segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Setor agrícola ucraniano sufocado por integração europeia


Já quase um ano passou desde o início da integração econômica de Kiev com a União Europeia, e foi um ano bem complicado para o setor agrícola ucraniano, escreve o New York Times. Este ramo da economia ucraniana foi extremamente afetado pelas cotas introduzidas pela União Europeia.
Pyotr Poroshenko, presidente da Ucrânia, Bruxelas, em 12 de fevereiro de 2015
Segundo diz o artigo, por várias razões tanto econômicas como políticas, a avicultura acabou por ser o único setor bem-sucedido na Ucrânia após o colapso da União Soviética. 


Para ilustrar isso, a edição cita a empresa Avangard, que produzia bilhões de ovos anualmente, sendo que eles tinham um preço de custo muito mais baixo do que na Polônia ou na Alemanha.


Entretanto, quando o acordo da Ucrânia com a União Europeia sobre o comércio livre entrou em vigor, virou evidente que, apesar de os líderes europeus saudarem a virada ucraniana ao Ocidente, isto não trouxe benefícios à economia do país. "A Europa poderia abrir suas fronteiras mais amplamente", diz o jornal, citando o chefe da Escola da Economia em Kiev, Timofei Milovanov. As cotas para as exportações livres de impostos acabaram por ser muito baixas, dado que a produção agrícola representa 40% das exportações ucranianas. Por exemplo, a cota anual para a exportação de mel à UE é tão pequena que chegou só para um mês e meio, enquanto a dos ovos equivale apenas a 1,5% do volume de produção da empresa Avangard, sem falar das outras empresas, afirma o NYT.

Além de que as portas para a Europa não chegaram a ser abertas, a Ucrânia estragou as relações com a Rússia, o que também desferiu um forte golpe contra o setor agrícola, ressalta o autor do artigo no New York Times.

O ramo foi abalado por uma crise — a Avangard, por exemplo, já perdeu quase 7,5 milhões de galinhas e 7 quintas. Mas como uma desgraça nunca vem só, as exportações ao Oriente Médio, por exemplo, quase pararam devido à situação complicada na região, apesar de que em 2013 os produtores ucranianos exportarem 800 milhões de ovos apenas ao Iraque. Os problemas vão-se agudizando, diz o presidente do Conselho Executivo da empresa Avangard, Oleg Bahmatyuk. "Precisamos de investimentos. Estamos perdendo nossos mercados de exportações. Como país agrícola, estamos decaindo", afirmou. A eleição de Donald Trump como presidente dos EUA provocou incerteza se o país irá ou não continuar apoiando a Ucrânia. Na própria Europa, os acordos de associação com a Ucrânia também são vistos como contraditórios — isto, por exemplo, pode ser provado pelos resultados do referendo que se realizou na Holanda na primavera de 2016. Em geral, as perspectivas do processo de integração parecem mais que nebulosas, resume o autor.

Desde 1 de janeiro de 2016, foi introduzido na Ucrânia o regime do comércio livre com a União Europeia. O comércio entre os países signatários é agora efetuado em conformidade com as tarifas preferenciais limitadas por cotas.

As exportações que superarem estas cotas serão sujeitadas às tarifas comuns. Vale ressaltar que, no âmbito do acordo, a Ucrânia introduziu cotas para os produtos europeus em relação a apenas três tipos de produção — carne suína, carne de galinha e açúcar, enquanto a UE o fez para 36 produtos ucranianos. A Rússia foi obrigada a tomar medidas em resposta que nivelassem os riscos provenientes deste acordo e suspendeu o acordo de livre comércio com a Ucrânia. Até então, todos os produtos ucranianos eram exportados para a Rússia sem ser sujeitos a tarifas de importação.

Sputnik

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