terça-feira, 31 de maio de 2016

Especialista comenta possibilidade de criar nova base militar russa nas Curilhas


Ilhas Curilhas. Ilha Shikotan.
O desenvolvimento da infraestrutura militar na ilha Sacalina, Curilhas e na zona do Ártico até 2020 será um objetivo nacional prioritário.

Isto foi afirmado pelo comandante do Distrito Militar Leste, coronel-general Sergei Surovikin. Segundo ele, “no âmbito de resolução destas questões, o Ministério da Defesa realizou uma expedição única da Sociedade Geográfica Russa às Curilhas". A sua finalidade é analisar a possibilidade de criação de uma base da Frota do Pacífico na ilha de Matua. O especialista militar russo Vasily Kashin comenta esta declaração à Sputnik.

Há alguns meses que as declarações do Ministério da Defesa russo sobre a possível criação de uma nova base naval nas Curilhas fizeram um grande eco no público. Então, muitos tomaram isso como um desejo de reforçar a presença militar russa nas ilhas, tendo em conta a disputa territorial com o Japão na parte sul do arquipélago. 


Mas, segundo as declarações feitas recentemente pelo comandante do Distrito Militar Leste, o coronel-general Sergei Surovikin, a base será localizada na ilha desabitada de Matua, no meio do arquipélago das Curilhas, a uma distância significativa da área disputada. A ilha já foi examinada por cientistas, que chegaram à conclusão que ela serve para implantar forças navais.

Durante o período de domínio japonês nas Curilhas, Matua, uma pequena ilha — cerca de 50 quilômetros quadrados, foi transformada pelos japoneses em uma fortaleza inexpugnável. Naquele tempo, a Matua era povoada pelo povo indígena dos ainus mas, ainda antes da guerra, eles foram expulsos da ilha pelos japoneses. Desde então, os habitantes da ilha passaram a ser apenas os militares. Na ilha foi estabelecida uma guarnição com milhares de efetivos, foram construídas muitas centenas de metros de túneis subterrâneos, foi construído um grande número de fortificações. Mas, após da entrada da União Soviética na guerra no Pacífico, a guarnição da ilha se rendeu sem luta.

Depois da guerra, a União Soviética permaneceu na ilha apenas com um pequeno número de tropas e de guardas-fronteira. Lá não existia nada comparável com a presença militar japonesa. Depois de 2000, as últimas tropas deixaram a ilha e ela foi deixada sem população permanente. De vez em quando é visitada por viajantes: a ilha deserta está cheia de restos de equipamento militar japonês raro, existem as antigas fortificações, túneis misteriosos e outras coisas notáveis.

É especialmente importante que na ilha japonesa haviam sido construídos três grandes aeródromos com pistas de concreto, que se mantiveram até agora. Perto de Matua fica a pequena ilha de Toporkov – com apenas 1,3 km quadrados. Ela protege uma parte da costa da Matua e permite criar um porto de fácil acesso.

A frota russa terá à sua disposição uma ilha-fortaleza única, com um grande número de fortificações, galerias subterrâneas, quartéis e armazéns e até mesmo coberturas subterrâneas para pequenas embarcações. Os três aeródromos na ilha vão ajudar a manter um grande grupo de aviação, e ter o controlo sobre a área circundante.

Sputnik

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