segunda-feira, 30 de junho de 2014

Comércio e investimento vão encabeçar pauta da próxima cúpula do BRICS

Os chefes das pastas de Economia e Comércio dos países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) irão se reunir no dia 14 julho em Fortaleza. Durante a reunião, as autoridades de Moscou e Brasília devem assinar um plano conjunto de cooperação econômica para os anos de 2014 e 2015.

Uma das prioridades da reunião será discutir a ampliação do comércio de produtos de alto valor agregado entre os membros do bloco. “A declaração conjunta, proposta por iniciativa dos parceiros sul-africanos, está quase pronta. Durante a reunião, serão analisadas também iniciativas propostas pela Rússia e China para a expansão da cooperação comercial e de investimento”, disse a Gazeta Russa uma fonte do Ministério do Desenvolvimento Econômico russo.

A criação de uma Estratégia de Cooperação Econômica dos Brics, desenvolvida por Moscou após a última cúpula dos Brics, em Durban, prevê estratégias individuais para os membros, de modo a explorar o potencial de cada uma das economias do grupo e aumentar a sua competitividade no cenário global. O ministério russo acredita que a proposta deve ser aprovada em 2015, quando o país sediará a cúpula do Brics na cidade de Ufa.

“A estratégia define áreas prioritárias de cooperação entre os países do Brics, como comércio e investimento, produção e mineração, energia, transporte e logística, agricultura, e também inovação e intercâmbio tecnológico. Acreditamos que estas serão os pontos de crescimento que permitirão aos países Brics reforçarem suas posições na economia mundial e lidar melhor com as crises”, acrescentou a fonte do ministério.

Embora não tenha revelado maiores detalhes do documento, a fonte afirmou que ainda não se cogita a criação de uma marca coletiva “Made in Brics”. “A circulação de mercadorias sob um único rótulo implica a concepção de um mercado comum no sentido clássico, com todos os atributos associados a um quadro institucional. O Brics é relativamente novo e ainda temos de dar muitos passos para aprofundar nossa cooperação institucional”, completou.

Progresso on-line

Durante a reunião ministerial, será discutido também o desenvolvimento da cooperação entre os países no âmbito do comércio eletrônico. O objetivo da iniciativa é a criação de um ambiente econômico sem barreiras para o aprofundamento das relações de comércio eletrônico entre os países-membros.

Os analistas entrevistados pela Gazeta Russa têm dúvidas, contudo, de que um projeto de desenvolvimento de e-commerce possa afetar significativamente o volume e desempenho dos negócios. “O comércio eletrônico é muito recente, surgiu no século 21. Ele é responsável por apenas 5% do volume de trocas comerciais em nível mundial, de modo que não se deve esperar a sua influência significativa no aumento do comércio entre os países Brics”, explicou o especialista da Academia Russa de Ciências, Roman Andreeschev.

A China pretende discutir ainda um Plano de Ação para a simplifica o comércio e os investimentos, enquanto a África do Sul apresentará os resultados de sua presidência sobre o Seminário de Acordos e Investimentos.

Balança com Brasil

Está previsto ainda que a delegação russa levante durante sua visita ao Brasil algumas questões de cooperação bilateral. Paralelamente à reunião ministerial, deve ser assinado um Plano de Ação de Desenvolvimento da Cooperação Econômica e Comercial entre a Rússia e o Brasil para os anos de 2014 e 2015.

O documento prevê medidas conjuntas para a cooperação no âmbito de projetos mutuamente promissores, o reforço da cooperação inter-regional e o aumento do intercâmbio de missões empresariais, bem como a participação de empresários russos e brasileiros em feiras e exposições internacionais e outros empreendimentos.

Acredita-se também que as empresas brasileiras irão, junto com parceiros russos, trabalhar em grandes projetos nas áreas de energia (inclusive nuclear), infraestrutura e aviação no Brasil. Foram justamente nessas áreas da economia em que observou-se o crescimento do comércio bilateral e da cooperação econômica nos últimos anos, e podem se tornar a força motriz para a consolidação e fortalecimento de toda uma gama de relações econômicas, incluindo o aumento do comércio de produtos de alta tecnologia e de alto valor agregado entre os dois países.

Pelos resultados de 2013, o volume de comércio entre a Rússia e os outros países do Brics cresceu somente 0,5%, equivalente a US$ 105 bilhões, e representou 12% do comércio exterior total da Rússia. Entre janeiro e abril deste ano, o volume de comércio chegou a US$ 33,5 bilhões.

A formação de instituições conjuntas, tais como a criação de um banco de reservas cambiais e um pool de resseguros, prometem reforçar a cooperação e alavancar os atuais níveis.

Gazeta Russa

Amazônia a soberania está em xeque – Revista IstoÉ/2012

OCTÁVIO COSTA

À primeira vista pode parecer fruto da imaginação de um jornalista estrangeiro, sem maiores compromissos, que acaba de desembarcar no Brasil. Mas seria muita ingenuidade acreditar que o conceituado jornal americano The New York Times abrisse espaço para seu correspondente baseado no Rio de Janeiro, sem que tivesse um objetivo editorial de maior alcance. Sob o título “De quem é a Amazônia, afinal?”, o texto assinado por Alexei Barrionuevo na edição do domingo 18 veio engrossar o coro internacional que tem questionado a soberania do Brasil sobre a Amazônia. Barrionuevo dá seu recado logo no início, quando cita um comentário do então senador americano Al Gore em 1989 (depois ele foi vice do presidente Bill Clinton em duas gestões): “Ao contrário do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é propriedade deles, pertence a todos nós.” Três dias antes de o The New York Times publicar seu artigo, o jornal inglês The Independent, noticiando o pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi quem deu plantão sobre a Amazônia. E sem o menor pudor: “Uma coisa está clara. Essa parte do Brasil (a Amazônia) é muito importante para ser deixada com os brasileiros.” O que fica claro, diante das notícias de Nova York e Londres, é que a Amazônia corre grave ameaça. A ofensiva dos dois jornais não é gratuita e já passou a hora de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomar uma decisão forte, que ecoe para todo o mundo, de forma inquestionável, a certeza de que a Amazônia é nossa.

A cobiça de potências estrangeiras não é surpresa e tudo começa pela extensão territorial. A Amazônia Legal se estende por nove Estados e ocupa 61% do território brasileiro – sua área equivale à metade do continente europeu e nela cabem 12 países, incluindo Alemanha e França. Ela seria, assim, o sexto maior país do mundo, com uma população de 20 milhões de pessoas. A região faz fronteira de 11 mil quilômetros com Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. O rio Amazonas é o soberano da Terra em volume de água e possui um quinto da água doce do planeta. Segundo avaliações da ONU, o século 21 será marcado por graves conflitos entre as nações, com origem numa única causa: a escassez de água potável. É isso que torna a Amazônia ainda mais estratégica, pois em seus rios estão 21% da água doce vital ao homem. Em seu livro A guerra do amanhã, o assessor para assuntos estratégicos da ONU, Pascal Boniface, previu, entre os cenários de guerras desse século provocadas pelo aquecimento global, a provável invasão da região amazônica por uma coligação internacional. A ação contra a soberania brasileira se justificaria porque “salvar a Amazônia é o mesmo que salvar a Humanidade”. O francês Pascal Lamy, ex-comissário de Comércio da União Européia, é da mesma opinião: “As florestas tropicais como um todo devem ser submetidas à gestão coletiva, ou seja, à gestão da comunidade internacional.”

Como ressalta o The Independent, a Amazônia é uma poderosa reserva de recursos naturais. O diário espanhol El País também destaca que “o mundo tem os olhos postos nas riquezas da floresta”. É por isso que a soberania brasileira é questionada. O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, prefere não levar a sério o The New York Times e desqualifica a idéia de internacionalizar a região: “Quem faz uma proposta dessas deveria passar por uma requalificação psicológica, tal o disparate que contém. Os donos da Amazônia somos nós.” Por mais que o ministro tente reduzir a importância das ameaças, o fato, no entanto, é que os estrangeiros se sentem donos da região há muitos anos. Em 1862, logo após a vitória da União na Guerra Civil americana, o presidente Abraham Lincoln sugeriu a representantes dos negros libertados a criação de um Estado Livre na Amazônia. Dom Pedro II não foi consultado, mas o Brasil foi salvo pelos dirigentes negros que deram uma resposta boa e seca a Lincoln: “Não aceitamos a proposta porque este país também é nosso.” Ainda no Segundo Reinado, o comandante Matthew Maury, chefe do Observatório Naval de Washington, defendeu a livre navegação internacional pelo rio Amazonas. Cem anos depois, o urbanista e futurista americano Herman Kahn teve a idéia de inundar a região num sistema de grandes lagos, com as dimensões do Estado de São Paulo, para permitir a navegação até as minas da Bolívia, do Peru e da Venezuela, fornecedoras de matéria-prima para as indústrias metalúrgicas dos EUA. Em troca o Brasil receberia uma hidrelétrica gigantesca.

Planos para a Amazônia não faltam. Em algumas escolas americanas já circulam mapas que mostram o Brasil extirpado dessa região e do Pantanal. Metendo o nariz na vida alheia, os que questionam nossa soberania justificam o ato alegando que o Brasil tem de ser punido por má gestão. Somos acusados, por exemplo, de não conseguirmos deter o desmatamento. Segundo o instituto inglês Stern, esse é o melhor e mais barato caminho para estancar o aquecimento global. A queima de florestas, por um dia, emite mais dióxido de carbono do que vôos de oito milhões de pessoas entre Londres e Nova York. Daí, a imensa responsabilidade do Brasil. Durante a Sessão Especial da ONU sobre Meio Ambiente, em junho de 1997, o presidente americano Bill Clinton exigiu a redução significativa de gás carbônico e disparou veementes críticas aos países que não impediam a queimada em suas florestas. Para não ficar apenas em palavras, Clinton chegou a desmarcar um encontro com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, pois preferiu viajar para a Califórnia, onde se reuniria com prefeitos locais. A questão do desmatamento não deixa de ser um argumento dos que querem internacionalizar a floresta, até mesmo porque os últimos levantamentos do Inpe acusam aumento de áreas queimadas, como revelou Minc na quarta-feira 21. Mas é óbvio que os estrangeiros não são movidos apenas por boas intenções. Muito além das queimadas e da poluição, eles estão de olho é nas incomensuráveis riquezas da Amazônia.

