quinta-feira, 31 de julho de 2014

MASSACRE EXTRAI CHORO E IRA NA ONU CONTRA EUA

Palestina − A lógica da violência israelense

Blindados de Israel invadem Gaza
A violência dos israelenses não é “sem sentido”: ela segue uma lógica colonial.

Entende-se que, para muitos, as ações de Israel na Faixa de Gaza sejam massacre e carnificina como tais. É interpretação plausível para a matança de 1.284 palestinos, pelo menos 75% dos quais são civis, e ferir outros 7.100.

Ver Israel como dedicado a derramamento gratuito de sangue parece até mais razoável, como conclusão, à luz do massacre de 63 pessoas em Shujaiya depois de “uso extensivo de fogo de artilharia em dúzias de áreas populosas em toda a Faixa de Gaza” que deixou cadáveres “espalhados pelas ruas”, ou o bombardeio de abrigos da ONU abertos para acolher os que fugiam da violência. É conclusão também tentadora, baseada em relados de Khuza’a, área no interior do território da Faixa, e que também foi cenário de mais um massacre pelos israelenses.

Mas descrever essa violência como ‘'maldade em si'’, como ‘'perversão'’ ou como ato sem outro objetivo além do assassinato em si deixa escapar a própria lógica que preside tudo que Israel está fazendo com sua Operação Linha de Proteção, agora, mas que de fato faz há muito tempo, ao longo de toda sua história.

Como diz Darryl Li, em A Solução Nenhum Estado,

“Desde 2005, Israel vem desenvolvendo um experimento raro, talvez sem precedentes, de gestão colonial na Faixa de Gaza”, procurando sempre “isolar os palestinos de qualquer contato com o mundo exterior, torná-los absolutamente dependentes da caridade externa” e, simultaneamente, cuidar de “absolver Israel de qualquer responsabilidade em relação a eles”.

Essa estratégia, prossegue Li, é o modo pelo qual Israel trabalha para manter maioria de judeus nos territórios que controla, de modo a poder continuar a negar direitos iguais para o restante da população.

Gaza - escola da ONU, aulas sob escombros
Suprimir a resistência palestina é crucial para o sucesso do experimento israelense. Mas há um corolário, a saber, uma interação cíclica entre o colonialismo israelense e o militarismo norte-americano.

Como explica Bashir Abu-Manneh, há uma relação entre o imperialismo norte-americano e as políticas sionistas.

Políticos norte-americanos creem que uma aliança com Israel ajuda os EUA a controlar o Oriente Médio. Assim sendo, os EUA viabilizam o colonialismo e a ocupação israelenses, o que, por sua vez, cria contextos para mais intervenções dos EUA na região, que podem ser usados para tentar aprofundar a hegemonia norte-americana.

O autor diz também que “os EUA têm determinado grandes resultantes econômicas e políticas” na região desde, pelo menos, 1967, e que Israel desempenha “papel crucial nas realizações norte-americanas. Em Israel-Palestina, o que se tem é que a força e uma paz colonial alternaram-se como principais instrumentos de política”. Mas, em todos os casos, permanece sempre “o mesmo objetivo, constante: a supremacia dos judeus na Palestina – o máximo possível de terra, com o mínimo possível de palestinos sobre ela”.

O que os dois analistas, Li e Abu-Manneh destacam é a preocupação de Israel com manter os palestinos em estado de impotência. Conduzida simultaneamente por sua própria agenda de ocupação com colonização e por sua função como parceira dos EUA no sistema geopolítico, Israel dedica-se a tentar equilibrar (I) seu desejo de maximizar o território que controla e (II) o imperativo de minimizar o número de palestinos vivos nos territórios que Israel aspira a usar para seus próprios objetivos.

Israel destrói a infraestrutura da Palestina
Um modo de destruir qualquer sinal do poder dos palestinos tem sido deixado bem à vista na Operação Linha de Proteção, durante a qual a violência dos israelenses foi aplicada a detonar quaisquer sinais da independência palestina – daí a conclamação que fez o ministro da Economia, Naftali Bennett, para “derrotar o Hamás”.

