que têm uma autorização internacional, mas que, de fato, são controlados por uns poucos países ocidentais.

Amarga ironia de nosso tempo é que o governo dos EUA, que comanda o maior e mais mortal arsenal de bombas atômicas anti-humanidade e de outras armas de destruição em massa – e o único país, em toda a história do mundo, culpado de ter usado bombas atômicas em situação de guerra – tanto faça para aparecer como paladino da oposição à proliferação dessas armas.

Os EUA e seus aliados ocidentais armaram o regime sionista usurpador: deram armas atômicas àquele regime e, assim, criaram a maior e mais terrível ameaça que pesa hoje sobre toda essa região sensível. Mas os mesmos, cínicos, mentirosos, falsos, não admitem que países independentes usem a energia nuclear para finalidades pacíficas; de fato, opõem-se furiosamente, com toda sua força, à produção de combustível nuclear para emprego em equipamentos usados em pesquisa médica, farmacológica e outras finalidades pacíficas. Usam, como pretexto, o medo de que esses países venham a produzir armas atômicas.

No caso da República Islâmica do Irã, os próprios mentirosos sabem perfeitamente que mentem, mas as mentiras e os mentirosos são ‘autorizados’ pelo tipo de política que praticam, absolutamente carente de qualquer traço, mínimo que fosse, de espiritualidade. Estado, governo e governantes que fazem ameaças nucleares em pleno século 21, sem se envergonharem do que fazem e dizem... por que se envergonhariam de mentir ao mundo?

Reafirmo que a República Islâmica jamais buscou produzir armas nucleares. Reafirmo também que jamais desistimos ou desistiremos do direito, que é do povo do Irã, de usar energia nuclear para finalidades pacíficas. Nosso motto é e sempre foi: “Energia nuclear para todos e armas nucleares para ninguém.”

Insistiremos sempre em cada um desses dois conceitos. Sabemos que quebrar o monopólio de alguns países ocidentais produtores de energia nuclear – nos termos definidos pelo Tratado de Não Proliferação – é tarefa que interessa a todos os países independentes inclusive aos membros do Movimento dos Não Alinhados.

A bem-sucedida experiência da República Islâmica, na resistência contra a agressão e as pressões dos EUA e seus cúmplices, já nos convenceu firmemente de que a resistência de nação decidida a resistir pode vencer todas as hostilidades, provocações e desamizades, e abrir caminho para que os resistentes alcancem seus mais altos objetivos. Os amplos avanços que o Irã obteve nos últimos 20 anos são fatos bem conhecidos de muitos e repetidamente atestados por observadores internacionais oficiais. Tudo o que fizemos aconteceu sob sanções e pressões econômicas, e contra intensivas campanhas de propaganda, de que são meios e agentes as redes de imprensa, comunicação e notícias apadrinhadas pelo sionismo e pelos EUA.

As sanções, definidas como “debilitantes”, quando não como “paralisantes” por comentaristas néscios, não só não nos paralisaram como, ao contrário, nos obrigaram a dar passos mais firmes, a firmar nossa vontade, e aprofundaram nossa convicção de que nossas análises são corretas e que o Irã é mais forte do que supõem os inimigos. Tantos de nós viram, com os próprios olhos, o quanto Deus nos ajuda sempre, para superar esses desafios!

Honrados hóspedes, considero necessário falar aqui sobre importante questão que, embora seja questão dessa nossa região, tem dimensões que avançam muito além dos nossos limites e influenciam políticas globais há, já, várias décadas. Refiro à gravíssima questão da Palestina.

Em versão resumida, começou por um terrível complô ocidental, dirigido pela Inglaterra nos anos 1940s. Um país independente, com clara e conhecida identidade histórica, chamado “Palestina”, foi roubado do povo que ali vivia e, mediante invasão, guerra, matança, massacres, foi entregue a um grupo de pessoas das quais a maioria eram imigrantes de países europeus.

Essa quase inacreditável usurpação – que, nos primeiros anos, foi acompanhada de massacres de aldeãos que viviam indefesos em cidades e vilas palestinas, e que foram ou assassinados ou expulsos de suas casas e cidades e vilas e terras e empurrados para países vizinhos, como párias – continuou por mais de 60 anos; praticamente os mesmos crimes repetem-se até hoje. Essa é uma das questões mais importantes a exigir ação firme de toda a comunidade humana.

Durante todos esses anos, líderes políticos e militares do regime sionista ocupante não negaram a prática de seus crimes: assassinatos, destruição de casas e propriedades, prisão e tortura de homens, mulheres e até de crianças, humilhação e insultos contra a nação palestina, tentativas que o regime sionista sempre fez, na intenção de destruí-la, atacando até os campos de refugiados palestinos em países vizinhos, nos quais vivem milhões de palestinos. Os nomes de Sabra e Shatila, Qana e Deir Yasin estão gravados fundo na história de nossa região, marcados pelo sangue do povo oprimido da Palestina.

Mesmo hoje, 65 anos depois, o mesmo tipo de crimes marca o tratamento que recebem os Palestinos que restam nos territórios ocupados pelos ferozes lobos sionistas. Cometem crime após crime, e criam novas crises para toda a região. Raramente se passa um dia sem notícias de assassinatos, ferimentos, prisão de jovens que avançam para defender a própria terra e a própria honra e protestam contra a destruição de suas casas e pomares.

E o regime sionista, que ainda não foi punido por seus crimes e causa conflitos, há décadas, e faz guerras desastrosas, mata, ocupa territórios árabes e organiza o estado de terror na região e no mundo... é ele, o próprio regime sionista, quem rotula de “terroristas” o povo palestino que, ainda e sempre, defende os próprios direitos usurpados. E as redes de imprensa, comunicações e mídia, que são propriedade do sionismo, muitos dos veículos da mercenária imprensa-empresa ocidental só fazem repetir a grande mentira que os sionistas inventam e divulgam; e violam, assim valores éticos e morais sem consideração aos quais o compromisso jornalístico nada é. E líderes políticos que se dizem defensores de direitos humanos, mantêm os olhos fechados para os crimes dos sionistas e apóiam esse regime criminoso e, desavergonhadamente, assumem o papel de defensores dos sionistas.

Nossa posição é que a Palestina pertence aos palestinos e que a ocupação continuada é injustiça enorme e intolerável, além de grave ameaça à paz e à segurança globais. Todas as soluções sugeridas e adotadas pelos ocidentais e aliados para “resolver o problema da Palestina” deram em nada, e continuarão a dar em nada também para o futuro.

Oferecemos proposta para solução justa e inteiramente democrática. Todos os palestinos – os atuais cidadãos e os que foram forçados a emigrar, mas preservaram a identidade palestina, inclusive muçulmanos, cristãos e judeus – devem votar num referendum cuidadosamente organizado e supervisionado para ser plenamente transparente e confiável, mediante o qual escolherão o sistema político que desejam para seu país; e todos os palestinos que há anos padecem os sofrimentos do exílio devem voltar ao país para também votar nesse referendum; isso feito, os palestinos redigirão uma Constituição; e, então, haverá eleições. A paz estará, afinal, estabelecida.

Quero agora dar um bem-intencionado conselho aos políticos dos EUA que sempre aparecem para defender e apoiar o regime sionista. Até o presente, esse regime só criou incontáveis problemas também para vocês. Apresentou aos povos dessa região uma imagem de intolerância e ódio, que se agrega à própria imagem de vocês; mostra-os ao mundo como cúmplices dos crimes de ocupação e usurpação praticados pelos sionistas. O custo material e moral que pesa sobre o governo e o povo dos EUA, pelo apoio que alguns políticos norte-americanos dão aos sionistas, é espantosamente alto, e muito mais alto ainda poderá ser, no futuro.