Felizmente, o Exército brasileiro está consciente do perigo. E diz estar preparado até mesmo para a possibilidade mais radical de uma intervenção militar. “Hoje, a Amazônia é nosso maior foco de preocupações com a segurança”, disse o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, em recente entrevista em Brasília. Em sua avaliação, uma hipótese potencial seria a de “uma guerra assimétrica na Amazônia, ou seja, uma guerra contra uma potência muito superior, que nos forçaria a uma guerra de resistência nacional”. Outro cenário, segundo Unger, incluiria a ação militar de um país vizinho patrocinado por uma grande potência, bem como incursões de forças irregulares ou paramilitares. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, não vê um risco imediato, mas ressalta que, apesar de não sermos beligerantes, saberemos nos defender: “Não há nenhum país ameaçando o Brasil, mas precisamos de uma força dissuasiva para remover a possibilidade de que aconteça uma invasão.” Ou seja, pelo sim, pelo não, as Forças Armadas têm se preparado para a pior hipótese. Além de renovar seu armamento, vêm reforçando suas unidades na região com transferência de tropas do Sul para o Norte. “Os militares projetam um conflito futuro, para daqui a 30 ou 40 anos, com um inimigo mais provável, os Estados Unidos”, diz o cientista político Paulo Ribeiro Rodrigues da Cunha, da Unesp. “Não devemos ser paranóicos, mas muito menos devemos ser ingênuos”, conclui ele, tecendo elogios à movimentação das Forças Armadas.
A maioria dos especialistas sustenta que a intervenção militar é uma possibilidade remota. Esse é o caso do coronel da reserva Geraldo Lesbat Cavagnari Filho, fundador e pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp. Ele descarta o conflito e a conspiração com o objetivo de internacionalizar a Amazônia, mas alerta que isso não justifica nenhuma “negligência da defesa militar nesse possível teatro de operações”. E a defesa, a seu ver, não se reduz à dimensão das armas: “Ela abrange, também, a defesa do meio ambiente e das comunidades indígenas, assim como a interceptação do tráfico de drogas e do contrabando de minérios e madeiras.” Nessa linha, o general Carlos de Meira Mattos, falecido em janeiro de 2007, fez pouco da teoria da soberania compartilhada, mas recomendou ao Estado brasileiro demonstrar forte e inabalável decisão de não aceitar a violação de seus direitos. Além da ofensiva diplomática, o Brasil, recomendava Meira Mattos, deve revelar notória capacidade de administrar a Amazônia, “desenvolvendo eficiente política autosustentável que preserve a natureza, proteja suas águas e otimize o seu povoamento”.
AÇÃO ORQUESTRADA É ingenuidade crer que as publicações no Exterior não apontem para o risco de internacionalização da Amazônia

As tarefas do Estado brasileiro, portanto, estão mais do que assinaladas. E são urgentes. O melhor meio de enfrentar ameaças à soberania nacional é se fazer presente na região. Isso significa, em primeiro lugar, adotar uma política menos complacente em relação às inúmeras ONGs que atuam na Amazônia. Misturam- se ali raras organizações internacionais de mérito reconhecido em defesa da ecologia e dos direitos humanos com inúmeras entidades inidôneas e de finalidade incerta e não sabida. Na verdade, estão atrás das riquezas e da biodiversidade. Há que impedir essa invasão camuflada de objetivos ecológicos e humanitários. Basta lembrar que 96% das reservas mundiais de nióbio encontram-se na Amazônia e a região também é alvo da chamada biopirataria por parte de laboratórios que buscam patentes inéditas para seus medicamentos. O governo tem procurado se informar sobre os desvios de rota das ONGs e promete adotar regulamentos mais rígidos nas permissões de acesso à floresta. As autorizações passarão pelo crivo dos órgãos da Defesa. Segundo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., o objetivo é separar o joio do trigo. “Não serão criados obstáculos para as ONGs respeitadas”, diz ele.

Em sua explosiva reportagem, o The New York Times comete o exagero de comparar as novas exigências que serão feitas às ONGs aos tempos da Guerra Fria, quando determinadas áreas da ex-União Soviética eram vedadas a estrangeiros. Diz o jornal que, assim, o Brasil pode terminar como ela. A comparação é tão estapafúrdia quanto a proposta de internacionalizar a Amazônia por se tratar de “um patrimônio da Humanidade”. Só encontra paralelo nas versões que correm em círculos intelectuais europeus e americanos de que o Brasil estaria patrocinando um “pavoroso extermínio de seus índios”. Sob essa alegação, muitas ONGs de fachada defendem com unhas e dentes a política indigenista em vigor, que premiou algumas tribos com territórios maiores do que o de países europeus. A essas ONGs interessa que o Estado brasileiro não tenha domínio político sobre as extensas áreas ocupadas pelos indígenas, sobretudo porque são territórios de riqueza desconhecida – e é mais fácil aos estrangeiros que nos cobiçam tecer nebulosos negócios com os índios. É também por isso que é urgente modificar a atual política de demarcação de terras, uma vez que, se ela continuar como está, índios e ONGs ocuparão cada vez mais o território nacional. Assim, lamentavelmente, muito antes de enfrentar invasores externos, o Brasil terá de invadir uma porção do próprio Brasil para reaver a integridade de seu chão.

Muita terra para pouco índio

AUTONOMIA DEMAIS Índia caiapó atacou com golpes de facão o engenheiro Paulo Rezende, durante discussão sobre a hidrelétrica Belo Monte

Era para ser mais um debate sobre os impactos ambientais da construção da hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu. De repente, o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende foi cercado e agredido a golpes de facão por vários índios caiapós, que participavam do evento em Altamira, no Pará. Rezende foi ferido no braço e teve a camisa rasgada. Os caiapós ficaram irritados com suas críticas ao ambientalista e professor da Unicamp Osvaldo Sevá. Daí a agressão que chocou o País na noite da terça-feira 20. A cena, infelizmente, vem confirmar que a questão indígena saiu do controle das autoridades há muito tempo. Basta ver o que acontece com a política de demarcação de terras. O Estado brasileiro não tem a mínima idéia do que se passa no interior das reservas indígenas. Jamais foi feito um inventário e o patrimônio é desconhecido e intocável. Mais grave ainda: as reservas, em seu total, representam 12,5% de todo o território nacional e estão nas mãos de 534 mil índios distribuídos em 220 povos. Somente em Roraima as 32 áreas em poder de várias etnias somam 103 mil quilômetros quadrados, ou seja, 46% do território estadual.

A extensão das terras dos índios em Roraima é superior à área de um país como Portugal, de 92 mil quilômetros quadrados. Um símbolo maior da distorção na política de demarcação é a reserva Raposa Serra do Sol, que se estende por 17 mil quilômetros quadrados e abriga apenas 18 mil índios, a maioria da etnia macuxi. Sua homologação, em abril de 2005, deu origem a uma batalha judicial que foi parar no Supremo Tribunal Federal. O conflito envolve produtores rurais, moradores da região e até mesmo parte da população indígena, que prefere o desmembramento da imensa reserva em partes menores. Em lugar da homologação contínua, os próprios índios defendem a chamada demarcação na forma de ilhas, muito mais equilibrada e realista.

Não há o que discutir: em Roraima, há muita terra para poucos índios. Por mais que o Estado se disponha a fazer um acerto de contas com o passado, nada justifica as dimensões gigantescas de reservas como a Raposa Serra do Sol. Não faz sentido as nações indígenas se transformarem num Estado dentro de outro. Em várias estradas na Amazônia, os índios chegam a cobrar pedágio e determinar os horários em que os caminhões podem trafegar. Com isso, desmoralizam o governo local e põem em xeque a segurança do País. Em recente palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, o comandante militar da Amazônia, general-de-exército Augusto Heleno Pereira, mesmo sob o risco de ser punido por indisciplina, denunciou os disparates que acontecem na região. “A política indigenista está dissociada da história brasileira e tem de ser revista urgentemente”, afirmou o general Heleno. O general-de-brigada Antônio Mourão, comandante da 2ª Brigada de Infantaria da Selva, apóia integralmente seu colega de farda. “A demarcação contínua coloca a soberania em risco. Daqui a pouco, os índios vão declarar a independência de seus territórios”, adverte Mourão.

Uma coisa que irrita os militares é a tendência de se tratar a questão indígena a partir de uma visão romântica, que trata como iguais índios desiguais, em estágios diferentes de civilização. A maior parte dos índios que vivem em Raposa Serra do Sul, por exemplo, é aculturada e não mora mais em malocas

perdidas na floresta. Como em muitos casos os militares constituem a única presença de Estado na selva, eles afirmam, com alguma razão, que conhecem os índios melhor do que grande parte dos ambientalistas. Além disso, parece inaceitável a idéia de permitir aos índios autonomia total sobre as parcelas do território brasileiro em que vivem. “No bairro da Liberdade, vai ter japonês e não-japonês? Só entra quem é japonês? Como um brasileiro não pode entrar numa terra porque é uma terra indígena?”, indagou o general Heleno. Os generais estão certos. Mas manda a prudência que eles guardem distância dos facões dos índios caiapós.

OCTÁVIO COSTA Colaboraram: Cláudio Camargo, Luciana Sgarbi e Luís Pellegrini

IstoÉ,Terra,Plano Brasil

Rússia redireciona foco da cooperação militar com outros países

“Por causa das sanções contra a Rússia, decidimos redirecionar a Rostekhnolôguii, a Rosoboronexport e as empresas estratégicas de exportação às feiras de tecnologia militar organizadas em outras regiões do mundo, onde o armamento russo tem uma demanda significativa”, disse o representante da Rosoboronexport à agência Itar-Tass.

A principal empresa governamental russa de exportação de armas, a Rosoboronexport, declarou na exposição militar internacional Eurosatory-2014, em Paris, que reduzirá sua presença nas exposições europeias e se concentrará em outras regiões, como América Latina, Oriente Médio e nos países da região de Ásia-Pacífico.

“Por causa das sanções contra a Rússia, decidimos redirecionar a Rostekhnolôguii, a Rosoboronexport e as empresas estratégicas de exportação às feiras de tecnologia militar organizadas em outras regiões do mundo, onde o armamento russo tem uma demanda significativa”, disse o representante da Rosoboronexport à agência Itar-Tass.

Por essa razão, o BMPT-72 “Termitator” e o tanque T-90 não serão apresentados na próxima edição da Eurosatory na França. A exibição de tecnologias militares russas será reduzido ao mínimo.

BMPT-72 “Termitator II”

“É uma questão de conveniência econômica”, diz o editor da revista “Defesa Nacional” e especialista militar, Ígor Korôtchenko. “Na Europa, não vendemos praticamente nada. As grandes feiras, como a Eurosatory, são, principalmente, os espaços de apresentação, onde podemos mostrar ao mundo algumas das nossas novidades. No entanto, o nosso mercado real se encontra principalmente na América Latina, na Ásia e no Oriente Médio”, explica Korôtchenko.

Mais orçamento, maiores ambições

A maioria das regiões mencionadas estão experimentando um crescimento econômico, têm amplas ambições geopolíticas, estão aumentando seus orçamentos de defesa e realizam importantes programas de construção militar.

