terça-feira, 30 de abril de 2013

Foto da NASA faz internauta levantar suspeita de que há uma nave mãe em órbita da Terra

Objeto real, ou defeito em foto digital?
Objeto real, ou defeito em foto digital?

Uma foto da NASA, que foi tirada em órbita da Terra, está dando o que falar na Internet. O internauta Streetcap1 pensa se tratar de uma enorme ‘nave mãe’ que paira sobre a atmosfera terrestre.

Embora a foto seja impactante, é muito provável que possa ser mais nada do que algum efeito na imagem digital. Mesmo assim, ela pode tocar nossas imaginações.

Abaixo está o vídeo publicado no YouTube pelo internauta, seguido da foto:


O suposto objeto encontra-se na parte superior central da foto e pode ser visto ampliando-se a foto. (Para ampliar a foto, clique use o botão direito de seu mouse.)

A foto original pode ser vista no site de origem aqui: http://eol.jsc.nasa.gov/sseop/images/ESC/large/ISS006/ISS006-E-51192.JPG

Ovni Hoje

LAAD Bastidores 5 - F-X2 - As Máquinas e os Homens. O Confronto dos Ases


O piloto Björn Danielsson e seu colega sueco visitam o condecorado Ted “Mongoose” Herman no estande da Boeing. Foto Wayne Lima

A LAAD - Latin America Aerospace & Defense 2013, trazia muita expectativa quanto à participação dos consórcios fabricantes dos caças short-listed no F-X2, a concorrência pública para compra dos 36 aviões à Força Aérea Brasileira. Para além da competição entre as máquinas, o que se viu foi uma elegante disputa entre os homens que as representavam. Uma disputa entre homens muito especiais. Um confronto de Ases.

O Veterano Incansável

A Boeing trouxe para defender o seu F/A-18E/F Super Hornet Block II, o Lt.Col. USMC (Ret) Ted “Mongoose” Herman, um dos mais condecorados pilotos de caça do US Marine Corps. Veterano do Vietnã e da Guerra do Golfo, Ted executou 40 missões reais sobre o Kuwait durante a Operação Tempestade no Deserto. Ele veio ao Brasil na condição de atual gerente de desenvolvimento de negócios internacionais da Boeing Military Aircraft.

Aqueles que tiveram a oportunidade de visitar o simulador do Super Hornet, certamente se depararam com sua figura marcante, altiva e sempre generosa. Ted, sempre incansável, era o primeiro a chegar e o último a sair do estande da Boeing. Com uma paciência característica dos mais competentes instrutores de voo, Mongoose reiniciava a simulação sem aborrecer-se, orientando e estimulando os numerosos “pilotos” visitantes, que muitas vezes teimavam em atrapalhar o voo fácil do F/A-18.

Ted Herman registra em sua caderneta de voo 3.900 horas, 2.010 horas em AV-8 A/C/B, 1.100 horas em A-4J/F/M e 550 horas em EA-6A. Condecorado com a Distinguished Flying Cross with Combat "V", Bronze Star with Combat “V”; Defense Meritorious Service Medal; Meritorious Service Medal; Air Medal with #6; Navy Commendation Medal; Spanish Cross of Aeronautical Merit, 1st Class with White Emblem; Kuwait Liberation Medal; SEA and SWA Campaign Medals.


O especialista em BVR - Combate Aéreo Além do Alcance Visual, Björn Danielsson, foi a principal atração, afora o próprio caça Gripen, da fabricante sueca, SAAB Aqui na Coletiva de imprensa Com Bengt Janer e De La MOTTE. Foto - DefesaNet

O Pequeno Gigante

Defendendo com conhecimento de causa o avião francês, o piloto de caça Christophe De Pauw foi o trunfo da Dassault no confronto dos Ases. O aviador deixou a Armée de l'Air, a Força Aérea Francesa, havia apenas alguns meses, tendo em seu currículo a participação nas bem sucedidas campanhas do Rafale no Afeganistão e na Líbia. O “Ás” foi responsável pelas apresentações interativas em mesa digital, propiciadas pela Dassault em seu estande na LAAD.

Christophe pode não ter grande estatura, mas é um gigante em matéria de conhecimento da guerra aérea. Ocupando o posto de Conselheiro Operacional da Diretório Geral Internacional da Dassault, empresta uma rica bagagem baseada no desempenho real da aeronave no teatro de operações. Dentre os pilotos vindos ao Brasil, representantes dos short-listed no F-X2, foi o único a voar em missões reais de combate o caça que apresenta.

Além da simpatia incontestável, De Pauw, mesmo com sua farta experiência e qualidade como Chasseur - Caçador, não deixa dúvidas de sua humildade, característica de sua cativante personalidade. Quando o reencontrei no Brasil, no primeiro dia de LAAD, arrumava solitário as almofadas do estande do concorrente francês.


Christophe De Pauw e o autor de macacão de voo na Base Aérea de Istres França Foto - Dassault

O Homem de Gelo

O especialista em BVR - Combate Aéreo Além do Alcance Visual, Björn Danielsson, foi a principal atração, afora o próprio caça Gripen, da fabricante sueca, SAAB.

Piloto de caça da Flygvapnet, a Força Aérea da Suécia, Björn esteve em serviço ativo de 1989 a 2009, quando passou a responder pelo cargo de Analista Operacional da Saab Aeronautics. Mestre em economia, acumulou enquanto piloto as funções de analista financeiro e chefe de aquisições para o programa de simulação em voo. Björn também participou do processo de desenvolvimento de softwares operacionais embarcados no Gripen, implementando as necessidades reais do piloto em combate, na HMI - Human Machine Interface, ferramentas de interação entre o homem e o avião.

O piloto nórdico e “Ás” da SAAB, especializou-se em BVR, tendo atuado como instrutor de Combate Aéreo entre 2008 e 2009. Danielsson, a quem eu estimulei pessoalmente por diversas vezes a escrever um livro sobre o tema, defende interessantes teorias sobre a evolução da guerra no ar. Entre suas ideias, uma respeitável análise das táticas sob os diversos espectros envolvidos na natureza do combate. Do além do alcance visual, ao aproximado, passando pelas variadas tecnologias dos sensores e sistemas da atualidade.

Uma “Batalha” duelada por Cavalheiros

Nem mesmo a acirrada disputa pela conquista do contrato de venda de 36 caças à Força Aérea Brasileira foi capaz de comprometer a elegância e o fair play entre tais cavalheiros. O correspondente do DefesaNet, Wayne dos Santos Lima, flagrou um destes momentos durante a LAAD, onde os “Ases” se encontraram sem a necessidade de fence check (procedimento para cheque de F - combustível, E - radares, N - navegação, C - contramedidas chaff e flares, e E - emprego de armamentos, executado antes de se entrar em combate). Confuso ao ver macacões de voo da Flygvapnet no simulador da US Navy, Wayne - rápido como o cowboy que lhe emprestou o nome, sacou a máquina e registrou quando o piloto Björn Danielsson e seu colega sueco visitavam o condecorado Ted “Mongoose” Herman no estande da Boeing.

A batalha entre os três caças (Super Hornet, Rafale e Gripen) pré-selecionados no F-X2 continua firme. Todos concorrentes querem lançar mão de suas melhores armas, inclusive seus experientes pilotos, para vencer a concorrência em curso. Mas, na prática, mesmo defendendo com garras e dentes (e bastante competência) as vantagens das máquinas que representavam, o “Confronto dos Ases” se deu apenas no campo das ideias e argumentações. O respeito e a consideração mútua destacaram durante todo o evento o cavalheirismo destes homens notáveis.

Defesa Net

LAAD Bastidores 4 - KC-390 Promissor com Grandes Desafios à Frente

KC-390 além de transporte militar e reabastecedor também pode incorporar funções como SAR Arte - EMBRAER

O Programa Estratégico do avião de transporte e reabastecimento KC-390, em desenvolvimento pela EMBRAER Defesa e Segurança em análise.



Foto da coletiva de imprensa. Coletiva conduzida pelo presidente da Embraer Defesa e Segurança , Luiz Carlos Aguiar e o Gerente do Programa, Paulo Gastão , com a presença na mesa do Comandante da Aeronáutica Brigadeiro Saito e Geraldo Gomes, VP International Business Development. Foto DefesaNet

Descrição:

O KC-390 será uma aeronave de transporte militar e reabastecimento em voo, capaz de operar em pistas com pouco preparo, localizadas em qualquer latitude e longitude do globo terrestre, em regiões como a Antártica, a Amazônia e o Pantanal. Quando estiver pronto, ele substituirá os C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB). Será urna das mais importantes ferramentas da FAB para cumprir sua missão constitucional e prover mobilidade estratégica às forças de defesa do Brasil,

A Força Aérea assinou contrato com a Embraer para o desenvolvimento, fornecimento de protótipos e preparação da industrialização da aeronave. Argentina, Portugal e República Tcheca são parceiros no desenvolvimento e fabricação de parte da estrutura do KC-390.


Perspectivas de mercado segundo a EMBRAER Foto DefesaNet

Importância Estratégica:

O desenvolvimento do KC-390 projetará e solidificará o Brasil como um dos grandes produtores de equipamentos de defesa no mundo. Além de possuir grande potencial de exportação, a aeronave é um produto de alto valor agregado e poderá servir a um mercado de mais de 70 países.

Para atender às necessidades do país, tanto na sua missão de caráter militar, como a de ajuda humanitária de âmbito civil, o KC-390 será capaz de ser empregado em qualquer latitude e longitude do globo terrestre, cumprindo missões como: auxílio em caso de calamidades públicas, apoio e ajuda humanitária internacional e suporte aos pelotões de fronteira.


O Multi Role Kc-390 Foto DefesaNet

Principais Benefícios:

• Elevação da capacidade operacional da Força Aérea Brasileira;
• Aumento das exportações (estudos indicam um mercado endereçável de cerca de 700 aeronaves, o que pode corresponder a, aproximadamente, US$ 20 bilhões de exportações em 20 anos);
• Geração de empregos de alta qualificação durante as fases de desenvolvimento e de produção em série;
- Domínio de novas tecnologias (o projeto implica domínio de sistemas de controle fly-by-wire, de sistemas de manufatura de ponta, do uso de novos materiais e da integração de software embarcado).


Cronograma de atividades previstos para o KC-390 Foto DefesaNet

Cronograma de Execução:

O desenvolvimento do KC-390 foi iniciado em 2009. Até o momento, três fases já foram concluídas: a de estudos preliminares, a de definições iniciais e a de definições conjuntas, encerrada em setembro de 2012, com a documentação da configuração final da estrutura, aerodinâmica, sistemas, tecnologias e processos de manufatura. Em outubro de 2012, foi iniciada a fase de projeto detalhado, com a construção de dois protótipos, realização de ensaios em voo e certificação civil e militar. O término está previsto para 2016.



