sábado, 30 de março de 2013

Putin participa de exercício militar no Mar Negro

Moscou – Centenas de homens do exército russo participaram de um grande exercício militar no Mar Negro nesta sexta-feira, o qual foi acompanhado pelo presidente do país, Vladimir Putin. O exercício envolveu 30 navios de guerra, dezenas de aviões de combate e centenas de veículos blindados.

O exercício, que segundo o Kremlin visa testar a velocidade de resposta do exército, foi convocado por Putin de seu avião presidencial quando voltava da África do Sul, na quinta-feira (28). Putin, eleito para seu terceiro mandato no ano passado, tem feito da recuperação do poder militar da Rússia uma de suas prioridades. O governo destacou 20 trilhões de rublos (perto de US$ 645 bilhões) até 2020 para um programa de modernização militar prevendo a aquisição de centenas de aviões e helicópteros e centenas de navios militares entre outros armamentos.



Vários esquadrões de navios de guerra russo têm visitado sucessivamente o porto sírio de Tartus, a única base naval da Rússia fora da União Soviética, para deixar evidente o apoio de Moscou ao presidente sírio, Bashar Assad. O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, tem comentado sobre os planos da Rússia de estabelecer uma presença naval permanente no Mediterrâneo, similar à que havia durante a Era Soviética.

Putin voou em um helicóptero militar para assistir as demonstrações desta sexta-feira. O chefe da equipe dos generais militares, o general Valery Gerasimov, disse a Putin que o comboio de 80 veículos blindados percorreu rapidamente 450 quilômetros de sua base à área do exercício. Putin lhe perguntou: "agora, me diga honestamente, quantos veículos ficaram pelo caminho". Gerasimov assegurou-lhe de que todos chegaram ao destino com sucesso.

O Kremlin deu início à reforma militar na esteira da guerra com a Georgia, em 2008, quando o exército russo não conseguiu encaminhar rapidamente suas unidades para a área de conflito, já que muitos dos tanques e outros veículos blindados ficaram encalhados no caminho por problemas técnicos de funcionamento. Para modernizar o exército, Moscou reduziu o número de oficiais e de unidades militares. As informações são da Associted Press.

Os grandes BRICS: a China afinal encontra seu nicho

Os velhos colonialistas preocuparam-se com a penetração dos asiáticos nas colônias europeias na África e entre os respectivos colonos (da Austrália, Nova Zelândia e África do Sul); temiam que, embora estivessem chegando para garantir mão de obra braçal e trabalhar como balconistas, os asiáticos se multiplicassem pela migração e pela procriação e que, depois, suplantassem os brancos em suas próprias colônias.


Cartapácio publicado em 1907 (The Asiatic Danger in the Colonies [O perigo asiático nas colônias]), de autoria de L.E.Neame, autor que trabalhava em Johannesburg, alertava que, se os asiáticos chegassem à África, “essas massas inferiores, por suas muitas capacidades, viverão por mais tempo e ultrapassarão” os europeus. Depois que os chineses migraram para a Austrália, a preocupação de Neame era que “o chinês aprenderá o suficiente para executar as tarefas, e o branco será alijado, condenado ao desemprego; ou terá de aceitar salários chineses e viverá conforme os baixos padrões chineses”. Não que algum perigo ameaçasse algum africano ou algum povo aborígene australiano – o que não seria problema para Neame; problema era que os chineses ameaçariam os brancos europeus, na África e na Austrália.

Cem anos depois, o que se escreve no Atlântico Norte sobre chineses na África é mais gentil, mas ainda é agressivo e preconceituoso. Basta conhecer alguns títulos:


Safari chinês: na trilha da expansão de Pequim.

Tigre de cócoras, Dragão escondido? África e China.

E era do dragão: a conquista chinesa na África.

Presente de dragão: a verdadeira história da China na África.

Moralidade chinesa para a África: o Império do Meio e o Continente Obscuro

Abundam os clichês. Dragões e tigres nunca faltam. Portanto, muitas caçadas. A África é a presa; a China, o predador. Em termos relativos, pouco mudou, no roteiro básico traçado pelo velho Neame. Naquele momento, problemas eram o pequeno comerciante e o trabalhador agrícola; hoje, problemas são o Estado chinês, as empresas estatais chinesas e o empresariado chinês.

Grandes mineradoras australianas, como Rio Tinto, Newcrest e Ivanhoe, começaram todas a escavar o subsolo africano à busca de cobre e platina, ouro e minério de ferro. O Grupo Australia-Africa Mining Industry já construiu vastos projetos, para compensar regulações do estado australiano que fizeram aumentar os custos. Mas não se veem livros que exibam qualquer dos seguintes títulos:

África Crocodilo: Austrália perfura o Continente Obscuro

Dingos esburacam a savana: O que faz a Austrália na África?

As aventuras de Rio Tinto, Rei da Guiné.

O que os negócios africanos estão fazendo não é, na essência, muito diferente à superfície do que fizeram empresas de qualquer outro país. A necessidade de partir à caça de recursos naturais e novos mercados conteve o capital desde o século 19 – isso, precisamente é o que motiva os chineses e outros a levar suas respectivas mais-valias e suas carências para lugares como hoje a África. Nada há de misterioso ou imperscrutável na intenção dos chineses. O capital chinês busca o que todo e qualquer capital busca – investimentos, recursos e mercados. Não ver isso é recair na velha ansiedade colonialista que fazia temer a Ameaça Asiática.

Além disso, um novo estudo da ONU mostra que os maiores investidores na África são França, Estados Unidos, Malásia, China e Índia. Qualquer preocupação residual que haja deve-se distribuir igualitariamente entre esses cinco estados (e dois deles são países do Atlântico Norte).

Lamido Sanusi

No menos anti-imperialista dos jornais, o Financial Times, o presidente do Banco Central da Nigéria, Lamido Sanusi, outro que de modo algum se poderia tomar por anti-imperialista, escreveu que “é hora de os africanos acordarem para as realidades do caso de amor que vivem com a China. A China leva nossos bens primários e nos vende produtos manufaturados”. E essa, prosseguem Sanusi e o Financial Times, “sempre foi a essência do colonialismo”. A África, diz ele “quer agora se abrir para uma nova modalidade de imperialismo. Temos de ver a China pelo que a China é: um competidor, nosso concorrente” (“África Must Get Real About Chinese” [A África tem de cair na real sobre os chineses],Times, 11/3). Sanusi, evidentemente, nada disse contra o imperialismo vindo do Atlântico Norte. Seria esquerdista,gauche.

Qual o antídoto para o problema africano? Para Sanusi e o Financial Times, os países africanos têm “de produzir localmente os bens a partir dos quais possam construir vantagem comparativa, mas têm também de combater as importações chinesas promovidas por políticas predatórias”. Em outras palavras, os estados africanos têm de abraçar projetos de substituição de importações como houve nos anos 1960s e 1970s – por mais que aqueles mesmíssimos projetos tenham sido detonados por estados do Atlântico Norte em nome da globalização – entusiasticamente promovida pelo Financial Times e pelo próprio Sanusi. “Investimento em educação técnica e vocacional é crítico” – ensina Sanusi. Mas não diz como se financiarão os projetos.

Sanusi é favorável a que a Nigéria retire todo o subsídio que dá à gasolina e gostaria que o país abrisse o mercado de combustíveis. Não se cogita, na Nigéria, de solução venezuelana à Chávez, que aplicou os super-ganhos e royalties do petróleo nacional na própria política educacional; em outras palavras, o governo da Venezuela usou o ganho que advêm dos recursos naturais do país para financiar seu próprio e massivo programa de desenvolvimento humano.

Muito mais fácil para Sanusi é inventar e alertar contra uma “ameaça asiática” e promover políticas contra as quais ele e o Financial Times opõem-se, do que enfrentar cara a cara a fortaleza do poder de classe nos estados africanos.
Africa subsaariana (parte colorida)

A África subsaariana, segundo o mais recente Relatório de Desenvolvimento Humano (orig. Human Development Report, 2013), “converteu-se em importante nova fonte e destinação do comércio sul-sul. Entre 1992 e 2011, o comércio entre a China e a África Subsaariana cresceu, de US$ 1 bilhão, para mais de US$140 bilhões”. O Atlântico Norte, especialmente os EUA, tentaram todos os tipos de mecanismos na concorrência contra a China, inclusive pressões mediante a Organização Mundial de Comércio, pressões bilaterais sobre seus aliados regionais e, claro, a ameaça do AFRICOM, Comando dos EUA na África. Nada funcionou.

A China não está na África em projeto missionário. Está nos países africanos como etapa de suas próprias estratégias de acumulação.

Ibrahim Kaduma

Perguntei a Ibrahim Kaduma, ex-ministro de Relações Exteriores da Tanzânia, como ele abordaria os investimentos chineses na África. Respondeu-me que “os estados africanos têm de propor suas próprias avaliações do percurso a seguir” e engajar-se com chineses ou com qualquer outro investidor a partir desses valores. Sem fundação forte e sem claro projeto de desenvolvimento, as novas elites acertam-se com quem aparecer, quase sempre com quem lhes pague mais diretamente. E o país inteiro padece”.

Na parada que fez em Dar es Salaam, o novo presidente chinês, Xi Jinping, procurou acalmar a crescente inquietação que se vê no país, em torno dos investimentos chineses. “A África pertence aos povos africanos” – disse Xi. – “Ao desenvolver relações com a África, todos os países devem respeitar a dignidade e a independência da África”. É retórica velha conhecida no continente. O capital fala sempre pela mesma partitura. O capital odeia mostrar-se impiedoso, cruel.
Donald Kaberuka

Mas há um setor nos negócios africanos que vê as coisas sob luz positiva. Donald Kaberuka do Banco Africano de Desenvolvimento espera aprender com os chineses, “como organizar nossa política comercial, como passar do status de baixa renda para status de renda média, como educar nossas crianças em áreas e competências que lhes rendam benefícios em alguns anos”. Em outras palavras, há eleitores africanos que, sim, querem seguir a Estrada da China ou, pelo menos, o Paradigma dos Gansos Voadores [orig. Flying Geese Paradigm][1] para fazer aumentar as taxas de crescimento de estados africanos.

Nada disso é sonho ou alucinação. Como se lê no Human Development Report (2013):

Para testar as consequências adversas de aumentar as exportações para alguns dos seus países parceiros, a China está oferecendo empréstimos preferenciais e estabelecendo programas de treinamento para modernizar os setores têxteis e de roupas em países africanos. A China tem estimulado suas indústrias já maduras, como a do couro, a mudar-se para mais perto da cadeia de suprimento na África; e suas modernas empresas de telecomunicações, produtos farmacêuticos, eletrônicos e da construção, para que se associem em joint ventures com empresários africanos.