Considerem, portanto, a proposta de um referendum palestino, que lhes foi encaminhada pela República Islâmica. Em seguida, em decisão corajosa, salvem-se vocês mesmos dessa situação impossível, sem saída, na qual se veem hoje, aliados ao regime sionista ocupante e usurpador. Não há dúvidas que o povo dessa região e os homens e mulheres de pensamento justo e livre em todo o mundo acolherão com satisfação a notícia.

Distintos hóspedes, gostaria agora de voltar ao meu ponto inicial. As condições globais são sensíveis; o mundo passa por conjuntura histórica crucial. Pode-se prever que logo nascerá uma nova ordem mundial. O Movimento dos Não Alinhados, no qual se incluem quase dois terços da comunidade mundial, pode desempenhar papel importante na modelagem desse futuro.

A realização dessa grande conferência em Teerã é, por si mesma, evento importante, a ser levado em consideração. Ao unirmos nossos recursos e nossas competências e capacidades, os membros do Movimento dos Não Alinhados podemos criar novo e duradouro papel histórico, na direção de salvar o mundo da falta de segurança; dos perigos das guerras; e das ameaças da hegemonia.

Esse objetivo só é alcançável mediante a cooperação abrangente entre todos nós. Há entre nós alguns países muito ricos; há países que gozam de importante influência internacional. É absolutamente possível encontrar soluções para muitos problemas mediante cooperação econômica e no campo da informação, das comunicações e da mídia, e mediante a troca de experiências que nos ajudem a melhorar e avançar. Precisamos fortalecer nossa determinação Temos de nos manter fieis aos nossos objetivos.

Não temos o que temer das potências provocadoras e arrogantes, cada vez que nos fazem caretas e gritam, supondo que nos metam medo; nem temos de sorrir em resposta, cada vez que nos sorriem. Temos, para nosso apoio e suporte, o desejo de Deus e suas leis.

Temos muito a aprender do que se viu acontecer ao campo comunista, há duas décadas. E também temos a aprender do fracasso das políticas da assim chamada “democracia liberal ocidental”, hoje. Os sinais do fracasso daquelas políticas são hoje bem visíveis nas ruas da Europa e dos EUA e nos problemas econômicos insolúveis nos quais se debatem aqueles países.

Por fim, temos de considerar como grande oportunidade o Despertar Islâmico na região e o fim dos governos ditatoriais no Norte da África, que sempre foram governos dependentes dos EUA e cúmplices do regime sionista. Podemos ajudar a aumentar a “produtividade política” do Movimento dos Não Alinhados na governança global. Podemos preparar um documento histórico, que vise a provocar mudança nessa governança e contribua como ferramenta de governo e administração. Podemos construir planos para efetiva cooperação econômica e definir paradigmas de relacionamento cultural entre nós. E criar um secretariado ativo e mobilizado para o Movimento dos Não Alinhados será ajuda significativa, importante para que se alcancem os outros objetivos.

Muito obrigado.

redecastorphoto

Dominó Árabe - Irã desacata a ONU

Agência nuclear acusa Teerã de elevar em 60% o estoque de urânio. Casa Branca avisa que diplomacia tem prazo

Um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) denuncia que o Irã aumentou em 60% o seu estoque de urânio medianamente enriquecido — um grau de pureza maior do que o necessário para produzir energia nuclear. Em maio, o país possuía 72kg do material. A quantidade aumentou para 115,2kg. Além disso, a nação dobrou a capacidade de processar urânio ao aumentar o número de centrífugas da usina nuclear de Fordo, que passou de 1.064, em maio, para 2.140. Apenas 700 dos aparelhos estariam funcionando. A divulgação do documento coincidiu com a abertura da 16ª Cúpula dos Países Não Alinhados, em Teerã. A Casa Branca alertou ao Irã que as negociações diplomáticas sobre o projeto nuclear não vão durar indefinidamente.

A AIEA advertiu que Teerã "dificultou significativamente" a inspeção da base militar de Parchin, onde crê terem sido construídas armas nucleares. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou a República Islâmica por não cumprir com as resoluções da ONU. "No interesse da paz e da segurança no mundo, peço encarecidamente ao governo iraniano que adote as medidas necessárias para restabelecer a confiança sobre o caráter exclusivamente pacífico de seu programa nuclear", declarou Ki-moon. "O Irã deve cumprir totalmente com as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança e cooperar com a AIEA." Ele mostrou seu desagravo pelo fato de o governo do presidente Mahmud Ahmadinejad negar o Holocausto e ameaçar destruir Israel: "Lamento firmemente qualquer ameaça de um Estado-membro (da ONU) de destruir outro, ou os comentários ultrajantes que negam fatos históricos como o Holocausto".

Pecado

O Irã mantém o discurso de que seu programa atômico tem fins pacíficos. Ao inaugurar a cúpula, o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, garantiu que o país "não buscará jamais possuir a arma atômica". "Usar armas de destruição em massa é um grande e imperdoável pecado." Mas completou que sua nação não desistirá do direito à energia nuclear pacífica. Khamenei denunciou a Ki-moon a "estrutura antidemocrática" do Conselho de Segurança, que afirmou ser controlado pela ditadura do Ocidente. A AIEA, porém, divulgou que a República Islâmica produziu, desde 2010, cerca de 190kg de urânio enriquecido em grau de pureza maior do que o necessário para gerar energia. Em resposta às denúncias, o Irã assegurou que o material destina-se a um reator de pesquisas médicas.

Apesar de reconhecer que o aumento de centrífugas em Fordo, localizadas a 130km de Teerã (veja mapa), amplie a capacidade de enriquecimento de urânio, Jim Walsh — pesquisador de segurança nuclear do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) — lembra que a instalação é monitorada pela AIEA. "Para fabricar bombas atômicas no local, eles teriam que expulsar os inspetores, o que provavelmente resultaria em uma resposta militar dos EUA." Kaveh Ehsani, especialista em Irã pela Universidade DePaul, em Chicago (EUA), acredita que o governo iraniano deseja ter a capacidade de construir armas atômicas. "O programa envolve questões políticas e econômicas. A dificuldade nas negociações com a ONU se deve ao fato de Teerã querer ser um parceiro igualitário nas discussões e não ter que se sujeitar apenas aos desejos dos EUA", esclareceu.

Defesa Net

Israel realiza treinamento de guerra em Tel Aviv

Israel realizou um exercício de emergência maciço no centro de Tel Aviv, que simula ataques de foguetes em caso de uma possível guerra com o Irã.

Os treinos começaram na manhã desta quinta-feira, dia 30 de agosto, no Tel Aviv Center, um local com um shopping center, clínicas médicas, restaurantes e edifícios comerciais.

A operação simulava uma evacuação em larga escala, e envolveu todos os serviços de emergência de Tel Aviv.

Segundo a recomendação das autoridades israelenses, os cidadãos teriam de 30 segundos a três minutos para se refugiar desde que soassem as sirenes até que se produzisse o impacto dos foguetes.

As declarações dadas pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nas últimas semanas, sugerem que Israel poderia atacar as instalações nucleares iranianas, para impedir que o país tenha acesso a bomba atômica.

O Irã nega que o seu programa nuclear seja destinado a armas de destruição em massa.

Ai Noticia

OVNI no fundo do mar Báltico será tema para filme

O misterioso objeto redondo, descoberto no ano passado no fundo do mar Báltico, não sai dos pensamentos nem de cientistas nem de fãs de ficção científica.