Resultado disso tudo, é que os palestinos não estão expostos exclusivamente à violência mais extrema. Também a capacidade de os palestinos viverem autonomamente na Palestina histórica tem sido atacada. A destruição da infraestrutura no recente ataque contra a única usina de produção de eletricidade de toda a Faixa de Gaza é sinal bem claro disso. O massacre-crime israelense em curso não põe fim só à vida de indivíduos palestinos, mas também visa a arrancar dos palestinos como povo a capacidade de viver independentemente em sua terra tradicional histórica.

Quando nega aos refugiados o direito natural protegido por lei de retornar, Israel deixa ver abertamente a tática de que se serve para manter o quadro demográfico com que sonha, criando condições inóspitas para a existência autônoma dos palestinos; ao mesmo tempo, a mesma tática também pode assegurar a Israel “o máximo possível de terra, com o mínimo possível de palestinos sobre ela”. 

A violência regida por essa lógica não é exclusividade do sionismo. É traço central no colonialismo e tem paralelo histórico, por exemplo, na Trilha das Lágrimas nos EUA ou no Canadá, com a limpeza étnica das planícies mediante o processo de provocar premeditadamente grandes fomes entre os povos nativos. A Operação Linha de Proteção, dos israelenses, hoje, é ação desse tipo.

Hospital de El-Wafa - atacado por míssil de Israel em 11/7/2014
Impedir que um povo proveja a própria sobrevivência é um meio de sabotar a capacidade de viverem autonomamente. Esse é o sentido do ataque de Israel contra 46 barcos pesqueiros de Gaza, ou dos ataques do 16º Dia da Operação Linha de Proteção contra as áreas plantadas no norte da Faixa de Gaza, na cidade de Gaza, na Faixa de Gaza Central, em Khan Yunis e em Rafah. Assim é que se tem de entender que Israel tenha-se dedicado a destruir 2/3 dos moinhos de trigo de Gaza, e unidades que produziam ração para 3.000 animais (para nem falar dos animais cuja morte também foi provocada). Assim é que se deve interpretar o que a Dra. Sara Roy, de Harvard, descreve como deliberada destruição de longo prazo e o desmanche da economia da Faixa de Gaza,ações que, a menos que haja aumento considerável na ajuda oferecida pelo Alto Comissariado para Refugiados da ONU, provocarão fome em massa.

Impedir absolutamente que os palestinos promovam a própria sobrevivência e de suas famílias é também roubar-lhes a capacidade de funcionar por conta própria. Essa é uma das implicações de “drogas psicotrópicas para pacientes de doenças mentais, trauma e ansiedade” terem desaparecido dos estoques de medicamentos e de o hospital de Shifa;

(...) precisar com urgência de neurocirurgiões, anestesiologistas, cirurgiões plásticos e gerais e ortopedistas, além de 20 leitos para UTI, uma máquina digitalC-ARM para cirurgias ortopédicas, três mesas de cirurgia e sistema de iluminação para todas as cinco salas cirúrgicas.

Essa é a ação – como dizem os Médicos sem Fronteiras, em conclamação para que Israel “pare de bombardear civis cercados em locais sem saída” – que já matou dois paramédicos e feriu dois outros, quando tentavam resgatar feridos de Ash Shuja’iyeh. Essa é a implicação de Israel ter destruído 22 instalações de atendimento a doentes e feridos, inclusive pelo menos umataque direto contra o hospital al-Aqsa e a destruição do hospital o hospital de reabilitação el-Wafa, que foram atacados dias seguidos, várias vezes.

Israel destrói Mesquitas e centros de refugiados
Esses ataques a hospitais foram causa de uma carta aberta publicada num dos mais prestigiosos periódicos médicos do mundo, The Lancet, na qual 24 médicos e cientistas relatam ter ficado

(...) horrorizados ante o massacre de civis em ações militares em Gaza, disfarçadas como se fossem ações para punir terroristas, massacre que não poupou ninguém, inclusive pacientes em cadeiras de rodas, em camas hospitalares e em leitos de doentes em hospitais.

Ataques a instituições religiosas, traço que se vê em todos os projetos de ocupação com colonização, são outro modo de interferir na independência dos palestinos. 88 mesquitas de Gaza foram danificadas, o que equivale a dizer que foram danificados 88 pontos nos quais as comunidades gazenses reuniam-se e tinham contato entre elas.