Não há dúvidas de que o investimento chinês já está construindo vasta rede de comunicações e de transportes na África. Nenhuma dúvida tampouco de que o business chinês está erguendo infraestrutura industrial e com ela instituições para educação e saúde. E também nenhuma dúvida de que a ajuda e as bolsas chinesas chegam sem “condicionalidades”.

Todo e qualquer investimento, venha do Atlântico Norte ou da Ásia, vem em busca das matérias primas e dos mercados. Mas o dinheiro do Atlântico Norte também busca poder político – com os EUA empurrando seus fundos via AID – Agência para o Desenvolvimento Internacional (estatal), braço fantasma do Departamento de Estado. O dinheiro chinês vem de seu ministério de Comércio e de seu Export-Import Bank, que têm mandato duplo: garantir o acesso da China às matérias primas (petróleo e minérios raros) e garantir um mercado para o super aquecido setor industrial da China. Os negócios vêm à frente.

Essa abordagem inicial pelo business não é neutra. Revela, primeiro, a fraqueza do modelo chinês, petrificado pelas limitações do capitalismo – superproduzindo bens graças à mágica do capitalismo industrial; sub-remunerando trabalhadores que não podem comprar aqueles bens; distribuindo crédito como mecanismo para produzir demanda; buscando novas pastagens onde encontre matérias primas mais baratas para reduzir o custo final, e mercados para os quais vender aqueles produtos. Esse é o ciclo satânico do capitalismo.

A China é gigante industrial orientado para a exportação, que gradualmente viu-se forçada a afastar-se das economias dirigidas ao consumidor e saturadas de dívidas do Atlântico Norte, e, portanto, agora faminta, desesperada, mesmo, por criar e cultivar novos mercados no Sul. Essa é a precisamente a alavanca que os países africanos poderiam usar para extrair proveito máximo de sua situação atual. Sem projeto democrático ou socialista bem claramente traçado, “os valores”, no léxico de Kaduma, só se veem maus negócios para a África, negociados por políticos venais, ansiosos por arrancar do bolo só a fatia deles.
Quando Xi chegar a Durban, a cúpula dos BRICS anunciará a formação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS com capital inicial de $50 bilhões (a China tem superávit de $3,31 trilhões, quantia que será como que reciclada mediante esse tipo de banco). Mas há graves dúvidas sobre o modelo do investimento que pode estar chegando; chega para promover extração de recursos, em vez de desenvolvimento econômico.

A preocupação é que o novo Banco dos BRICS, que quase com certeza terá sede em Xangai, seja uma bem capitalizada versão “do Sul”, do Banco Mundial; bem diferente do Banco del Sur (antes de seu radicalismo ser moderado pelo governo do Brasil – como anotaram Oscar Ugarteche e Eric Toussaint).

Os governos que atualmente controlam o processo dos BRICS são limitados por seus próprios projetos de classe: todos favorecem políticas neoliberais, em todos os casos em que essas políticas não favoreçam, de modo discriminatório, o Norte.

Naval Brasil

EUA enviam navio de combate USS Freedon à Península Coreana

Os Estados Unidos enviaram na sexta-feira (29) o navio de guerra USS Freedom à região do Pacífico no quadro da escalada de tensões na Península Coreana.

USS Freedom é um navio de pequeno porte de combate em litoral e está previsto que se somará por oito meses à 7ª Frota dos Estados Unidos no Oceano Pacífico.

O envio desta embarcação foi feito depois que a República Popular Democrática da Coreia anunciou que seus sistemas de mísseis se encontram em estado de alerta para que possam atacar o território dos Estados Unidos, suas bases no Havaí e na ilha de Guam.

Mas os Estados Unidos dizem que o deslocamento do USS Freedom já estava planificado com antecedência e não guarda relação com a elevação das tensões na Península Coreana.

O navio tem capacidade de defesa antissubmarina e antissuperfície, assim como medidas contra minas e capacidade para efetuar deslocamentos humanitários. Em caso de operações militares, o USS Freedom pode conectar os efetivos terrestres, aéreos e marítimos.

Igualmente, os Estados Unidos, em outra ação provocadora enviou na quinta-feira (28) ao seu aliado, a Coreia do Sul, dois bombardeiros B-2 Spirit, capazes de descarregar bombas nucleares.

O secretário da Defesa estadunidense, Chuck Hagel, advertiu na quinta-feira que seu país está preparado para fazer frente a qualquer eventual ameaça da Coreia Popular.

A Península Coreana tem sido cenário do aumento da tensão desde que o Conselho de Segurança das Nações Unidas votou uma resolução contra o governo de Pyongyang para puni-lo com novas sanções por ter realizado uma terceira prova nuclear, em 12 de fevereiro passado.

Hispan TV

Pepe Escobar: “Brics consegue furar o cerco”

Notícias da morte prematura do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) são muitíssimo exageradas. A imprensa-empresa ocidental está inundada dessas tolices, perpetradas, nesse específico caso, pelo presidente do Morgan Stanley Investment Management.

A realidade é outra. O Brics reúne-se em Durban, África do Sul, nessa terça-feira, para, dentre outros passos, criar sua própria agência de avaliação de riscos, escapando assim da ditadura – ou, no mínimo, das “agendas enviesadas”, como diz a diplomacia indiana – das agências tipo Moody's/Standard & Poor.

Também tocará adiante a criação de um Banco de Desenvolvimento do Brics, com capital inicial de US$50 bilhões (faltam só se definir alguns detalhes estruturais), para ajudar em projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável.

Importante, mesmo, é que EUA e União Europeia não serão acionistas desse Banco do Sul – alternativa concreta, estimulada principalmente por Índia e Brasil, ao Banco Mundial e ao sistema de Bretton Woods controlados pelo Ocidente.

Como observou o Ministro das Finanças da Índia, Jaswant Singh, esse banco de desenvolvimento poderá, por exemplo, canalizar o know-how de Pequim, para ajudar a financiar as obras massivas de infraestrutura das quais a Índia carece.

As grandes diferenças políticas e econômicas entre os países do Brics são autoevidentes. Mas, já agora reunidos e operando como grupo, o ponto já não é se podem proteger a economia global contra a crise non-stop do capitalismo-de-cassino avançado.

O ponto é que, além de medidas para facilitar o comércio mútuo, as ações do bloco vão-se tornando cada vez mais políticas. O Brics não apenas mostra seu poder econômico como, também, toma medidas concretas na direção acelerada rumo a mundo multipolar. Nisso, o Brasil é particularmente ativo.

Inevitavelmente, os míopes fanáticos atlanticistas de sempre do consenso de Washington nada veem – miopicamente – além de “Brics esperam mais reconhecimento das potências ocidentais”.

Claro que há problemas. O crescimento está mais lento no Brasil, China e Índia. Dado que a China, por exemplo, tornou-se principal parceiro comercial do Brasil – já ultrapassou os EUA – vastos setores da indústria brasileira sofreram com a concorrência das manufaturas chinesas baratas.

Mas há perspectivas futuras inescapáveis. O Brics muito provavelmente terá mais poder no Fundo Monetário Internacional. Detalhe crucialmente importante, o Brics passará a negociar em suas próprias moedas nacionais, servindo-se, de um iuane globalmente conversível e afastando do dólar estadunidense e do petrodólar.

A China em momento menos acelerado

O inventor da expressão “Bric” (no início, ainda sem a África do Sul) foi Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs, nos idos de 2001. Muito interessante e esclarecedor ouvir o que O’Neill tem a dizer hoje, sobre o mesmo tema [em longa entrevista à revista Der Spiegel (21/3/2013, “Brics 'Have Exceeded all Expectations” [Os Brics superaram todas as expectativas], Der Spiegel).

O'Neill destaca que a China, mesmo tendo crescido “meros” 7,7% em 2012, “Criou riqueza equivalente a uma economia grega inteira, a cada 11 semanas e meia”. A desaceleração na China foi “cíclica e estrutural” – um “desligar a máquina” planejado para controlar o superaquecimento e a inflação.

Os impulso adiante que se vê no Brics é parte de uma tendência global irresistível. Boa parte dessa tendência está bem decodificada num novo relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas [orig. United Nations Development Programme]. Em resumo: o norte está sendo ultrapassado na corrida econômica, pelo sul global, que corre a velocidade estonteante.

Segundo aquele relatório, “pela primeira vez em 150 anos, a soma dos resultados das três principais economias do mundo em desenvolvimento – Brasil, China e Índia – é praticamente igual aos PIBs somados das notórias potências industriais do Norte”.

A conclusão óbvia é que “o crescimento do Sul global está reformatando radicalmente o mundo do século 21, com nações em desenvolvimento comandando o crescimento econômico, arrancando da miséria centenas de milhões de pessoas e empurrando bilhões mais para uma nova classe média global”.

E no coração crucial ardente desse processo, encontramos um épico eurasiano: o desenvolvimento de relação estratégica entre Rússia e China.

O Presidente Vladimir Putin da Rússia não quer saber de arrastar prisioneiros: quer empurrar o Brics no rumo de constituir “um mecanismo de cooperação estratégica em plena escala, que nos permitirá, juntos, procurar soluções para as questões chaves da política global”.

Isso implicará uma política externa comum para todo o Brics – e não só alguma coordenação seletiva em torno de alguns temas. Não será fácil. Exigirá tempo. Putin está perfeitamente consciente disso.

O que torna tudo ainda mais fascinante é que Putin já expôs essas ideias ao novo Presidente da China, Xi Jinping, que o visitou em Moscou, por três dias. Putin não mediu palavras: fez questão de dizer e repetir que as relações sino-russas “são hoje as melhores, em séculos de história”.

Não é exatamente o que os atlanticistas hegemonistas gostariam de ouvir – sempre interessados, eles, em manter todas as relações no pé em que estavam na Guerra Fria.

Xi retribuiu em alto estilo: “Não viemos visitá-los à toa” – como se lê, parcialmente detalhado no China Daily. E esperem só, que a potência criativa dos chineses comece a gerar dividendos.

Inevitavelmente, o Oleogasodutostão está no coração do projeto de relações complementares entre esses dois grandes Brics.

A China precisa do petróleo e o gás da Rússia, como item de segurança nacional.

A Rússia quer vender mais e mais dos dois itens, diversificando a carteira de clientes, na direção do Oriente; mais que tudo, a Rússia receberia com enorme entusiasmo investimentos chineses no extremo oriental de seu território – a imensa região TransBaikal.