O cockpit com sistemas no estado da arte. Foto - DefesaNet

Notas DefesaNet

A coletiva sobre o KC-390 na LAAD, a primeira em quatro anos no Brasil, foi muito significativa. Tanto pelo que foi mostrado como o que não foi mostrado ou respondido.

A apresentação conduzida pelo presidente da Embraer Defesa e Segurança , Luiz Carlos Aguiar e o Gerente do Programa, Paulo Gastão , com a presença na mesa do Comandante da Aeronáutica Brigadeiro Saito e Geraldo Gomes, VP International Business Development.

O programa KC-390 é inovador e desafiador ao integrar novas tecnologias no estado da arte ao projeto. Mencionamos três:

- “Active Side Sticks” , ou manetes de controle de voo ativos, desenvolvidos pela BAE Systems e empregados no caça F-35, sendo o KC-390, a primeira aeronave a usá-los além do caça americano;
- Aviônicos wide screen, desenvolvidos pela RockwellCollins, e ,
- Contrôle de voo “Fly by Wire”.

Desafio Integração de Sistemas – Paulo Gastão questionado se a Gerência do Programa KC-390 sente-se confiante de que os principais sistemas estarão integrados, em um prazo de tempo relativamente curto, de 15 a 18 meses , até o primeiro voo mostrou-se confiante. Incluindo a construção do protótipo. Baseou sua afirmação na etapa, recém cumprida, a Revisão Crítica de Projeto (CDR – Critical Design Review), onde pode verificar os interfaces e requisitos de cada sistema.

Aeronave Multimissão – A EDS apresenta a aeronave de transporte KC-390 como uma aeronave multimissão, ou um novo conceito: o Multirole Transport Aircraft. Entre as verões apresentadas estão as:

- Transporte Militar e uma versão civil (como já discutida para os Correios do Brasil;
- Evacuação de Feridos (ambulância);
- Busca e Salvamento (SAR);
- Ajuda Humanitária;
- Combate à Incêndios, e a verão
- Reabastecedor Aéreo que estará incorporada à cada aeronave.

A possibilidade de integrar sistemas Eletro-ópticos e de Visão Térmica para missões SAR.

Perspectivas de Mercado – A EMBRAER e a FAB apostam na substituição de aeronaves americanos LockheedMartin C-130 Hércules e versões antigas de aeronaves soviéticas como os Antonov 12. Em um mercado potencial de 728 aeronaves, 77 países e um valor total de U$ 50 bi. Destes a EDS vê como um market share no valor de U$ 20 bi ou 40%.

Preço do KC-390 – O presidente da EDS, Luiz Carlos Aguiar foi ambíguo na resposta, porém afirmou que o preço surpreenderia os concorrentes. A faixa que é possível prever vai de um mínimo de 60 milhões a 110 milhões de dólares cada aeronave. Durante a apresentação uma tela afirmava que as condições de preço e entrega já estavam definidas.

Performance - O desempenho projetado do KC-390 foi o ponto alto do material apresentado pela EMBRAER Defesa e Segurança na Conferência de Imprensa.

Os dados básicos da aeronave

Velocidade de Cruzeiro Max. 465 nós / 837 km/h
Carga Máxima 23000 kg
Carga Máxima Concentrada (Veículo Blindado) 26.000kg
Altitude Máxima Operacional 36000 pés / 11.500m

Vários Projetos Estratégicos Brasileiros estão sendo projetados /desenvolvidos tendo como limites as dimensões físicas e de peso do KC-390, entre estes, os projetos: do blindado Guarani, o ASTROS 2020 e Sistemas de Defesa Aérea .

Ao romper a o limite de carga dos 20.000kg, padrão ao C-130, incluindo a versão J, o KC-390 dará não só a capacidade de transporte tático militar como a abrangência estratégica. A possibilidade mobilizar uma bateria de ASTROS 2020, com sistemas de Defesa Aérea incorporados, dará ao Governo Brasileiro uma capacidade estratégica sem precedentes.

Incluindo a possibilidade de veículos blindados poderem ser embarcados com blindagem adicional e munição a bordo, prontos para o emprego operacional ao chegar no destino.

Participação Multinacional - A participação dos países integrantes estratégicos, em parênteses aeronaves com cartas de intenção:

Argentina (6);
Colômbia(12);
Chile (6);
Portugal (6);
Rep. Tcheca (2), e,
Brasil (28)

Abertura de vendas – O anúncio oficial de abertura de comercialização das aeronaves KC-390 abre o ciclo de vendas internacional. A expectativa de fechamento do primeiro contrato de venda até o primeiro trimestre do próximo ano. Que poderá ser tanto com os países participantes do Programa KC-390 como outros, segundo as palavras de Aguiar.

Participação da BOEING – A participação da Boeing no programa KC-390 é apresentado pela EMBRAER Defesa e Segurança como um reforço na área comercial. A BOEING através da sua Presidente no Brasil, Sra. Donna Hrinak, informou à DefesaNet, em Outubro passado, que além da área comercial o apoio da BOEING incluía detalhes e revisões do projeto, em especial nas partes sujeitas ao maior stress, e uma consultoria operacional.

Perguntado se a participação da Boeing no projeto KC-390, tornava o F/A-18 Super Hornet E/F, com maior credenciais ao Programa F-X2, Aguiar, reforçou que neste momento a participação da BOEING está voltada às áreas do KC-390. Ao seu lado um impávido Brigadeiro Saito não emitiu um sinal.

Expectativas – A aeronave de transporte tático militar e de reabastecimento (mais as outras missões citadas acima), abre um mercado ao maior projeto industrial-militar da história brasileira. Equiparado em complexidade ao PROSUB na sua totalidade e o submarino com propulsão nuclear.

A EMBRAER Defesa e Segurança tem a responsabilidade e obrigação de claramente expor ao Palácio do Planalto, Ministério da Defesa e Força Aérea Brasileira se o fluxo financeiro previsto está ocorrendo.

As fases vindouras: industriais, de projeto, integração, marketing, testes de voo, enfim uma ampla gama de desafios. Age correto a EMBRAER Defesa e Segurança em agir com discrição na condução do projeto. Porém a responsabilidade para o sucesso ou não transpõe, em muitos, os limites de São José do Campos.

Defesa Net

segunda-feira, 29 de abril de 2013

SISFRON - ELBIT Fornecerá Sistemas Optrônicos

A AEL International subsidiária da ELBIT fornecerá sistemas de observação à SAVIS Tecnologia e Sistemas, para o Programa SISFRON Foto - ELBIT

ELBIT Systems Ltd. Anunciou que a sua subsidiária AEL International Ltd., uma empresa da AEL Sistemas S.A., foi contratada para fornecer sistemas de observação eletro-ópticos para o Consórcio Savis Tecnologia e Sistemas S.A. Consórcio formado pela Embraer Defesa & Segurança S.A., para o gerenciamento da implantação do Sistema de Vigilância Integrado (SISFRON). O valor do contrato não foi informado pela ELBIT Systems.

Os sistemas electro-opticos serão fornecidos em um prazo de um ano , iniciando em 2014, como parte do Programa do Exército Brasileiro SISFRON.

Como parte do programa a ELBIT Systems fará investimentos no Brasil em termos de capacidades, infraestrutura e know-how em optrônica.

O novo presidente e CEO da ELBIT, Sr Bezhalel (Butzi) Machlis, comentou:"Nós vemos grande importância nesse contrato que significa a entrada de nossos equipamentos optrônicos no Brasil, que é um mercado importante para a ELBIT Systems. SISFRON é um programa único de Segurança de Fronteiras, e nós estamos orgulhosos de participar dele. Esta é uma oportunidade para nossas empresas no Brasil, de fornecerem tecnologias avançadas,no campo de observação

Defesa Net

Rússia-Brasil: Dos helicópteros para os caças de quinta geração?

A Rússia e o Brasil intensificaram a sua cooperação técnico-militar. Durante a exposição da LAAD 2013 foi planejando discutir a possibilidade de desenvolver em conjunto sistemas antiaéreos, assim como aumentar a exportação de armamento russo para o Brasil.

Os helicópteros russos são populares na região, na América Latina eles podem ser encontrados praticamente em todos os países, desde o México até à Argentina. Eles são muito usados por países como o Peru, Venezuela e Cuba, tendo também aparecido nos últimos anos nos principais países da região – no Brasil e na Argentina.

A cooperação técnico-militar da Rússia com os países da América Latina já se desenvolve há bastante tempo, mas sua escala tem sido bastante limitada. A situação começou a se alterar nos anos 2000 graças à cooperação com a Venezuela, que continua a ser o parceiro mais importante da Rússia nessa região. Entretanto, foram também concluídos pequenos contratos com outros países, do Uruguai ao Brasil.
Os primeiros contratos com o Brasil datam de meados dos anos 2000, quando esse país recebeu sistemas portáteis de mísseis terra-ar russos Igla no valor de 20 milhões de dólares. Em 2009, foi assinado um contrato para o fornecimento de 12 helicópteros de combate Mi-35 por mais de 200 milhões de dólares. Já no final de 2012, se chegou a um acordo para a instalação no Brasil de uma unidade de montagem de helicópteros Mi-171 e de um centro de assistência aos Mi-35. Nos próximos anos é esperado a assinatura de um contrato de fornecimento de sistemas antiaéreos, os complexos de artilharia e mísseis Pantsir e mais sistemas móveis Igla, num total de um bilhão de dólares.
Além disso, também o empresários brasileiros começaram a se interessar pelo material russo. Em dezembro de 2012, o fabricante russo Helicópteros da Rússia (Vertolety Rossii, em russo) firmou um contrato para o fornecimento em 2015 de 7 helicópteros Ka-62 à empresa brasileira Atlas Táxi Aéreo, com opção de compra para mais 7 aparelhos. É de se destacar o fato, de este ser o primeiro contrato de exportação de aparelhos Ka-62, cuja produção em série deverá ter início apenas em 2014.
O T-50 para o Brasil:Uma realidade aguardada?

O potencial de cooperação aeronáutica da Rússia com o Brasil não se esgota nos helicópteros. Uma das intrigas principais dos últimos anos são os resultados da licitação para o fornecimento de caças à Força Aérea Brasileira. Ele já dura há 10 anos com periódicas interrupções. A licitação para a compra de caças para a FAB segundo o programa F-X foi anunciado em 2001 e cancelado em 2005. Em 2008, ele foi retomado como F-X2 e voltou a ser interrompido em 2010. Participaram, nas diferentes fases, o caça norte-americano Boeing F/A-18E/F Super Hornet, o francês Dassault Rafale, o sueco Saab JAS 39 Gripen NG e o europeu Eurofighter Typhoon.
Durante algum tempo, a Rússia tentou entrar com o caça Su-35S, mas essa tentativa não teve sucesso. Entretanto, muitos especialistas referem o interesse brasileiro relativamente ao caça de quinta geração T-50. A aquisição desse aparelho com a instalação da linha de montagem no Brasil poderia aumentar consideravelmente as capacidades da FAB e da indústria aeronáutica brasileira.