Os mergulhadores suecos, autores da descoberta misteriosa, tentam manter uma abordagem objetiva para com o estudo da sua descoberta. No entanto, não escondem o desejo de encontrar evidências de que o objeto misterioso é algo mais do que apenas um pedaço de rocha.

O líder da equipe Ocean X, Peter Lindberg, disse que atualmente a sua equipe está preparando um documentário sobre sua descoberta. Nele, os mergulhadores prometem falar de alguns fatos muito interessantes que eles conseguiram encontrar. “Mas por enquanto nós não divulgamos a informação. Verão no filme,” disse Lindberg.


Voz da Rússia

Quatro contra Obama

O Departamento de Justiça dos EUA informou sobre uma conspiração contra Barack Obama. Quatro militares preparavam um golpe de Estado e o assassinato do presidente do país. Todos eles já foram presos. No entanto, os investigadores desconhecem se eles têm cúmplices.

Os militares eram membros de um grupo radical antigovernamental chamado F.E.A.R. (Forever Enduring Always Ready) “Perseverança e Prontidão Sempre”. Os praças Isaac Aguigui e Christopher Salmon, o sargento Anthony Peden e o praça de primeira classe Michael Burnett estão presos desde dezembro pelo assassinato de um colega e sua namorada. Eles mataram Michael Roark de 19 anos de idade e Tiffany York de 17 anos de idade em uma floresta perto de sua base militar, temendo que eles iriam revelar os planos secretos do grupo.

Esses planos, segundo o procurador, incluíam capturar os depósitos de armas em Fort Stewart (no estado de Geórgia), onde eles serviam, explodir os edifícios da direção de segurança interna e das instalações hidráulicas do estado de Washington. E depois – organizar um atentado contra o presidente Barack Obama e um golpe de estado nos EUA. Para esses fins, eles já tinham comprado 87 mil dólares em armas.

Na véspera, um dos réus – Michael Burnett – admitiu ao tribunal que ele fazia parte de um grupo armado de orientação anarquista. Seus membros acreditam que o governo precisa de uma renovação drástica, disse ele.

– Quais eram os objetivos do grupo F.E.A.R.?

– Que o governo volte de novo às pessoas.

– Você está falando de revolução?

– Sim. Em parte.


Tal preparação não pode ser considerada séria, diz o presidente do Instituto de Avaliações Estratégicas e Análise, Alexander Konovalov:

“Na América do Norte, onde circula um número tão grande de armas de assalto livremente vendidas, algumas pessoas facilmente poderiam ter gasto 87.000 dólares. O fato de que nos Estados Unidos há pessoas descontentes, ou loucos que pensam que alguém está vendendo sua pátria, que é necessário fazer algo sobre o estado corrente das coisas, sempre existiu, existe e não vai deixar de existir. Para isso há o serviço secreto, que deve interceptar e expor isso. Tais ameaças, penso eu, são prevenidas mais que uma ou duas vezes por ano.”

Os quatro soldados claramente não teriam conseguido realizar um golpe de estado. No entanto, este caso merece atenção. Os réus, como observou o Departamento de Justiça, não escondem sua antipatia aguda para com o atual presidente.

O líder do grupo, Isaac Aguigui, disse abertamente durante a investigação que as ações de seu grupo se baseavam em hostilidade racial. E um de seus slogans já se tornou famoso: “Um presidente negro não tem lugar na Casa Branca”. Há que admitir que não só na sociedade civil dos EUA, mas também no exército não gostam de Obama.

O governo dos EUA considerou o grupo radical uma organização terrorista. Ainda não há dados precisos sobre a sua composição. No entanto, o Departamento de Justiça sabe que o líder da formação, Aguigui, promovia ativamente as suas ideias entre os colegas na Terceira Divisão Mecanizada de Infantaria. Foi ela a primeira a entrar no Iraque em 2003. Segundo informações da Voz da Rússia, está sendo verificada a versão de ter havido oficiais entre os extremistas.

Voz da Rússia

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Peça de submarino fabricada em Cataguases

Metalúrgica Zollern vai produzir mancais em contrato de R$ 2,15 milhões. - Foto: Divulgação

Indústria poderá somar mais de R$ 7,5 bi em oportunidades de negócios com a Marinha

A indústria mineira poderá somar mais de R$ 7,5 bilhões em oportunidades de negócios com a Marinha do Brasil. Em visita à sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) na segunda-feira, o comandante Júlio Soares de Moura Neto garantiu que dará preferência ao parque industrial nacional para a construção de seis submarinos movidos por propulsão nuclear e 15 convencionais, à bateria, abrindo o mercado para Minas Gerais.

A metalúrgica Zollern, de Cataguases (a 120 quilômetros de Juiz de Fora), está entre as 15 empresas citadas por Moura Neto como possíveis fornecedores. De acordo com o diretor geral da companhia, Ronaldo Fraga, o pedido para a fabricação de mancais (estrutura para apoio de eixos deslizantes) para quatro submarinos, no valor de R$ 2,15 milhões, foi feito há um mês, e a primeira entrega está prevista para outubro de 2013.

Se a Marinha der continuidade ao programa de investimentos e aos contratos com a DCNS, com certeza seremos candidatos a manter a parceria", declarou Fraga, referindo-se à estatal francesa que irá cooperar com a construção dos equipamentos, fazendo transferência de tecnologia para o Brasil. Moura Neto enumerou outras compras no horizonte da Marinha, como navios de propósitos múltiplos, aeronaves, helicópteros, carros-anfíbios e de combate, que necessitam de uma série de itens que podem ser fabricados em Minas. Segundo o comandante, há oportunidades nos setores elétrico-eletrônico, de telecomunicações, de mecânica, de motores e de propulsores. Ele ressaltou, ainda, a abertura de mercado internacional que os negócios com a Marinha podem trazer para o estado, já que os fornecedores da corporação entram em um cadastro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). (Tribuna de Minas/MG)

Defesa Net

A Tele Visão


Nova ordem mundial está nascendo, diz líder supremo do Irã em encontro de países

O líder iraniano Ayatollah Seyyed Ali Khamenei discusando na abertura do evento em Teerã

Reunião entre os "não alinhados" pretende construir força política desalinhadas com a dos norte-americanos

A abertura da 16ª Cúpula dos Países Não Alinhados nesta quinta-feira (30/08) foi marcada por críticas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e à ordem política mundial protagonizada pelos Estados Unidos e seus aliados. No entanto, o que prevaleceu foi o sentimento de que uma nova ordem mundial está sendo constituída.

Por ser o anfitrião do evento, o líder iraniano Ayatollah Seyyed Ali Khamenei fez o discurso inicial perante representantes de 107 países e pediu sua união para a constituição de uma nova força política que possua valores diferentes dos norte-americanos. Segundo ele, o Movimento de Países Não Alinhados são contra o colonialismo e a dependência cultural, política e econômica.

"O mundo está em transição para uma nova ordem internacional e o Movimento de Países Não Alinhados pode e deve desenvolver um novo papel”, afirmou ele. Khameini destacou que existe solidariedade e cooperação entre os países membros do grupo por mais de cinco décadas, mas reafirmou a importância de maior aproximação com a atual conjuntura política.

Para o líder iraniano, existem condições históricas, como os protestos e transformações ao redor do mundo, que apontam para o nascimento de uma nova ordem. “O coletivo vai desenvolver esforços para mudar a realidade e alcançar os valores que acredita”, disse ele.