O ataque de Israel contra a cultura palestina também deve ser compreendido como ato de violência contra os palestinos como povo. As culturas não são estáticas e vivem processo infinito de construção, desconstrução e reconstrução das próprias narrativas, de tal modo que os grupos se autocompreendem como específicos e são compreendidos como tais por membros de culturas diferentes.

A capacidade de um povo para contar suas próprias histórias sobre eles mesmos é aspecto chave de sua existência autônoma. Impedir a capacidade de os palestinos desenvolverem essas práticas e respectivas narrativas é mais um crime de Israel, quando destrói a casa do poeta Othman Hussein e a casa do artista Raed Issa; quando mata o cameraman Khaled Reyadh Hamadem Shujaiya e Hamdi Shihab, motorista da agência de notícias Media 24 de Gaza; quando ataca jornalistas falantes de árabe da al-Jazeera e da BBC; ou quando destrói o prédio onde funcionava a rádio Sawt al-Watan.

Israel destruiu a casa do poeta Othman Hussein 
Minar a capacidade de um povo educar os seus jovens, treiná-los para trabalhar e ensiná-los a pensar criticamente é mais um meio para minar a possibilidade de existência independente. Por isso Israeldestruiu completamente ou em parte, 133 escolas palestinas.

Ao mesmo tempo em que destrói instituições culturais e educacionais para impedir que os palestinos reproduzam-se culturalmente, Israel promove matança em massa de 229 crianças palestinas, com 1.949 outras crianças feridas; é o meio mais claro, e mais horrendo, de literalmente cortar a capacidade de os palestinos continuarem a existir como grupo. É o significado deIsrael ter traumatizado 194 mil crianças, dependentes hoje de assistência psiquiátrica. É o significado também de Israel racionar o atendimento a “cerca de 45 mil grávidas na Faixa de Gaza, das quais 5 mil foram desalojadas”.

Israel impede também diretamente a vida dos palestinos quando destrói ou danifica gravemente as residências de 3.695 famílias palestinas, e cria condições nas quais se torna virtualmente impossível levar avante as atividades do dia a dia que dão forma à continuidades de outras gerações. Israel é causa hoje de 1,2 milhão de palestinos “não terem acesso, ou só terem acesso limitado a água e a serviços de esgoto, devido a danos no sistema de eletricidade ou falta de combustível para fazer funcionar geradores”.

Todos nós, cidadãos de estados que ajudam Israel a fazer o que faz, temos de forçar nossos governos a parar de colaborar com Israel. Enquanto não conseguirmos que parem, todos nós somos responsáveis por essa horrorosa violência lógica – que Israel “explica” todos os dias.

Redecastorphoto

Rússia pode construir seus próprios ‘Mistral’, diz Rogozin

sebastopol
O Vice-primeiro-ministro Dmitry Rogozin, disse na quarta-feira que as últimas sanções americanas demonstram medo por parte dos adversários da Rússia, e que a Rússia pode construir seus próprios navios de guerra Mistral,se a França não entregar os dois navios.
Na terça-feira, os EUA anunciaram uma nova rodada de sanções que visam, entre outras coisas, a Rússia United Shipbuilding Corporation, um conglomerado que controla a indústria de rede de empresas de construção naval da Rússia. As sanções, que são destinadas a punir a Rússia sobre seu suposto envolvimento na crise Ucrânia, vai congelar quaisquer bens do construtor naval nos Estados Unidos e proíbe todas as operações norte-americanas com ele, informou a Reuters.
“A decisão de Obama de impor sanções contra a Rússia United Shipbuilding Corporation é um sinal claro de que a construção naval militar russa está se tornando um problema para os inimigos da Rússia”, disse Rogozin no Twitter.
Vladivostok na DCNS - Foto: Bernard Prezelin
Vladivostok na DCNS – Foto: Bernard Prezelin
Depois Rogozin disse à RIA Novosti que a Rússia poderia construir seus próprios navios de assalto anfíbio da classe Mistral, se a França se negar a honrar o acordo no valor de € 1.200.000.000 (U$ 1,7 bilhão), que os dois países assinaram em 2011. Sob o acordo, cabe a França a construção de dois navios da classe com a participação de engenheiros russos, que mais tarde iria construir mais dois navios na Rússia.
A França já construiu o primeiro navio, o Sevastopol, e é previsto entregá-lo à marinha russa até o final do ano. O segundo navio, o Vladivostok, será entregue no final de 2015 ou início de 2016.
Outros governos ocidentais pediram a França para não entregar os navios, em meio a tensões crescentes na Ucrânia, mas Paris não tem mostrado até agora nenhuma disposição para ceder à pressão.
O crescimento naval da Rússia está atingindo seu auge, com 50 novos navios de guerra programados para se juntar à frota até o final do ano, enquanto vários novos submarinos estão sendo construídos como parte de um programa de rearmamento militar de U$ 700 bilhões dólares americanos até 2020.
TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Defesa Aérea & Naval
FONTE: The Moscow Times