A possível aquisição pelo Brasil do T-50, ou de uma versão desse avião especialmente desenvolvida para esse país, já está sendo discutida há algum tempo e o aparelho russo tem possibilidades de sucesso: de fato, este é o único caça de quinta geração que o Brasil poderá receber num futuro previsível. Entretanto, e considerando o crescimento do potencial econômico desse país, um avião deste tipo não seria nenhum luxo supérfluo, especialmente numa atual situação política pouco previsível.
Essa aquisição estaria dentro da lógica geral do reequipamento das Forças Armadas Brasileiras, que visa desenvolver capacidades de uma potência de primeira linha tais como, uma aviação de naval e uma frota de submarinos nucleares. Um avião de quinta geração, na atual situação, seria não só um elemento de prestígio, mas também um meio de dissuasão importante.

Ele poderá ser muito útil no caso de o desenvolvimento da economia brasileira e a defesa dos seus interesses criarem um antagonismo político entre o Brasil e alguma das principais potências mundiais.

FONTE : Voz da Russia

Defesa Aérea Naval

sábado, 27 de abril de 2013

Mig 31

Caça israelense abate UAV sobre seu espaço aéreo

Caça F-16 da Força Aérea de Israel. (Foto: IAF)

Um veículo aéreo não tripulado foi derrubado com sucesso por um avião de caça F-16 da Força Aérea Israelense quando sobrevoava uma área proibida ao largo da costa da cidade israelense de Haifa. O veículo aéreo não tripulado (UAV) do Líbano tentou violar o espaço aéreo israelense a partir do norte por volta das 14h00 nesta terça-feira (23 de abril).

O UAV foi rastreado por terra pela Força de Defesa de Israel (IDF) e uma vigilância aérea foi feita durante a sua trajetória de voo, uma vez que tentou se aproximar da costa de Israel. As aeronaves F-16 da Força Aérea de Israel interceptaram o UAV e abateram o alvo com sucesso quando estava a cinco milhas marítimas da costa da cidade israelense de Haifa.
Mapa mostrando a localização do UAV quando ele foi abatido.

As forças navais da IDF estavam vasculhando a área nessa sexta-feira. Esta é a segunda vez nos últimos sete meses que um UAV foi interceptado no espaço aéreo israelense.

Os UAVs representam uma séria ameaça para a segurança do Estado de Israel. A IDF disse que não vai tolerar qualquer tentativa de violação da soberania de Israel ou que prejudique a sua segurança.

Em outubro de 2012, a IDF derrubou um UAV sobre o norte do deserto de Neguev. O UAV tinha infiltrado o espaço aéreo israelense na direção do Mar Mediterrâneo. O veículo aéreo foi identificado por sistemas de controle da IDF e foi seguido na trajetória de vôo em território israelense por terra e por vigilância aérea, incluindo caças da IAF. Depois de alguns minutos, ele foi abatido com sucesso no norte do deserto do Negev, para evitar potenciais danos a uma área povoada.

Durante a Segunda Guerra do Líbano, em agosto de 2006, caças da Força Aérea de Israel interceptaram dois UAVs lançados pelo Hezbollah em direção a Haifa. Os UAVs foram localizados e identificados pela unidades de controle aéreo de defesa aérea e da IAF antes que conseguiram atravessar a fronteira do Líbano, em Israel. Os UAVs foram abatidos por caças F-16C – um caiu no Mar Mediterrâneo, em território libanês, enquanto o outro foi abatido ao norte de Haifa.

Cavak

Piloto da Força Aérea russa voa PAK-FA pela primeira vez

Um piloto de testes da Força Aérea da Rússia voou o caça stealth de quinta geração PAK-FA, pela primeira vez, de acordo com a Sukhoi. O Piloto VP Chkalov, que faz parte do Instituto de Pesquisa de Vôo Gromov, voou o avião a partir do aeródromo de Zhukovsky, perto de Moscou em 25 de abril. A Sukhoi diz que o vôo de duas horas foi um sucesso.

No início de abril, Mikhail Pogosyan, presidente da United Aircraft, empresa filiada a Sukhoi, disse que o PAK-FA entraria em testes operacionais em 2014. “Em 2013, esperamos encerrar seus testes preliminares e iniciar os testes operacionais. Em 2014, estamos planejando iniciar os testes oficiais do Estado”, disse Pogosyan à Agência de Notícias Ria Novosti.

A primeira fase dos testes do Estado deve ser concluído até 2015. A fase de testes de vôo e desenvolvimento do PAK-FA inclui seis aeronaves, mas uma é um aeronave de teste no solo. “Os testes de Vôo esse ano se dará com 5 aeronaves”, disse Pogosyan.

Enquanto isso, a entrada do PAK-FA em serviço foi adiada por um ano. “O jato de quinta geração T-50 deve entrar em produção em série e entrar em serviço em 2016″, o presidente russo Vladimir Putin disse a Ria Novosti, em 25 de abril.

Defesa Aérea Naval

Alexandr Fomin fala à DefesaNet


O videoentrevista concedida com exclusividade por Alexander Fomin, diretor do Serviço Federal da Cooperação Técnico-militar, e chefe da Delegação da Federação daq Rússia à LAAD Defence & Security 2013.

Fala sobre o momento das negociações entre a Rússia e o Brasil para a auisição de sistemas de defesa antiaéreos Pantsir-S1 e Igla pelo Brasil.

Governo venezuelano prende americano acusado de incitar violência no país.EUA diz que prisão segue um ‘padrão’

CARACAS – Autoridades venezuelanas dizem ter detido um americano de 35 anos, acusado de ser um espião dos Estados Unidos e pagar grupos de jovens venezuelanos para realizar atos de violência como parte de um plano para desestabilizar o país. A ação, de acordo com o presidente Nicolás Maduro faz parte de uma "segunda emboscada"contra a Venezuela. A família de Timothy Hallet Tracy, no entanto, defende que o americano é um cineasta que está no país para produzir e filmar um documentário.

- Dei ordens ao ministro do Interior para que seja feita a prisão imediata das pessoas que foram identificadas em um vídeo; um americano, um gringo – disse o presidente Nicolás Maduro durante um ato público televisionado. – Vocês sabem que estão preparando uma segunda emboscada violenta contra o povo e contra a pátria.

O ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodriguez Torres, afirmou que na segunda-feira foram encontrados 500 vídeos com material que supostamente demonstra a operação de desestabilização. A incursão em Caracas faz parte de uma investigação que começou em outubro.

Torres acusou Tracy de ser um espião responsável por provocar as manifestações, com o "objetivo de empurrar a Venezuela em direção a uma guerra civil", como parte de um complô dos EUA. O governo afirma que nove pessoas morreram e 78 ficaram feridas em confrontos após a divulgação da vitória de Maduro, que obteve menos de 2% dos votos a mais que seu opositor, Henrique Capriles.

O pai de cineasta, Emmet Hallet, afirmou que ele é formado pela Universidade de Georgetown e vinha filmando desde o ano passado de maneira independente no país. Segundo ele, o filho já foi brevemente detido duas vezes. Hallet disse ainda que havia alertado o cineasta para deixar país. Ele falou com Timothy pela último vez "há três ou quatro dias", por email.

- Não vejo como ele pode ser um espião. Ele é apenas um observador – afirmou o pai, que contou que ele fez amigos venezuelanos durante a faculdade. – Ele se envolveu bastante na história de Chávez. Sei que ele se relacionava mais ou menos com ambos os lados.

Agência O Globo

Os Estados Unidos afirmaram que a prisão do jovem americano acusado de "fomentar o caos" na Venezuela segue um "padrão" do governo em Caracas para "culpar atores externos" pela instabilidade no país.

"Estamos informados da prisão de um cidadão americano em Caracas. Estamos buscando a maior informação possível sobre o caso e acesso consular ao detido", disse o porta-voz do departamento de Estado Patrick Ventrell.

A detenção se insere em um "padrão" seguido pelo governo venezuelano nas últimas semanas de culpar "atores externos" por tratar de "afetar os acontecimentos políticos" no país.

"Estas acusações não foram provadas", destacou o porta-voz.

Ventrell negou qualquer ligação entre o jovem detido, Timothy Hallet Tracy, e o governo dos Estados Unidos, acrescentando que trata-se de um caso "privado".

Tracy, nascido em 1978 no estado de Michigan (nordeste), foi detido na quarta-feira no aeroporto de Maiquetía quando tentava sair da Venezuela.

O governo venezuelano anunciou na quinta sua prisão sob a acusação de ser um agente secreto financiado por ONGs estrangeiras para semear o caos na Venezuela e gerar uma guerra civil.

"Identificamos um norte-americano que começou a manter relações estreitas com os jovens da 'Operação Soberania", anunciou em coletiva de imprensa o novo ministro do Interior, Miguel Rodriguez Torres.

"Operação Soberania" é um grupo de estudantes que há meses organiza protestos para exigir informações sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chávez -morto em 5 de março-, para pedir eleições justas e transparentes e contra os resultados eleitorais de 14 de abril.

Segundo o ministro, Hallet Tracy é suspeito de cooperar com a direita venezuelana para desacreditar os resultados das eleições, que deram a vitória ao presidente presidente Nicolás Maduro com uma vantagem apertada sobre o opositor Henrique Capriles.

AFP

Venezuela agirá de forma recíproca se receber sanções dos EUA

A Venezuela aplicará sanções econômicas contra os Estados Unidos sob o princípio de reciprocidade caso este país imponha medidas contra ela, expressou o chanceler venezuelano, Elías Jaua, em uma entrevista concedida ao jornal público equatoriano El Telégrafo publicada nesta sexta-feira.

"Apenas caso estas sanções sejam tomadas a Venezuela adotará também sanções econômicas sob o princípio da reciprocidade", disse o diplomata.

Ao ser consultado sobre se Caracas deixará de vender petróleo a Washington no âmbito destas penas, Jaua respondeu: "Não sabemos. Nós as avaliaremos em seu contexto, mas tomaremos ações recíprocas em matéria econômica se for preciso".

A Venezuela rejeita recomendações dos Estados Unidos sobre uma recontagem de votos da recente eleição presidencial na qual foi eleito Nicolás Maduro, sucessor do falecido presidente Hugo Chávez, com uma estreita margem de 1,8% sobre o opositor Henrique Capriles.