E, por falar nisso, não é verdade que o “perigo amarelo” esteja invadindo a Sibéria – como diz o ocidente. Só 300 mil chineses vivem hoje na Rússia.

Consequência direta da reunião de cúpula Putin-Xi é que de agora em diante Pequim pagará adiantado pelo petróleo russo que comprar – em troca de participar em inúmeros projetos, como, por exemplo, na prospecção de petróleo em alto mar nas áreas da CNPC e Rosneft no Mar de Barents e em outros pontos das águas russas.

A Gazprom, por sua vez, fechou negócio longamente esperado de gás com a CNPC: 38 bilhões de metros cúbicos por ano entregues pelo gasoduto ESPO, a partir da Sibéria, começando em 2018. E já no final de 2013, será finalizado e assinado um novo contrato chinês com a Gazprom, envolvendo fornecimento de gás para os próximos 30 anos.

As ramificações geopolíticas são imensas: importar mais gás da Rússia ajuda Pequim a, gradualmente, escapar do seu dilema Malacca e Ormuz – para não mencionar a industrialização das províncias do interior da China, imensas, muito densamente povoadas, duramente dependentes ainda da agricultura, e que ficaram à margem do boom econômico.

Eis como o gás russo encaixa-se no plano máster do Partido Comunista Chinês: para configurar as províncias do interior do país como base de apoio para a classe média chinesa – 400 milhões de chineses cada vez mais ricos, mais urbanizados, que vivem na costa leste.

Putin, ao dizer e insistir que não vê o bloco Brics como “concorrente geopolítico” contra o ocidente, fez o que faltava fazer: negou oficialmente, para não deixar dúvidas de que, sim, sim, se trata exatamente disso. Durban será, provavelmente, a ocasião em que se sacramentarão apenas os primeiros movimentos dessa competição. Desnecessário dizer que as ‘'elites'’ ocidentais – ainda que estagnadas e à beira da bancarrota – não cederão, senão depois de muita luta, qualquer dos seus privilégios.
Por Pepe Escobar – Asia Times Online

Traduzido pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

Síria opõe resistência à invasão do Ocidente

O escritor e jornalista Thierry Meyssan, antigo membro do último governo líbio, residente na Síria e entrevistado pela Voz da Rússia, revelou as condições em que a guerra na Síria poderá chegar ao fim dentro de um mês. Apresentamos a sua opinião sobre os acontecimentos naquele país.

O Ocidente personificou o conflito na Síria. O ministro das Relações Exteriores da França, em intervenções em que se refere ao líder de um país soberano, deixou de o designar como "presidente da Síria" ou "Bashar Assad". Passou a chamá-lo de Bashar. Segundo esta lógica de raciocínio, em vez de François Hollande, não nos convinha dizer simplesmente François? O governo sírio tenta proteger-se contra o fluxo de extremistas armados estrangeiros.

Em dois anos, o seu número aumentou para 200-250 mil pessoas. Imagine-se a correlação de forças entre este contingente e a população local. Tal leva-nos a deduzir que atualmente os rebeldes estrangeiros constituem 1%, o que equivaleria à entrada na França de um contingente de 650 000 mercenários bem treinados com o propósito de derrubar o regime legítimo! Ninguém poderia fazer frente a tal ameaça. Mas a Síria, sendo um estado forte, continua a resistir. Nessa região há poucos países fortes. Por isso, há quem procure derrotá-la.

Uma parte insignificante do exército sírio, 25% do número total, foi encarregada de realizar a operação antiterrorista. Os demais 75 % estão a defender o país pelo perímetro externo, tentando proteger a fronteira contra eventuais incursões da OTAN e de Israel. Se for suspensa a entrada de combatentes e armas estrangeiros, a guerra poderá acabar num prazo de um mês. Caso contrário, prolongar-se-á por décadas.

Os sírios não se opõem ao seu governo. Não quero dizer com isso que a população adore os seus dirigentes. Mas em qualquer país existem pessoas descontentes. Hoje, independentemente da opinião sobre Bashar Assad, os sírios estão convencidos de estarem defendendo a sua pátria contra a intervenção estrangeira. Os traidores também não faltam em qualquer país.

O exército se compõe de soldados e oficiais que combatem pela sua terra natal. Tem-se falado muito de múltiplos desertores, embora na realidade o seu número não ultrapasse os 5%. Os demais fizeram a sua opção a favor do país de origem. Hoje, não há mais desertores! O povo se mobilizou para defender a sua pátria!

Antes de me deslocar à Síria, estive a viver na Líbia e fiz parte do governo líbio nas últimas cinco semanas da Jamahiria. Por isso, conheço bem esta questão. A Líbia era um estado puramente nominal. Tal era a vontade de Muammar Kadhafi, exposta no seu Livro Verde, inspirado por socialistas franceses do século XIX. Tal governo nominal pode ser conveniente em condições de paz, sendo, contudo, absolutamente incapaz de enfrentar a ameaça imperialista.

Além disso, durante a guerra, Kadhafi travava conversações com representantes do campo de agressores. Sabemos que ele se encontrou com enviados dos EUA, França e Israel. Era por isso que a Rússia não estava em condições de ajudá-lo. A Rússia lançou os alicerces da resistência no Conselho de Segurança da ONU, mas era incapaz de prestar apoio substancial a um aliado de pouca confiança. Infelizmente, este fator explica o colapso da Líbia como Estado.

Muammar Kadhafi foi uma personalidade política ilustre que lutava contra o colonialismo, mas conduzia uma política confusa e dúbia, que levou à perda de alianças sérias.

Falando de Bashar Assad, tenho certeza de que ele é um líder de outro tipo. Se destaca pelo racionalismo e sangue frio, sendo consequente nas suas ações. É capaz de ter falta de intuição, mas, em todo o caso, possui características que o ajudam nesta situação. Ele é um homem certo a ocupar um lugar certo! Digam o que disserem, ele é, sem dúvida, um líder revolucionário e democrático. Hugo Chávez dizia que o seu ideal político era Fidel Castro, mas era Bashar Assad, sucessor da causa de Castro, que lhe agradava pelo tipo de comportamento e gestão.

Ele herdou uma ditadura, mas, passo a passo, transformou-a durante uma década inteira. Deu a educação às pessoas e criou os meios de transição para o sistema de governo democrático. Cada vez que ia dando um passo em frente era ameaçado. Tentaram impedi-lo de fazer transformações. Mas, apesar da guerra em curso, Bashar Assad continua realizando as reformas constitucionais.

O Ocidente prossegue uma política que pouco se distingue, no essencial, do Drang nach Osten (Afã rumo ao Leste) da época de Hitler. (Este foi um termo usado para argumentar a necessidade da Alemanha de obter novos territórios no Leste Europeu). É interessante ver o que acontecerá se Bashar Assad sair vencedor na guerra. O presidente sírio pode ser ditador, como era Stalin, mas para fazer parar o avanço da investida dos países ocidentais, a Síria precisa, talvez, de um ditador carismático, mesmo que seja chamado com menosprezo de "fanático" por altos governantes de Washington e Paris, fartos e satisfeitos com a vida.

Voz da Rússia

Norte-coreanos protestam contra Estados Unidos

Pequim – Milhares de soldados, estudantes e trabalhadores norte-coreanos marcharam, na quinta-feira (28) na principal praça da capital Pyongyang aos gritos de "morte aos imperialistas dos Estados Unidos" e "eliminar os agressores dos Estados Unidos", horas depois de o líder Kim Jong-un decidir direcionar mísseis para alvos localizados em território norte-americano.

A multidão agitava punhos cerrados, enquanto desfilava pela praça Kim Il-sung, a mesma na qual são realizadas as paradas militares sincronizadas que se transformaram em símbolo do país. Imagens do evento mostravam grupos uniformizados e organizados, em um indício de que a demonstração estava longe de ser espontânea. De qualquer maneira, a mobilização popular representa mais um passo na escalada de ameaças desencadeada pelo regime de Kim Jong-un no início do mês, em resposta a exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

O regime de Pyongyang anunciou o abandono do armistício que colocou fim à Guerra da Coreia, em 1953, e de todos os tratados de não-agressão firmados pelos dois lados da península coreana. Depois, ameaçou realizar ataques nucleares preventivos contra os Estados Unidos e a Coreia do Sul e, ontem, direcionou mísseis aos dois países.

Analistas temem o caráter imprevisível de Kim Jong-un, que tem 30 anos e chegou ao comando da potência nuclear em dezembro de 2011, depois da morte de seu pai, Kim Jong-il.

"Kim Jong-un é perigoso, jovem, inexperiente e está ansioso por mostrar à população que pode ser bem-sucedido", opinou o sul-coreano Heungkyu Kim, professor da Sungshin Women's University e ex-consultor do Conselho de Segurança de seu país. Na Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse temer que a região escorregue para a "espiral" de um círculo vicioso. "Nós podemos perder o controle da situação", declarou, de acordo com a agência Itar-Tass.

Lavrov criticou de maneira implícita os Estados Unidos, ao afirmar que não se deve usar a tensão na península como pretexto para o fortalecimento militar e a busca de "objetivos geopolíticos".

Na quarta-feira (27), os norte-americanos anunciaram que dois bombardeiros "invisíveis" B-2 participaram dos exercícios militares que realizam com a Coreia do Sul, o que gerou a decisão de Pyongyang de direcionar mísseis aos territórios de ambos os países.

Capazes de carregar armas nucleares, os jatos são equipados com dispositivos que impedem a sua detecção por radares, o que permite sua entrada furtiva no espaço aéreo de outros países. Principal aliado da Coreia do Norte, a China repetiu o apelo para que os envolvidos mantenham a calma e busquem reduzir a tensão na península.
A imprensa oficial da Coreia do Norte divulgou, na quinta-feira (28) fotos nas quais Kim Jong-un aparece diante de um mapa com planos do país para um eventual ataque aos Estados Unidos. Em outras imagens, havia um quadro com dados do arsenal militar do isolado regime, no qual estavam listados 1.852 aviões, 40 submarinos, 13 navios, 27 embarcações de apoio e seis detectores de minas _parte dos números estava encoberta por oficiais que apareciam na foto.

A versão online do principal jornal oficial do país, o Rondong Sinmun, estava dominada por referências belicosas, com fotos de soldados em exercícios militares, de tanques e de Kim Jong-un rodeado por generais do Exército. Citando fontes militares de Seul, a agência de notícias sul-coreana Yonhap disse que há aumento de atividade nos locais de lançamento de mísseis de médio e longo alcance no país vizinho.