[VÍDEO] Confrontos entre as Brigadas de Al-Qassam e as IDFs em Beit Hanoun

Os EUA acusam a Rússia de violar um tratado da Guerra Fria!


Excelente reportagem transcrito do El País para o Blog Sempre Guerra!

As disputas entre Washington e Moscou, antigos rivais da Guerra Fria, se acumulam a cada dia. O Governo Obama acusa a Rússia de violar um tratado firmado em 1987 pelo então presidente norte-americano Ronald Reagan e pelo líder soviético Mikhail Gorbachev, que proíbe testes com mísseis de médio alcance. As simulações que Moscou teria realizado, segundo Washington, representam “uma questão muito grave” que exigem que ambos os países iniciem um diálogo de alto nível. As relações entre ambos já estão estremecidas por causa da guerra na Ucrânia e por uma escalada diplomática que tem ecos de tempos passados.

Um funcionário da Administração Obama, que pediu para não ser identificado, confirmou por e-mail a informação, revelada na noite de segunda-feira pelo The New York Times.

“Os Estados Unidos determinaram que a Federação Russa está violando suas obrigações sob o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês)”, afirmou o representante americano. “Para ser mais específico, o Relatório de Cumprimento de 2014 inclui a conclusão de que a Federação Russa viola as obrigações do Tratado INF de não possuir, produzir ou realizar testes de voo de mísseis de cruzeiro lançados do solo com uma capacidade de alcance de 500 a 5.000 quilômetros, nem possuir ou produzir os lançadores desse tipo de míssil”.

Segundo reportagem do The New York Times publicada em janeiro, os Estados Unidos acreditam que a Rússia começou a realizar esses testes em 2008. Foi a primeira vez que se revelaram as suspeitas, agora formuladas em voz alta.

Ainda de acordo com o jornal norte-americano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comunicou as conclusões a seu homólogo russo, Vladimir Putin, na segunda-feira. O Departamento de Estado pretende publicá-las nesta terça-feira, no já citado Relatório de Cumprimentos, informou a agência Associated Press.

“É um assunto muito grave que tentamos abordar com a Rússia já há algum tempo”, disse o funcionário do Governo norte-americano.

A disputa pelos mísseis nucleares ocorre no momento de maior tensão entre os Estados Unidos e a Rússia nos últimos anos. As relações entre os dois países pareciam bem encaminhadas graças ao reset de 2009, ano em que Obama chegou à Casa Branca. O reset foi uma tentativa de zerar o contador dos problemas bilaterais.

A piora nas relações ficou evidente há um ano, quando a Rússia acolheu Edward Snowden, ex-funcionário dos serviços secretos norte-americanos que entregou a vários jornalistas documentos secretos sobre a espionagem eletrônica realizada por seu país.

A crise na Ucrânia, após os protestos que, em fevereiro, provocaram o fim do governo pró-russo em Kiev e a posterior anexação da Crimeia pela Rússia, atrapalharam ainda mais o relacionamento. Nos últimos dias, a Casa Branca destacou a Rússia como cúmplice obrigatória da derrubada de um avião de passageiros que sobrevoava a Ucrânia, em 17 de julho.