Khameini também criticou a estrutura “não democrática, irracional e injusta” do Conselho de Segurança da ONU. “É uma forma flagrante de ditadura, é inadequada e obsoleta”, disse ele. ”Os EUA e seus aliados protegem os interesses ocidentais no nome dos ‘direitos humanos’, interferem militarmente em outros países em nome da ‘democracia’ e atingem pessoas indefesas para ‘combater terrorismo’”, acrescentou.

Histórico

As cúpulas do Movimento de Países Não-Alinhados são realizadas a cada três anos e a anterior aconteceu em 2009, no Egito, onde foi decidido que a seguinte seria no Irã, país que assumiu a presidência rotativa da organização até 2015. O encontro termina nessa sexta-feira (31/08).

O Movimento dos Países Não-Alinhados, fundado formalmente em 1961, reúne quase dois terços dos Estados-membros das Nações Unidas, especialmente da Ásia, África e América Latina, que têm pouco mais da metade da população mundial.

Durante a Guerra Fria, na segunda metade do século passado, se agruparam no grupo a maior parte dos Estados não oficialmente alinhados nem com o bloco ocidental nem com o soviético, a fim de manter sua independência.

Após o final da Guerra Fria, o movimento se mantém, embora muitos de seus membros apontem que deve adaptar-se à nova estrutura geopolítica mundial se quiser sobreviver.

Irã pede igualdade de tratamento sobre questão nuclear à ONU

Encontro do secretário geral da ONU, Ban Ki Moon (esquerda), com líder supremo do Irã, Ayatollah Khamenei

Aiatolá Kamenei se reuniu com secretário-geral da ONU antes do início do encontro de países "não alinhados"

As Nações Unidas devem assumir um papel mais decisivo contra a proliferação de armas nucleares no Oriente Médio e tratar de forma igualitária todos os países no que concerne ao assunto. Esse foi o posicionamento defendido pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Sayid Ali Kamenei, em reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, nesta quarta-feira (29/08) em Teerã.

"A República Islâmica do Irã reitera a sua posição sobre um Oriente Médio livre de armas nucleares, e a ONU deve fazer sérios esforços para dissipar as preocupações com relação a esse armamento", disse ele.

Kamenei reafirmou que o programa nuclear iraniano não tem fins militares e acusou os Estados Unidos de estarem procurando por um motivo para atacá-los. "Os norte-americanos estão plenamente conscientes de que o Irã não busca armas nucleares e estão apenas à procura de um pretexto", afirmou o líder. Ele também pediu uma reação da ONU sobre as ameaças militares norte-americanas contra o Irã.

Segundo o líder iraniano, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU) e o Conselho de Segurança atuam de forma diferente diante da questão nuclear dependendo do país. Enquanto exigem uma série de investigações do Irã, essas instituições ignoram o desenvolvimento crescente do programa nuclear israelense “que constitui uma verdadeira ameaça para a região”.

Ban Ki Moon que está no Irã para participar da 16.ª Cúpula dos Países Não Alinhados parabenizou o governo do país por assumir a presidência do grupo e desenvolver importante papel na região.

Apesar das afirmações de Kamenei, o secretário geral da ONU expressou preocupação com o programa nuclear iraniano e pediu ao líder do país para cooperar com a AIEA e o Conselho de Segurança.

Opera Mundi

FAB pela FAB - EMAER

EMCFA - Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Rússia irá implantar no exterior sistema de monitoramento do espaço

A Rússia irá implantar uma rede de pontos experimentais óticos do sistema de controle do espaço em 2013-2014, inclusive no exterior. O objetivo é o desenvolvimento de um sistema automatizado de prevenção de situações perigosas no espaço próximo.

Um dos principais focos do desenvolvimento deste sistema é criar uma vigilância adicional de objetos espaciais. Outras áreas de desenvolvimento são a expansão do intercâmbio de informações com sistemas similares estrangeiros.

Voz da Rússia

China testa ICBM capaz de levar dez ogivas nucleares

Mercenários da Blackwater Já Operam No Brasil

O General-de-Brigada Durval Antunes de Andrade Nery, Coordenador de Estudos e Pesquisas do Cebres (Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos), denuncia em entrevista publicada no O Dia, que a recriação da IV Frota da Marinha dos EUA tem como objetivo uma futura intervenção militar nas jazidas de petróleo de pré-sal, recém descobertas pela Petrobrás no litoral brasileiro.

Além disso, o General relata a existência de mercenários da Blackwater em plataformas de petróleo administradas pela Halliburton e pertencentes à família Bush situadas na plataforma continental brasileira, devidamente licitadas pela ANP. A relação entre a Halliburton e a Blackwater é bem conhecida no mundo e seu histórico de ilegalidades e arbitrariedades está bem documentado no Google:

•Halliburton's Hidden Treuhand

•The few, the proud, the Blackwater

•Role of security companies likely to become more visible

•Waxman on warpath over Blackwater payments

Dick Cheney, atual Vice-Presidente dos EUA, era o Presidente da Halliburton antes de assumir a vice-presidência. A Halliburton possui escritórios no Rio de Janeiro e Macaé (RJ) e em Salvador (BA).

Segundo o relato de um Coronel de Exército Comandante de Batalhão na Amazônia, mercenários também já ocupam reservas indígenas contando com bases fluviais bem equipadas e fortemente armados, onde militares brasileiros so podem entrar com autorização judicial. Conforme já prevíamos no artigo anterior sobre a Blackwater, o futuro já chegou: mercenários já ocupam bases na Amazônia brasileira!!

Transcrevemos, a seguir, a matéria publicada no O Dia (bem escondida, por sinal). Este blog tentará contato com o General Durval para tentar colher maiores detalhes e informações sobre a denúncia.

16/08/2008 20:24:00

Essa IV frota é amiga?

Coordenador do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, general vê com preocupação a reativação da esquadra dos EUA encarregada de proteger o comércio nos mares do sul e critica a presença de “mercenários” em plataformas do nosso litoral

Rio - Para a maioria dos militares brasileiros, não há como desassociar a recriação da IV Frota dos Estados Unidos da descoberta de imensa jazida de petróleo no nosso litoral. Entre esses militares, está o general de brigada da reserva Durval Antunes de Andrade Nery, coordenador de estudos e pesquisas do Cebres (Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos), que reúne entre seus pesquisadores diplomados pela Escola Superior de Guerra. Abaixo os principais trechos da conversa dele com O DIA.

IV Quarta Frota

“A decisão dos Estados Unidos de recriar a IV Frota foi apresentada como destinada a proteger o livre fluxo do comércio nos mares da região. Ora, se alguém tem condições de proteger, tem condições de impedir esse fluxo comercial. Pergunto: Por que proteger o comércio de uma área que não vive situação de guerra? E isso quando o Brasil dá notícia da extensão das jazidas do pré-sal como uma das maiores de todo o mundo”.

Grupo Halliburton dos EUA

“Esta empresa está envolvida com o apoio logístico em todo o mundo no que diz respeito ao petróleo, principalmente no Iraque. A Halliburton é uma empresa que hoje, no Brasil, mantém um de seus (ex-) diretores como diretor da ANP (Nelson Narciso Filho, indicado pelo presidente Lula e aprovado em sabatina no Senado). Esse homem tem acesso a dados secretos das jazidas de petróleo no Brasil”.