A secretária de Estado adjunta para a América Latina dos Estados Unidos, Roberta Jacobson, pediu a recontagem e manifestou que "não podemos dizer se vamos implementar sanções ou não vamos implementar sanções" caso não ocorra uma verificação dos votos.

"Como se pode classificar que um funcionário de outro país coloque em xeque os resultados eleitorais que foram emitidos, em primeiro lugar, pelo povo venezuelano, contados e comunicados pelo Conselho Nacional Eleitoral? Resultados que foram reconhecidos por todos os organismos eleitorais da região", declarou Jaua, que na segunda-feira esteve em Guayaquil (sudoeste do Equador) para um encontro da ALBA.

Acrescentou que "o mais grave disto é a ameaça de sanções".

"Qual seria a razão pela qual a Venezuela possa ser sancionada? Para nós, enquanto os Estados Unidos não entenderem que na Venezuela há um povo soberano e independente, será muito difícil estabelecer relações normais com este país", enfatizou o ministro.

Washington e Caracas carecem de embaixadores em suas respectivas capitais desde 2010.

Em 2012, a Venezuela – principal produtora sul-americana de petróleo – exportou 900.000 barris diários aos Estados Unidos, país com o qual mantém uma tensa relação, mas que continua sendo o principal comprador do petróleo venezuelano.

AFP

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Defesa em Debate - Reator Nuclear Multipropósito: cooperação estratégica Brasil e Argentina


A mesa com a pesquisadora Fernanda Corrêa, 2ª a partir da direita no Seminário - A Política Nuclear na Argentina e o Mundo: presente e perspectivas Foto - Fernanda Corrêa

A pesquisadora foi palestrante convidada ao Seminário Internacional “A Política Nuclear na Argentina e o Mundo: presente e perspectivas”, organizado pela Autoridade Regulatória Nuclear e Universidades Locais

A Defesa em Debate

Nam et ipsa scientia potestas est


Reator Nuclear Multipropósito:
cooperação estratégica Brasil e Argentina

Fernanda Corrêa
Historiadora, estrategista e pesquisadora do
Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense.
fernanda.das.gracas@hotmail.com


Se encerrou hoje, dia 26 de abril, em Buenos Aires, o Seminário Internacional “A Política Nuclear na Argentina e o Mundo: presente e perspectivas”, organizado pela Autoridade Regulatória Nuclear, pela Universidade Nacional San Martín e pela Universidade San Andrés, no auditório Manuel Belgrano, no Ministério das Relações Exteriores da Argentina. Além de autoridades diplomáticas e nucleares, industriais, acadêmicos da Argentina, participaram do evento autoridades, nucleares, consultores de indústrias e de instituições, acadêmicos dos EUA, da Bélgica, da Espanha, da Inglaterra e do Brasil.

Os debates se concentraram sobre a relação entre a política nuclear e a sociedade civil, proliferação nuclear, segurança nuclear pós-Fukushima, cooperação nuclear Brasil e Argentina e perspectivas sobre a indústria nuclear. O debate em todas as mesas foi de alta qualidade, demasiadamente enriquecedor e convidou aos expectadores a uma maior reflexão sobre o futuro da energia nuclear na Argentina e no mundo.

Houve um posicionamento convergente entre os expositores estadunidenses e belga sobre a importância de assinar o protocolo adicional ao TNP, o que foi passível de discussão entre os expositores argentinos. No entanto, uma questão interessante e que deve ser considerada por todas as autoridades políticas e nucleares apresentada pelo expositor belga é que o país que escolher adotar a tecnologia nuclear para fins pacífico deve se conscientizar dos riscos e de que falhas são inaceitáveis na segurança nuclear.

Sobre como a comunidade internacional tem se articulado para prevenir a proliferação de armas nucleares no mundo foram citadas por autoridades nucleares e acadêmicos argentinos: a promoção de sistema de segurança entre os países, como as salvaguardas, intervenções e ataques militares com bombas convencionais a estruturas físicas, a imposição da democracia por os países estruturalistas acreditarem que países democráticos são mais responsáveis, sanções econômicas e o fomento por cooperações institucionalizadas, como o protocolo adicional ao TNP. Houve um consenso entre os expositores acadêmicos argentinos e brasileiro de que as propostas internacionais sobre multilateralização do combustível nuclear constituem, na verdade, uma estratégia para fazer com que os países desistam de ter acesso a energia nuclear.

Como única expositora brasileira, diante de tão importante evento internacional, me senti a vontade para também convidar a todos os presentes para uma maior reflexão sobre os compromissos assumidos entre Argentina e Brasil sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares.

Está em curso discussões e, talvez, até uma campanha em instituições internacionais para desacreditar os acordo e convenções entre Argentina e Brasil. Não por oferecermos desconfiança, mas sim, por os nossos acordos e convenções na área nuclear não ser também promovidos com países como os EUA. Estas discussões em âmbito internacional tentam desacreditar nossos acordos e convenções alegando que, na verdade, Brasil e Argentina podem estar se unindo para construir a bomba nuclear. Instituições regionais, como a ABACC, devem dar a devida seriedade às estas interpretações, pois não sabemos em que esfera política (local, nacional, regional ou internacional) ocorrem. Se for uma forma de menosprezar nossos trabalhos em conjunto ou um elogio às nossas instituições disfarçado de críticas, acredito que devemos ainda mais valorizar instituições como a ABACC e aprofundar ainda mais a sua participação nos projetos estratégicos que desenvolvemos conjuntamente. A maior contribuição que Argentina e Brasil podem oferecer às políticas de não proliferação nuclear no mundo é o ensinamento de que confiança mútua não se impõe, se constrói. Ao pressionar, impor sanções, intervir militarmente em outros países que os estruturalistas acreditam estar ameaçando o equilíbrio e a relativa paz mundial, estão contribuindo ainda mais com a proliferação de armas nucleares no mundo. Instituições binacionais como a ABACC têm lições para ensinar os velhos estruturalistas do jogo político do sistema internacional.

Dentre as perspectivas do setor nuclear argentino se encontram a consolidação do desenvolvimento deste dentro do próprio País, incorporar os setores industriais nucleares aos serviços públicos e promover a participação do setor nuclear argentino em programas fora do país.

Interessante, em especial, para agregar elementos de análise ao trabalho que apresentei no evento, é que a visão da INVAP, empresa responsável pela construção do reator multipropósito brasileiro, é semelhante aos interesses das autoridades nucleares e indústrias do Brasil: formação de recursos humanos, produção de radioisótopos e irradiação de materiais. Para a INVAP, é motivo de orgulho a construção e a exportação do reator multipropósito OPAL para a Austrália: dezenas de mw, núcleo de alta densidade de potência e refletor de água pesada. Está operando desde 2006, na Austrália, e está entre os cinco primeiros reatores do mundo mais modernos em água pesada. Tanto em Brasil quanto o Brasil necessitam renovar seus reatores de pesquisa. Ao parece, a assinatura entre a INVAP e a CNEN para a construção de engenharia básica do reator será assinada no próximo mês. As perspectivas da empresa argentina são renovar os reatores existentes e construir e exportar reatores de universidades, de produção de radioisótopos, de pesquisa e de irradiação. Além do enriquecimento dos reatores multipropósitos da estatal argentina ser inferior a 20%, seus reatores dispõem de elementos de combustível tipo placa e flexibilidade de trocar o material do combustível.

Na primeira mesa do evento intitulada “Aproximações históricas à política nuclear em contextos emergentes”, apresentei o texto a seguir:



Reator Nuclear Multipropósito:
cooperação estratégica Brasil e Argentina



Introdução

O objetivo principal em apresentareste tema neste evento que tão bem destaca a importância que a cooperação científica e tecnológica tem na América do Sul é ressaltar a responsabilidade conjunta que Argentina e Brasil têm no desenvolvimento socioeconômico da América do Sul e para o futuro da própria humanidade. Diante de um futuro tenebroso, no qual água, terras cultiváveis, alimentos e energia se tornaram escasos, estes passaram a ser bens naturais estratégicos e alvos da cobiça internacional.

Estima-se que 40% das terras produtivas e inexploradas do mundo estão localizadas na Argentina e no Brasil. Isso significa que, se continuado o planejamento político, econômico, científico e tecnológico até então aplicado, ambos os países se enquadrarão no cenário internacional futuro, dentre os poucos com condições de proporcionar água potável, alimentos, habitação e múltiplas formas de energia às suas populações.

Benefícios da tecnología nuclear para fins pacíficos

Em função de seu caráter estratégico, os benefícios advindos da energia nuclear disparam em relação às demais fontes de energia. Entre os aspectos positivos do uso da energia nuclear para fins pacíficos se encontram: as águas dos oceanos podem ser dessalinizadas e transformadas em água potável, alimentos e embalagens são desinfectados, o controle de micróbios em peixes, camarões e frangos pode ser realizado e pode-se aumentar a validade de algumas especiarias. Por meio do processo de irradiação, a energia nuclear contribui com o processo de degradação dos poluentes e controle de pragas. É possível diagnosticar e tratar diversos tipos de doenças, em especial, o câncer. Em termos de engenharia, a energia nuclear está apta a realizar a medição de lençóis freáticos, controlar o bombeamento de petróleo, aumentar a resistência de fios e cabos elétricos. E Além de tudo isso, a energia nuclear, apesar de ser uma matriz energética complementar, é responsável por 17% da produção de energia elétrica mundial.

Desta forma, reatores nucleares que tenham múltiplos propósitos, além de diminuir a dependencia tecnológica e a vulnerabilidade econômica dos países, se tornam estratégicos devido aos diversos fins que atendem, desde as pesquisas e procesos físicos e químicos até medicinais, propulsão naval e energética.

O Reator Nuclear Multipropósito

A construção de um reator nuclear multipropósito brasileiro já fazia parte dos planos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Na visão do Governo brasileiro, o reator multipropósito é a solução para garantir segurança no suprimento de tecnécio 99m, solução para o desenvolvimento endógeno de combustíveis nucleares e materiais para uso em reatores e a ampliação da capacidade nacional em ciência, tecnologia e inovação.

Apenas 5 reatores produzem 95% do suprimento mundial. Em 2009, sem aviso prévio e alegando problemas no reator, duas empresas, uma canadense e outra holandesa cortaram o suprimento de radiofármacos.Ambas representam dois terços da produção de molibdênio 99 no mundo. Este elemento radioativo é responsável por 80% de todos os procedimentos de medicina nuclear, é imperativo no diagnóstico e no tratamento de doenças, como câncer, doenças cardiológicas, renais, hemofilia etc, e sua produção tende a ser cada vez mais elevada, em função do aumento e do envelhecimento da população brasileira.