A Casa Branca defende que os rebeldes pró-russos lançaram por engano um míssil contra o avião, mas argumenta que foram os russos que, ao armar e treinar os separatistas no uso desses artefatos, criaram as condições para a tragédia. Os Estados Unidos e seus aliados da União Europeia preparam uma nova rodada de sanções econômicas destinadas a convencer Putin a desistir de ajudar os insurgentes do leste da Ucrânia.

As tensões entre os Estados Unidos e a Rússia por causa de um território europeu evoca em alguns aspectos o embate entre os Estados Unidos e a União Soviética entre o fim dos anos quarenta e 1989, quando caiu a Cortina de Ferro, que dividia a Europa. O tratado de 1987 entre Reagan e Gorbachev foi uma das decisões que contribuíram para enterrar aquele conflito no qual as superpotências se enfrentaram sem trocar nenhum tiro diretamente.

Esse tratado pôs fim a dez anos de discussões, negociações e protestos por causa da instalação, na Europa, dos mísseis soviéticos SS-20 e da réplica norte-americana, os Pershing. O episódio marcou a última etapa da Guerra Fria. Dividiu os europeus, reacendeu o temor de um holocausto nuclear no Velho Continente e deu impulso a movimentos pacifistas e ecológicos que transformaram o cenário político de países como a Alemanha.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução do bloco soviético, os motivos originais para o desarmamento começaram a parecer distantes. Nos anos mais recentes, a Rússia reclamou de que os limites impostos pelo tratado fazem pouco sentido hoje em dia, e defendeu que os mísseis proibidos lhe poderiam ser úteis diante de novas ameaças procedentes dos territórios vizinhos.

“É um pouco difícil entender por que a União Soviética aceitou [o tratado] na época, já que essas armas, em todo caso, têm pouca relevância para os americanos por eles não terem nenhum lugar onde utilizá-las”, disse Putin em um discurso em 2013. “Mas para a União Soviética e para a Rússia de hoje, principalmente levando em conta que alguns de nossos vizinhos estão desenvolvendo armas ofensivas desse tipo, aquela decisão foi, no mínimo, discutível”.

Washington prefere a opção de sentar e conversar com Moscou e conseguir que, no futuro, os russos cumpram o tratado e eliminem as armas “de maneira verificável”, ou seja, provavelmente com inspeções internacionais.

Segundo o citado funcionário do Governo Obama, se a Rússia não cumprir, “os Estados Unidos vão certamente discutir a questão com seus aliados para avaliar o impacto dessa violação russa na nossa segurança coletiva”.

FONTE: El País - http://brasil.elpais.com/brasil/2014/07/29/internacional/1406602273_652820.html

Sempre Guerra

Rússia barra produtos da Polônia por sanções ocidentais


Produtores poloneses de frutas disseram que proibição era política, embora a Rússia tenha negado isso

A Rússia anunciou nesta quarta-feira um embargo à maioria das importações de frutas e vegetais da Polônia e disse que pode estender as restrições ao resto da União Europeia, em sua primeira aparente retaliação pelas sanções do Ocidente impostas no dia anterior por conta da crise na Ucrânia.

Moscou, que compra mais de 2 bilhões de euros de frutas e vegetais da UE por ano, maior mercado de exportação desse tipo de produtos, disse que a proibição se dá por motivos sanitários. Produtores poloneses de frutas disseram que a proibição era política, embora a Rússia tenha negado isso.

A Rússia foi frequentemente acusada no passado de utilizar inspeções sanitárias para restringir o comércio de países com os quais tem disputas políticas. A UE disse estar estudando o anúncio, o qual foi descrito como uma surpresa.

A proibição aconteceu um dia após a União Europeia e os Estados Unidos terem imposto suas primeiras sanções, buscando atingir setores amplos da economia russa, restringindo vendas de equipamentos para os setores de petróleo e defesa e limitando o acesso de bancos estatais a mercados de capitais ocidentais.

Moscou nega as acusações ocidentais de que tenha fornecido armas e apoiado rebeldes que combatem forças da Ucrânia no leste do país. Autoridades russas condenaram as sanções de terça-feira. A pressão por sanções contra os russos aumentou dramaticamente após 17 de julho, quando um avião da Malásia foi abatido em território rebelde com a utilização, segundo Washington e Bruxelas acreditam, de um míssil fornecido pela Rússia.