Além disso, organizam cada vez mais exposições de tecnologia militar não apenas para adquirir equipamentos e armamento modernos, mas também para atrair os países fabricantes de produtos que podem ajudar no desenvolvimento e na manutenção das tecnologias no país comprador.
T-90

Durante os últimos anos, o status e o prestígio dessas plataformas regionais têm aumentado consideravelmente. Agora, as feiras organizadas nos países em desenvolvimento são capazes de competir com as conhecidas plataformas europeias.

Assim, nos próximos anos, a Rússia vai aumentar sua presença nas exposições da América Latina.

Mercado latino-americano em expansão

A cooperação técnico-militar no período da União Soviética se desenvolveu com base em princípios ideológicos. A URSS fornecia armamento aos regimes amigos (países do Pacto de Varsóvia, do Sudeste da Ásia, além de China, Coreia do Norte e de alguns países da América Latina e do Oriente Médio).

De acordo com os dados do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar, nos anos 80, o volume de fornecimento de armas alcançou US$ 22 bilhões.

De acordo com dados do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo, entre 1981 e 1991, a União Soviética foi um dos maiores exportadores de armas do mundo. A URSS fornecia armas a 54 países, 44 dos quais países em desenvolvimento. Esses países utilizam armamento soviético até agora, e essas armas precisam da modernização.

Na América Latina, o Peru adquiriu tanques e aviões, a Nicarágua comprou equipamento blindado leve e Cuba importou vários tipos de armamento soviético.
Mi-35

Antes da queda do fornecimento russo nos anos 90, a cooperação técnico-militar com os países latino-americanos foi reduzida. No entanto, em 2005, o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decidiu reduzir a dependência do país das armas americanas e se dirigiu à Rússia.

Igla-S

Atualmente, a Venezuela tem quase todos os tipos de armas russas, incluindo os sistemas da defesa antiaérea. Isso aumenta o interessa dos países vizinhos ao armamento russo. Por exemplo, em 2008, o Brasil assinou um contrato de compra de helicópteros de combate Mi-35 e planeja importar sistemas antiaéreos Pantsir-S1 e Igla-S.

Gazeta Russa

Federalistas tomam o controle de uma unidade em Donetsk dotada de mísseis antiaéreos

As Forças de Autodefesa da República Popular de Donetsk tomaram o controle de uma unidade de mísseis antiaéreos equipada com o sistema de defesa de mísseis antiaéreos de médio alcance “Buk”.

Até o momento, não existem quaisquer informações sobre o número e o estado dos sistemas de mísseis, agora de posse das forças de autodefesa. O serviço de imprensa da República Popular de Donetsk se recusou a comentar sobre isso.

A unidade em questão é a unidade A1402, situada próximo ao Aeroporto Internacional de Donetsk.

O porta-voz da “operação antiterrorista” ucraniana no sudeste do país, Oleksiy Dmytrashkovsky, confirmou que os federalistas tomaram o controle da unidade e disse que o ataque foi bem planejado. Os federalistas usaram muitos morteiros e granadas propelidas por lançador.

O Informante

Pentágono nega atrasos na entrega dos F-16s para o Iraque

O Pentágono respondeu aos comentários feitos pelo primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki, de que os EUA estão erolando na entrega dos F-16s para Bagdá.

“Não houve nenhum atraso”, disse o secretário de imprensa do Pentágono John Kirby.

Al-Maliki em uma entrevista à BBC Árabe disse que os EUA estão muito lentos na entrega de 36 aviões de caça. Ele disse que o Iraque iria comprar caças usados da Rússia e da Bielorussia nesse ínterim para combater o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL – defensenews), que tomaram conta cidades no Iraque setentrional e ocidental.

Kirby disse que os dois primeiros caças F-16 estão previstos para entrega no outono como foi planejado a meses.

“Eu não sei como alguém pode dizer que estamos atrasando quando nem sequer estavam planejados para entregar antes do tempo”, disse Kirby. “Nós ainda estamos comprometidos com o programa. Nós ainda estamos comprometidos com a venda. E o processo continua, mesmo tendo em conta a instabilidade no Iraque.”

Guerrilheiros da ISIL ameaçaram a base aérea de Balad, no Iraque, onde os F-16 deverão ficar, de acordo com relatórios. Isto forçou os empreiteiros que reformam e adaptam a base para usar o F-16 a deixar a área.

FONTE: Defense News – Tradução: CAVOK

Isis anuncia criação de califado islâmico com áreas de Síria e Iraque

Sukhoi Su-25UB

Bagdá recebe caças russos e envia coluna de tanques para tentar reconquistar Tikrit

O grupo extremista sunita Estado Islâmico no Iraque e na Síria (Isis), que conquistou vastos territórios nos dois países recentemente, anunciou ontem a criação de um califado, com cerca de 900 quilômetros de extensão, na região que vai de Aleppo, no Noroeste da Síria, até Diyala, no Leste do Iraque.

O Isis apresentou seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, como o novo califa, e pediu que todos os muçulmanos jurem lealdade a ele. A declaração – que não tem efeito legal e que pode colocar o grupo em rota de colisão com outras facções jihadistas – ocorre no momento em que o Exército iraquiano envia colunas de tanques e soldados para tentar retomar Tikrit, localizada na parte leste do recém-anunciado califado, e recebe os primeiros caças russos para usar no combate.

O grupo, que agora diz se chamar apenas Estado Islâmico, fez o pronunciamento através de websites, no primeiro dia do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos.

- O Estado Islâmico decidiu estabelecer um califado para todos os muçulmanos – disse o porta-voz, Abu Mohammad al-Adnani. – Baghdadi é o imã e califa de muçulmanos de todos os lugares.

Segundo Adnani, o califado é o “sonho no coração de todos os muçulmanos” e a “esperança de todos os jihadistas”. Grupos como al-Qaeda e Isis, antigos aliados, acreditam no estabelecimento de um Estado guiado pela sharia, uma interpretação radical dos princípios do Alcorão. O último califado acabou há um século, com a queda do Império Otomano.

A importância e o alcance da mensagem não estão claros e vão depender em grande parte da reação de outros grupos e líderes extremistas, como Ayman al-Zawahiri, da al-Qaeda, que era considerada a principal organização radical islâmica e que vem sendo ofuscada pelo Isis nos últimos meses.


DEPOIS DOS CAÇAS, HELICÓPTEROS RUSSOS

No Iraque, o governo xiita do primeiro-ministro Nouri al-Maliki tenta conter o avanço do Isis, agora com a ajuda de assessores militares e drones americanos, que coletam informações. As tropas iraquianas foram reforçadas com a chegada de cinco caças Sukhoi Su-25, os primeiros de 25 aviões comprados da Rússia em um acordo estimado em US$ 500 milhões (R$ 1,1 bilhão). Além dos caças, a Força Aérea do Iraque confirmou o envio de helicópteros russos MI-35 e MI-28.

Mi-35 da FAB
O general iraquiano Anwar Hamad Amen Ahmed afirmou que os caças, que devem ficar operacionais até o fim desta semana, serão usados o quanto antes em “grandes ataques” contra os insurgentes.
- Nossos amigos russos também enviaram especialistas e nos ajudam a preparar as aeronaves. Toda a logística já foi planejada – ressaltou o general.

O apoio americano, por sua vez, ajudou os iraquianos a retomarem partes de Tikrit, berço do ditador Saddam Hussein. No sábado, áreas centrais da cidade foram recuperadas pelo governo. E ontem, no segundo dia de ofensiva, tanques e helicópteros foram enviados à região. A Universidade de Tikrit foi retomada e uma bandeira do Iraque, hasteada. Segundo o Exército, 142 jihadistas foram mortos de sábado para domingo, sendo 70 deles em Tikrit. A batalha, no entanto, continua.

Além de russos e americanos, também os iranianos estão dispostos a ajudar o Iraque.

- O Irã disse a funcionários iraquianos que está pronto a fornecer nossa bem-sucedida experiência em Defesa, a mesma estratégia vencedora usada na Síria para colocar os terroristas na defensiva – informou o vice-chefe de Estado Conjunto das Forças Armadas do Irã, general Massoud Jazayeri.

FONTE: O Globo/Defesa Aérea & Naval

Airbus mira o mercado brasileiro de defesa

C-105 Amazonas

A Airbus Defence and Space, divisão do grupo Airbus é uma das dez maiores companhias do setor de defesa no mundo (com faturamento de € 14 bilhões), tem planos para expandir a presença dos seus negócios no Brasil, no curto e médio prazo nas áreas de aeronaves militares, sistemas espaciais, comunicação, inteligência e segurança e eletrônica.

O diretor comercial da Airbus Defence and Space, Christian Scherer, afirmou que a expectativa é de que nos próximos dez anos o mercado aeroespacial e de defesa da América Latina movimente negócios da ordem de € 48 bilhões.

“O Brasil é um mercado chave na região. Somos e continuaremos a ser o mais brasileiro de todos os grandes grupos aeroespaciais em atuação no país”, disse o executivo.

A empresa, conforme revela o executivo, está em fase de criação da Airbras, uma companhia que dará suporte às 12 aeronaves de transporte logístico C-295, que a Força Aérea Brasileira (FAB) opera com a denominação de C105 Amazonas. As aeronaves cumprem missões de transporte aéreo militar e logístico, lançamento de paraquedistas e carga, busca e salvamento, evacuação aeromédica. Atualmente, estão localizadas nas bases aéreas de Campo Grande (MT) e de Manaus (AM).
O diretor também confirma o interesse da empresa de instalar um centro de manutenção, reparo e revisão (da sigla em inglês MRO), que em uma segunda etapa também poderia atender à frota de aeronaves civis da Airbus no país.

A companhia europeia acaba de fechar a venda de mais três aeronaves do modelo na versão busca e resgate (do inglês SAR), um contrato assinado com a FAB de € 187 milhões. O montante inclui o suporte logístico para as aeronaves. O primeiro avião deverá ser entregue no quarto trimestre de 2016 e o último no final de 2017.

Segundo o presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate da Aeronaútica (Copac), brigadeiro Augusto Crepaldi, o contrato com a Airbus foi assinado no final de abril, mas entrou em eficácia no dia 17 de junho, depois de passar por trâmites burocráticos.

A FAB adquiriu o primeiro lote do C105 Amazonas em 2005, época em que também entregou à Airbus a tarefa de modernizar nove aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion. Os dois contratos foram avaliados à época em mais de US$ 700 milhões. A última aeronave P-3 modernizada, de acordo com Scherer, já está sendo testada em voo nas instalações da Airbus em Sevilha, na Espanha, e será entregue à FAB em breve.
P-3AM em primeiro plano com o C-105 ao fundo

Na área espacial, o grupo quer que sua empresa espacial no Brasil, a Equatorial, de São José dos Campos, tenha forte posição na cadeia de fornecimento global da companhia. O diretor ressalta que “a Airbus, ao contrário de outras empresas internacionais, tem feito investimentos significativos no Brasil e com resultados tangíveis, que vão muito além de projetos de pesquisa genéricos”.