Semanalmente, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) fornece geradores de tecnécio para aproximadamente 300 clínicas e hospitais em todo o Brasil. A estimativa é que sejam 1,5 milhões de atendimentos por ano. Só a região sudeste do Brasil representa cerca de 64% da distribuição de radiofármacos pelo IPEN. O Brasil importa atualmente 13 milhões de dólares de radiosiótopos.

O reator produtor de Mo 99 mais novo é o francês Osiris com 44 anos de vida útil. O Brasil possui apenas quatro reatores de pesquisa em funcionamento. O mais novo é o IPEN/MB-01 com vida útil de 25 anos. No entanto, a produção de radioisótopos ocorre no reator IEA-R1, também alocado no IPEN. Além dos poucos países que fornecem este radiofármaco não atender a demanda internacional e, em função disso, o preço dos radiofármacos ter aumentado 200%, os reatores nacionais não são mais capazes de atender a demanda brasileira.

Neste contexto de 2009, com os dois reatores nucleares com suas funções paralisadas, duas ações foram tomadas pelo Governo brasileiro: como solução paliativa, o Ministério da Saúde resolveu importar radiofármaco da Argentina, da África do Sul e de Israel. Como solução definitiva, o Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) uniram esforços conjuntos para desenvolver cooperação tecnológica com a Argentina, líder neste projeto, para pôr em prática o plano de construir o Reator Nuclear Multipropósito (RMB), um para cada país.

O arraste tecnológico advindo desta construção, além de beneficiar a medicina nuclear, beneficiará outros setores, como o de engenharia de alimentos, o de energia, a indústria e o setor de propulsão naval. Desenvolvendo um reator com vida útil de aproximadamente 50 anos com um custo de cerca de 500 milhões de dólares, ao desenvolvermos um reator multipropósito binacional, com um terço de vida útil, a produção de radiofármacos pagará os custos de construção e desenvolvimento do RMB. Além do Ministério da Saúde e hospitais de clínicas de medicina nuclear, o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a Eletronuclear, as universidades, institutos de pesquisa e laboratórios serão usuários do RMB. Sua implantação permitirá agregar pesquisadores de diversas áreas, possibilitando a criação de um núcleo de conhecimento capacitado, integrado e coeso. Visando todos estes benefícios, a Marinha do Brasil cedeu parte de seu terreno, no Centro Experimental Aramar, em Iperó, interior do estado de São Paulo, para que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação construa o RMB.

Na fase de implantação do RMB, as etapas que ficarão a encargo exclusivo de empresas argentinas serão: reator, instrumentação e controle, circuitos de teste de irradiação e guias de nêutrons e fonte de nêutrons frios. As partes que serão desenvolvidas conjuntamente são: instalação de produção de Mo 99 e do Laboratório de análise pós-irradiação.

É imperativo mencionar que, além das questões de autossuficiência e independência tecnológica na produção de radiofármacos, o RMB é um projeto de Estado de ambos os países, amparados pelos acordos e tratados de não proliferação e cooperação nuclear regional e internacional, e que, principalmente, consolida as políticas de cooperação e integração na América do Sul.

Exatamente pelo nível científico e tecnológico que ambos os países de encontram diante dos outros países da América do Sul, temos uma responsabilidade conjunta em contribuir com o desenvolvimento regional. Não seria nem um pouco precipitado de minha parte prever que, a médio e longo prazo, Argentina e Brasil criem além de empresas binacionais, um mercado de exportação de produtos, tecnologias e serviços na região e muito menos precipitado vislumbrar a oferta de tecnologias e serviços a partir de reatores multipropósitos “Made in Mercosur”.

Defesa Net

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Flight to the edge of space on MiG-29 jet fighter in Russia. New video!

Bombardeiros russos Tu-22M simulam ataque noturno à Suécia

Dois bombardeiros russos Tu-22M realizaram ma simulação de ataque à Suécia. (Foto: Vadim Savitsky / Russianplanes)

De acordo com o jornal sueco Svenska Dagbladet no dia 22 de abril, após a meia-noite do dia 29 de março, os radares suecos detectaram seis velozes aviões vindo do leste – a partir da área de São Petersburgo pelo Golfo da Finlândia.

A linha de vôo levantou suspeitas: bombardeiros russos voam periodicamente através do Mar Báltico para chegar a Kaliningrad – uma região russa situada entre a Lituânia e a Polônia.

No entanto, no dia 29 de março, dois bombardeiros Tu-22M armados com mísseis de cruzeiro e armas nucleares, e quatro caças Su-27 que os acompanhavam, voaram até ao espaço aéreo sueco, e às 2 da manhã horário local, contornou a ilha de Gotland numa área a 30 – 40 km das águas territoriais suecas.

Depois de terem concluído a sua formação de ataque (contra alvos no centro de Estocolmo e no sul da Suécia, conforme disseram as fontes militares suecas ao jornal Svenska Dagbladet), eles efetuaram uma curva e voltaram para a Rússia.

O episódio é semelhante à doutrina militar soviética da “Guerra Fria”, quando os bombardeiros com as estrelas vermelhas voavam muito perto das fronteiras do espaço aéreo sueco e eram interceptados por caças suecos. Estas “visitas” terminaram em 1992, mas retornaram em 2011, quando Putin retomou os voos com os bombardeiros estratégicos russos.

Cavak

DARPA estuda o caça de 6ª Geração

O DARPA busca estender a superioridade aérea dos EUA pelas próximas três ou quatro décadas. (Concepção artística: Defense Media Network)

A DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) do Pentágono está estudando novos conceitos de caça de combate de última geração, numa iniciativa que visa a manutenção do Domínio Aéreo dos EUA. Dentro em breve, espera-se que devam produzir-se resultados que sejam contemplados no próximo Orçamento.


O Diretor da DARPA, Arati Prabhakar, disse que o estudo do Domínio Aéreo avançou a partir de conversas que teve com o chefe de aquisição do Pentágono, Frank Kendall, quando ela assumiu o comando da DARPA no ano passado. “Dessas conversas surgiu a ideia de dar uma olhada no domínio do Ar e fazendo a pergunta sobre como nós poderíamos criar esta mudança de geração e como poderíamos estender nossa capacidade de superioridade aérea?”

No entanto, Prabhakar acrescenta que a ressalva de que “essa tecnologia não será nenhuma bala de prata, mas que deverá estender a superioridade aérea (dos EUA) pelas próximas três ou quatro décadas.”
Especialistas estão trabalhando em tecnologias de próxima geração para o projeto, que irão abranger sistemas em redes, comunicações, controle do espectro eletromagnético, tripulado e não tripulado, bem como o papel de elementos espaciais. (Concepção artística: fanda.nova.cz)

O Pentágono acredita que os estudos de nova tecnologia devem começar o quanto antes para enfrentar ameaças avançadas, porque as ameaças futuras serão muito mais perigosas que os inimigos que os EUA tem enfrentado desde o final da Guerra Fria. “Em primeiro lugar é muito importante para os EUA criar esta mudança de geração na capacidade de reconhecer que as ameaças que vão enfrentar no futuro tendem a ser muito mais sofisticadas do que foi visto na última década”, afirmou o diretor da DARPA

A DARPA tem “deliberadamente” escolhido uma “abordagem sistêmica” para o problema. “Isso não é uma pergunta sobre o que como será a próxima aeronave, mas sim, é uma pergunta sobre quais são os recursos que ela vai tomar, sendo em camadas ou em conjunto, a fim de realmente estender a superioridade aérea”.
A sexta geração de aeronaves de combate tem se tornado um exercício de Futurologia. (Concepção artística: futuretimeline)

A DARPA está conduzindo o estudo em conjunto com a Força Aérea dos EUA e da Marinha os EUA. Há oito gestores de programas da DARPA combinados com USAF e especialistas das USN trabalhando em tecnologias de próxima geração para o projeto. Essas áreas de tecnologia abrangem redes e comunicações, controle do espectro eletromagnético em todo o espectro eletromagnético, tripuladas e não tripuladas, bem como o papel de elementos espaciais.

Os resultados preliminares do estudo poderão influenciar o Orçamento do ano-fiscal de 2015.

FONTE: DARPA – TRADUÇÃO: CAVOK

Marinha realiza exercício de Defesa do Porto de Recife

Fuzileiros Navais patrulhando o Porto de Recife

O Comando do 3° Distrito Naval realizou, de 8 e 11 de abril, um exercício de Defesa de Porto, denominado “DEPORTEX-NE-2013”. Este exercício é realizado, anualmente, por meio de revezamento entre os portos da área de jurisdição do Comando do 3° Distrito Naval, permitindo a atualização da segurança da área portuária.

Este ano, foi escolhido o porto de Recife, em Pernambuco. O Capitão dos Portos de Pernambuco, Capitão-de-Mar-e-Guerra Claudio Grilli, foi o comandante do exercício.

A operação teve o propósito de treinar militares da Marinha do Brasil, e integrantes dos demais órgãos envolvidos, quanto à manutenção da lei e da ordem e à preservação do patrimônio portuário nacional em proveito da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.

Na operação foram mobilizados militares e meios subordinados ao Comando do 3º Distrito Naval (Com3ºDN) e da Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco (EAMPE), totalizando 262 militares, 16 viaturas operativas e 6 embarcações da Marinha do Brasil.

Além do efetivo da Marinha do Brasil, o treinamento contou com a participação de agentes da Polícia Federal, da Guarda Portuária e da Guarda Municipal da cidade de Recife. Participou, ainda, o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, com a disponibilização de uma dupla de militares que guarneceram uma embarcação, tipo flex boat, na área do Marco Zero.

As unidades navais patrulharam todos os acessos ao porto de Recife, até o final do exercício, para garantir efetivo controle terrestre e naval do tráfego marítimo na área, por meio de inspeções em embarcações, vistorias em veículos e identificação de pessoal.

Defesa Net

Irã anuncia manobras militares terrestres no próximo mês de maio

Teerã, 23 abr (Prensa Latina) As forças terrestres iranianas programaram realizar duas manobras militares no centro e no sudeste do país no primeiro semestre de 2013, anunciou hoje o chefe desse corpo, general Ahmad Reza-Pourdastan.
Os jogos de guerra serão celebrados sob o nome Beit-ul-Muqaddas, e se estenderão por uma semana sendo que participarão dele contingentes de artilharia reativa e de campanha, blindados e força aérea, precisou o chefe militar.

Beit-ul-Muqaddas é um dos nomes árabes de Jerusalém, cidade santa para os muçulmanos, da mesma forma que para os cristãos e judeus.

O programa de preparação combativa das forças terrestres iranianas contempla oito manobras no curso deste ano, a segunda das quais terá como teatro de operações o sudeste da República islâmica, fronteira com o gofo Pérsico, conforme com as precisões do chefe militar.