Bush e o pré-sal

“Logo depois que o mundo tomou conhecimento da existência das reservas do pré-sal, o presidente (George W.) Bush disse na imprensa: ‘Não reconheço a soberania brasileira sobre as 200 milhas’. O pré-sal ultrapassa as 200 milhas. Tudo que existe ali para exploração econômica é do País, isso segundo a ONU. Por que o presidente norte-americano recria a IV Frota logo após não reconhecer nossa soberania?”

O comando da IV Frota

“Poderíamos imaginar que a IV Frota vai ter missão humanitária, mesmo custando uma fortuna manter porta-aviões nucleares com 50, 60 e 100 aviões navegando permanentemente nos mares do sul. Mas, por que nomear para o comando o contra-almirante Joseph Kernan, especializado em táticas de guerra submersa e no treinamento de homens-rãs? Um homem que com seus sabotadores deu um banho nas guerras do Afeganistão e do Iraque está à frente da IV Frota para proteger?”

Blackwater no Brasil

“(Após a eleição de Bush), a Hallibourton, contratada pelo governo dos EUA para planejar a redução das despesas do país com as Forças Armadas, criou uma empresa chamada Blackwater — firma de mercenários, com contrato de seis bilhões de dólares e que, só no Iraque, tem 128 mil homens. Eles fazem segurança e matam. Pergunto: Quem está fazendo a segurança das 15 plataformas que a família Bush tem no Brasil, todas vendidas (em licitação) pela ANP? Ainda faço um desafio: vamos pegar um barco e tentar subir numa plataforma. Garanto que vamos encontrar os homens da Hallibourton armados até os dentes e que não vão deixar a gente subir”.

Estranho na selva

“Coronel que até o ano passado comandava batalhão na região da (reserva indígena) Yanomami contou que estava fazendo patrulha em um barco inflável com quatro homens em um igarapé quando avistou um sujeito armado com fuzil. Um tenente disse: ‘Tem mais um cara ali’. Eram cinco homens armados. O tenente advertiu: ‘Coronel, é uma emboscada. Vamos retrair.’ Retraíram. Perguntei: ‘O que você fez?’ Ele disse: ‘General, tive que ir ao distrito, pedir à juíza autorização para ir lá.’ Falei: ‘Meu caro, você, comandante de um batalhão no meio da Amazônia, perto da fronteira, responsável por nossa segurança, só pode entrar na área se a juíza autorizar? Ele respondeu: ‘É. Foi isso que o governo passado (Fernando Henrique) deixou para nós. Não podemos fazer nada em área indígena sem autorização da Justiça”.

15 homens e 10 lanchas

“O coronel contou que pegou a autorização e voltou. Levou três horas para chegar ao igarapé, onde não tinha mais ninguém. Continuou em direção à fronteira. De repente, encontrou ancoradouro, com um cara loiro, de olhos azuis, fuzil nas costas, o esperando. Olhou para o lado: 10 lanchas e quatro aviões-anfíbio, no meio na selva. ‘Na sua área?’, perguntei. ‘É’, respondeu. Ele contou que abordou o homem: ‘Quem é você?”. Como resposta ouviu: ‘Sou oficial forças especiais dos Estados Unidos da América do Norte’. O coronel insistiu: ‘Que faz aqui’. E o cara disse que fazia segurança para uma pousada. Ele perguntou qual pousada? Ouviu: ‘Pertencente a um cidadão americano’. Quinze homens estavam lá, armados. Hallibourton? Blackwater?”

Crise do Petróleo

“Temos (no pré-sal), talvez, a maior jazida de petróleo do mundo. Será que países desenvolvidos vão se aquietar sabendo que o futuro deles depende do petróleo? Os Estados Unidos tem petróleo só para os próximos cinco anos. Tanto é que o país não consome o dele, porque suas reservas são baixas. Passa a pegar o que existe no mundo. Foi assim no Irã, em 1953, quando derrubaram o (primeiro-ministro Mohamed) Mossadegh. Os aiatolás pegaram de volta e agora querem outra vez atacar o Irã. No Afeganistão, deu no que deu. No Iraque, tomaram o petróleo de lá. Agora vem o petróleo do Mar Cáspio e a Georgia (em guerra com a Rússia por território onde passam gasodutos). E no Brasil, como será? Essa (IV) Frota é só amiga? Está aqui só para proteger?”.

Fonte: Blog Projeto S.I.L.I. (Search for Intelligent Life in Internet (Busca por Vida Inteligente na Internet)

Gílson Sampaio

Síria: Assad fala em avanços, mas diz que vitória leva tempo

O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que o regime está avançando no conflito contra os rebeldes

O presidente sírio, Bashar al-Assad, mostrou-se decidido a vencer a guerra contra a rebelião que toma conta do país há 17 meses, embora tenha admitido que isso levará tempo, em uma entrevista que será exibida nesta quarta-feira.

No momento em que a Síria está devastada pela violência que deixou dezenas de milhares de mortos, obrigou centenas de milhares de pessoas a fugir e destruiu uma parte de suas infraestruturas, Assad mostrou claramente que não está disposto a ceder, apesar dos muitos chamados para abandonar o poder.

"Posso resumir em uma frase: avançamos, a situação é melhor, mas ainda não vencemos. Isso ainda leva tempo", disse na entrevista à rede de televisão privada pró-regime Ad Dunia, que será exibida na íntegra na noite desta quarta-feira.

Também considerou não realista a criação de uma zona de segurança na Síria para receber os refugiados, que deve figurar na ordem do dia de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira em Nova York. "Penso que falar de zonas de segurança não é uma opção que esteja sobre a mesa e, segundo, é uma ideia que não é realista, nem mesmo para os Estados hostis e inimigos da Síria", afirmou Assad, cujo país conta, desde o início da revolta, em março de 2011, com o apoio de Rússia e China no Conselho de Segurança.

Assad ridicularizou inclusive as deserções de políticos e militares de alto escalão que sacudiram seu regime nos últimos meses, incluindo a do primeiro-ministro Riad Hijab e de várias pessoas próximas ao regime, diplomatas e muitos generais. "Os patriotas e as pessoas de bem não fogem, não abandonam a pátria. Finalmente esta operação é positiva, é uma operação de autolimpeza do Estado, em primeiro lugar, e da nação em geral", lançou Assad.

A Ad-Dunia não informou quando a entrevista foi gravada. As intervenções de Assad são pouco frequentes desde o início da revolta, desencadeada por manifestações pacíficas a favor de reformas democráticas, mas transformada em rebelião armada diante da brutal repressão do regime.

Em suas últimas declarações, em 26 de agosto, Assad também se mostrou inflexível, prometendo vencer "a qualquer preço". "O povo não permitirá que um complô estrangeiro triunfe", disse diante de um emissário do Irã, seu principal aliado na região.

O regime de Assad, que nunca admitiu a magnitude do protesto que teve início durante a Primavera Árabe, acusa a oposição e os rebeldes de serem "grupos terroristas" vendidos ao exterior que buscam semear o caos na Síria. Assad assegura que conta com o apoio de uma parte da população para acabar com a rebelião formada por desertores e civis que empunharam as armas.

Os combates entre rebeldes e soldados não param, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) e os militares no local. As principais frentes são a de Damasco e de sua periferia leste, assim como a de Aleppo, segunda cidade do país, e de Idleb, no norte. Mas a violência atinge muitas outras cidades.

Na terça-feira, 189 pessoas morreram, entre elas 143 civis. Em mais de 17 meses, mais de 25 mil pessoas morreram, segundo o OSDH, e centenas de milhares de sírios se refugiaram nos países vizinhos, principalmente na Jordânia, Turquia e Líbano.