O executivo também destaca a parceria da empresa com a com a Atech, controlada pela Embraer, para o desenvolvimento do sistema de missão naval para o programa do helicóptero EC-725, coordenado pela Helibras.

Scherer ressalta ainda o investimento de 450 milhões de euros já feitos no âmbito deste programa pela Airbus Helicopter e Helibras na transferência de tecnologias e na indústria brasileira.
UH-15A N-7108

No Parque Tecnológico de São José dos Campos, a companhia europeia instalou um centro de pesquisa e tecnologia, onde pesquisadores e técnicos da Airbus Defesa e Espaço irão desenvolver projetos e parcerias com a indústria aeroespacial e de defesa brasileira. Um dos focos da pesquisa no local é o programa Sisgaaz (Sistema de Gerenciamentoto da Amazônia Azul), coordenado pela Marinha, cuja fase de implantação está avaliada em R$ 14 bilhões.

O Valor apurou que a Airbus já estaria fazendo composições com alguns grupos locais, que atuarão como “main contractors” no Sisgaaz, para participar da competição. A fabricante europeia não esconde o interesse de uma parceria com a Embraer, com quem afirma ter um relacionamento muito bom, assim como um enorme respeito pela sua liderança.

O diretor Christian Scherer, da Airbus Defence, acredita que haja oportunidades significativas para que as duas empresas possam trabalhar juntas e de forma complementar.

“Em algumas áreas as nossas condutas convergem para uma concorrência saudável e na maior parte das outras para um ganho de capacidades complementares”, afirmou.

FONTE: Valor Econômico – Virgínia Silveira

Convencer os militares

Imagem da entrevista do Ministro Celso Amorim à jornalista Miriam Leitão da Globonews

Em entrevista à jornalista Miriam Leitão o Ministro da Defesa Celso Amorim fala sobre as respostas dos militares à CNV

Nota DefesaNet

É fundamental o leitor ver o vídeo com a entrevista na íntegra do Ministro Celso Amorim à Jornalista Miriam Leitão. Link http://g1.globo.com/globo-news/miriam-leitao/videos/t/ultimos-programas/v/miriam-leitao-veja-entrevista-exclusiva-com-o-ministro-da-defesa-celso-amorim/3458161/

O editor

Míriam Leitão

O ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que as respostas dos comandantes militares foram burocráticas e administrativas porque estas foram as perguntas feitas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). Os comandantes negaram "desvio de função" dos órgãos que torturaram e mataram. A resposta causou perplexidade. Segundo o ministro, a CNV focou nas questões administrativas.

– No caso dessas sindicâncias (feitas nas três Forças) o foco das perguntas é muito administrativo. Ela foca na destinação dos imóveis e, com essas perguntas, a resposta acabou sendo formal. Até consigo entender, porque há a imprescritibilidade dos delitos administrativos. A Comissão não perguntou se as pessoas foram torturadas e mortas, ela assume que isso aconteceu.

A Comissão da Verdade mandou documentos para o Exército, Marinha e Aeronáutica, detalhando alguns casos de tortura e mortes em sete estabelecimentos militares e, entre outras perguntas, quis saber se houve desvio de função. Os comandantes fizeram sindicâncias e entregaram extensos relatórios em que respondem como foi adquirido o prédio. Fez isso com a sede do DOI de São Paulo, onde tantos perderam a vida. Conta que ele foi cedido inicialmente de forma precária pelo governo do estado e depois regularizado. Sobre o que se passou lá dentro, nenhuma palavra.

São dezenas de páginas sobre o irrelevante. Fui ao Ministério da Defesa, em Brasília, e entrevistei o ministro Celso Amorim, em meu programa da Globonews. Diante da resposta do ministro, perguntei se ele acha que a Comissão da Verdade fez as perguntas erradas:

— Não vou julgar a Comissão. Ela não perguntou se essas pessoas foram torturadas e mortas, ela afirmou. Entendo que a Comissão quer ter um quadro global. Quem determinou o uso do prédio, como foi designado o pessoal, como eram feitos os pagamentos. As respostas são formais, mas não são mentirosas, nem descumprem o que foi perguntado. Elas decepcionam.

O ministro vê como avanços, passos importantes, fatos como: um almoço da Comissão da Verdade com os comandantes militares, conversas com integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e a visita a instalações militares:

— Eu acho interessante que não tenha havido nenhum esforço para negar os fatos. O ministro, na entrevista, disse que as mudanças têm que vir aos poucos e que estamos no fim da transição. O regime militar acabou há 30 anos. Ele apontou como avanço o fato de os militares não comemorarem mais o 31 de março e disse que o ministro da Defesa está hoje na cadeia de comando. Não estava há quatro anos.

— Os militares de hoje não são os militares de ontem e é preciso dialogar com os atuais militares. Eles são importantes para o Brasil, como se vê na Copa, na pacificação do Alemão, da maré. Quando acontece uma seca, uma enchente, a primeira coisa que se vê é a farda. É preciso separar os militares de ontem dos de hoje, mas acho também que eles precisam ser capazes de separar.

Amorim acha que esse entendimento institucional não será feito por decreto, mas pelo convencimento. Perguntei se ele achava que os militares se deixarão convencer a pedir desculpas ao país pelos crimes cometidos durante a ditadura, e ele disse:

— Talvez, não sei. As Forças Armadas de hoje teriam que pedir desculpas pelo que não foi feito por elas, mas talvez fosse bom para eles. Ele foi afirmativo quando eu perguntei pelo material didático dos colégios militares. Acha que "não tem cabimento" não serem usados apenas o material indicado pelo MEC. De novo, disse que está tentando mudar, pelo convencimento.

Os pontos-chave

1 Para Celso Amorim, militares deram respostas burocráticas a perguntas administrativas

2 Comandantes negaram "desvio de função" dos órgãos que torturaram e mataram na ditadura

3 Ministro acha que é preciso convencer os militares a assumirem erros, mas não exigir desculpas oficiais

Comentário DefesaNet

A jornalista Miriam Leitão reproduz uma posição ativista / guerrilheira de seus tempos de participante da LIBELU ( Liberdade e Luta). Fato que ela omite em todos os momentos. Repete uma posição já tomada frente ao Gen Luis Eduardo Rocha Paiva há dois anos.

Também uma posição dúbia da própria Rede Globo que tem incentivado uma posição editorial de agressividade frente aos militares, em especial após os ataque dos "Black Blocks" à sua sede no Rio de Janeiro, em 2013..

Revisão das Organizações GLOBO - APOIO EDITORIAL AO GOLPE DE 64 FOI UM ERRO Link http://www.defesanet.com.br/dita/noticia/12056/Revisao-das-Organizacoes-GLOBO---APOIO-EDITORIAL-AO-GOLPE-DE--64-FOI-UM-ERRO/
É a preparação de uma forte campanha contra as Forças Armadas para após a Copa do Mundo. A tentaiva de liberar a ação dos Black Blocks como intimidação política e constranger os governos estaduais e as Forças de Segurança.
O Editor

Defesa Net

Armas do Brasil: Forças Militares investem pesado para proteger pré-sal(Domingo Espetacular).


domingo, 29 de junho de 2014

Amazônia Legal estará toda mapeada até 2017, diz centro de operações

O projeto de mapeamento da Amazônia Legal está em andamento e deve ser concluído até 2017, segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), que coordena as operações. Cerca de 55 mil quilômetros quadrados (km²) de hidrovias navegáveis e 1,2 milhão de km² terrestres já foram cartografados.

O Projeto Cartografia da Amazônia foi lançado em 2008 e visa a atualizar e concluir as cartografias terrestre, geológica e náutica dos 35% da Região da Amazônia sem informações na escala de 1:100.000, que são mais detalhadas. Dos 5,2 milhões de km² da Amazônia Legal, 1,8 milhão de km² não tinham informações cartográficas nessa escala.

Mais importante que a base estruturante da cartografia são os desdobramentos temáticos para as instituições, órgãos e municípios da região, avalia o diretor de Produtos do Censipam, Péricles Cardim. “Traduzir as informações dos mapas e pegar todo o montante desse conhecimento para subsidiar o poder decisório de outros órgãos era o que faltava na Amazônia”, disse.

As cartografias auxiliam o planejamento e a execução de projetos de infraestrutura, como rodovias e hidrelétricas, regularização fundiária, segurança territorial e desenvolvimento regional.
Os 55 mil km² de hidrovias já cartografados correspondem a 90 cartas náuticas produzidas ou atualizadas até 2013. Neste ano serão mapeadas mais cerca de 9,5 mil km², em 19 cartas náuticas, sendo que sete foram finalizadas até o último mês de maio. O objetivo é ampliar a segurança da navegação nos rios dos estados do Amapá, Amazonas, parte do Acre, Maranhão, de Mato Grosso, do Pará e de Roraima.

Até 2008, dois navios se dedicavam a mapear a Região Amazônica, mas, segundo Cardim, não conseguiam atingir afluentes mais distantes. Então, dentro do projeto, a Marinha recebeu cerca de R$ 43 milhões, sendo que 90% dos recursos foram para a construção de quatro navios menores, hidroceanográficos, e um de maior porte, oceanográfico. “A partir dessa capacidade, a Marinha amplia a cobertura, ano a ano, nos locais sem mapas ou que precisam de revisita”.

Mais de 95% de todo o transporte comercial da região ocorre por meio dos rios. Além disso, o transporte fluvial de passageiros movimenta anualmente 8,9 milhões de pessoas. A segurança de navegação também interfere no cálculo do seguro do frete comercial, influenciando diretamente no preço dos produtos transportados e afetando toda a economia regional.

Além dos navios, o projeto destinou recursos para investimentos como modernização dos sistemas de aquisição e processamento de dados de aeronaves especializadas em sensoriamento remoto, software e hardware para o tratamento e processamento dos dados e imagens, bem como da capacitação de recursos humanos.

Segundo Péricles Cardim, o mapeamento geológico foi o que alavancou o projeto todo, levando também a parte mais substancial dos recursos: R$ 176 milhões. “É um mapeamento que vai delimitar com qualidade a real riqueza mineral que temos na Amazônia”, disse o diretor.

Entretanto, segundo ele, são informações que dependem de aprovação e regulamentação do novo Marco Regulatório da Mineração. “É uma informação importante para ordenar como serão exploradas as riquezas”, explicou o diretor do Censipam.

O Projeto Cartografia da Amazônia tem como executores a Marinha, o Exército, a Aeronáutica e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). O orçamento total é de R$ 350 milhões.