O fortalecimento militar é a prioridade da Coreia do Norte e está na base da doutrina "O Exército em Primeiro Lugar", criada por Kim Jong-il. Desde que chegou ao poder, Kim Jong-un manteve a política inalterada e obteve avanços no programa nuclear do país.
Em dezembro, a Coreia do Norte lançou um foguete de longo alcance, no que os norte-americanos classificaram como teste de míssil balístico intercontinental, atividade proibida por resoluções aprovadas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

No dia 12 de fevereiro, o país realizou seu terceiro teste nuclear, com a explosão de um bomba menor, mais potente e mais leve que as detonadas em 2006 e 2009. O Conselho de Segurança respondeu com novas sanções econômicas contra o país, aprovadas por unanimidade no dia 7 de março.

Agência Estado

segunda-feira, 25 de março de 2013

Dominó Árabe - CIA está enviando armas a rebeldes sírios, diz jornal

Países árabes e a Turquia, apoiados pela CIA, aumentaram de forma considerável a ajuda militar aos rebeldes sírios nos últimos meses, informa o jornal New York Times.

A Agência Central de Inteligência (CIA) americana apoia os esforços, segundo o jornal, que cita dados de tráfego aéreo, entrevistas com funcionários anônimos e comandantes rebeldes. A ponte aérea aumentou e inclui mais de 160 voos de carga com aeronaves de tipo militar jordanianas, sauditas e do Qatar, que pousam no aeroporto de Esenboga, perto de Ancara, e em outros terminais aéreos turcos e jordanianos.

Agentes da inteligência americana ajudam os governos árabes a adquirir as armas, incluindo uma grande compra na Croácia, segundo o NYT. Também tem investigado comandantes e grupos rebeldes para determinar quem deve receber os armamentos. A Turquia supervisiona boa parte do programa, monitorando os caminhões que transportam a carga por seu território.

"Uma estimativa conservadora da carga destes aviões seria de 3,5 mil toneladas de equipamento militar", declarou ao NYT Hugh Griffiths, do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI). "A intensidade e frequência destes voos sugerem uma operação logística militar clandestina bem planejada e coordenada", disse.

Defesa Net

SAAB - Gripen E Avança

SAAB recebe segundo pedido para desenvolvimento do Gripen E da FMV

Nota DefesaNet

O presente anúncio é um desdobramento do ocorrido no dia 15 de Fevereiro 2013:

SAAB – Assina Acordo de U$D 8,5 Bi para o desenvolvimento e produção do Gripen NG Link

O Editor

A empresa de defesa e segurança SAAB recebeu, de acordo com o previsto no contrato com a FMV, a agência sueca de administração de material de defesa, um pedido de desenvolvimento no valor de US$ 1,6 bilhão, a ser realizado no período de 2015 a 2023.

Anunciado em 15 de fevereiro de 2013, o contrato prevê o desenvolvimento e a modificação do Gripen E para a Suécia, no período de 2013-2026, assim como um possível pedido para a fabricação do Gripen E para a Suíça.

A FMV encomendou o restante do contrato de desenvolvimento do Gripen E, no valor de US$ 1,6 bilhão, que inclui o trabalho de definição e desenvolvimento, bem como a adaptação dos equipamentos de teste, simuladores entre outros.

O valor total previsto dos pedidos, segundo este contrato, somam US$ 7,2 bilhões, sendo que US$ 2 bilhões já foram recebidos. As outras encomendas, também previstas no contrato, deverão ser feitas no período de 2013 a 2014.

“Este é um pedido estrategicamente importante e de grande significado para a SAAB como empresa e para o Gripen como sistema. O Gripen é um dos mais modernos sistemas de aeronaves de combate e, com este pedido de desenvolvimento e a esperada encomenda de modificação feita pela Suécia, adquirimos uma excelente vantagem competitiva, agora que estamos ampliando nossos esforços no mercado de exportação", disse o Presidente e CEO da SAAB, Håkan Buskhe.

O Gripen é um sistema diferenciado de aeronave de combate, com grande capacidade de defesa. Hoje, é utilizado em cinco países, assim como pela força aérea britânica para fins de treinamento.

“Atualmente, temos encomendas da FMV para o completo desenvolvimento do Gripen E, o que torna possível para nós, a FMV e nossos parceiros trabalhar de forma economicamente eficiente. Quanto a nossos programas civis, o projeto Neuron e o programa do Gripen Demo, temos desenvolvido e testado, sistemática e gradualmente, a metodologia para o desenvolvimento de sistemas de aeronaves, o que faz de nós muito eficientes, destacando-nos mundialmente neste setor da economia", disse Lennart Sindahl, responsável pela unidade da Aeronáutica, na Saab.

As demais partes do contrato assinado com a FMV incluem: possíveis pedidos para a modificação de 60 caças Gripen C suecos, atualizando-os para o Gripen E, com as primeiras entregas marcadas para 2018; equipamentos específicos a missões, bem como suporte e manutenção para os caças suecos Gripen E, com as primeiras entregas agendadas para 2018. Além disso, há ainda a entrega de 22 caças Gripen E totalmente novos e respectivos equipamentos para a Suíça, se o país optar por comprá-los.

O contrato inclui ainda o direito da FMV – condicionado a certos pré-requisitos – de fazer cancelamentos, total ou parcialmente. Neste caso, a Saab tem o direito de obter uma indenização pelos custos incorridos até então e pelos custos de interrupção dos trabalhos. O contrato também contém seções regulando condições, no caso da Suíça decidir não comprar o Gripen E.

Sobre a SAAB

A SAAB atende o mercado com produtos líderes mundial, serviços e soluções que vão desde a defesa militar até a segurança civil. A SAAB mantém operações e funcionários em todos os continentes e constantemente desenvolve, adota e aperfeiçoa novas tecnologias para atender às necessidades de seus clientes.

Defesa Net

Ministro da Ciência fala da cooperação técnico-científica russo-brasileira

O ministro da Ciência do Brasil, Marco António Raupp, concedeu à Voz da Rússia uma entrevista exclusiva, falando das áreas de cooperação técnico-científica entre a Rússia e o Brasil e dos sucessos atingidos nestas áreas.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, matemático e professor Marco Antonio Raupp, gaúcho de Cachoeira do Sul, foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Parque Tecnológico de São José dos Campos, e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), assim como da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Nesta entrevista exclusiva concedida a Gabriella Lange, da Voz da Rússia, o ministro Raupp fala das áreas de cooperação técnico-científica entre a Rússia e o Brasil, bem como das políticas nacionais de incentivo à inovação tecnológica e à formação de profissionais capacitados.

– A partir da visita da presidenta Dilma Rousseff a Moscou em dezembro de 2012, o relacionamento bilateral Brasil-Rússia tem mostrado uma melhoria em várias áreas. Em fevereiro de 2013, além da Reunião da Comissão de Alto Nível dos dois países, realizada em Brasília com a presença do primeiro-ministro Dmitri Medvedev, com a assinatura de alguns acordos, ocorreram também dois eventos da maior importância – o Encontro Empresarial Bahia-Rússia, em Salvador, e a reunião do Comitê Agrário Brasil-Rússia, ainda em Brasília. Na área da Ciência, Tecnologia e Inovação – lembrando que o Senhor esteve em Moscou em novembro passado – também pode ser sentido um crescimento nas relações entre os dois países?

– Sim, nós temos um histórico de cooperação, mas eu tenho a impressão de que ela poderia ser muito maior. Acho que a novidade que aconteceu foi o acordo do programa Ciência sem Fronteiras, com o qual nós podemos mandar estudantes para lá e também receber especialistas russos aqui no Brasil. Isto é um passo muito importante, porque define um instrumento para financiar a cooperação e cria condições para a gente atuar e incrementar as atividades. Fui a Moscou ainda como presidente da Agência Espacial Brasileira, para manter um contato com a Roscosmos e dizer que nós queríamos aprofundar as relações. Isto foi feito. José Raimundo Coelho, que me substituiu no cargo, tem mantido contatos lá. No entanto, não temos ainda encontrado um caminho concreto de cooperação, apesar de termos uma boa tradição de cooperação com a Rússia. Por exemplo, quando tivemos aquele acidente com a Base de Alcântara, o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), que é responsável pela base, contratou empresas russas para fazer toda a avaliação do acidente, e isso ajudou na reorientação do programa. Agora, o DCTA tem um programa de desenvolvimento de lançadores de pequeno e médio porte, e tem procurado parcerias internacionais na Europa e na Rússia. Mas acho que mesmo aí ainda estamos devendo. A cooperação com a Rússia é uma área que poderia evoluir bastante.

– Antes de ser nomeado ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, e ainda como presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o Senhor esteve na Rússia em missão chefiada pelo vice-presidente Michel Temer, para participar da 5.ª Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação. E, na volta, a delegação brasileira trouxe um acordo de cooperação com a Rússia na área espacial. Esse acordo evoluiu? Como anda a cooperação entre os dois países na área?

– Assinamos um memorando para fazer funcionar aqui no Brasil o sistema Glonass de localização (sistema russo de navegação global por satélite). Foi implementada uma estação que vai servir para calibrar o sistema na Universidade de Brasília (UnB), e também na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Isso é o início de uma colaboração interessante, porque essas duas estações servem para calibrar o sistema, para que ele possa ser explorado comercialmente. Então, a Agência Espacial, a UnB e a UFRGS estão nessa função. O que falta agora para utilizar esse sistema amplamente são as empresas, porque há um interesse comercial. A própria Agência Espacial Russa tem que ter a iniciativa de fazer acordos com empresas brasileiras para explorar o uso desse sistema no Brasil. É claro que a AEB vai ajudar, mas o acordo tem que ser feito com as empresas.

– Como ex-diretor geral do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e ex-presidente da AEB, Agência Espacial Brasileira, e da SBPC, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o senhor considera que o Brasil já está em condições de avançar na pesquisa espacial? Qual a contribuição que o país tem prestado a essa pesquisa?

– Nós avançamos bastante na área de satélites. Já desenvolvemos pequenos satélites para fazer o monitoramento de bacias hidrográficas, que usamos até hoje, e agora desenvolvemos outros. Temos também com a China uma parceria de longo prazo de desenvolvimento conjunto de satélites de observação da Terra, e estamos agora em vias de lançar o quarto satélite nessa cooperação. Na área de satélites de telecomunicações, nós criamos uma empresa, Visiona, que vai ser a contratante principal desse projeto de desenvolver um satélite para comunicações oficiais no Brasil, para o governo usar no programa de banda larga nacional e para o uso das Forças Armadas. Nesse programa, a Visiona já fez um request for information, que, no fundo, se trata de ver quais empresas teriam interesse em ser fornecedoras desse programa. E uma empresa russa foi mencionada na reunião com o vice-presidente Michel Temer, e foi classificada. Agora, ela está em condições de fazer um request for proposals, ou seja, fazer uma proposta para participar do fornecimento, o que é promissor, já que a Rússia tem uma belíssima experiência com satélites de comunicações. Se eles oferecerem preços competitivos, teremos uma grande chance de incrementar significativamente a cooperação nessa área.