Terra

África do Sul propõe projetos prioritários para a cúpula dos BRICS

A República da África do Sul, o novo membro do grupo BRICS, vai hospedar no seu território a quinta cúpula do bloco em março de 2013. No próximo ano a RSA será presidente do grupo que congrega o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A futura anfitriã já determinou os projetos prioritários da discussão – o lançamento do Banco do grupo BRICS, a instalção do cabo de telecomunicações submarinas entre os países que integram esta associação e a criação de um “corredor de transporte Norte-Sul” que irá atravessar os territórios de 30 Estados.

A África do Sul, o membro mais novo do grupo BRICS, vai presidir no próximo ano este bloco e irá hospedar a sua cúpula em Durban, a terceira maior cidade do país, chamada também “o portão da África”. De acordo com as regras do bloco, o país-presidente vem com as propostas da ordem do dia de mais uma cúpula. A República da África do Sul já tem algo a propor. Uma das iniciativas principais será a instituição pelos bancos dos membros do grupo BRICS de um Banco Unido para os Países Emergentes. Uma outra iniciativa será o projeto ambicioso de instalação de um cabo submarino de telecomunicação que irá ligar o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul. A presidência sul-africana pode dar um novo impulso à vida do bloco, assevera Vladimir Rojankovski, diretor do departamento analítico do grupo de investimentos Nord-Capital.

"Acontece que a África do Sul é conhecida há muito nos países ocidentais como portadora de ideias ocidentais e como um país anglófono que tinha enveredado depois do apartheid pela via de democratização. E isso agrada muito a muitos, em particular, aos EUA."

A consolidação dos esforços de cinco economias mundiais que acusam o mais alto ritmo de crescimento pode contribuir também para a superação das consequências da crise financeira mundial, afirma Alexander Abramov, professor da cadeira do mercado de fundos e do mercado de investimentos da Escola Superior de Economia.

"Um dos rumos eficientes da atividade do grupo BRICS é a política conjunta na esfera de reforço do papel das maiores economias emergentes na organização financeira internacional, no Fundo Monetário Internacional e em outras organizações financeiras internacionais. Trata-se, portanto, de uma posição consolidada no tocante a medidas que as economias evoluídas tomam a fim de vencer a crise financeira. Creio que estas cinco economias constituem uma aliança muito forte e os países evoluídos serão forçados a levá-lo em conta, em primeiro lugar, na esfera de organizações financeiras internacionais."

A África do Sul aderiu ao grupo BRICS no ano passado acrescentando no fim desta abreviatura a letra “S”. O próprio termo surgiu em fins de novembro de 2001 graças ao analista do banco Goldman Sachs Jim O’Neil. Ele destacou quatro economias mundiais que acusavam o ritmo mais alto de crescimento sem supor que elas estivessem ligadas por alguma forma de cooperação. São paises que irão assegurar futuramente o crescimento da economia mundial e em 2050 o valor total das suas economias vai superar o respectivo índice das economias mais ricas do mundo. Um pouco mais tarde estes países deram início a encontros anuais – a cúpula do próximo ano será o quinto encontro dos chefes de Estado deste bloco.

Voz da Rússia

A mensagem do Irã ao mundo

Em reunião de não alinhados, Teerã dá sua versão exibindo restos de carros guiados por cientistas vítimas de atentados

À entrada do salão de convenções onde o Irã está patrocinando uma reunião de cúpula internacional estão os destroços de três carros guiados por cientistas nucleares iranianos mortos ou feridos em atentados a bomba. Cartazes com as fotos dos cientistas e seus filhos estão expostos ao lado.

A mensagem é clara. No momento em que o Irã recebe a maior conferência internacional que a república islâmica organiza em seus 33 anos de história, quer contar seu lado do longo impasse com as potências ocidentais, cada vez mais convencidas de que Teerã quer produzir armas de destruição em massa.

Teerã, que nega buscar a bomba, acredita que os cientistas foram mortos por agentes israelenses, uma afirmação que Israel não admitiu, mas nunca refutou completamente. Por enquanto, a reunião do chamado Movimento dos Países Não Alinhados, grupo constituído durante a Guerra Fria que se considera independente das grandes potências, tem se mostrado uma espécie de sucesso de relações públicas para o Irã.

Na semana passada, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, decidiu participar do encontro a despeito das pressões contrárias de Israel e EUA. O novo presidente do Egito também disse que iria à conferência, apesar da antiga hostilidade entre os dois países, e o primeiro-ministro da Índia pretende levar uma delegação de 250 pessoas na tentativa de promover um aumento do comércio com Teerã.

Os anúncios foram considerados revezes para os esforços dos EUA para isolar o Irã e submetê-lo mediante sanções. "Dois terços dos países do mundo estão aqui em Teerã", disse Mohammad Khazaee, embaixador do Irã na ONU a jornalistas no domingo. "Essa conferência será produtiva para nós." O premiê iraniano Ali Akbar Salehi abriu as sessões iniciais da cúpula no domingo com um pedido aos 120 países do movimento se oporem às sanções impostas a seu país e pediu-lhes para se posicionarem contra o terrorismo, dizendo que o Irã é a maior vítima de ataques terroristas do mundo.

Uma exposição no hall da convenção fazia eco a suas declarações, incluindo fotos de vítimas do que o Irã qualificou de atentados a bomba da oposição nos anos 1980, pouco depois da Revolução Islâmica, e a derrubada de um jato de passageiros iraniano por um míssil disparado de um navio da Marinha dos EUA, em 1988, no que autoridades americanas dizem que foi um acidente. Ele disse também que os EUA haviam "explorado" os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 para promover seus "objetivos hegemônicos".

Tendo em vista esse histórico, o Irã diz que decidiu não correr riscos e lançou uma ampla operação de segurança. Mais de 110 mil agentes de segurança estão controlando as ruas, segundo relatou o vice-comandante nacional de polícia, Ahmad Radam, à agência de notícias Fars durante o fim de semana. Eles são apoiados por 30 helicópteros e quase 3 mil carros patrulha. Há bloqueios em todas as estradas que levam a Teerã, e, de noite, postos de inspeção por toda a cidade.

"Apesar das intenções malévolas de nossos inimigos, nosso serviço secreto tomou todas as precauções necessárias para tornar a reunião de não alinhados um ambiente absolutamente seguro", disse o ministro da inteligência do Irã, Haydare Mosheli, à agência de notícias estatal Irna. Mas a rígida segurança pode ter outro objetivo: garantir que a narrativa do Irã não seja prejudicada por suas dificuldades políticas internas três anos depois de o país ser convulsionado por manifestações antigoverno instigadas por uma eleição contestada, manifestações que foram reprimidas com extrema violência. Sites de oposição com base no exterior pediram novas manifestações contra o governo durante a cúpula.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, deve fazer um pronunciamento na conferência esta semana. E num esforço para provar que seu programa nuclear é pacífico, o Irã está oferecendo tours especiais a alguns de seus sítios nucleares. Como a maioria dos países que têm uma chance de exposição mundial - vide a Olimpíada de Londres - o Irã está se esforçando para mostrar sua melhor face.

Um exército de jardineiros e limpadores de rua esteve embelezando as principais vias públicas. Um cartaz diz: "O Movimento Não Alinhado representa a luta contra racismo, colonialismo hegemonia e opressão estrangeira". Flutuando acima da principal praça da cidade, a Haft-e-Tir, um balão exibia a mensagem "Irã, uma nação pacífica e cordial". O governo chegou a tomar uma medida incomum de subsidiar viagens de moradores de Teerã para fora da cidade, para desobstruir as sempre congestionadas ruas da capital.