Agencia Brasil 

Rússia restringe importações de carne da União Europeia

Produtos derivados de porco entraram no país como sendo bovinos

A Rússia impôs restrições temporárias às importações de carne e subprodutos bovinos da União Europeia, de acordo com notificação da Agência Federal de Controle Veterinário e Fitossanitário do país eslavo. Segundo o comunicado, houve casos de certificação indevida e entrada, a partir de vários países europeus, de produtos derivados de porco, cuja importação está limitada à União Aduaneira, formada por Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia, e que se fazem passar por produtos bovinos.

Em conversa telefônica com o chefe do departamento da Direção-Geral de Saúde e Consumidores da União Europeia, Bernard Van Goethem, o vice-diretor da agência de controle russa, Evgueni Nepoklonov, manifestou sua preocupação com esta situação, motivo pelo qual “ordenou restringir temporariamente a importação dos itens mais falsificados” do bloco europeu.

Diário da Rússia

OVNI em lançamento do foguete Falcon 9

ATUALIZAÇÃO: Fiz uma análise deste intrigante vídeo que mostra um OVNI passando próximo ao foguete FALCON 9. O que vi, durante a análise, me deixou muito mais intrigado. Anteriormente achava que o OVNI havia passado por trás do foguete, mas analisando melhor percebi que ele passa a frente do FALCON e o mais impressionante é que o objeto parece adentrar o foguete F9R e sair do outro lado.

Eu disse parece, não tenho certeza. O que vi, e que estou lhes apresentando abaixo, pode ser uma ilusão de ótica causada pelo lado do foguete iluminado pelo Sol (falo do fato do objeto parecer entrar no foguete). Que o OVNI passa a frente do foguete, e bem próximo, não há dúvidas.
Seguem análises em imagem e vídeo:


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MATÉRIA ORIGINAL: Um OVNI foi filmado cruzando a imagem de câmera instalada para monitorar o teste do foguete Falcon 9 (F9R). O teste foi realizado em 17 de junho de 2014, pela SpaceX em McGregor, Texas, Estados Unidos. Falcon 9 é um foguete de dois estágios projetado e fabricado pela SpaceX para o transporte seguro e confiável de satélites e da nave espacial dragão, em órbita.

O objeto ainda não identificado aparece cruzando a tela em uma diagonal do canto superior direito em direção ao canto inferior esquerdo, passando por trás do foguete e depois tomando uma linha mais horizontal e voltando a subir um pouco. Veja a partir do minuto 3:27 do vídeo.

Estamos falando em OVNI porque ainda não identificamos que objeto é aquele, mas ele pode ser um DRONE utilizado

para filmar o foguete de um outro ângulo. No entanto ele me pareceu muito longe e se distanciando ainda mais, não sei se seria o ideal para uma boa filmagem. Porém, gostaria de ler a opinião dos nobres amigos do blog. Vocês sabem, procuramos a verdade dos fatos seja ela qual for…
Segue vídeo:


Fonte do vídeo: YouTube RT America / ETS & ETS

Recusado pela Índia, MiG-35 se prepara para pouso no Egito

MiG-35 pode garantir retorna da influência russa no Oriente Médio

Futura venda de caça multifuncional faz parte de ofensiva diplomática de Moscou no Oriente Médio.

O russo MiG-35, que perdeu uma licitação entre os modelos multifuncionais na Índia em 2010, deve começar a sobrevoar o espaço aéreo egípcio. Moscou e Cairo estão acertando os detalhes de um acordo estimado em US$ 3 bilhões para fornecer, entre outras coisas, 24 caças MiG-35 avançados para o país – com cada unidade avaliada em US$ 30 a 40 milhões.

A venda do MiG-35, que foi discutida durante a visita de uma delegação militar russa para o Egito em abril passado, é um desenvolvimento significativo nas relações entre os dois países. Mikhail Riabov, especialista militar que fazia parte da equipe de assessoria militar russa durante a guerra árabe-israelense de 1973, disse recentemente a um jornal egípcio que “os acordos serão colocados em prática em um futuro próximo”.

Como o Egito era governado por um governo interino, o acerto foi basicamente verbal. Os russos estavam apostando no marechal Abdel-Fattah Al-Sisi para ganhar as eleições e celebrar o contrato no início do seu mandato – e Al-Sisi entrou no poder em maio passado.

Acredita-se que o escopo do acordo também possa ser ampliado para incluir mais equipamentos de defesa, tais como os helicópteros de combate aéreo Mi-35, mísseis antitanque e sistemas de defesa costeira.

Características do avião

A Força Aérea Egípcia, que é em grande parte dependente dos obsoletos caças a jato de fabricação americana F-16, está provavelmente ansiosa para receber o novo modelo russo. O MiG, que foi apresentado pela primeira vez em um show aéreo de Bangalore em 2007, é uma aeronave multifuncional com bons recursos tanto em missões ar-ar, como em ataques de precisão contra alvos terrestres, em todos os tipos de clima.

A versão para exportação será equipada ainda com radar de varredura eletrônica ativa Zhuk-AE, e é compatível com sistemas de armas russos e ocidentais. Embora seus detratores digam que o MiG-35 é apenas um MiG-29 em nova roupagem, a realidade é que trata-se de uma aeronave mais aperfeiçoada e 30% maior.

Não só é um capaz de neutralizar aeronaves de ataque e mísseis de cruzeiro, como também pode destruir alvos marítimos e na superfície a partir de grandes distâncias e realizar missões de reconhecimento aéreo. Além disso, pode apresentar algumas características stealth (invisibilidade) devido à utilização de materiais compósitos.

De acordo com o comandante da Força Aérea Russa, o general Aleksandr Zelin, até que o caça stealth PAK-FA seja introduzido, os militares russos usarão os novos caças multifuncionais MiG-35 para enfrentar a mais recente aeronave furtiva dos EUA, o caça F-35.

O governo russo assinou um contrato de US$ 473 milhões por 16 caças MiG-35, com início de entregas em 2016. Segundo a United Aircraft Corporation, a empresa tem expectativa de que cerca de 100 unidades do MiG-35 sejam adquiridos “em curto prazo”.

Duelo de estratégias

Se a venda se concretizar, será um acontecimento de importância estratégica, pois marcará o retorno da Rússia ao coração do Oriente Médio – depois de 40 anos no “deserto diplomático”. Em 1972, o então presidente egípcio Anwar Sadat expulsou mais de 17.000 conselheiros militares soviéticos do país e entrou em uma aliança com os Estados Unidos e Israel.

O acordo não só será um sinal de que a influência americana na região está enfraquecendo, mas, do ponto de vista do Kremlin, seria mais uma conquista – depois da Síria e da Crimeia – em sua disputa estratégica com o Ocidente.

De acordo com analistas Yiftah Shapir, Zvi Magen e Gal Perel, do Instituto de Israel para Estudos de Segurança Nacional, “a Rússia designou o Oriente Médio como outra frente na sua luta global contra o Ocidente, em parte para equilibrar as pressões sobre si no leste da Europa”.

A Rússia teria, portanto, um interesse claro no contrato de armas com o Egito, pois poderia reforçar significativamente a sua posição internacional e servir como um exemplo digno para os outros países da região também ampliarem a cooperação.

Os israelenses acreditam que o acordo é um grande revés para a política dos EUA e diplomacia no Oriente Médio – uma rejeição direta a Washington. Um analista local descreveu a situação como se “Obama estivesse perdendo o Egito para Pútin”.

Quem paga?

O Egito está à beira da inadimplência financeira. Desde que os russos partiram na década de 1970, as exigências de defesa do país foram atendidas pelos Estados Unidos.

No entanto, em outubro de 2013, os EUA declarou que iria reajustar a ajuda de defesa para o Egito e suspender parte do fornecimento por causa de uma lei americana que proíbe a exportação de armas para regimes que chegaram ao poder por meio de um golpe militar.

Nesse cenário, a capacidade do Egito de autofinanciar essas compras de grande valor é duvidoso. Embora a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estejam declaradamente dispostos a pagar pelos MiGs, a grande questão é: será que eles farão isso mesmo?

Ambas as ditaduras do Golfo estão firmemente ligadas ao domínio americano, mas ultimamente têm tentado fazer as pazes com Moscou. Os sauditas, que apoiavam abertamente os fundamentalistas islâmicos na Síria, em uma tentativa de derrubar o presidente Bashar Al-Assad, acabaram frustrados quando os Estados Unidos recuaram e decidiram não atacar a Síria.

A Arábia Saudita também está preocupada com as investidas americanas em relação ao seu arqui-inimigo Irã. O fortalecimento do Egito, que é o único país árabe (agora que o Iraque foi neutralizado) que pode resistir como um baluarte contra os temidos persas, é, portanto, do interesse do governo de Riad.

Gazeta Russa 

NASA testou com sucesso "disco voador"

A Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, a NASA, efetuou com sucesso um voo experimental de um “disco voador” na atmosfera terrestre destinado a testar uma nova tecnologia de pouso em Marte, comunica a NASA em seu site.

Recorde-se que o lançamento do Low-Density Supersonic Decelerator (LDSD) fora adiado múltiplas vezes devido a condições climáticas inadequadas na zona da base de lançamento no Havaí. A nave, em forma de disco, equipada com um grande paraquedas, foi ontem lançada através de um balão de 36 metros do litoral da ilha de Kauai, no Havaí. Após efetuar um voo na atmosfera a uma velocidade supersônica, o “disco” abriu o paraquedas e pousou no Pacífico, perto do Havaí.

O voo experimental foi realizado nas camadas superiores da atmosfera terrestre cujas características se assemelham, segundo especialistas, às de Marte. A NASA projeta o envio para o Planeta Vermelho uma nave espacial mais pesada e, numa perspectiva mais distante, de astronautas.

Voz da Rússia

Mianmar opta por caça sino-paquistanês

Segundo informa o jornal Burma Times, Mianmar (antiga Birmânia) começou conversações com a China e o Paquistão sobre a aquisição e a organização de montagem do caças sino-paquistaneses FS-1 em Mianmar. Este pode ser o primeiro êxito do FS-1 nas exportações durante muito tempo.

O FS-1 foi fabricado pela companhia chinesa Chengdu Aircraft Corporation em cooperação com o Paquistão em finais dos 1990 e início dos 2000. Alguns peritos viram no FS-1 uma futura estrela do mercado mundial de armamentos e o coveiro do MiG-29. Porém, desde o momento da produção em série em 2007 e até hoje, este avião não conseguiu chamar a atenção de nenhum comprador, além do Paquistão, praticamente privado de qualquer opção.

Até agora citaram-se numerosos possíveis compradores do FS-1, incluindo o Zimbabué, o Egito, o Azerbaidjão e o Sudão. Mas não foi assinado qualquer contrato. E é possível que, no caso de Mianmar, as conversações não levem à assinatura de qualquer documento. Não obstante, por enquanto, Mianmar parece ser o pretendente mais provável à aquisição desse avião. A situação deste país faz lembrar em muito a situação do Paquistão. Ambos os países têm uma longa história de relações políticas próximas com a China e uma carga de problemas acumulados nas relações com o Ocidente.