De acordo com dados da Comissão Europeia, a UE vendeu á Rússia 1,2 bilhão de euros em frutas e 886 milhões de euros em vegetais em 2011, representando 28% das exportações de frutas do bloco e 21,5% de vegetais. Para alguns países da UE, incluindo a Polônia, esses percentuais são ainda maiores.

Ao impuserem ações como essa primeiramente contra a Polônia, que foi parte do bloco soviético há pouco mais de apenas duas décadas, Moscou atinge um dos mais fervorosos apoiadores de maiores sanções contra a Rússia pelo apoio a rebeldes na Ucrânia.

“Nossas restrições não estão ligadas às sanções da UE, porque esta situação (das importações da Polônia) tem se desenvolvido há um bom tempo”, disse o porta-voz da agência de inspeção sanitária russa, Alexei Alekseenko. As restrições serão começadas a partir de 1º de agosto.

Terra

Moscou: EUA sofrerão 'prejuízos reais' por sancionar Rússia

Em nota oficial da chancelaria russa, Moscou também afirma que as novas medidas restritivas irão fazer preço do gás exportado para a Europa subir

O presidente russo Vladimir Putin durante uma cerimônia de premiação em Moscou
O presidente russo Vladimir Putin durante uma cerimônia de premiação em Moscou (Maxim Shipenkov/Reuters/VEJA)
Os Estados Unidos sofrerão "prejuízos" como consequência do novo pacote de sanções econômicas aprovadas contra a Rússia em função da crise na Ucrânia, advertiu nesta quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores russo. "Os prejuízos reais por essa destrutiva e míope política serão claros para Washington", informa uma nota difundida pela chancelaria. Moscou também acusou o governo americano de se "vingar da Rússia por sua política independente" na Ucrânia.
"Já falamos sobre a falta de legitimidade e sobre a falsidade das sanções antirrussas adotadas pelos EUA. Não farão mais do que piorar as relações russo-americanas e deixar um ambiente extremamente ruim nos assuntos internacionais, onde a cooperação de nossos países tem frequentemente um papel-chave", ressalta a nota. Moscou considera que as sanções, sobretudo ao setor de defesa, também buscam dar vantagens competitivas às empresas americanas que rivalizam nos mesmos mercados que a Rússia.
"Observamos elementos claros de concorrência desleal econômica e comercial nas ações dos EUA", denunciou a Chancelaria russa. A Rússia também acusou Washington de tentar fugir das responsabilidades ao jogar sobre Moscou toda a culpa da crise na Ucrânia para "evitar responsabilidades pelo trágico desenvolvimento dos eventos" nesse país. "São o regime de Kiev e seus patrocinadores do outro lado do oceano, e não a Rússia, que têm a culpa do crescente número de vítimas entre a população civil das regiões orientais" da Ucrânia, afirma a chancelaria russa.
União Europeia – As críticas da diplomacia russa também não pouparam a União Europeia (UE). O ministério russo das Relações Exteriores acusou Bruxelas de realizar uma política ditada pelos Estados Unidos. "A política da UE hoje já não está baseada em fatos verificados, mas está ditada por Washington", declarou o ministério em seu comunicado, garantindo que as medidas restritivas são uma prova da "incapacidade da UE de desempenhar um papel autônomo nos assuntos mundiais". Segundo os russos, outra consequência das sanções será o aumento do preço do gás que é exportado para países europeus. "As sanções farão de forma inevitável os preços no mercado da energia na Europa subirem", acrescenta a nota, ressaltando que "colocar obstáculos à cooperação com a Rússia no âmbito energético constitui uma medida irrefletida e irresponsável".
Em uma ação conjunta com a UE, o presidente americano Barack Obama anunciou nesta terça um novo pacote de sanções econômicas contra a Rússia por seu contínuo envolvimento na desestabilização da Ucrânia. Essas sanções se dirigem contra bancos públicos russos e os setores da defesa e petroleiro.