Em março passado essa força realizou três dias de exercícios, nomeados Khatam el-Anbia, na província de Khuzestan, sudoeste, durante os quais foram testados novos projéteis terra-terra fabricados pelas indústrias militares iranianas e ensaiadas tácticas de guerra assimétrica.

O anúncio do general Pourdestan coincidiu com a visita a Israel do secretário de Defesa norte-americano, Chuck Hagel, para formalizar a entrega a esse país da ajuda militar anual de três bilhões de dólares e a venda de equipamentos antimísseis e aéreos ultramodernos.

Durante uma coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo israelense, Moshe Yaalon, Hagel assegurou que seu país está comprometido com proporcionar a Tel Aviv os meios e armas para manter a superioridade militar no Oriente Médio.

Prensa Latina

Palestina critica passividade do Conselho de Segurança perante Israel

Nações Unidas, 24 abr (Prensa Latina) O Estado da Palestina criticou hoje a passividade do Conselho de Segurança e a abdicação de suas responsabilidades perante a necessidade de uma solução ao conflito israelense-palestino, para a paz e segurança na região.
A situação nos territórios palestinos ocupados por Israel é precária, o impasse político persiste e as condições pioram no campo, advertiu o representante da Palestina perante a ONU, Riyad Mansour.

Ao falar em uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio, o diplomata desconsiderou as declarações sobre a existência de um status-quo na crise, e assegurou que "em realidade, a situação nunca deixou de mudar e não para melhor".

Denunciou que Tel Aviv continua com suas políticas ilegais de mudar a demografia, o caráter e natureza geográfica dos territórios ocupados, o que coloca em perigo a viabilidade de uma solução de dois estados sobre a base das fronteiras existentes em 1967.

Essas perspectivas diminuem enquanto Israel insiste em confiscar terras e violar os direitos humanos, indicou ao revindicar ações urgentes, caso a possibilidade de uma saída pacífica ao conflito queira ser resgatada.

Para avançar na direção correta, Mansour exigiu o fim da construção de assentamentos de colonos israelenses nos territórios palestinos, "como um sinal sério de que está disposto a negociar de boa fé e acabar com a ocupação".

Além disso, pediu a retirada de Israel das terras arrebatadas à força em 1967 e a liberdade aos presos políticos e comuns palestinos.

Revelou que atualmente há 4.900 palestinos em cárceres israelenses. Deles, 235 são crianças e 1.200 precisam de atenção médica urgente, além das 168 pessoas presas sob o chamado regime de detenção administrativa, sem acusações nem julgamento.

Lembrou das mortes em prisão dos palestinos Arafat Jaradat e Maysara Abu Hamdiyeh, o primeiro depois de ser torturado e o segundo por negligência médica na prisão.

Também alertou sobre a situação do preso Samer Issawi, que ontem acabou com a uma greve de fome que durou mais de 260 dias.

Por outro lado, o representante da Palestina perante a ONU enfatizou a revindicação do fim do bloqueio de Israel contra Gaza há seis anos.

Mansour ratificou o compromisso da direção palestina com um acordo pacífico para resolução do conflito e ao mesmo tempo destacou "nossa obrigação de preservar a dignidade do povo palestino e de garantir que justiça seja feita".

Prensa Latina

Rússia consolida posições no mercado mundial de armamentos

As posições da Rússia no mercado mundial de armamentos são particularmente fortes no segmento de aviação militar. Aeronaves como o Su-30 e o MiG-29 são bem conhecidos em muitas regiões do mundo, especialmente no Sudeste Asiático. A demanda por aviões militares de produção russa mantém-se pelo surgimento de clientes como Argélia, Venezuela, Malásia, Vietnã, Uganda, Indonésia. Esta lista irá, provavelmente, incluir dentro em breve também Bangladesh. Fornecimentos do modelo Yak-130 para este país podem começar em 2015.

Para as empresas do complexo militar-industrial da Rússia, a cooperação técnico-militar com países da Ásia é uma prioridade. Segundo o diretor do Centro de Conjuntura Estratégica, Ivan Konovalov, estados do Sul e Sudeste Asiático estão se desenvolvendo ativamente e alocam fundos significativos para equipar suas forças armadas. “Os países mencionados têm clara necessidade possuir tais aviões.

Os governos sabem que os aviões russos de combate são os melhores em termos de preço e qualidade. Os aviões da Rússia são caros, mas, em comparação com os aviões dos Estados Unidos, são mais baratos e a sua qualidade é muito boa. É por isso que os países do Sudeste Asiático prestam tanta atenção à aviação russa.”

O mais recente avião russo de treinamento e combate Yak-130 ainda não é tão conhecido no mundo como o Su-30 ou o MiG-29. Mas o aparelho tem boas perspectivas de exportação por possuir características excelentes, na opinião de especialistas em armamentos, como o Presidente da Comissão Militar-Industrial do Governo da Federação Russa, Viktor Murakhovsky. “O avião Yak-130 é único em seu gênero por combinar duas funções. Ele pode ser usado como avião de treinamento para a preparação de pilotos e desempenha o papel de avião de ataque.

Graças aos equipamentos eletrônicos de bordo, o Yak-130 permite simular uma ampla gama de diferentes modelos de aviões de combate, tanto em aerodinâmica como em métodos de uso de armamentos. Como avião de ataque leve, ele pode operar em condições climáticas adversa e usar diferentes tipos de armas. O Yak-130 custa cerca de duas vezes menos do que caças modernos. O contrato da Rússia com Bangladesh é apenas o primeiro passo para a entrada doYak-130 no mercado externo.”

Fontes da corporação Irkut, fabricante do avião, e da agência federal de exportação de armamentos (Rosoboronexport), dão conta de que a empresa também pretende promover o Yak-130 e que o primeiro país a receber estes aviões poderá ser o Brasil que, inclusive, disporá de uma unidade montadora deste avião. A Rosoboronexport informou ainda que, nos últimos sete anos, forneceu ao mercado externo 290 aviões militares russos, o que representa valores superiores a US$ 20 bilhões. A maioria das exportações foi dos aviões Su e MiG.

defesa net

Brasil usará 25 mil militares em ação inédita em fronteiras

O Ministério da Defesa deve enviar até 25 mil militares para patrulhar toda a fronteira terrestre do país simultaneamente em uma operação inédita, relacionada à segurança da Copa das Confederações. A ação deve afetar diretamente cerca de seis milhões de brasileiros que vivem próximo às fronteiras.

A operação Ágata 7 será a maior ação militar voltada à segurança pública realizada no governo Dilma Rousseff em número de participantes, equipamentos e abrangência.

As dimensões da ação também superam todas as operações do gênero realizadas desde a criação, em 2009, do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas - o órgão tem a missão de integrar e coordenar as ações do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Serão cobertos 16.886 quilômetros de fronteira com dez países, segundo o brigadeiro Ricardo Machado Vieira, chefe de operações conjuntas do Ministério da Defesa. "Vai ser a maior operação que já fizemos", afirmou. Operações do gênero realizadas no passado eram capazes de cobrir apenas pedaços da fronteira.

Sua realização foi anunciada na terça-feira pela presidente Dilma. Será primeira vez que os comandos militares da Amazônia, do Oeste e do Sul trabalharão integrados em uma mesma operação.

"Mas não vamos ter um homem a cada 100 metros. Já identificamos posições que sabemos que são mais críticas", disse Vieira.

Isso significa que as tropas serão espalhadas em pontos da fronteira que já vêm sendo investigados há cerca de um mês por cem militares dos setores de inteligência das Forças Armadas.

Os locais específicos não foram revelados, mas as maiores concentrações de tropas devem acontecer nas regiões de Tabatinga (AM), Assis Brasil (AC), Ponta Porã (MS) e Foz do Iguaçu (PR), entre outras.

Centenas de aeronaves e veículos devem ser usados. Os principais meios de transporte das tropas e agentes ligados a diversos ministérios para as regiões mais remotas devem ser helicópteros Black Hawk, Pantera, Cougar e Esquilo. Caças Super Tucano da Aeronáutica serão usados para interceptar aviões suspeitos e drones (aviões não tripulados) farão vigilância aérea.

Embarcações de patrulha da Marinha devem interditar os principais rios que cruzam a fronteira e blindados do Exército ocuparão as estradas que dão acesso ao país. Todos os militares envolvidos levarão armamento letal e terão poder de polícia.
Combate ao crime

O objetivo da ação será combater diversos tipos de atividades criminosas. Alguns exemplos são os garimpos irregulares na fronteira com as Guianas, pistas de pouso irregulares e tráfico de drogas na região amazônica, contrabando de armas e mercadorias ilícitas no oeste e sul da fronteira e a entrada de explosivos pelo sul, entre outras.

Segundo Vieira, não há foco específico em um determinado tipo de atividade criminosa. A ideia do governo é combater os diversos tipos de crime na fronteira para beneficiar o país como um todo – combatendo, por exemplo, a entrada de drogas, armas e mercadorias irregulares nas capitais.

A estratégia do governo em operações semelhantes realizadas no passado foi interromper e sufocar o as atividades de traficantes e contrabandistas na fronteira para prejudicar suas finanças. Quando os militares saíram da região, operações específicas da Polícia Federal e da Receita Federal tentaram capturar criminosos que voltaram à região para tentar se recuperar do "prejuízo" dos dias de bloqueio.

A data específica de início da ação é tratada como informação sigilosa. Foi anunciado apenas que a operação deve começar em maio e durar cerca de três semanas – terminando antes da Copa das Confederações da Fifa. O torneio ocorrerá entre os dias 15 e 30 de junho e reunirá equipes de oito países.

Essa será a sétima edição da operação Ágata, um esforço militar iniciado em 2011 para patrulhar a fronteira brasileira com ações militares massivas. As operações anteriores aconteceram em regiões específicas do país. A última levou mais de 12 mil militares para os Estados de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Acre no fim do ano passado.

Nas seis edições anteriores foram apreendidos mais de 750 veículos e embarcações e 12 toneladas de drogas. Os militares aproveitam a presença na região para oferecer tratamento médico e odontológico em povoados e cidades isoladas. Cerca de 63 mil pessoas foram atendidas.

Defesa Net

Irã armazena milhões de barris de petróleo em navios no mar

O Irã está armazenando milhões de barris de petróleo em navios ancorados em suas águas territoriais, enquanto o governo do país enfrenta dificuldades para exportar em função das sanções ocidentais, disseram fontes do setor de transporte marítimo.

As receitas do Irã com o petróleo caíram cerca de 50 por cento desde o ano passado, quando os Estados Unidos e a União Europeia impuseram pesadas sanções, prejudicando os negócios do país e reduzindo o padrão de vida dos cidadãos comuns.