– Em artigo publicado em janeiro deste ano, o senhor destacou que, para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentado e competitividade econômica global, o Brasil não pode abrir mão das contribuições do conhecimento científico e tecnológico. E citou exemplos bem-sucedidos da aliança entre pesquisa e produção econômica no país, como o caso da Embraer, que se beneficia dos trabalhos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), ou da Petrobras, que se vale de seu centro de pesquisa e de diversas universidades públicas. Quais são os instrumentos no âmbito do seu Ministério para ampliar a base científica e estimular o desenvolvimento de novas tecnologias que respondam às necessidades de outros setores econômicos?

– No que se refere à base científica, nós já temos instrumentos tradicionais. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que é quem financia essas instituições que fazem parte do sistema brasileiro de geração de conhecimento científico – isso que nós chamamos de base científica – e faz a preparação dos recursos humanos qualificados na área, é operado tanto pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico quanto pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Agora, com relação às empresas – e esse é o grande desafio que nós temos – é preciso estimulá-las a fazerem P&D [pesquisa e desenvolvimento], ou seja, investirem em inovação.

Acabamos de lançar em 14 de março, no Palácio do Planalto, um grande plano chamado Inova Empresa, que tem por objetivos, por um lado, financiar projetos de inovação dentro das empresas, desenvolver suas estruturas para fazer P&D, e, por outro, estimular a cooperação das empresas e dos institutos tecnológicos. Existe um montante significativo para ser ofertado para essa cooperação tecnológica e de inovação entre essas empresas e institutos, ou então para as empresas fazerem, elas próprias, seus projetos de inovação. Nosso grande desafio é que, durante muito tempo, a pesquisa tecnológica ficou muito restrita aos institutos e às universidades, e queremos que as empresas também participem desses esforços, através dos quais elas estarão se habilitando para a competição global.

– O Programa Ciência Sem Fronteiras tem rendido inúmeros elogios ao Brasil na comunidade internacional, por expandir aos estudantes brasileiros as possibilidades de realizar seus estudos fora do país. Quais são as áreas de ensino mais procuradas pelos estudantes brasileiros no exterior? Como a Rússia, que tem excelência reconhecida nas ciências exatas, participa no programa de formação de jovens brasileiros?

– O Ciência sem Fronteiras está focado nas áreas de ciências naturais e engenharias, porque se deteta que, para o desenvolvimento do país, e especialmente para o desenvolvimento sustentado, é absolutamente necessário que tenhamos competência nessas áreas. Precisávamos fazer um esforço extra, e esse esforço extra se chama Ciência sem Fronteiras. Estamos mandando estudantes para estudar no exterior, em vários níveis. O estudante pode fazer seus cursos, ou parte de seus cursos de engenharia lá fora, ou mesmo sua pós-graduação. Este sistema financia isso, e não só para estudantes universitários, como também para especialistas que trabalham em empresas, que podem fazer estágios no exterior também pelo Ciência sem Fronteiras. O programa financia 101 mil bolsas, sendo que o governo financia 75% dessas bolsas, e várias empresas e associações empresariais que aderiram ao projeto financiam as outras 25%. Então, trata-se de outra grande linha de cooperação entre o governo e o empresariado para estimular essas áreas tecnológicas. Além disso, o Ciência sem Fronteiras também cria condições para atrairmos especialistas, cientistas e engenheiros para o Brasil. Então, quando nós assinamos um convênio com a Rússia, por exemplo, nós queremos estimular as duas coisas: a ida de estudantes para lá, e a vinda de especialistas russos para trabalharem em empresas ou órgãos do governo brasileiro. Engenharia, ciências biológicas e ciências da saúde são as áreas em que há o maior número de alunos no Ciência sem Fronteiras, daqui para o exterior. No sentido inverso, não há bolsas para alunos estrangeiros no Brasil. Na Rússia, até agora, há apenas um aluno de doutorado brasileiro pelo programa. Ele é da área espacial, e está em Moscou, no Joint Institute for High Temperatures of the RAS. Foi em outubro do ano passado, e deve voltar em setembro de 2015. Porém, com o acordo Brasil-Rússia firmado recentemente no âmbito do Ciência sem Fronteiras, há a expectativa de que em breve esse número aumente. Há que se mencionar aí a dificuldade que existe em relação à questão da língua. A representação no governo das universidades russas, com quem nós assinamos o convênio, é uma organização que cuida da alocação dos estudantes brasileiros nas universidades de lá. Junto com o governo e com o Ministério da Educação, eles estão preocupados em contribuir de alguma forma para que os estudantes brasileiros tenham um período de preparação da língua russa. Fora isso, as bolsas do Ciência sem Fronteiras cobrem não só as anuidades escolares como também o custo de estada, alimentação e seguro-saúde nos outros países – é uma bolsa completa.

– O Senhor pode citar alguns outros exemplos de resultados concretos obtidos pelos acordos de cooperação científica e tecnológica que o Brasil tem com a Rússia? Quais avanços foram alcançados neste sentido com a última visita do primeiro-ministro Dmitri Medvedev ao Brasil?

– Há uma proposta especial que eu fiz nessa comissão. Nos arredores de Moscou existe um grande parque tecnológico [Skolkovo], onde se estimula a articulação de empresas e bases tecnológicas. Eu sugeri, e acredito muito que isso possa dar uma contribuição significativa para as nossas relações, que fizéssemos um diálogo entre empresas que estão em parques tecnológicos aqui no Brasil e lá na Rússia. São pequenas empresas que têm negócios em tecnologia. Então, se criarmos condições para que elas possam se reunir e discutir seus projetos e suas ideias, estaremos criando possibilidades de cooperação direta ao nível de planos de negócios entre essas empresas russas e brasileiras. Acredito que estimular esse diálogo é estimular a parceria econômica e comercial. E essa confluência de ideias, capitais e esforços é muito importante para o setor de inovações tecnológicas na competição global. Estou propondo isso, e espero que um dia possamos realizar.

– O governo federal anunciou recentemente a criação da Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que será implementada por meio do MCTI, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Ministério da Educação (MEC). Quais os objetivos e o alcance desta iniciativa, e como ela será financiada?

– Dentro do plano Inova Empresa, foi criada essa associação, chamada Embrapii, que terá um papel importante. O objetivo do Inova Empresa é estimular as empresas a fazerem P&D ou trabalharem em projetos comuns com as instituições existentes de P&D. A Embrapii vai ser justamente um catalisador dessa articulação. Ela vai ser proactiva no sentido de detetar uma demanda industrial e estimular os institutos a atenderem à demanda de infraestrutura existente no Brasil – infraestrutura laboratorial e de capacitação em pesquisa. O Inova Empresa terá uma verba de 32,9 bilhões de reais para os próximos dois anos (2013 e 2014), e a Embrapii terá um bilhão de reais para se constituir, no mesmo período. Mais do que isso, esses recursos da Embrapii servirão também para financiar empresas, porque quando a empresa contratar um instituto credenciado pela Embrapii para fazer projetos de pesquisa, a empresa pagará um terço do projeto; o instituto, um terço também; e a Embrapii pagará o terço restante. É um modelo de financiamento do risco, do risco de inovação na empresa. Ou seja, o governo irá participar desse financiamento com as empresas e com os institutos de pesquisa.

– Como o Senhor avalia a situação atual do Brasil em relação ao fenômeno da evasão de cérebros? O que deve ser feito para incentivar a permanência dos grandes nomes da ciência no Brasil?

– É um problema sério, mas não tanto quanto já foi em outras épocas. Nos anos 1990, o Brasil passou por uma fase em que tivemos que fazer um grande esforço para resolver problemas de equilíbrio macroeconômico, inflação, etc., e o nível das atividades econômicas caiu muito. E, quando as atividades econômicas em geral de um país não se desenvolvem de modo adequado, nós perdemos a capacidade de contratar recursos humanos qualificados. Então, muitos dos recursos humanos que nós formamos aqui vão embora do país em busca de oportunidades. Mas eu entendo que a partir dos anos 2000 nós começamos a criar oportunidades para esse pessoal ficar aqui, tanto é que está havendo uma insuficiência da mão de obra qualificada. Isso é uma característica dos tempos atuais aqui no Brasil, e por isso é que a gente faz o Ciência sem Fronteiras: para estimular as áreas onde há deficiência. Eu tenho plena consciência de que, formando esses jovens no exterior, eles terão oportunidades aqui, mantido o atual nível de velocidade no desenvolvimento econômico do país. Nós inclusive criamos no Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia um portal que estimula o aproveitamento desses egressos do Ciência sem Fronteiras que voltam ao Brasil. É um mecanismo de alocação, para indicar empresas, universidades e centros de pesquisa onde eles podem trabalhar, no Brasil inteiro. Então, nós não só temos a expectativa de que essas pessoas serão aproveitadas no país, e de que teremos, ao invés de um brain drain, um brain in. Mas também somos proactivos nesse processo, corremos atrás para fazer com que esses recursos humanos voltem e contribuam para o desenvolvimento do país.

– O Brasil, assim como a Rússia, tem amplas reservas de recursos naturais. Estrategicamente, como o Senhor avalia a importância do fortalecimento da ciência feita no país, diante das perspetivas ambientais de escassez e conflito internacional nas próximas décadas?

– A meu ver, ciência, tecnologia e pesquisa são vitais para que usemos bem esses recursos naturais, em todos os sentidos. Para início de conversa, para que nós não destruamos esse patrimônio que são os recursos naturais. Muitas vezes tivemos desenvolvimentos predatórios. No Brasil temos exemplos no passado em que não aproveitamos os recursos da melhor maneira possível, e acabamos tendo que lidar com a escassez deles. A madeira chamada pau-brasil, que deu nome ao nosso país, e que foi o primeiro recurso natural a ser explorado nessas terras, era tirada daqui e levada para a Europa, até que foi exaurida. Hoje não há mais pau-brasil no Brasil. Temos que ter cuidado para usar esses recursos de forma sustentada. Por exemplo, não podemos explorar os recursos da biodiversidade amazônica como nós exploramos o pau-brasil; temos que explorá-los de uma maneira consistente com a sua conservação – e é perfeitamente possível fazer isso com ciência. Conhecendo esses sistemas da biodiversidade e intervindo de forma organizada e planejada, é possível explorar comercialmente a floresta, com sustentabilidade: tira-se uma árvore, plantam-se duas ou três. Existem empresas que se tornaram grandes sucessos econômicos, como a Natura (empresa de cosméticos), por exemplo, que explora recursos da biodiversidade amazônica de forma sustentada. Ela extrai princípios ativos de árvores e frutos da Amazônia sem destruí-los. Pelo contrário, ela atua no sentido da preservação. Em nível governamental, temos políticas ambientais como o Código Florestal, que permite a exploração da agropecuária mantendo um certo nível de florestas, por exemplo.