Não obstante se ter realizado a normalização das relações de Mianmar com os EUA, as possibilidades do país de aceder ao mercado internacional de armamentos continuam sendo limitadas. Tanto o Paquistão, como Mianmar têm sérias ambições quanto ao desenvolvimento da indústria nacional de defesa. O que é ainda mais importante, Mianmar enfrenta uma longa guerra contra grupos de guerrilha no seu território.

Isto significa que as forças armadas de Mianmar precisam de caças multi-funcionais baratos na manutenção, simples e fiáveis. Semelhantes aparelhos não devem obrigatoriamente concorrer em pé de igualdade com modelos mais complexos e avançados da tecnologia aérea moderna. Em comparação com os últimos modelos do caça MiG-29, o FS-1 tem sensivelmente menos capacidade de transportar armas e de manobrar, os armamentos com que está equipado são menos potentes.

Não obstante, para um país na situação de Mianmar, isso pode ser a variante ideal. Mianmar já utiliza aviões fornecidos pela China, por exemplo, os K-8 de treino e combate na luta contra os guerrilheiros no seu território. O FS-1,com a sua aparelhagem radio-eletrônica de bordo moderna e a sua capacidade de emprego de armas de alta precisão com alvos terrestres, pode ser insubstituível em semelhantes operações.

A entrega de tecnologias, a que a China normalmente está disposta, e a organização de produção licenciada desses aviões em Mianmar dificilmente transformarão esse país numa forte potência da indústria aeronáutica.

É claro que, tendo em conta o estado atual da base produtiva de Mianmar, tratar-se-á principalmente da montagem de aparelhos com componentes enviados da China. Não obstante, mesmo uma entrega limitada de tecnologias permitirá a Mianmar conseguir uma certa autonomia nas questões da sua manutenção e reparação.

No fim de contas, a Rússia também ganha com esse projeto, porque o caça FS-1 utiliza, por enquanto, motores russos RD-33. É possível que, depois de receber o novo caça, Mianmar manifeste interesse em comprar armamentos modernos de alta precisão para si, nomeadamente na Rússia.

Voz da Rússia

Ucrânia: Acordo de Associação à União Europeia provavelmente fracassará

Petro Poroshenko, posa com José Manuel Barroso (E) e Herman Van Rampuy (D) em 27/6/2014 na assinatura do acordo com a União Europeia 

A trégua (temporária) na Ucrânia está para acabar e o exército ucraniano tentará, outra vez, por todos os meios, esmagar a insurgência. É pouco provável que consiga.

Hoje o presidente do golpe assinou, em Bruxelas, o acordo de associação à União Europeia. Portanto, o status de parceiro comercial preferencial da Rússia, de que a Ucrânia gozava, acabou; e a Ucrânia entrará em depressão profunda. A indústria não é competitiva contra os países da Europa Ocidental e não pode ser sustentada sem os mercados russos. Os engenheiros e trabalhadores mais qualificados, especialmente das grandes fábricas de armamento, mudar-se-ão para a Rússia e deixarão a indústria ucraniana para trás, apodrecendo.

Como Mark Adomanis observa corretamente na revista Forbes:

Mark Adomanis

O acordo de associação sempre foi visto em termos altamente politizados e simbólicos, como uma “escolha civilizacional” pela qual a Ucrânia deixaria para trás o seu passado oriental obscuro e rumaria avante para a segurança e o conforto da União Europeia. Que imenso erro! Na realidade, o acordo de associação nada tem a ver com cultura ou história e é coisa muito mais simples: passo altamente tecnocrático de liberalização da economia. Não há meio ‘'europeu'’ para pôr fim aos subsídios para o gás, e não há meio ‘civilizado’ para reduzir aposentadorias e pensões. Esses são passos que se dão ou que se evitam. Dado que a liberalização econômica não é muito popular na Ucrânia, porque os ucranianos continuam a manifestar ideias econômicas acentuadamente de esquerda, a luta para implantar o livre mercado será provavelmente longa e sangrenta.

O acordo terá de ser aprovado e só depois implementado, por um novo parlamento ucraniano. Tenho sérias dúvidas de que isso venha a acontecer.

Enquanto isso, a luta no leste continuará e, quando o próximo assalto pelo exército fracassar, como provavelmente fracassará, veremos passos na direção de obter mais independência para as regiões do leste.

Redecastorphoto

Uma Nova Recessão e um Novo Mundo Livre da Arrogância dos EUA?

Variação do PIB dos EUA (primeiro quadrimestre de 2011 até o primeiro quadrimestre de 2014). Notar que no primeiro quadrimestre de 2014 a previsão era de crescimento de 1,6%, mas o resultado foi queda de 2,9%.

Finalmente, foi liberado hoje (25/06/2014) um número final para o real Produto Interno Bruto dos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2014. O número não é o de um crescimento de 2,6% previsto pelos economistas sabe-nada (orig.: know-nothing) em janeiro deste ano. O número é um declínio do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos para -2,9%.

O crescimento negativo de 2,9% noticiado, por si só, já é um eufemismo, pois somente foi alcançado pela subestimação da inflação ocorrida durante o período. Durante o regime Clinton, a Boskin Commission (grupo de estudos nomeado pelo Senado dos Estados Unidos em 1995 para medir a inflação – NT) manipulou o cálculo da inflação para enganar os beneficiários da Seguridade Social em seus ajustes do custo de vida. Qualquer cidadão, ao adquirir comida, combustível ou seja o que for, sabe que a inflação está muito mais alta que os números oficiais fornecidos pelo governo.

É bem possível que a queda real do PIB no primeiro trimestre seja de três vezes o número oficial.

De qualquer forma, a diferença entre a previsão de crescimento de 2,6% feita em janeiro e o declínio no final de março, de 2,9% é enorme (5,5%).

Qualquer economista de verdade e que não esteja sendo pago por Wall Street, pelo governo ou pelo establishment, sabe que a previsão de crescimento de 2,6% era uma safadeza. Com exceção do 1%, o rendimento do povo americano não cresceu e o único crescimento real que aconteceu foi o dos empréstimos a estudantes, já que muitos dos que não conseguem encontrar um emprego voltam-se de forma errônea para a crença de que “educação é a resposta”. Em uma economia que se baseia na demanda de consumo, a falta de aumento nos rendimentos e no crédito significa que a economia não crescerá.
Inflação dos alimentos (jan. 2013 até jan. 2014)

A economia dos EUA não pode crescer porque, incentivadas por Wall Street, as corporações transferiram a economia dos Estados Unidos para uma economia offshore (empresas offshore são aquelas entidades comerciais ou financeiras que se localizam em domicílio diverso do país de seus proprietários e não sujeitas, portanto, às leis desse país. “Economia offshore”, como denomina o autor, seria uma economia grandemente localizada fora do país, por motivos comerciais, como mão de obra mais barata e isenções fiscais, por exemplo – NT). São feitos fora do país os produtos manufaturados dos Estados Unidos. Preste atenção nas etiquetas de suas roupas, sapatos, sua comida e utensílios de cozinha, seus computadores, qualquer coisa. Trabalhos profissionais dos Estados Unidos, como engenharia de software, migraram para fora do país. Uma economia com economia fora do país não é uma economia. Tudo acontece bem na nossa frente, enquanto os bem pagos figurantes mentirosos do mercado declaram que os americanos são beneficiados por dar seus empregos da classe média americana para a China ou a Índia.

Tenho mostrado essas mentiras por uma ou duas décadas, e é por isso que há tempos não sou convidado para falar para universitários americanos ou para associações financeiras americanas. Os economistas gostam muito do dinheiro que recebem para mentir. A última coisa que querem em seu meio é uma pessoa que fale a verdade. Um declínio oficial de 2,9% no primeiro trimestre significa que o segundo trimestre também verá um declínio do PIB. Uma recessão é definida como dois trimestres consecutivos de PIB negativo.

Pense nas consequências de uma recessão. O significado é o de que anos de Quantitative Easing (Flexibilização Quantitativa – política monetária fora do convencional, onde ocorrem compras massivas de valores mobiliários por um Banco Central ou governo com a intenção de reduzir juros e aumentar a oferta de moeda. Considerada atualmente financeiramente perigosa pelo risco de aumento da inflação e redução do crédito [o que diminuiria a produção], se os bancos resolverem estocar o excesso de moeda gerado por essa política financeira – NT) falharam em reativar a economia. Significa ainda que anos de déficits fiscais Keynesianos não conseguiram reativar a economia. Nem as políticas fiscais, nem as monetárias tiveram sucesso. O que pode reativar a economia?
Base Monetária ajustada e os QEs de 2008 (QE1), 2009 (QE2) e 2013 QE3)
Nada, exceto forçar o retorno da economia que as corporações antiamericanas levaram para fora, o que requer um governo que tenha credibilidade. Infelizmente, o governo dos Estados Unidos perdeu credibilidade desde o segundo mandato de Clinton. A credibilidade não mais existe. Nada.

Atualmente não existe qualquer lugar no mundo onde se acredite no governo dos Estados Unidos, com exceção dos zumbis americanos sem cérebro que lêem e assistem a “imprensa-empresa convencional”. A propaganda política manipulada de Washington dominou a mente dos estadunidenses, mas em qualquer outro lugar do mundo, produz gargalhadas e escárnio.

As perspectivas cambaleantes da economia dos Estados Unidos levaram dois grandes lobbies de negócios – A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Associação Nacional de Fabricantes (ou o que restou delas) a entrar em conflito com a ameaça do regime de Obama, que pretende novas sanções contra a Rússia.

De acordo com o Bloomberg News, a partir de amanhã (26 de junho de 2014 – o que realmente aconteceu - NT), as associações de negócios começarão a postar anúncios do New York Times, Wall Street Journal e Washington Post em oposição a novas sanções contra a Rússia. As organizações comerciais dos Estados Unidos dizem que as sanções contra a Rússia prejudicarão seus lucros e significarão mais desemprego para os estadunidenses.
Papai, Obama colocou sanções na minha mesada!

Dessa forma, duas grandes organizações de comércio e finança dos Estados Unidos, o que significa dizer grandes doadores de campanhas políticas, finalmente juntaram suas vozes às dos homens de negócios da Alemanha, da França e da Itália.

Fora o público norte-americano que sofreu a lavagem cerebral da imprensa-empresa, todos sabem que a “crise da Ucrânia” não passa de um trabalho engendrado por Washington. Homens de negócios europeus e dos Estados Unidos perguntam: “por que devemos sacrificar nossos lucros e nossos trabalhadores por causa da propaganda política mentirosa de Washington contra a Rússia?”.

