terça-feira, 23 de agosto de 2016

NeoEUA: Império de Mentiras


Martin Berger,* New Eastern Outlook, NEO


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

A noção de que os EUA são império de mentiras é praticamente indesmentível e autoevidente para quem tenha acompanhado os eventos da década passada. É triste que hoje a maioria absoluta das políticas e os próprios alicerces da chamada "democracia norte-americana" estejam construídos sobre mentiras acintosas.

Nem chega a surpreender que os ditos 'heróis' dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, os nadadores James Feigen, Ryan Lochte, Gunnar Benz e Jack Conger tenham cometido o crime de falso testemunho e inventado que teriam sido assaltados num táxi, quando voltavam à Vila Olímpica. Agora já se sabe que ninguém chegou sequer perto de assaltá-los. Os atletas são sujeitos a julgamento no Brasil pelo crime de falsas acusações, além de estarem sendo acusados de tentarem denegrir a presidenta do Brasil, Dilma Vana Rousseff, que há muito tempo é alvo preferencial de ataques que partem de Washington.

Muito sinceramente, ninguém precisa sequer fingir surpresa, porque os ditos 'nadadores heróis' nasceram e foram criados no mundo de mentiras de Washington, que invade já praticamente todos os aspectos da vida dos norte-americanos. A Casa Branca mente ininterruptamente sobre as incontáveis tentativas para derrubar governos e políticos em geral que não lhe sejam simpáticos em todo o cenário internacional, sempre distribuindo desinformação mediante 'patrocinadores beneméritos' da CIA como George Soros.

O mundo inteiro assistiu à sessão de mentiras ininterruptas protagonizada pelo ex-secretário de Estado dos EUA Colin Powell, enquanto ia exibindo, perfeitamente sério, tubos e mais tubos onde se viam 'substâncias' que, dizia Powell ao Conselho de Segurança da ONU, seriam "provas convincentes e incriminatórias" de que Saddam Hussein do Iraque teria recursos de armas de destruição em massa para atacar os EUA.

Ninguém esqueceu como o renomado jornalista norte-americano, detentor de um Prêmio Pulitzer, Seymour Hersh,desmascarou as mentiras do governo dos EUA sobre o modo como o "terrorista número 1" Osama bin Laden teria sido morto.

O mesmo Hersh também publicou matéria de jornalismo investigativo "Sarín de quem?", na qual demonstra que o governo dos EUA e o presidente Barack Obama pessoalmente mentiram deliberadamente, quando disseram que haveria provas de que o governo do presidente Assad da Síria teria usado gás sarín, em 2013. Divulgou-se que Hersh usou informação que lhe chegara de fontes dentro da comunidade de inteligência dos EUA e do Pentágono. Assim se comprovou que tanto as 'declarações' da Casa Branca quanto a propaganda fraudulenta 'repercutida' como noticiário pela mídia-empresa que nada investigou tinham um único e mesmo objetivo: criar um pretexto para que os EUA invadissem militarmente a Síria e substituíssem o governo de Damasco por subordinados de Washington, assumindo assim total controle sobre o país.

Como se não bastassem essas mentiras, o blog American Thinker observou que:

A candidata dos Democratas que aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto Hillary Clinton cometeu sua segunda mentira em exatos dois dias de campanha, 2ª-feira passada, quando disse que "os EUA não perderam uma única pessoa" na Líbia durante os seus anos como secretária de Estado. Para Hillary Clinton, os quatro oficiais e combatentes não contam. No máximo, foram um inconveniente. Se estivessem vivos seriam problema a ser enfrentado; mas já que estão mortos, podem ser apagados.

Mas, dito bem sinceramente, o que se poderia esperar de gente como Hillary Clinton, quando até o Washington Post põe-se como máquina de repetição de suas mentiras e exibe vídeo ("Hillary mente ininterruptamente durante 15 minutos") recheado das tais "posições mutantes" da candidata. As ideias dela sobre Bósnia, saúde pública, Wall Street, NAFTAmudam incessantemente, porque Clinton crê firmemente que os norte-americanos são incapazes de memorizar informações e fatos básicos ou de relembrar eventos da história recente dos EUA.

Acusando Hillary Clinton de acintosa hipocrisia, o jornal online de mídia independente Counter Punch criou a hash tag#NeverHillary [#HillaryNunca], e disse da mais recente porta-bandeira dos Democratas: "Pessoa desprezível – trapaceira e mentirosa". Disse também que Clinton tinha planos para fixar o salário mínimo em 12 dólares/hora, mas depois que Bernie falou de 15 dólares, com grande sucesso, ela passou a falar nos mesmos precisos 15 dólares. Quando foi pressionada, disse que "gostava" de 15 dólares; mas jamais moveria um dedo para fazer aprovar aquele salário no país. Até hoje, faz sempre, inalteravelmente, a mesma coisa.

O The Baltimore Sun não hesitou ao acusar Clinton de ocultação deliberada de fatos perante o Congresso e também perante a opinião pública nos EUA; observou que o inspetor geral do Departamento de Estado distribuiu relatório semana passada, no qual conclui que Hillary Clinton é mentirosa compulsiva e frequente. O que mais fúria provoca é que nada disso é novidade. Há cerca de um ano, Hillary Clinton convocou uma conferência de imprensa na ONU, com o objetivo de fazer calar as discussões sobre os e-mails assinados por ela que começavam a aparecer. Naquela conferência de imprensa, pode-se dizer que a candidata mentiu em, praticamente todas as frases – observa The Baltimore Sun. O jornal lembra que já sabemos, agora está fazendo um ano, que desde o primeiro dia desse escândalo, Hillary Clinton sempre mentiu.

Com esses 'modelos' expostos na televisão dia e noite, que comportamento se poderia esperar da maioria dos cidadãos norte-americanos, inclusive dos tais 'heróis-nadadores', se até nos mais altos níveis do governo os eleitos e os empregados mentem sem parar, sem vergonha e sem medo de consequências? Chama atenção, talvez, hoje, que esses mentirosos pervertidos estejam sendo promovidos e encorajados dentro do establishment político dos EUA, alçados às mais altas posições do Estado. É como se o poder dissesse aos cidadãos norte-americanos: "Aqui, In lies we trust[Confiamos na mentira, em oposição a In God we trust]. Mentir é nosso símbolo e nossa bandeira. Somos o Império da Mentira."*****


* Martin Berger é analista geopolítico e jornalista independente. Publica na revista online New Eastern Outlook.

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