– Quais são as perspetivas que o Senhor tem, no geral, para a cooperação técnico-científica com a Rússia nos próximos dez anos?

– Acho que, com todos os BRICS, o Brasil só vai incrementar essas relações científicas, porque são países que têm o mesmo tipo de interesse, estão na mesma posição no contexto global. Então, necessariamente eles terão que cooperar muito entre si. E eles têm um equilíbrio de interesses econômicos comuns que dão sustentabilidade a uma relação científica e tecnológica permanente. Às vezes, quando existe divergência e desequilíbrio entre a força dos interesses de um e de outro, desequilibram-se também todas as possibilidades de cooperação científica. Passa-se a ter dominância de um sobre o outro. Mas aqui não há essa dominância: o relacionamento entre as partes está equilibrado. Acredito que isso vai garantir que, durante muito tempo, tenhamos que utilizar a cooperação com a Rússia, com a Índia, com a China e com a África do Sul.

FONTE: Voz da Rússia

Moscou recusa vender caças à China

Segundo o portal Voz da Rússia: A Rússia e a China não assinaram quaisquer acordos de fornecimento de técnica militar à China durante a visita do presidente chinês Xi Jingping a Moscou entre os dias 22 e 24 de março.

O anúncio foi feito por uma fonte no sistema de cooperação técnico-militar da Rússia com países estrangeiros, comentando informações da televisão chinesa.

Conforme relata a CCTV (Televisão Central da China), durante sua visita a Moscou Xi Jinping assinou uns acordos de fornecimento à China 24 caças Su-35 e de construção conjunta de quatro submarinos diesel para a China.

Defesa Net

sábado, 23 de março de 2013

Ministério da Defesa da Rússia: Não abandonaremos a base militar de Tatus na Síria

O Ministério da Defesa russo negou que Moscou deseje abandonar o porto sírio de Tartus, sua única base militar fora da Rússia, conforme noticias na mídia internacional.

De acordo com um comunicado emitido pelo ministro da defesa russo, os “informes” de que a frota de guerra russa passaria a utilizar o porto libanês de Beirute em lugar do porto Tartus, como ponto de abastecimento não passa de especulações.

O ministério confirmou que recentemente uma unidade da frota do Báltico, entre os quais a fragata Yaroslav Mudry e os navios anfíbios Kaliningrado e Alexander Shabalin, tiveram uma parada no porto libanês de Beirute o que gerou toda essa especulação.

“Mas, para vincular este evento como um plano para deixar a base de Tartus é incorreto”, diz a nota, que nega todos os relatórios emitidos pelos meios de comunicação que tinham citados fontes diplomáticas para dar credito as suas alegações.

Tartus, que é considerada a única base naval russa no Mediterrâneo, foi estabelecida pela primeira vez na década de 1970 como parte dos esforços da ex-União Soviética para conter a crescente influência do regime israelense na região.

A Síria desde meados de março de 2011 está sob a ingerência de certos países ocidentais e regionais que dão abertamente um apoio financeiro, armas e apoio logístico para a oposição, cujo proposito é derrubar o governo de Damasco.

Hispan TV

terça-feira, 19 de março de 2013

Rússia reforça presença marítima global

A Rússia reforçará a presença marítima global. Um agrupamento de cinco – seis navios de guerra será formado para controlar segurança no Mediterrâneo, declarou o comandante em chefe da Marinha, almirante Viktor Chirkov, não excluindo que, no caso da necessidade, agrupamentos análogos sejam criados no Índico e no Pacífico.

O agrupamento da Marinha no Mediterrâneo será composto principalmente por navios de primeira graduação: fragatas e cruzadores, que irão encontrar-se permanentemente na região. A grande unidade operacional incluirá, na maioria, navios de guerra da Esquadra Norte. As restantes naves serão da Esquadra do Mar Negro. A direção será efetuada pelo comando geral do agrupamento no Mediterrâneo.

Na semana passada, o ministro da Defesa, Serguei Shoigu, asseverou que a Rússia tem todas as possibilidades para estabelecer uma frota permanente nesta parte do Oceano Mundial.

Em janeiro, a Rússia efetuou as maiores manobras navais da última década no Mediterrâneo, das quais participaram navios das Esquadras do Báltico, do Mar do Norte e do Mar Negro. A decisão de que navios de gurra russos devem continuar na região serviços militares foi tomada com base nos resultados dessas manobras. Para o mar foram enviados quatro grandes navios de desembarque, diz o perito militar Viktor Baranets:

“É evidente que o Mediterrâneo se transforma num centro de influência militar nos países da região por parte da OTAN, dos Estados Unidos e de outros estados. Naturalmente, tal fato não pode escapar à atenção da Rússia, de seus políticos e almirantes. Vemos perfeitamente como se desenvolve a situação em torno da Síria e não podemos deixar sem atenção a solução desta questão praticamente global”.

A experiência da formação de um agrupamento no Mediterrâneo poderá ser estendida também para outras regiões, não excluiu o comandante em chefe da Marinha russa, almirante Chirkov. Se for necessário, disse, o comando da Força Naval irá propor ao governo e ao presidente formar grandes unidades operacionais de navios no Pacífico e no Índico. Comentando esta declaração, o assessor do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Rússia e antigo comandante em chefe da Esquadra do Mar Negro, Igor Kassatonov, declarou:

“Tradicionalmente, estivemos presentes nestes oceanos, espacialmente nas regiões mais importantes para os interesses da Rússia. Havia o porto de Kamran no Vietnã, muito bem preparado tecnicamente, havia também outros pontos de entrada de navios russos. Interesses da Rússia continuam a ser evidentes nestas regiões. A Rússia é uma grande potência marítima. Esta região será declarada pelo Comandante Supremo como vitalmente importante para os interesses da Rússia. Nossas forças estarão lá tanto tempo, quanto for necessário”.

As zonas do Pacífico e do Índico tornam-se centros da política mundial. Não é casual que nomeadamente naquela região os Estados Unidos e a China intensificam sua presença militar. A Rússia, por seu lado, reagirá adequadamente a esta tendência.

Defesa Aérea naval

Força aérea da Síria persegue e bombardeia rebeldes sírios no Líbano

A força aérea da Síria bombardeou ontem alvos no norte do Líbano, junto à fronteira entre os dois países, confirmou o Departamento de Estado norte-americano.

“Podemos confirmar as notícias da comunicação social, de que caças e helicópteros do regime sírio dispararam foguetes contra o norte do Líbano”, disse aos jornalistas a porta-voz Victoria Nuland.

Para os Estados Unidos, este ataque “constituiu uma escalada significativa na violação do direito de soberania do Líbano” e é “completamente inaceitável”.

A França também já condenou o ataque aéreo e também acusa o regime do presidente Bashar al-Assad de violar a soberania do Líbano.

O Governo de Paris, que tem tropas na força de paz das Nações Unidas no Líbano, defende o levantamento do embargo de armas aos rebeldes sírios.

Com informações da Agência Lusa

Nota da Redação do naval brasil:

Só faltava essa, os EUA e França sentirem as dores do Líbano pelo território invadido, bem antes do próprio país em questão dar qualquer declaração. Claro que foi o próprio Líbano que autorizou esta incursão.

Essa situação mostra dois pesos e duas medidas, ou seja, se os rebeldes se escondem no território libanês, iraquiano ou turco, não há problema para os EUA; agora, se a Síria persegue-os fora de suas fronteiras, há a gritaria geral… por favor senhores!

Naval Brasil

Fornecimento de armas a Síria acaba defenitivamente com as esperanças de solução negociada

A julgar por todos os indícios, o conflito na Síria entra numa nova volta da espiral de tensões. De acordo com a mídia francesa, Paris e Londres decidiram romper o embargo de fornecimento de armas aos rebeldes sírios.

Analistas acreditam que se pode tratar de sistemas de defesa antiaérea portáteis comprados em terceiros países, assim como armas antitanque e projéteis para sistemas de artilharia que os rebeldes apreenderam às tropas governamentais.

A lógica dos franceses e ingleses é compreensível: se os rebeldes possuirem armas modernas, as tropas fiéis a Assad começarão a ter maiores perdas, o que, por sua vez, irá repercutir de forma negativa em seu estado de ânimo, combatividade e lealdade. Para muitos especialistas, tal lógica é defeituosa, pois a principal prioridade humanitária – pôr fim à guerra fratricida – não será alcançada com isso.

Alguns especialistas julgam que a situação na Síria vem mudando gradualmente em favor dos rebeldes; outros crêem que é bastante elevada a probabilidade de um empate, quando nenhuma das partes não possa obter uma superioridade decisiva. Por conseguinte, pode-se admitir que o hipotético fornecimento de armas aos rebeldes vise a escalar o conflito até seu máximo grau. Quanto mais intensas forem as hostilidades, tanto mais rápido será o desenlace. Talvez, o Ocidente decidiu necessário acabar de qualquer maneira com Assad. Não lhe agrada que, por assim dizer, a democratização síria está demorando vergonhosamente. Ao mesmo tempo, é muito provável que o Ocidente esteja concsiente de que suas atitudes empurram a região para uma crise. Mas não é isso com que o Ocidente se importa, comenta Leonid Issaev, docente sênior do departamento da ciência política da Universidade Nacional de Pesquisas "Escola de Altos Estudos Econômicos".