Para isso, Obama não tem resposta. Talvez a sua escória neocon representada por Victoria Nuland, Samantha Powers e Susan Rice possa apresentar uma resposta. Obama pode contar com o New York Times, Washington Post, Wall Street Journal e Weekly Standard para explicar porque milhões de norte-americanos devem sofrer para que o roubo que os EUA praticam contra a Ucrânia não seja ameaçado. As mentiras dos EUA aumentam com Obama.

A chanceler alemã Angela Markel é uma completa prostituta dosEUA, mas a indústria alemã está dizendo à puta de Washington que, para eles, tem muito mais valor seus negócios com a Rússia que o sofrimento que terão que passar por causa dos motivos do império de Washington. Os homens de negócios franceses estão inquirindo a Hollande quais as suas propostas para os milhares de trabalhadores franceses que fatalmente perderão seus empregos na França caso Hollande resolva seguir os ditames de Washington. As empresas italianas estão lembrando ao governo de seu país – se é que a Itália tem um – que os estadunidenses são pessoas grosseiras e sem finesse e que as sanções contra a Rússia significam um golpe diretamente contra o setor econômico mais reconhecido e organizado da Itália – o setor de produtos de luxo de alto padrão.

As divergências entre os EUA e os dois governos joguetes de Washington na Europa estão se espalhando. A última pesquisa realizada na Alemanha mostra que três quartos da população alemã rejeitam de forma permanente a instalação de bases da OTAN na Polônia e nos Estados Bálticos. A antiga Checoslováquia, atuais Eslováquia e República Checa, mesmo sendo estados membros da OTAN não mais aceitam a OTAN e as tropas dos Estados Unidos em seus territórios. Recentemente, um ministro da Alemanha disse que para satisfazer os EUA é preciso lhe dar uma rodada de sexo oral, sem benefício algum em retorno.
Bases Militares dos EUA na Alemanha

Os rumos que os idiotas de Washington estão dando à OTAN podem pouco a pouco destruir a organização. Reze para que isso realmente aconteça. A desculpa para a existência da OTAN acabou com o colapso da União Soviética, 23 anos atrás. No entanto, os EUA incrementaram a OTAN, que cresceu para além das fronteiras da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Hodiernamente, a OTAN cobre do Báltico até a Ásia Central. Para que haja uma razão que justifique a constante e caríssima expansão da OTAN, Washington resolveu construir um novo inimigo: a Rússia.

A Rússia tem deixado muito claro que não pretende fazer da OTAN e dos EUA seus inimigos. Mas o complexo exército/segurança dos Estados Unidos, que anualmente consomem um trilhão de dólares (US$ 1.000.000.000.000) dos já pressionados pagadores de impostos estadunidenses precisa de uma desculpa que faça com que os lucros continuem fluindo.

Infelizmente, os imbecis em Washington escolheram um inimigo perigoso. A Rússia é uma potência com armas nucleares, um país de vastas dimensões e com uma aliança estratégica com a China. Apenas um governo que se afoga na própria arrogância e húbris ou um governo cheio de psicopatas e sociopatas escolheria tal inimigo.

O presidente russo, Vladimir Putin alertou a Europa de que a política dosEUA para o Oriente Médio e Líbia não apenas se revelou num fracasso total, como prejudica fortemente a Rússia e a Europa. Os imbecis em Washington removeram os governos que contiveram os jihadistas. Agora, os jihadistas violentos estão desenfreados. Estão neste mesmo instante refazendo no Oriente Médio as fronteiras artificiais impostas pela Bretanha e pela França após o final da Primeira Grande Guerra Mundial. A Europa,assim como a Rússia e a China, todos tem populações islâmicas e agora devem se preocupar, porque a violência desencadeada pelos EUA poderá provocar a desestabilização de regiões da Europa, Rússia e China.

Ninguém, em qualquer parte do mundo, tem motivos para gostar dos Estados Unidos. Muito menos todos os estadunidenses, sangrados até a inanição para que Washington possa fazer paradas de exibição de poder pelo mundo afora. A taxa de aprovação de Obama é de minguados 41% e ninguém gostaria que ele permanecesse no gabinete, uma vez terminado seu segundo mandato. Contrastando com isso, dois terços da população russa querem que Putin permaneça como seu presidente depois de 2018.

Em março, a agência de pesquisa Public Opinion Research Center, informou que a taxa de aprovação de Putin chegava a 76%, e isso apesar da agitação contra ele, promovida pelas ONGs russas financiadas pelos Estados Unidos e instaladas às centenas como quintas colunas estabelecidas na Rússia pelos EUA durante as duas últimas décadas.
Aprovação de Putin na Rússia - 86,9% (14/5/2014)

No topo dos problemas da política dos Estados Unidos o dólar americano encontra-se em perigo. O dólar ainda se mantém com o nariz fora d’água Porque os mercados financeiros estão sendo pressionados pelos Estados Unidos a manter o seu valor, através da impressão desenfreada de suas próprias moedas para comprar dólares. Para que isso se mantenha, uma grande parte do mundo está sendo corroído pela inflação. Quando todo mundo finalmente abandonar essa política insana e correr para o ouro, a China estará com tudo.

Um dos conselheiros do presidente Putin, Sergey Glazyev, já disse ao presidente russo que apenas uma aliança que faça com que o US$ (dólar dos EUA) perca seu valor pode fazer cessar as agressões de Washington. Esta é, há muito tempo, a minha própria opinião. Não haverá, não pode haver paz enquanto os EUA puderer continuar imprimindo dinheiro para financiar mais guerras.

Como já disseram os governantes chineses, está na hora de “desamericanizar o mundo”. Os líderes dos EUA falharam completamente com o mundo, produzindo nada mais que mentiras, violência, morte e a promessa de mais violência.

Os Estados Unidos são excepcionais apenas na medida em que Washington, sem qualquer remorso, destruiu em parte ou no todo, sete países apenas neste começo do século 21. Enquanto a liderança em Washington não for substituída por líderes mais humanos, a vida na Terra não tem futuro.

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EUA querem incendiar a “mudança de regime” na Síria

Vladimir Putin

Comentário na rede Xinhua chinesa, em meados de abril, que previa que as diferenças entre EUA e Rússia em torno da Ucrânia não se resolveriam “em pouco tempo” está-se revelando muito acertado e presciente. A declaração do presidente Vladimir Putin na 2ª-feira (23/6/2014), em que acolhe com simpatia o cessar-fogo anunciado por Kiev, pode e deve ser visto como inteligente tentativa para “desescalar” a crise, mas Washington absolutamente se recusa a ver as coisas por esse prisma.

De fato, Washington ridicularizou o movimento de Putin. A representante permanente dos EUA na ONU, Samantha Power, falou em tom de pouco caso sobre a declaração de Putin durante discussão sobre a Ucrânia no Conselho de Segurança na 3ª-feira (24/6/2014); chamou-a de “pequena retórica de reconciliação” desmentida pela ação em campo.

Dois dias depois, de Paris, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, praticamente deu um ultimato a Moscou. Disse que “é crítico para a Rússia mostrar nas próximas horas, literalmente, que estão se mexendo para ajudar a desarmar os separatistas, encorajá-los a desarmar-se, exigir que deponham armas e comecem a ser parte de um processo político legítimo”. Kerry “avisou” que outra rodada de sanções está à espera, a menos que Moscou “seja rápida” [Negritos MK Bhadrakumar].

Explicação plausível para esse surto de linha-duríssima poderia ser que os EUA estariam fazendo o “policial durão” (enquanto a Alemanha faria o “policial bonzinho”). Mas a Ucrânia é tema grave demais, para ser reduzido a esse tipo de tolice.

Cada dia mais claramente o que se está vendo é que os EUA não têm interesse algum em solução que surja “em pouco tempo”, como a rede Xinhua previu. E por que não? Um fator é que sem a plena e empenhada cooperação da Rússia é impossível estabilizar a Ucrânia; mas por que a Rússia cooperaria numa empreitada que pode levar a Ucrânia a ser admitida nas fileiras da União Europeia e da OTAN?

Dito de outro modo, o governo Obama está “exigindo” que o Kremlin rasteje ajoelhado, sabendo perfeitamente que isso jamais acontecerá. O mais provável, portanto, é que os EUA estejam antevendo que a situação da Ucrânia só pode piorar. O cenário pode ser que o presidente Petro Poroshenko ordene ataque total contra o leste da Ucrânia, imediatamente depois de esgotado o prazo do cessar-fogo, nesse final de semana; é ação que provavelmente fracassará, e todas as posições em campo só endurecerão ainda mais.

Mas... pode haver método na loucura de Obama. Considere-se o seguinte. Interessa a Washington que Moscou se envolva, pelo maior tempo possível, na Ucrânia. O pantanal eurasiano impedirá que a Rússia tenha presença ativa em outras regiões – como, por exemplo, na Síria.

Afinal, parece que não errei muito quando escrevi, no início da semana, em meu blog, que Obama tem esperanças de “resolver” o Iraque e também a Síria. Há notícias de que Obama apresentou ao Congresso proposta para armar rebeldes sírios. A lógica de Obama, como escrevi, é que Síria e Iraque seriam um mesmo poço, onde nadam os mesmos peixes.

É verdade que, sim, Síria e Iraque são questões interconectadas (e esse era também provavelmente o objetivo geopolítico dos países que apoiaram o Estado Islâmico do Iraque e Levante, ISIS/ISIL). Mas a parte realmente chocante é a argumentação de Kerry, como noticiada, segundo a qual os EUA nada teriam contra rebeldes sírios combaterem contra o ISIS/ISIL no Iraque, além da ardilosa “afirmativa” de que a tribo do líder do ISIS/ISIL, Ahmad al-Jarba também se estende até o Iraque. Jarba, como se sabe, é protegido dos sauditas.
Ahmad al-Jarba, do ISIS/ISIL com John Kerry (14/1/2014)

Em resumo, os EUA estão conseguindo envolver no conflito do Iraque, rebeldes sírios apoiados pelo sauditas. Dito de outro modo, os EUA e seus aliados do Golfo ampliarão o conflito sírio, para incluir nele também o Iraque. É a atual crise iraquiana, sendo “acrescentada” à grande estratégia.

A viagem de Kerry, hoje (28/6/2014), à Arábia Saudita trará mais informes sobre o que está acontecendo. Antes de ir a Jeddah, Kerry esteve com o ministro saudita de Relações Exteriores, príncipe Faisal al-Saud em Paris, depois de confirmar que os franceses estão “na jogada” da próxima saga Síria-Iraque. Faisal é linha-dura contra Síria (e Irã). Há notícias também de que o príncipe Bandar voltou repentinamente à liça. Viajou recentemente com o rei Abdullah, ao Cairo.
John Kerry e Saud al-Faisal em 27/6/2014

O que está fartamente claro é que a agenda de EUA-sauditas, de “mudança de regime” na Síria, voltou ao centro do palco. Claramente Putin terá de disputar palmo a palmo a Síria. Mas como poderá abandonar a Ucrânia, tão vital para os interesses russos de longo prazo, para se dedicar outra vez à Síria? Obama sentiu que teria chegado a hora de levar a agenda de “mudança de regime” na Síria até a conclusão. A “audácia da esperança” de Obama é de tal ordem, que ele espera conseguir vencer o jogo de xadrez na Síria e na Ucrânia.