(Com agências Reuters e EFE)
VEJA

Rússia reage às sanções econômicas anunciadas pelo Japão

A Rússia considerou como hostil a decisão do Japão de aplicar sanções econômicas contra o país. Na segunda-feira, 28, o governo nipônico divulgou comunicado, admitindo ter determinado o congelamento dos ativos de personalidades e empresas russas, alegando as tentativas de desestabilização política da Ucrânia e a reincorporação da Crimeia pela Rússia.
A resposta russa foi apresentada em nota oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros, divulgada nesta terça-feira, 29. “O governo do Japão deve se conscientizar de que a introdução de sanções complementares contra a Rússia, em 28 de julho, irá prejudicar, inevitavelmente, todo o complexo de relações bilaterais e fazê-las retroceder. Qualificamos a imposição pelo Japão das chamadas (sanções complementares) em relação à Rússia como um passo hostil e míope, que se baseia no conceito profundamente errôneo das causas reais dos atuais acontecimentos na Ucrânia.”
Por sua vez, o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, agradeceu ao Ministro das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida, a decretação das medidas contra a Rússia. O chanceler japonês respondeu que seu país adotou as sanções complementares contra a Rússia por considerar muito importante a solidariedade entre os países-membros do grupo G7.
Diário da Rússia

quarta-feira, 30 de julho de 2014

AMORIM ESPERA ASSINAR COMPRA DE CAÇAS ATÉ FIM DO ANO

Arte: MD
O governo federal espera assinar até o fim deste ano o contrato para a compra de caçasGripen NG, da fabricante sueca Saab, reiterou nesta terça-feira o ministro da Defesa, Celso Amorim.
Ele disse que receberá nos próximos dias representante do governo da Suécia para discutir detalhes da parceria entre brasileiros e suecos para a aquisição das aeronaves, anunciada ano passado após um longo processo que teve início ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Está tudo correndo normalmente e a previsão é que o contrato possa ser assinado no final do ano", disse Amorim à Reuters, reiterando previsão feita na época do anúncio da escolha pelo caça sueco.
“Vou ter um briefing nos próximos dias sobre todos os aspectos das negociações e a própria ministra da Suécia está vindo para cá”, acrescentou.

O ministro revelou que a previsão é que em 2016 estejam já à disposição da Força Aérea Brasileira (FAB) caças Gripen de segunda mão para serem usados pela FAB até que a entrega das novas aeronaves. A perspectiva de Amorim é que em 2018 possa ser iniciada a fabricação dos novos caças encomendados para a FAB.
“Temos uma negociação que, se não me engano, a partir de 2016 teríamos uns Gripens que não são o que a gente vai adquirir. É algo intermediário e a ideia é que os primeiros Gripens sejam já feitos pelo menos parcialmente no Brasil em 2018”, frisou o ministro da Defesa
Os caças modelo Mirage, que eram usados pela FAB, já foram aposentados depois de anos de uso, mas a Força Aérea tem 56 aviões modelo F-5 remodelados e que foram colocados em uso durante a operação de segurança da Copa do Mundo.

“Os F-5 estão operando e o quanto antes nós tivermos os caças mais modernos, melhor”, disse Amorim.

 
Linha do tempo*
 2001 Comando da Aeronáutica inicia a seleção das empresas ofertantes de equipamento compatíveis com os requisitos definidos. No final do ano, foram selecionadas aeronaves Gripen, F-16, Mig-29, Mirage 2000 e Sukhoi 30
 2003Suspensão no início do ano e retomada em outubro
 2004Com o término de validade das propostas em dezembro, o governo decide preencher a lacuna da desativação dos F-103 Mirage III (prevista para 2005) com a compra de 12 Mirage 2000-C usados da Força Aérea Francesa
 2007Estado Maior da Aeronáutica reinicia o processo de estudos sobre as necessidades de um caça multiemprego
 2008 É constituída a Comissão Gerencial do Projeto FX-2 e ao final do ano são selecionadas as aeronaves F-18 Superhornet (Boeing); Rafale (Dassault) e Gripen NG (SAAB) segundo critérios técnicos, logísticos, de compensação comercial (pacote offset) e de transferência tecnológica para o Brasil
 2009Propostas dos três finalistas são enviadas para apreciação final
 2010Comando da Aeronáutica submete relatório final para decisão do Governo Federal
 2013Brasil decide pela compra do Gripen NG
*fonte:MD/Defesa Net