"Não há dúvida de que há mais navios petroleiros iranianos sendo usados como armazenagem flutuante no momento do outro lado do Golfo e o sentimento é de que isso deve aumentar", disse uma fonte do setor de transporte marítimo na Europa com conhecimento do movimento de petroleiros.

"O embargo está causando problemas e tem conversas sobre tentativas do Irã de se desfazer de cargas com preços reduzidos."

As fontes do setor marítimo deram estimativas variadas sobre quanto petróleo o Irã está guardando no mar, mas todos disseram que o volume aumentou.

Dados da consultoria de inteligência marítima IHS Fairplay apontam que 10 grandes navios petroleiros do Irã, com capacidade de carregar 2 milhões de barris cada um, estão armazenando petróleo, junto com um navio menor com capacidade de 1 milhão de barris.

Os dados mostraram que outros dois super petroleiros também podem estar sendo usados como armazenagem flutuante, baseado no longo período em que estão ancorados, elevando o volume total a 25 milhões de barris guardados em navios.

"Parece que há mais embarcações do que havia quatro meses atrás" disse Richard Hurley, um analista sênior da IHS Fairplay.

Reuters

quarta-feira, 24 de abril de 2013

LAAD Bastidores 2 - ASTROS 2020 – Do Tático para o Estratégico

Imagem do lançamento de um míssil tático AV-TM300 em uma plataforma atual do ASTROS. Arte - AVIBRAS

O Projeto ASTROS 2020, em desenvolvimento pela AVIBRAS e o Exército Brasileiro, dará capacidade estratégica ao EB e uma revigorada presença no mercado internacional

O novo lançador múltiplo de foguetes da AVIBRAS visa dar ao Exército Brasileiro um sistema de defesa moderno, capaz de apoio de fogo de longo alcance, com elevada precisão, letalidade e mobilidade.

História

Na década de 1970, quando os brasileiros eram o terceiro maior comprador mundial de petróleo do Iraque, a balança comercial pendia totalmente para o lado dos iraquianos, que nada compravam do Brasil. A subida estratosférica dos preços do barril em 1973, como protesto dos produtores árabes contra o apoio norte-americano a Israel na Guerra do Yom Kippur, o governo brasileiro propôs reciprocidade comercial
ao Iraque.

Afinal, o barril havia saltado de US$ 2,50 para inviáveis US$ 10,50. Em cinco meses, de outubro de 1973 a março de 1974, o aumento chegou a 400%, o que geraria longa recessão nos países ocidentais, desestabilizando a economia mundial. Comandava a Petrobras naquele período o futuro presidente, general Ernesto Geisel, que apostou na extração de petróleo da plataforma submarina e conduziu a aproximação com o Iraque, além de iniciar a busca de alternativas energéticas via projeto de usina nuclear negociado com a Alemanha e uso do álcool como combustível. Ainda em 1973, foi inaugurado um escritório da Petrobras International (BRASPETRO), em Bagdá, após acordo com a estatal Iraq National Oil Company. Egito e Líbia também firmaram acordos para pesquisa de novas jazidas em seus territórios.

Em 1979, no ocaso do governo Geisel, uma delegação brasileira aterrissou em Bagdá para negociar. Na comitiva estavam dois industriais da área de defesa: os engenheiros José Luiz Whitaker Ribeiro, presidente da Engesa, e João Verdi Carvalho Leite, presidente da AVIBRAS Aeroespacial. No cômputo geral, o resultado foi animador. João Verdi assinou contrato de US$ 500 milhões para fornecer um sistema de artilharia de lançamento múltiplo de foguetes, que ainda se achava nas pranchetas de sua empresa. Whitaker Ribeiro, por sua vez, fechou negócio para fornecer o blindado sobre rodas Cascavel, que havia sido lançado na Líbia cinco anos antes Para tirar o produto do papel, a AVIBRAS investiu em novas instalações industriais e linhas de montagem.

Em dois anos, a primeira versão do sistema ASTROS (Artillery Saturation Rocket System), foi finalizada com a colaboração do Exército Brasileiro. O sistema ASTROS é usado para saturação de área e apoio de fogo, disparando rajadas múltiplas de foguetes sobre o alvo, a distâncias de 30 e 60 quilômetros.

Testado em combate na guerra Irã-Iraque (1980-1988), seu desempenho foi extraordinário. Na Guerra do Golfo, em 1991, repetiu o sucesso anterior, agora nas mãos do exército da Arábia Saudita, que se associou às forças ocidentais, compostas por 29 países sob a liderança dos Estados Unidos, reagindo à invasão do Kuwait pelo Iraque do ex-aliado Saddam Hussein (1937-2006).

A alta qualidade tecnológica e o excelente desempenho do ASTROS beneficiaram a AVIBRAS com novos clientes no Oriente Médio. Por vários anos, ela foi a única indústria do país convidada a participar dos encontros anuais da Association United States Army (AUSA), ao qual só compareciam potenciais fornecedores do exército dos EUA. Assediada por empresas estrangeiras para desenvolvimentos conjuntos e até para estabelecimento de joint ventures, a AVIBRAS manteve-se como indústria genuinamente de capital brasileiro. Hoje, seu principal produto é operado no Brasil, em países do Golfo e no Sudeste Asiático, carreando para a empresa prestígio internacional.

A Atualidade e o ASTROS 2020

Passados mais de trinta anos daquela venda pioneira em Bagdá, a AVIBRAS volta a se destacar com o sistema ASTROS. Para tanto, a presidente Dilma Rousseff autorizou, no final de janeiro de 2011, um crédito de R$ 45 milhões, objetivando dar início ao programa de aquisição do sistema Astros 2020.

Na composição do projeto estratégico, o Exército pretende implantar uma infraestrutura operacional formada por duas unidades de mísseis e foguetes, um centro de instrução de Artilharia, logística, bateria de busca de alvos, depósitos de munições e base de administração.

Tudo assentado no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás, para as operações com mísseis e foguetes. O 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes (GLMF), unidade de primeira linha do Exército naquele estado, será transformado em 6º Grupo de Mísseis e Foguetes.

Dois armamentos serão desenvolvidos: um foguete guiado, com base na concepção do SS-40, o do ASTROS, e um míssil tático de cruzeiro com alcance de 300 quilômetros. Nessa configuração, o projeto atende aos reclamos de muitos clientes atuais e potenciais. Torna-se um competidor ado sistema americano MLRS/ATACMS (Multiple Launch Rocket System/Army Tactil Missile System).

As duas unidades de mísseis e foguetes serão estruturadas com comando e estado-maior, uma bateria comando e três baterias de mísseis e foguetes equipadas com viaturas e materiais ainda em desenvolvimento.

De acordo com o novo conceito, o projeto Astros 2020 poderá disparar foguetes e mísseis táticos de cruzeiro a partir da plataforma de um novo veículo lançador múltiplo, versão MK-6. A estrutura funcionará integrada à preparação do tiro, recebimento e análise da missão, comando e controle, trajetória de voo e controle de danos. A AVIBRAS está desenvolvendo o míssil tático de cruzeiro de 300 quilômetros de alcance, o AV-TM300, o foguete guiado, com ogiva para transportar e lançar dezenas de granadas sobre o alvo, e as novas viaturas lançadoras, remuniciadoras, de comando e controle, de meteorologia e de apoio ao solo.

O AV-TM300, o projeto de engenharia, os protótipos, os testes e a definição dos insumos agregados estão sendo conduzidos pela empresa, com apoio e acompanhamento do Exército.

A nova configuração da arma brasileira entrará num mercado lotado de concorrentes, mas com um às na manga: os países que já usam o ASTROS. Nas previsões da AVIBRAS e do Exército, o Astros 2020 deverá gerar novos empregos na região paulista de funcionamento da empresa, em Formosa e em Brasília. A formação de profissionais com capacitação em tecnologias de ponta é outro destaque do projeto. A estrutura físico militar do projeto ficará concentrada na área norte do Campo de Formosa, denominada Forte de Santa Bárbara, em homenagem à padroeira dos artilheiros. Suas etapas de desenvolvimento tiveram início em 2012, devendo ser concluídas em 2018.

Com o ASTROS 2020, o atual sistema de apoio de fogo do Exército será elevado do nível tático para o nível estratégico. Sua funcionalidade se dará de forma coordenada com a Marinha (O Corpo de Fuzileiros Navais da Armada adquiriu o ASTROS) e a Força Aérea, tanto na defesa do litoral quanto do espaço aéreo brasileiro. Com o diferencial de ser todo digital, o sistema oferece ainda a possibilidade de integrar informações e reconhecimentos proporcionados por veículo aéreo não-tripulado (Vant) Falcão, que a Avibras está desenvolvendo e poderá servir para ampliar o reconhecimento da arma.

A AVIBRAS

Quatro pontos são focados pela AVIBRAS no desenvolvimento do novo sistema ASTROS 2020:

1 - A adequação ao Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis – MTCR (Missile Technology Control Regime). Assim o míssil de cruzeiro AV-TM-300 como o próprio nome identifica tem um alcance de 300km e uma capacidade de carga limitada a 500kg máxima.

2 – O desenvolvimento da munição com guia terminal, AV-SS40G. Uma necessidade de mercado já que muitos clientes do ASTROS II a solicitavam e lembrar que a campanha contra as bombas cluster (cacho) tinha um dos principais o foco limitar o mercado da AVIBRAS.

A empresa não adiantou os tipos de guia que serão incorporadas à munição AV-SS40G. Uma tendência tecnológica é de incorporar guiagem por GPS / GLONASS e a possibilidade de guia laser.

A confiabilidade e precisão da munição AVIBRAS baseada na estabilidade do propelente terá agora outro ponto adicional munições guiadas.

3 - Uma nova e completa arquitetura de Comando e Controle(C2) digital e com capacidade de suportar interferências eletromagnéticas.

4 - A Mobilidade Estratégica. Outro ponto focado no desenvolvimento é a compatibilidade com o cargueiro EMBRAER KC-390. Tanto em peso como em dimensões. O atual ASTROS II já foi testado no mock up do compartimento de carga do KC390. O ASTROS 2020 será compatível com o KC390.

Com um chassi com maior mobilidade em todo o terreno e a compatibilidade de poder ser transportado “pronto para ser empregado” pelo KC-390, dará ao sistema ASTROS 2020, a Mobilidade Estratégica . E com as novas munições passará de uma Arma Tática para o Nível Estratégico.

Defesa Net

Pepe Escobar: “O enigma Boston-Chechênia do FBI”

LONDRES – As bombas em Boston foram tiro pela culatra. Disso já não há qualquer dúvida. O que ainda não se sabe é que nível de tiro saiu-lhes pela culatra.