"No presente momento, tudo que está ocorrendo no mundo árabe confirma precisamente isso. Parecia que a Tunísia vinha saindo da crise, mas os últimos acontecimentos evidenciam que não é assim. O Egito permanece nesta crise de forma contínua. O Iêmen, o Bahrein, a Líbia –, não avisto quaisquer precedentes que nos permitam falar que na Síria a situação iria evoluir de outra maneira. Parece-me que há uma falha fundamental tanto no plano político como ideológico. Por enquanto, não se vê ninguém que seja capaz de encher o vácuo produzido após a queda dos regimes árabes que, sim, eram autoritários, às vezes até cruéis, mas, de toda forma, tecnicamente aptos. Portanto, surgem crises políticas de longa duração, ora em versões suaves, como na Tunísia, ora a ponto de cair nos extremos, como no Egito. Como o será na Síria? Provavelmente, sob uma forma intermediária entre as versões egípcia e líbia. Mas é incontestável que após o derrubamento de Assad se produzirá uma crise política de grande envergadura e todo-abrangente".

À autocracia leiga de Assad (bem como a outros regimes políticos do mundo árabe não ideais, mas sim suscetíveis de interagir com a realidade) não irão suceder os democratas locais senão o fundamentalismo islâmico mundial, opina o orientalista e perito em ciência política, Stanislav Tarassov.

"No caso de Assad ser destituído, a democracia não irá triunfar na Síria, pois serão os islamistas radicais que chegarão ao poder. Precisamente aqueles, aliás, que assassinaram o embaixador norte-americano (na Líbia); os mesmos contra os quais a França organizou a intervenção no Mali. No caso da Síria, a chegada ao poder dos islamistas implicará não só a divisão do país, mas também a continuação da expansão islâmica à escala da região inteira. É muito perigoso. A Al-Qaeda se estabeleceu não só no Afeganistão e Iraque. Agora está também na vizinha Turquia. A Al-Qaeda já está guerreando contra a Síria. Isto envolve uma grave desestabilização da situação. A julgar por vários indícios, as primeiras andorinhas da revolução árabe começam já a atingir as fronteiras da Transcaucásia".

Em resumo, o conflito sírio tende a se ampliar por si, mesmo sem interferências adicionais. Abarrotar o país com armas é como apagar o fogo com gasolina. A despeito da continuação das tentativas de solucionar o conflito por via diplomática, uma démarche similar da Grã-Bretanha e França sepulta definitivamente a esperança tímida de as partes sírias chegarem a um compromisso entre si.

Naval Brasil

EUA negam acusação de complô para assassinar Capriles e fomentar golpe na Venezuela

O governo dos Estados Unidos desmentiu na segunda-feira acusações feitas pelo presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, de que agentes norte-americanos estariam planejando assassinar o candidato de oposição Henrique Capriles e fomentar um golpe no país sul-americano.

Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse hoje a jornalistas que o governo norte-americano "rechaça categoricamente as alegações referentes a qualquer espécie de envolvimento em complôs para desestabilizar o governo venezuelano ou para ferir quem quer que seja na Venezuela".

Maduro fez a acusação na semana passada e a tem repetido desde então. O presidente interino enfrentará Capriles nas eleições presidenciais, antecipadas para 14 de abril por causa da morte de Hugo Chávez, que no ano passado foi reeleito para um mandato de seis anos, mas sucumbiu a um câncer antes mesmo de tomar posse.

Segundo Maduro, os mentores dos supostos complôs para desestabilizar a Venezuela são ex-diplomatas do governo George W. Bush. Ele pediu ao atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que "pare com essa insanidade".

Enquanto isso, uma pesquisa de intenção de voto divulgada nesta segunda-feira indica que Nicolás Maduro é o favorito para as eleições de 14 de abril. O herdeiro político do presidente Hugo Chávez tem 49,2% da preferência popular, segundo o instituto Datanálisis. O opositor Henrique Capriles, governador de Miranda, conta com 34,8%. A vantagem é de 14 pontos porcentuais. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Naval Brasil

sexta-feira, 15 de março de 2013

Kirchner chama referendo sobre Malvinas de “paródia”

A presidente argentina, Cristina Kirchner, chamou o referendo realizado nas Ilhas Malvinas (ou Ilhas Falkland para os britânicos) de "paródia", após os moradores da região votarem a favor de permanecer como território britânico ultramarino.

"O que é importante hoje é a posição dos Estados Unidos sobre esse tipo de paródia de um referendo", disse Kirchner na Casa Rosada. "A porta-voz do Departamento de Estado disse que eles continuam a reconhecer que há uma disputa de soberania entre a Argentina e o Reino Unido."

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, "afirmou que o que eles (os residentes das ilhas) fizeram não muda a posição diplomática dos Estados Unidos, que tem sido sempre a de apoiar uma resolução diplomática do conflito através do diálogo", ressaltou Kirchner.

O governo argentino rejeitou o referendo e o definiu como sem sentido. Além disso, também afirmou que isso não irá afetar as suas reivindicações sobre as Ilhas Malvinas.

A Argentina reivindica as ilhas do Atlântico Sul desde 1833 e quer que a Organização das Nações Unidas (ONU) medeie um diálogo para encerrar a disputa. O Reino Unido recusou os pedidos da ONU para que participe desta negociação.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu mais cedo que a Argentina respeitasse os desejos dos moradores das Ilhas Malvinas. Os resultados oficiais mostraram que 99,8% dos votos no referendo foram a favor de manter o local como um território britânico autônomo.

Os residentes das Ilhas organizaram o voto em resposta a uma retórica cada vez mais belicosa de Kirchner sobre a soberania da região. As informações são da Dow Jones.

Naval Brasil

quinta-feira, 14 de março de 2013

OVNI é filmado por câmera de segurança em sítio do Rio de Janeiro - Animais eram roubados no sítio

Um OVNI foi flagrado em câmera de segurança, em um sítio do interior do Rio de Janeiro. O sitiante instalou uma câmera de segurança, aconselhado por seu filho, para vigiar quem estava roubando os animais do seu sítio. No vídeo ainda pode ser visto algo que talvez seja um ser alienígena, eu particularmente não acredito que haja um ser na filmagem, pode ser apenas um efeito de pareidolia. Não podemos afirmar que o vídeo seja verdadeiro, é preciso uma investigação profunda do vídeo e do local do evento.

O vídeo é intrigante, pois mostra que algo muito brilhante estacionou próximo à câmera e ficou por muitos minutos. O suposto objeto parece causar uma importante interferência nas imagens da câmera. Em determinado momento do vídeo um orb passa em frente à câmera e deixa a captura ainda mais incrível. O ponto alto do vídeo é a decolagem do objeto, isto mesmo, o objeto decola deixando claro que trata-se de um OVNI.

O vídeo é muito longo e demora chegar ao ponto que realmente interessa, para quem não tiver tempo e/ou paciência, indico assistir o vídeo a partir dos 56 minutos.

PS: Tentem desconsiderar um pouco o sensacionalismo da reportagem e se atenham às imagens. Repito, isso tem que ser bem investigado.

Segue vídeo:


ETS & ETS

Premiê sírio destaca papel da imprensa contra campanha midiática

Damasco, 14 mar (Prensa Latina) O Primeiro-ministro sírio, Wael al-Halaki, elogiou o papel que hoje desempenham os meios de comunicação e a imprensa nacional para desmascarar o que considerou um complô e campanha midiática internacional para destruir este pais árabe.
Destacou que os jornalistas aqui enfrentam uma guerra midiática que propaga grande quantidade de falsidades, diante da qual respondem com notícias críveis e transparentes.

Também elogiou o desempenho da imprensa para fomentar uma cultura de diálogo e de pertencimento nacional entre a cidadania.

A informação anterior saiu de uma reunião nesta capital entre a Comissão Ministerial -liderada por al-Halaki-, encarregada de impulsionar o Programa Político para especificar o plano de paz, com o presidente da União de Jornalistas da Síria, Elías Murad, e o chefe do Conselho Nacional de Meios de Comunicação, Taleb Kadi Amin, junto aos membros de ambas as entidades.

O Premiê expôs aos presentes os resultados das ações do órgão negociador que dirige, o qual efetua reuniões de consultas com todas as forças políticas e sociais do país a fim de especificar um roteiro que acabe com a disputa aqui que já tem dois anos.

Explicou que para atingir a ansiada reconciliação nacional é urgente optar pela unidade nacional, a rejeição à violência e atos terroristas dos grupos armados, bem como ter fé em que as soluções pacíficas e políticas são as únicas possíveis para sair da crise sem ingerências externas.

Por sua vez, os representantes dos jornalistas e dos trabalhadores de meios de comunicação expuseram seus pontos de vista sobre o processo negociador e confirmaram seu apoio ao Programa exposto pelo presidente Bashar al-Assad em janeiro passado.

Destacaram também a importância de resolver problemas econômicos, como garantir as necessidades básicas e de serviços para toda a população, assim como aumentar a luta contra a corrupção, o aumento dos preços e conseguir uma maior justiça social.

Do mesmo modo, enfatizaram a necessidade de desenvolver uma cultura de pertencimento e de diálogo.

Prensa Latina

Dominó Árabe - França e Reino Unido suspenderão embargo de armas para rebeldes sírios


A França e o Reino Unido têm a intenção de suspender o embargo de armas voltado aos rebeldes sírios, embora não consigam convencer os demais países da União Europeia a fazer o mesmo, afirmou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius.

Questionado pela emissora de rádio France Info se os dois países tomariam essa decisão mesmo contrariando os demais membros da UE, Fabius respondeu "sim, exatamente".

"A posição que tomamos com os britânicos é que os europeus devem levantar o embargo para que os resistentes (sírios) possam defender-se", explicara previamente o ministro francês.

Fabius considera que o balanço do conflito sírio é "horrível", com "mais de 70 mil mortos" e centenas de milhares de refugiados, em particular na Jordânia, onde a situação é "dramática".

"Não se pode aceitar o desequilíbrio atual", em que o regime do presidente Bashar al-Assad recebe armamentos da Rússia e do Irã e os rebeldes não, argumentou.

Defesa Net

Grã-Bretanha está pronta a combater pelas ilhas Malvinas

A Argentina deve respeitar a decisão dos habitantes das Ilhas Malvinas (Falkland) de continuar sob a soberania da Grã-Bretanha, declarou hoje o primeiro-ministro David Cameron, ao sublinhar que a Grã-Bretanha “defenderá seus territórios, se fôr necessário”.

Segundo os resultados do sufrágio, apurados esta noite no arquipélago situado no Sudoeste do Atlântico, a favor do estatuto das ilhas como “território ultramarino” da Grã-Bretanha votaram 99,8% dos participantes do referendo de dois dias, ou seja 1517 pessoas, tendo havido três votos “contra”.