Apesar das mazelas econômicas causadas pelas sanções recentes, o governo ofereceu aos possuidores de cartões de subsídio de combustível 30 litros extra de gasolina a preços reduzidos para eles poderem sair da cidade. Os 12 milhões de habitantes de Teerã também desfrutarão de um feriado oficial durante os cinco dias de conferência.

A televisão estatal apresentou o encontro como um "ponto de virada" após o qual a importância do Irã aumentará. O vice-presidente para assuntos internacionais, Ali Sa'idloo, disse à televisão estatal que a mídia "sionista" estava censurando notícias sobre o evento por ele ser muito positivo. Muitos iranianos se disseram impressionados com as pinturas frescas em alguns prédios. Mas numa indicação dos contratempos econômicos do país, alguns se mostraram contrários ao feriado de cinco dias. "Eu preciso de dinheiro, por isso preciso trabalhar, mas agora vamos ter de ficar em casa", disse Ali Kamali, um encadernador.

Para a maioria das autoridades linha-dura do Irã, essas sugestões foram irreais. Elas saudaram a cúpula como um sinal de que o fim da dominação ocidental está próximo. "Eleger o Irã como líder do Movimento de Países Não Alinhados mostra que uma resistência global contra os EUA e os sionistas tomou forma", disse Mohammad Reza Naghdi, comandante de um grupo paramilitar, à agência oficial Fars. "É melhor os EUA desistirem, já que isso é mais um sinal de seu colapso." Está claro que a conferência está ajudando o Irã a enviar a sua mensagem. /TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Defesa Net

Marte-500 será enviado para a órbita?

A Agência Espacial Russa, Roskosmos, pretende reproduzir a experiência Marte-500 na Estação Espacial Internacional (EEI).

Para isso os cosmonautas terão que fazer o vôo de um ano a bordo da estação, o que supera duas vezes a duração de uma jornada orbital comum. A agência russa indica também o prazo aproximado do início da expedição – não antes do ano de 2015. Aponta-se que todos os participantes das experiências, realizadas a bordo da EEI, revelaram interesse em relação ao projeto. Os representantes da NASA especificam que a idéia está em fase de estudo e nenhuma decisão concreta foi tomada.

A experiência Marte-500, isto é, a simulação da expedição para Marte, realizada no Instituto de problemas médico-biológicos de Moscou, foi concluída em novembro de 2011. Seis voluntários estiveram totalmente isolados dentro da maqueta de uma cosmonave durante 520 dias – este é o período de tempo mínimo necessário para realizar um vôo de ida e volta para Marte. Ao contrario de um vôo de verdade, neste "vôo na terra" não existiam os fatores mais nefastos do cosmos – a imponderabilidade e a radiação galáctica. A experiência vai adquirir um caráter mais realista quando a tripulação ficar nas condições de imponderabilidade, na órbita.

Ao mesmo tempo, ficará claro se os sistemas de manutenção da atividade vital da EEI servem para as futuras expedições para a Lua e para Marte, ou é preciso criar outros. Como distribuir os seis membros da tripulação da estação e se os “marcianos” devem ou não ajudar os “não marcianos”? O acadêmico da Academia Russa de Cosmonáutica Alexander Jelezniakov afirma que neste plano não haverá problemas.

"A participação desta experiência não exige que os cosmonautas sejam afastados dos seus afazeres quotidianos. Eles continuarão a manter a estação em funcionamento ativo. Outrora a bordo da Estação Espacial “Mir”, foi levada a cabo a experiência de vôo duradouro de um único cosmonauta, do cosmonauta Valeri Poliakov. Se for tomada a decisão de realizar um vôo de longa duração, o mais provável que ele seja organizado da mesma maneira. Três cosmonautas irão participar da expedição de um ano, enquanto que outros três irão revezar-se periodicamente."

Provavelmente, todos os sistemas de manutenção da atividade vital, que se encontram a bordo da EEI, serão úteis também na expedição lunar, que se planeja agora na Rússia, - prossegue Alexander Jelezniakov.

"Por enquanto, planeja-se uma expedição lunar que vai durar no máximo duas semanas. Todos estes sistemas foram testados bem nos vôos de semelhante duração. Quanto à expedição para Marte, pode-se afirmar que a maior parte dos sistemas, instalados na EEI, também pode ser utilizada."

A melhor opção para a expedição orbital Marte-500 é uma tripulação mista. Mas na Rússia existe uma única candidata a cosmonauta, - Elena Serova, - e ela já se prepara para o vôo no quadro do programa básico da EEI. É mais simples escolher uma cosmonauta norte-americana, - afirma o redator da revista Aviapanorama Serguei Pukhov.

"Nos EUA as feministas conquistaram há tempos o direito de servir na qualidade de pilotos nas forças armadas. Normalmente as astronautas são recrutadas entre estas aviadoras. É possível que sejam escolhidas algumas delas."

A mídia já apontou o nome da astronauta que seve para esta missão. É Peggy Whitson, de 52 anos, que já esteve duas vezes no espaço. Mas a NASA informou que por enquanto é cedo falar dela, assim como afirmar que o simulacro do vôo anual para Marte será realizado na órbita circunterrestre.

Voz da Rússia

Dominó Árabe - China recebe presidente egípcio como "um novo amigo"

Mursi visita China para assinar acordos bilaterais e tratar da crise Síria. - Foto: EFE

As autoridades chinesas receberam como "um novo amigo" o presidente egípcio, Mohammed Mursi, em Pequim para uma visita oficial de três dias na qual procura expandir os investimentos chinesas em seu país. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao se comprometeu nesta quarta-feira a aumentar a cooperação comercial e econômica com o Egito, em sua reunião com o novo presidente do país árabe.

Segundo informou a agência oficial Xinhua, Wen pediu a ambas partes melhorar as leis e regulações para promover o investimento, "a fim de criar um bom ambiente para a cooperação bilateral", e sugeriu explorar novas áreas para os intercâmbios entre as duas nações.

O chefe de Estado egípcio, por sua vez, ofereceu à China seu país como plataforma para chegar a outros mercados africanos. Antes, Mursi, que chegou ao poder no último mês de junho, se reuniu com seu colega chinês, Hu Jintao, e com o vice-presidente Xi Jinping. Em seu encontro, Xi assegurou que a visita "aumentará o entendimento e a confiança mútua", segundo a agência oficial chinesa Xinhua.

Já em sua reunião com Hu, no Grande Palacio do Povo, o chefe de Estado chinês ressaltou a importância da visita do líder egípcio. "Escolheu a China como um dos primeiros países a visitar e isso mostra que seu país concede grande importância ao desejo de desenvolver relações com a China", declarou Hu.

O presidente egípcio tenta diversificar os investimentos que recebe seu país, cuja economia se encontra imersa em uma grave crise após a revolução que depôs Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

No primeiro dia da visita de Mursi a Pequim, ambos países assinaram uma série de acordos de cooperação em áreas como a agricultura, as telecomunicações e o meio ambiente. Além disso, a China concederá US$ 200 milhões em créditos ao Banco Nacional do Egito.

Nas conversas em Pequim, Mursi - que viaja acompanhado de sete ministros e uma delegação de mais de 70 empresários - e os dirigentes chineses abordaram também a crise na Síria.

Defesa Net

Novilíngua: “Em tempo de falsos cognatos”

Kevin Carson

Quem leia os pronunciamentos da comunidade de “segurança nacional” dos EUA é sempre assaltado, no mínimo, por uma dúvida: será que falam do mundo que todos nós habitamos? Ou falam de outro mundo, só deles? Tudo começa a fazer melhor sentido se se assume que o Estado de Vigilância e Controle, chamado estranhamente também de “Estado de Segurança”, tem idioma próprio: o “segurancês”.