Pode ter sido operação clandestina que deu/saiu totalmente errada. Pode ter sido tiro que saiu pela culatra de ex “combatentes da liberdade” – nesse caso chechenos étnicos – reconvertidos em terra-rists [como Bush pronunciava a palavra terrorists (NTs)]. Pode ter sido tiro saído diretamente pela culatra da política externa dos EUA contra muçulmanos, que só existe para mandá-los para Guantánamo, Abu Ghraib ou Bagram, entregá-los “extraordinariamente” (mas frequentemente) para serem torturados em solo estrangeiro ou para assassiná-los “legalmente”.

O FBI, como se poderia facilmente prever que faria, não admite nenhuma dessas opções. Mantém-se agarrado a um roteiro enroladíssimo, digno desse pessoal mais completamente movido à cocaína. Noites hollywodianas dos anos 1980s: uma dupla de bandidos que “odeiam nossas liberdades”, porque… odeiam.

Como já escrevi, numa espécie de preâmbulo ao que aqui se lê, há buracos de dimensões intergalácticas na história dos irmãos Tsarnaev. Já se sabe – pela mãe dos dois rapazes (vídeo, em inglês, no final do parágrafo) – que o FBI (Federal Bureau of Investigation) seguia o irmão mais velho, Tamerlan, há, no mínimo, cinco anos. Em entrevista posterior a Piers Morgan da CNN, a mãe falou, sim, claramente, sobre “orientações” que o filho recebera.

Simultaneamente, o FBI foi obrigado a admitir que, no início de 2011 aceitou o pedido de “um governo estrangeiro” (expressão-código para “Rússia”) para não perder de vista o mais velho dos irmãos, Tamerlan. Aparentemente foi o que fizeram – e nada encontraram que sugerisse atividade terrorista.

Assim sendo, o que aconteceu depois? Alguém no FBI, dos que têm QI superior a 50, devem ter percebido que, por causa do pedido dos russos, o FBI “descobrira” um precioso “operativo” checheno-americano. E Tamerlan tornou-se informante do FBI. Podia ser tocado como se toca rabeca, para produzir qualquer som – como tantos outros tolos antes dele.

Portanto, se não o afinaram corretamente, pode-se acusar o FBI, com todo o direito, de incompetência devastadora (e não seria a primeira vez). Porque o FBI está dizendo agora que jamais suspeitou de que seu “operativo” estivesse construindo alguma bomba, que desejasse testá-la ou que andasse de bomba da mochila pelas calçadas da Maratona de Boston.

O que o FBI jamais, em tempo algum, dirá é quando monitoraram/ controlaram/ chantagearam Tamerlan pela última vez. Não esqueçamos: trata-se do mesmo FBI que nos ofereceu aquele “plano” tipo “Velozes e Furiosos”, mancomunado com um cartel mexicano para assassinar um embaixador saudita – plano que foi desmascarado e exposto apenas em alguns dias.

Tamerlan, é claro, pode ter dado uma de FBI p’ra cima do FBI (embora, talvez, nem tanto) e, depois de anos de monitoramento/ controle/ chantagem, passou a trabalhar como agente duplo. Ao que se sabe, trocou os EUA pela Rússia por longo período – de janeiro a julho de 2012. Ninguém sabe o que fez nesse período; o FBI adoraria provar que participou de treinamento terrorista tático. Mas, se era de fato “operativo” tão interessante, bem pode ter sido mandado infiltrar-se nos grupos de jihadis chechenos comandados por Doku Umarov no vizinho Daguestão.

Sibel Edmonds

Quanto às relações complexas, cheias de nuances, como são todas as relações muito íntimas, desde os anos1990s, entre Washington e os terra-rists chechenos – absoluto tabu na imprensa-empresa dos EUA – ninguém precisa ler mais que o interessantíssimo e surpreendente Sibel Edmonds [19/4/2013, “USA: The Creator & Sustainer of Chechen Terrorism”(EUA: Criador e mantenedor do terrorismo checheno)].

Sobre o tal exercício

O FBI tem poder suficiente para impor aos EUA e ao planeta qualquer roteiro fantasioso sobre “dois jovens chechenos do mal”. Consideremos então um cenário alternativo crível, para ver a que nos leva.

Em vez de dois sujeitos (estrangeiros) do mal, totalmente americanizados, que repentinamente são inoculados pelo vírus do ódio “contra nossas liberdades” mediante doutrinação jihadista feita principalmente online, vejamos quem realmente se beneficia com o que aconteceu em Boston.

O Boston Globe foi forçado a “fazer desaparecer” a informação sobre um exercício de contraterrorismo – que incluiria cães que farejam bombas – e que aconteceria durante a maratona. O FBI bem pode ter dito ao seu “operativo” Tamerlan que ele participaria do exercício. Tamerlan podia ser sujeito durão, mas seria facilmente chantageado, se sua família fosse ameaçada no caso de ele não cooperar.

Então, entregaram a Tamerlan uma mochila preta com uma falsa bomba de panela-de-pressão e disseram-lhe que a pusesse num local determinado – como um dos procedimentos incluídos no exercício. Nesse ponto, todo o (nosso) cuidado é pouco: não há nenhuma prova conclusiva que autorize a confirmar que se tratasse de simples exercício. Não há como saber se a bomba era falsa ou se estava armada para explodir ou ser explodida.
Digamos que Tamerlan, homem durão, e seu irmão, o impressionável Dzhokhar, tenham sido realmente responsáveis (sem o FBI no quadro). Depois de tanto planejamento, com certeza haveria rota de fuga planejada – transporte, passaportes, dinheiro, bilhetes de avião. E nada disso havia. Dzhokhar foi à escola, treinou na academia, enviou mensagens por Twitter.

Não há absolutamente nenhuma testemunha que diga ter visto os irmãos depositarem as bombas. Eles puseram as bombas onde as puseram, porque essa foi a instrução que receberam do FBI. E dali em diante, já ninguém entende mais nada. Roubaram um Mercedes num posto de gasolina e deixaram partir o motorista – depois de dizerem a ele que eram responsáveis pelas bombas da Maratona. Dzhokhar e a Mercedes conseguem sair vivos de tiroteio cerrado, furando uma muralha de policiais – mas, no percurso, o Mercedes passa por cima do corpo de Tamerlan enrolado em explosivos. Dzhokhar deixa uma trilha de sangue. Mas nenhum cachorro seguiu a trilha.

E há o saborosíssimo exercício em cidade sob lei marcial: toda a cidade foi esvaziada e paralisada – o prejuízo gerado por essa operação é incalculável – por causa de um adolescente em fuga pela cidade. Atenção, EUA! A coisa está só começando!

O que é certo é que os irmãos Tsarnaev absolutamente não eram militantesjihadis; só os viciados nos veículos de esgoto de Murdoch algum dia engolirão a ideia de que fossem.

Basta passar os olhos por uma página de jihadistas autênticos, como o Kavkaz Center, muito bem estabelecidos e plenamente representativos do que se conhece como o Emirado Islâmico do Cáucaso, de insurgentes. Ali se fazem boas perguntas. E o Centro Caucasiano desmonta completamente a versão de que os irmãos seriam jihadistas empedernidos.

A [empresa] Craft, que tudo sabe

Poucas empresas paramilitares e respectivas griffes no ocidente industrializado são mais sinistras que The Craft. Craft foi responsável pelo exercício de guerra. O símbolo é uma caveira, parecida, até, com O Justiceiro, personagem Marvel. Omotto chega a ser tímido, ante o que a empresa faz: “Não importa o que sua mãe diga: a violência resolve”. A imprensa-empresa nos EUA fez simplesmente sumir qualquer vestígio da multidão de empregados-agentes da Craft que estavam em todos os pontos, muitos deles, no local da Maratona. Pode-se falar em um blecaute, pelas empresas-imprensa.

Mas a imprensa independente não se intimidou. Encontram-se fotos, emNatural News, um achado, um perfeito tesouro de fotos e mais fotos que mostram empregados da Craft no local da Maratona, em uniforme completo de combate, mochilas pretas, equipamento tático, portando até detector de radiação. As fotos, portanto, existem. E como reagiu o FBI? Impôs total blecaute. Censura total de imagens, coisa do tipo “nenhuma outra imagem será confirmada” – só imagens que mostrem os irmãos Tsarnaev. A empresa Craft é intocável.

O problema é que tudo que tenha a ver com a empresa Craft nesse cenário é problema.

(1) A invisibilidade da Craft – toda a imprensa-empresa obedecendo como ovelhinhas ao que o FBI ordenou e apagando do noticiário todos os fatos.
(2) A qualidade da expertise “de segurança” – um exército de mercenários ao qual se paga uma fortuna… e os tais hiper treinados “especialistas” armados com o mais pesado armamento high-techdo planeta não conseguem capturar uma dupla de amadores?! E
(3) a sinistra possibilidade de tudo tenha sido operação clandestina executada pela empresa Craft.

Se nos mantivermos fieis à realidade, deixando de lado as histórias em quadrinhos by Marvel, todas as evidências apontam para alguma coisa bem semelhante ao modus operandi da galáxia soturna de franquias da al-Qaeda. Consideradas as provas recolhidas da história e do comportamento dos irmãos – nenhuma atividade passada, nem militar, nem de sabotagem – elas também sugerem que não teriam experiência suficiente para planejar e executar tudo aquilo, sozinhos. Mas pode-se entender sem dificuldade uma operação copiada da al-Qaeda e atribuída a dois rapazes que não teriam como defender-se – algo que, pelo menos em teoria, a empresa Craft poderia facilmente planejar.

Por tudo isso, eis a que nos leva um cenário perfeitamente realista: falsa operação construída por FBI/Craft, a qual:

(1) pode ter dado terrivelmente errado, motivo pelo qual os autores tiveram de encontrar dois bodes expiatórios, no prazo de algumas horas; ou
(2) a sinistra possibilidade de que tudo tenha sido planejado como joguinho de gato-e-rato para produzir exatamente o resultado que produziu – e levar à militarização, agora já quase total, de toda a vida civil nos EUA.

Vale o escrito (em sangue). Estão sumindo os últimos vestígios de Estado de Direito nos EUA – agora que um painel bipartidário de especialistas já descobriu que todos os funcionários em postos de comando do governo George W. Bush estiveram, sem dúvida possível, implicados em torturas; e que a tortura foi prática sistemática, mesmo que jamais tenha conseguido impedir qualquer ato terrorista.

Washington está a um passo de ver-se incluída na lista cintilante de estados como o Egito na era Mubarak, Bahrain e Uganda. Como o coronelão-senador Lindsay Graham já declarou, “a pátria é o campo de batalha”. E você, leitor, é “combatente inimigo”. Se decidirmos que é.

Naval Brasil