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Iraque: “Duas análises curtas numa análise longa” − por Mindfriedo

(1) A queda de Mosul foi boa para os milicianos xiitas?

Até o início de 2014, os EUA vinham pressionando Maliki para que “contivesse” as milícias xiitas. O argumento era que os xiitas poderiam desestabilizar o próprio governo; que eram aliados do Irã; e que estavam acumulando experiência de combate na Síria. O governo do Iraque formou brigadas, como “Lobo” (comandada por Abu al-Walid, comandante combatente em Tal Afar), “Tigre” e “Escorpião”, para conter a ameaça que aquelas milícias xiitas poderiam ser – mas, sobretudo, como uma ferramenta para manter organizados os sunitas.

Abu al-Walid

Outras medidas incluíram fechar a fronteira do Iraque com a Síria e suspender voos diretos. Essas duas medidas pareceram visar aos jihadistas sunitas, mas visavam de fato a conter o fluxo de combatentes xiitas. Maliki tampouco ficou muito satisfeito com essas medidas. E a segunda não passou de gesto simbólico do governo iraquiano, porque os voos entre Irã e Damasco prosseguem normalmente. A ameaça dos EUA, de criar uma zona aérea de exclusão sobre a Síria, visava a tentar impedir esses voos. Os voos de vigilância aérea sobre o Iraque e a ocupação pelos jihadistas da fronteira Iraque-Síria visam exclusivamente a tentar deter o fluxo de combatentes xiitas.

O envio de norte-americanos para o Iraque, depois da queda de Mosul, visa principalmente a monitorar os xiitas, muito mais que os sunitas.

Os norte-americanos conhecem as revoluções sunitas e sabem como inverter a ganga. Mantêm contatos com anciãos sunitas e com ex-Ba’athistas que podem usar para “domar” qualquer insurgência sunita. O problema dos EUA são os xiitas, que eles absolutamente nunca conseguiram controlar. O que você não controla sempre o amedronta.

Os EUA estavam também interessados em usar clérigos xiitas moderados, como Sistani, para conter o ímpeto dos grupos de jihadistas xiitas. Mas isso mudou, agora, em certa medida. A conclamação de Sistani às armas foi a melhor tática para aumentar o recrutamento que as milícias xiitas poderiam ter esperado. Sistani disse especificamente que os jovens deviam alistar-se no exército. Os jovens captaram a mensagem de que devem lutar, mas alistaram-se nas milícias xiitas. Os jovens não são bobos e sabem quem vence e quem perde guerras por ali.
Área de atividade do ISIS/ISIL/DAASH

Agora, o governo iraquiano está confiando naquelas milícias para conter o ISIS/ISIL/DAASH. O governo iraquiano não restringirá o treinamento de combatentes no Irã, nem o livre fluxo deles entre Síria e Iraque; e se oporá a qualquer pressão, pelos EUA, para fechar aquele fluxo. É o que se pode ver nos elogios que Maliki fez aos ataques aéreos sírios no Iraque, aos quais normalmente qualquer primeiro-ministro teria de opor-se.

Diferentes dos combatentes sunitas do ISIS/ISIL/DAASH (chechenos, afegãos, sauditas, marroquinos, europeus, etc.) os combatentes xiitas são predominantemente árabes, do Iraque e do Levante que o DAASH tanto quer “salvar”. Os árabes sunitas e as tribos sunitas estão aliados ao DAASH por conta de um sentimento de terem sido deixados de fora (em parte, efeito da propaganda; em parte, frustração genuína). Mas essa é dificuldade com a qual terão de viver. O poder que um dia tiveram, hoje, já não têm e ele não voltará. Quanto mais lutarem, mas Bagdá se converterá em cidade xiita e maior será a frustração dos sunitas. Muitos dar-se-ão conta disso; mas alguns continuarão cada dia mais radicais, por ação da propaganda saudita.

Enquanto isso, as milícias se converterão nos novos Fremen contra os Sadukar (DAASH) do Império (anglo-sionista), à espera de seu Muad'Dib (Mahdi). [1]

O duro, difícil ambiente do Iraque e a ameaça que cresce contra as milícias xiitas as manterão sempre alertas e atentas, sempre em estado de prontidão, mais bem treinadas e mais fortes a cada dia, aprendendo valiosas lições que só a luta ensina e superando o DAASH sunita em habilidades, talento, profissionalismo e moral.

(2) Milicianos xiitas são mais “ferozes” que sunitas (wahhabi)?

Uma velha piada do tempo colonial. Os britânicos queriam formar uma brigada muçulmana. Perguntaram aos muçulmanos: quais de vocês são os mais ferozes? Os muçulmanos, meio sem entender a pergunta dos “Tommys” responderam: “nossos açougueiros são ferocíssimos”. E os britânicos organizaram a brigada de muçulmanos açougueiros ferozes.

Quando os combates começaram, os açougueiros não punham o pé fora das trincheiras. O comandante “Tommy” berrou: “Por que não avançam? Vão à luta!”.

E o kassab [açougueiro] respondeu: “Ah, meu amigo, amarre eles e traga até aqui, que nós cortamos em pedaços!”.

Eis os combatentes do DAASH: açougueiros para aterrorizar os cordeiros.

Ontem assisti a vídeos dos jihadistas. Nada agradável, mas necessário.

Em primeiro lugar, o profissionalismo:

Fuzil AKM típico

Toda e qualquer milícia xiita que combate na Síria é militarmente bem organizada. Têm brigadas; as brigadas têm batalhões de lança-foguetes, fogo de morteiro e grupos de assalto. Cada milícia tem uniformes limpos e insígnia. Sabem trabalhar numa estrutura de comando, às vezes sob ordens do exército sírio. As armas usadas são quase idênticas. AKMs, AMDs, PMKs, SVDs, lança-morteiros de mão e RPGs (quase idênticos).
Arma anti-blindados

Os militantes sunitas/wahabbistas são ‘'ferozes'’, mas operam sem qualquer organização militar, sem uniformes, sem equipamento militar padrão. O Exército Sírio Livre é mais profissional e tem alguma estrutura. Mas os jihadistas são só confusão e profissionalismo zero. É o que se vê também na dificuldade do DAASH para controlar os próprios aliados, com brigas internas por qualquer pequena diferença, incapacidade para impedir que os milicianos cometam atrocidades (que, às vezes, são usadas como tática), e a incapacidade para lutar de modo sustentado em qualquer tipo de confronto.
A propaganda: 

Pode não parecer óbvio para todos, mas os combatentes xiitas são levados à luta por algo que amam e prezam muito, i.e., o Ahlul Bayt [o “Povo da Casa” ou a “Família da Casa” (do Profeta)]. Os wahabbitas, por sua vez, em praticamente tudo que fazem, são movidos por ódio: ódio dos valores ocidentais, dos santos, dos xiitas, dos cristãos, dos judeus, de tudo que, para eles, é necessariamente sujo e corrompido.

A propaganda jihadista é baseada numa mensagem puritana. Exige que o sunita abra mão de um sistema de crenças que ele conserva há gerações (embora muitos sunitas pareçam estar-se separando, de antigos conceitos do Walis [Aquele em que se crê] e Wasilah [os meios de acesso a Deus], mais depressa do que uma stripper, de seus panos “modestos”). Os xiitas, por outro lado, estão convocados a trabalhar a favor de algo em que sempre acreditaram e acreditam.

Grupo etário:

Muitos jihadistas são homens jovens. Muitos morrem jovens. Mas rápida pesquisa na internet mostrará que a idade mínima para a iniciação de um combatente DAASH é dez anos. Entre os xiitas, exceto no caso dos escudos humanos de Khomeini, a idade mínima nunca foi inferior a 18 anos; e a idade média dos combatentes xiitas é 22 anos.

Suporte financeiro:

Nesse quesito os xiitas sempre perderam, desde os primeiros dias do Islã. Os sunitas conservaram para eles toda a riqueza e marginalizaram os xiitas. O Iraque pode alterar esse desequilíbrio. A riqueza do petróleo do Iraque e do Irã xiitas pode em breve ultrapassar a da Arábia Saudita. Mas, por hora, ricos, só os sunitas. As sanções contra o Irã têm o objetivo de criar dificuldades específicas, que impeçam o enriquecimento do país.

Propaganda:

É estranho que os vídeos do DAASH sejam praticamente sempre, horrendos. E os mesmos vídeos que são usados pelo DAASH ou pela al-Qaeda para recrutar novos seguidores-milicianos, são usados também pelos seus inimigos (seres humanos racionais) como contrapropaganda. Os vídeos de milícias xiitas jamais mostram atrocidades. Na maioria dos casos são centrados no culto do martírio. Os norte-americanos tentam super noticiar alegadas atrocidades que teriam sido cometidas por milícias xiitas; mas não funciona, porque os xiitas não acreditam em nada que lhes venha de fonte norte-americana.

Dois exemplos recentes de efetividade em combate:

(1) A retomada de Beirute pelo Hezbollah, em maio de 2008. Os homens de Hariri não aguentaram nem as primeiras sacudidas. Mas, sim, concordo: Beirute não é Trípoli. Contraexemplo, aqui, poderia ser Mosul. Mas Beirute é cidade mais misturada e complexa; e Mosul é, mais, uma cidade sunita baathista. Além do mais, a retomada de Beirute foi ação militar; e Mosul só foi tomada porque houve uma traição e colusão pré-combinadas. E
A vitória do Hezbollah e do Exército Sírio em Qusayr em 2013

(2) outro exemplo foi Qusayr em 2013. Jihadistas entrincheirados, com total apoio de estados árabes, da Turquia e do Ocidente, quebraram as próprias fileiras e fugiram. O Hezbollah pagou preço alto; e a Síria pulverizou quase toda a cidade de Qusayr; mesmo assim permanece o fato de que os jihadistas desertaram e fugiram. Para compreender, basta comparar esse quadro e Bint Jabil em 2006. Forças no mínimo iguais ou muito superiores, se se considera o arsenal à disposição de Israel e contra o Hezbollah; e o Hezbollah literalmente pôs Israel em fuga; o Hezbollah humilhou Israel. Por onde Israel deixa uma via de fuga, mais combatentes unem-se à luta.
A derrota de Israel para o Hezbollah em Bint Jabil em 2006

Importante, também, a autoavaliação que o Hezbollah produziu, do próprio desempenho (criticaram dois dos próprios comandantes, porque estavam no mesmo local, à mesma hora).

Qusayr realmente assustou o Império Anglo-sionista. A queda de Mosul os está petrificando de medo.

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