Como a Novilíngua, um inglês ideologicamente reformatado que substituiu o idioma corrente no mundo que Orwell descreve em1984, o “segurancês” foi reformatado para ocultar e apagar o mais possível qualquer informação verdadeira. Por exemplo, consideremos as declarações do embaixador Jaime Daremblum, Diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos do Instituto Hudson, em 2010, em depoimento à Comissão de Relações Externas do Senado dos EUA.


Jaime Daremblum 

Daremblum, depois de elogiar os senadores Lugar e Dodd pelos esforços de muitos anos para promover “a segurança nacional e a democracia” na América Latina, alertou para os perigos do “populismo radical que se enraizou na Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua.” Mais alarmante ainda, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez aliança com o Irã “principal patrocinador do terrorismo em todo o mundo.” O governo da Nicarágua, que “voltou às velhas táticas”, ocupa uma ilha fluvial da Costa Rica, em claro desrespeito ao que ordena a Organização dos Estados Americanos (OEA).

A aliança firmada entre Chávez e o Irã é “a maior ameaça à estabilidade hemisférica desde a Guerra Fria”. O governo de Chávez é “séria ameaça aos interesses da segurança dos EUA”.

UAAU! Parece conversa no mundo-às-avessas... Mas, se a dividimos em pedaços deglutíveis e traduzimos com calma e atenção, talvez até se possa extrair algum significado aproveitável dessas “declarações”.

Para começar: em “segurancês”, “democracia” não significa o mesmo que significa em português, grego, bolivariano, espanhol, árabe, pashtun, farsi, aimará, tupi et aliae. Você, muito provavelmente, entende que “democracia” significa “regime no qual pessoas comuns têm meios para controlar os processos pelos quais se tomam decisões que afetam a vida delas”.

E já começam os problemas. Porque em “segurancês” há um falso cognato, que soa como “democracia”, mas não significa “democracia”. Esse falso cognato, que só existe em “segurancês”, designa uma sociedade na qual o sistema de poder aparece sempre travestido, mascarado, ocultado, em rituais chamados “eleições periódicas”. Nessas eleições periódicas as pessoas escolhem entre candidatos que parecem diferentes, mas são, todos, saídos do mesmo grupo governante, que nunca muda. Os candidatos falam muito, parecem discutir muito, mas só falam e discutem questões secundárias, 20%, os temas sobre os quais discutem entre eles os vários partidos eleitorais que são, todos, facções do mesmo grupo governante. 80% das questões, as questões-chave, básicas, primárias – e sobre as quais não há qualquer discordância entre os partidos da classe governante – jamais aparecem nos debates eleitorais.

Quando a própria estrutura do poder aparece nas discussões – quando o povo começa a falar contra, por exemplo, a propriedade da terra, concentrada em poucas mãos de latifundiários proprietários; ou contra uma política de desenvolvimento orientada só para a exportação – surgem sinais de que a “democracia” está sob o risco de ser trocada pelo tal “populismo radical”. Aí já é caso de “democracia” cujos únicos especialistas, os únicos que entendem da coisa-lá, são ou a CIA ou os Marines. Importante é o seguinte: em “segurancês”, “democracia” significa proteger a estrutura de poder favorável aos EUA que exista em qualquer ponto do mundo... Mas dando às pessoas a ilusão de que, porque votam em eleições periódicas, estariam escolhendo entre projetos diferentes.

Deve-se também ter em mente que, em “segurancês”, o rótulo “estado patrocinador do terrorismo” nunca, jamais, em caso algum, pode aparecer associado ao nome dos EUA. Por essa razão, ações da Única Superpotência Dominante para promover a “democracia” nunca, jamais, em caso algum serão “ações terroristas”. Mas ações que promovam “populismo radical”, essas sim, sempre são.

Com o acontece também na Novilíngua, ações consideradas elogiáveis se praticadas por uns, passam a ser repreensíveis se praticadas pelo outro. Vejam por exemplo (i) a ação da Nicarágua, que ocupou território da Costa Rica e desrespeitou resolução da OEA (é repreensível); e (ii) a ação praticada pelos EUA e que também desrespeitava resolução da OEA, quando os EUA minaram, com explosivos, o porto de Manágua, como meio para combater “populistas radicais” há 30 anos (é elogiável).

É o caso de apresentar a aliança entre Irã e Venezuela como “a maior ameaça à estabilidade hemisférica depois da Guerra Fria”. Quase parece que só se fala em Guerra Fria, para lembrar as ações de detonação da estabilidade hemisférica promovidas, patrocinadas ou executadas pelos EUA durante e imediatamente depois da Guerra Fria. Afinal, os EUA derrubaram o governo democrático (“mudança de regime”, como se diz hoje, em “segurancês”) da Guatemala em 1954 e instalaram ali um regime militar que aterrorizou o país durante décadas. Os EUA apoiaram esquadrões da morte na América Central, que mataram centenas de milhares de pessoas. E instalaram ditaduras militares no poder (“mudança de regime”, a começar pelo golpe que depôs o governo democrático do Brasil nos anos 1960s). E ainda sem falar da Operação Condor, de Kissinger, nos anos 1970s, nem das demais ditaduras militares que os EUA puseram no poder em toda a América Latina.
Operação Condor

Mas essas coisas não entram na conta. Quando os EUA derrubam governos democráticos, um depois do outro, que caem como dominós, para instalar ditadores pró EUA no poder, por todo o hemisfério... A ação significa “proteger a estabilidade”, não pô-la abaixo. E tudo, sempre, para derrotar o tal “populismo radical” que, no dicionário de “segurancês”, é a única expressão que se deve traduzir por “ameaça à estabilidade”.

Também em “segurancês”, dizer que uma aliança entre Venezuela e Irã é “ameaça” não significa que alguém esteja pensando em atacar e invadir território dos EUA. Significa apenas aqueles países preparam para defender-se, no caso de os EUA os atacarem; e que, nessas condições, talvez os EUA não consigam derrubar aqueles governos democráticos. São “ameaça”, em outras palavras, porque começa a surgir alguma possibilidade de o governo da Venezuela expropriar latifúndios e redistribuir terras a quem de fato trabalha a terra. São “ameaça”, afinal, porque algumas economias começam a tentar atender antes as necessidades e carências do próprio povo, do que os interesses das grandes empresas norte-americanas. Isso então deve-se traduzir sempre como “ameaça” (ao interesse das corporações norte-americanas).

A expressão “segurança nacional” também é interessante, porque não significa, em “segurancês”, “segurança para o povo da nação norte-americana”. Significa, isso sim, “segurança para o Estado norte-americano e para a coligação de forças que o controla”. Nesse sentido, qualquer populismo econômico local é grave “ameaça à segurança nacional” [dos EUA]. Elites econômicas nos EUA são o coração (e o coldre) de um dos lados que lutam hoje em todo o mundo: os proprietários do mundo versus aqueles sem cujo sangue e suor não haveria mundo. Quando um servidor do Estado dos EUA, como Daremblum, usa o idioma do “segurancês” para falar de “ameaça à segurança nacional”, sua fala tem de ser traduzida como “ameaça à estabilidade dos proprietários do hemisfério, dos que precisam de estabilidade para continuar a extrair sangue e suor dos não proprietários, quer dizer, de nós”.

Ora... Afinal, nem é tradução assim tão difícil!