Defesa Aérea Naval

Argentina ameaça concessão da Vale

Governo de Cristina Kirchner endurece o discurso depois que a mineradora brasileira decidiu paralisar projeto de extração de potássio

O governo argentino ameaçou ontem revogar a concessão dada à Vale para explorar as jazidas de potássio do projeto Rio Colorado, na província de Mendoza, depois que a empresa anunciou a paralisação do empreendimento, na última segunda-feira, o que poderá provocar a demissão de 6 mil trabalhadores. Segundo fontes com conhecimento direto do assunto, a companhia pretende vender os ativos para recuperar os US$ 2,2 bilhões que já investiu na área de mineração.

“A empresa violou a segurança jurídica e as leis da Argentina e de Mendoza, em particular, que outorgou a concessão. E se não a explorarem, vão perdê-la”, disse o ministro do Planejamento, Julio de Vido, em discurso na Casa Rosada, sede do Executivo argentino. “Em questões de investimento, a segurança jurídica é um caminho duplo de ida e volta”, acrescentou o ministro. “Se (as reservas de potássio) não são exploradas e não há produção, está sendo violado o contrato de concessão que a província outorgou à Vale.”

O governo argentino acusa a mineradora de pleitear US$ 3 bilhões em reduções fiscais e outros benefícios para dar continuidade ao projeto. No mesmo evento, o governador de Mendoza, Francisco Perez, citou a presidente do país, Cristina Kirchner, dizendo que o empreendimento será levado adiante “com ou sem a Vale”. O Rio Colorado deveria transformar a Argentina em um dos maiores exportadores de potássio, matéria-prima usada para produzir fertilizantes. A produção seria direcionada principalmente para o Brasil, que compra do Canadá e da Jordânia 90% do potássio que consome.

Procurada, a Vale disse que não comentaria a informação sobre a venda dos ativos, operação que poderá ser inviabilizada se a concessão for cancelada. O governo argentino tem um histórico de expropriar empresas, alegando produção insuficiente. A nacionalização em 2012 de 51% YPF, parte detida pela petrolífera espanhola Repsol, foi o caso mais notório de como o Estado argentino pode jogar duro com companhias estrangeiras. Antes, o país já havia nacionalizado a Aerolíneas Argentinas e outras empresas de serviços públicos.

Custos

Segunda mineradora do mundo, a Vale disse ter completado 45% do Rio Colorado, que inclui, além da mina, 800 quilômetros de ferrovia e um terminal no porto de Bahía Blanca, ao sul de Buenos Aires. No total, o projeto é estimado em US$ 6 bilhões. Em dezembro, pouco antes de colocar os funcionários em licença remunerada e suspender as obras, a Vale informou que estava buscando um parceiro para comprar parte do empreendimento e ajudar a suportar os custos, num momento em que tenta concentrar investimentos no negócio principal, de minério de ferro.

A busca por um comprador, no entanto, ocorre em um momento de fragilidade dos preços das commodities minerais, com as principais empresas do setor passando por aperto financeiro, registrando queda nos lucros e trocando executivos. Em nota, na segunda-feira, a Vale disse que não abandonaria as jazidas de potássio na Argentina e continuaria zelando peloss direitos de exploração na região. Os ativos foram comprados da australo-britânica Rio Tinto em 2009.

Inflação na China preocupa

O presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, disse ontem que tem como prioridade gerenciar de maneira vigilante os riscos de alta da inflação no país e que a política monetária será aplicada de forma prudente para controlar a elevação dos preços.

A declaração foi vista pelo mercado como um sinal claro de que o governo chinês desistiu do conjunto de políticas pró-crescimento que vinha promovendo em 2012. Em fevereiro, a inflação acumulada em 12 meses na China alcançou 3,2%. Uma taxa mais baixa de expansão econômica poderá conter as importações do gigante asiático e afetar a economia global. O país é o maior parceiro comercial do Brasil e empresas como a Vale têm na China o principal mercado.

Defesa Net

Espanha reitera vontade em vender navios de guerra ao Brasil

Concorrência ainda está em fase inicial, mas sete ofertas já foram pré-selecionadas: a espanhola, a alemã, a sul-coreana, a francesa, a italiana, a holandesa e a inglesa.


Brasília – O ministro da Defesa da Espanha, Pedro Morenés, confirmou nesta terça-feira o “enorme interesse” de seu país em participar de uma licitação que o Brasil abrirá para a compra de 11 navios de guerra e garantiu a transferência de tecnologia exigida na negociação.

“Evidentemente a Espanha tem um enorme interesse” e oferecerá nessa concorrência os navios F100, construídos pelos estaleiros Navantia, e que são, segundo Morenés,”os mais avançados do mundo em sua categoria”.

Segundo fontes do setor militar consultadas pela Agência Efe, a licitação brasileira deve rondar um valor próximo aos R$ 4 bilhões.

A concorrência ainda está em fase inicial, mas sete ofertas já foram pré-selecionadas: a espanhola, a alemã, a sul-coreana, a francesa, a italiana, a holandesa e a inglesa.

Uma das exigências que o Brasil vai impor na fase final da concorrência se refere a uma transferência obrigatória da tecnologia por parte do país que vencer a licitação, o que, segundo Morenés, não será nenhum inconveniente para a Espanha.

O único obstáculo que poderia surgir seria alguma objeção por parte dos Estados Unidos, que fornece alguns dos sistemas que equipam essas fragatas, admitiu o ministro espanhol.

No entanto, ele esclareceu que, nesse caso extremo, não seria nenhum inconveniente incorporar aos F100 outros sistemas, que seriam “iguais e suficientemente competitivos”.

Morenés se reuniu hoje em Brasília com o ministro da Defesa, Celso Amorim, e disse concordar “totalmente” com a exigência da transferência de tecnologia nas negociações militares.

Após a reunião, foi divulgado um comunicado que garante que os dois “insistiram na importância de estabelecer a transferência de tecnologia em indústrias de Defesa como um dos parâmetros da cooperação no marco de um benefício mútuo a longo prazo”.

O encontro desta terça-feira ocorreu no marco da Associação Estratégica adotada pela Espanha e Brasil em 2003 e, segundo explicou Morenés a jornalistas, serviu para dar seguimento aos acordos de cooperação em Defesa assinados no ano passado, em Madri, pelo presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, e pela presidente Dilma Rousseff.

Nessa oportunidade foi definida também a criação de um Grupo de Trabalho Bilateral sobre Cooperação Industrial em Matéria de Defesa que deve se reunir pela primeira vez em junho desse ano.

Uma das prioridades do grupo, de acordo com o comunicado oficial, será a cooperação na área de “ciber defesa”, que na opinião do ministro espanhol representa um dos “novos e maiores” desafios para o setor de segurança, e requer uma sólida ação conjunta em âmbito internacional.

Antes de viajar ao Peru – a segunda escala de uma viagem que começou nesta segunda-feira em Cabo Verde e que será concluída no Chile – Morenés disse a jornalistas que convidou Amorim para visitar a Espanha e continuar as conversas iniciadas hoje.

Além disso, garantiu que a Espanha terá uma forte presença na feira “LAAD Security & Defense”, uma exposição de equipamentos militares que será realizada no Rio de Janeiro de 9 a 12 de abril desse ano.

FONTE: EFE

Defesa Aérea Naval

KC-X2 - IAI vence com B767-300ER convertido

Israel Aerospace Industries entregou em 2010 um B767-200ER, Extended Range, MMTT - que inclui capaacidade de reabastecimento à Força Aérea da Colombia. Foto IAI

FAB encerra processo de seleção de aeronaves reabastecedoras

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica informa que o Comando da Aeronáutica encerrou o processo de seleção das duas aeronaves de grande porte que substituirão os KC-137 operados pelo 2° Esquadrão do 2º Grupo de Transporte (2°/2°GT).

A proposta escolhida foi a da empresa Israel Aerospace Industries - IAI, que converterá aeronaves comerciais Boeing 767-300ER em plataformas capazes de realizar reabastecimento em voo, transporte estratégico de carga e tropa e evacuação aeromédica, de acordo com os requisitos formulados pela Força Aérea Brasileira.

O Projeto KC-X2, como foi chamado o processo de substituição dos aviões, foi instituído pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) em 2008 e conduzido pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), que buscou as melhores soluções existentes no mercado, considerando requisitos técnico-operacionais, logísticos, industriais e de compensação comercial e tecnológica para o estado brasileiro.

Os antigos KC-137 foram fabricados na década de 1960 e incorporados à FAB em 1986, tendo sido empregados, desde então, em diversas missões operacionais e humanitárias de grande relevância para a Força Aérea Brasileira e para o Brasil.

Brasília, 14 de março de 2013

 Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica


Nota DefesaNet


Programa KC-X2:

No ano passado foi divulgado pela FAB o programa KC-X2 com a intenção de comprar 4 novos aviões para substituir os já antigos e obsoletos KC-137E (Versão de reabastecimento do civil Boeing 707-320C) pertecentes ao Esquadrão Corsário sediado na Base Aérea do Galeão no Rio de Janeiro - RJ.

Os Sucatões como são conhecidos os KC-137 completaram esse ano 44 anos de vida, sendo um dos vetores mais antigos de toda a força. Além da necessidade da troca dos reabastecedores estratégicos também veio a necessidade da Força Aérea adquirir um avião presidencial maior e com maior alcance, pois o recente Airbus A319CJ entregue em 2008 pela Airbus Corporate Jets fazia até 2 escalas para ir para Europa para cumprir a agenda presidencial.

Após a divulgação do programa, 3 empresas apresentaram suas propostas:

- Airbus Military: Airbus A330 MRTT (Multi-Role Tanker Transport)

- Boeing Military: Boeing KC-767A International Tanker

- Israel Aerospace Industries (IAI): Boeing KC-767-300ER MMTT

Sobre as aeronaves concorrentes:

- A330 MRTT: É um Airbus A330-200 de passageiros convertido pela própria Airbus para reabastecimento e transporte em sua fábrica em Getafe, Espanha.

É utilizado pelo Reino Unido, Austrália, Emirados Árabes, Arábia Saudita e França.

- KC-767A: Um Boeing 767-200ER civil convertido para reabastecimento em voo (REVO) e transporte COMBI (Cargas e Passageiros ao mesmo tempo). Seus operadores são o Japão e Itália, além da recente encomenda dos Estados Unidos (designado KC-46A).

- KC-767-300ER MMTT: Convertido pela IAI em Tel-Aviv, Israel teve sua primeira entrega há alguns meses para a Força Aérea Colombiana (versão 200ER). Assim como os concorrentes, pode levar carga e/ou passageiros e utiliza do próprio tanque de combustível para reabastecimento em voo.

A proposta vencedroa atende aos interesses da TAM que deverá repassar dois B767-300ER prestes a serem retirados de serviço.

Defesa Net