quarta-feira, 12 de abril de 2017

O que irá impedir a guerra nuclear entre Pyongyang e Washington


As autoridades norte-coreanas veem no envio do grupo aeronaval de ataque à península da Coreia uma provocação e estão prontas para tomar medidas de resposta.
O porta-aviões norte-americano USS Carl Vinson
Na declaração do representante da chancelaria da Coreia do Norte foi destacado que a movimentação do grupo aeronaval americano prova as intenções agressivas de Washington e Pyongyang está pronta para aceitar este desafio.


"A República Popular Democrática da Coreia está pronta para reagir a qualquer forma de guerra desejada pelos EUA", acrescentou o porta-voz da chancelaria norte-coreana.

A reação da Coreia do Norte apareceu logo depois de ter sido divulgada a notícia de que grupo de navios, liderado pelo porta-aviões USS Carl Vinson, iria para a proximidade das costas da península da Coreia. Do grupo também fazem parte o cruzador USS Lake Champlain, com mísseis capazes de interceptar mísseis balísticos, e os destróieres USS Wayne E. Meyer e USS Michael Murphy, equipados com sistemas antimísseis Aegis.
Em busca da ameaça nuclear
Em 9 de abril, a agência Reuters informou que o grupo de ataque da Marinha dos EUA zarpará para a parte ocidental do oceano Pacífico, mais tarde se tornou público que o grupo aeronaval largou de Singapura, mas não se dirigiu para a Austrália, como estava planejado, rumando para norte.
Washington explicou isso com a preocupação pela ameaça nuclear e pelo crescente potencial militar de Pyongyang. Rex Tillerson, secretário de Estado dos EUA, assegurou que Washington não planeja derrubar o regime de Kim Jong-un – o que interessa à Casa Branca é a desnuclearização da península da Coreia. De acordo com Tillerson, o programa nuclear da Coreia do Norte "causa preocupações sérias" e Washington "deu a conhecer muito claramente ao regime de Pyongyang que quer o termino deste programa".
A aposta na China
Para alcançar seu objetivo de pôr fim ao programa nuclear de Pyongyang, os EUA apostam nas autoridades chinesas que, do ponto de vista deles, pode influenciar Kim Jong-un.
O mundo político viu no bombardeio da base Síria de Shayrat a tentativa de enviar um sinal à China e demonstrar seu poder e influência não apenas no Oriente Médio, mas também na região coreana. Os mísseis foram lançados exatamente na hora do almoço de Xi Jinping com Trump.
O próprio Tillerson confirmou que o ataque contra Shayrat tem que ser um exemplo para os dois regimes agressivos, mencionando a Coreia do Norte.
“Mas mesmo se descartarmos toda a teatralidade deste cenário, as negociações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte se tornaram uma parte importante da cúpula sino-americana”, escreve Vladimir Ardaev, observador da Sputnik.
Segundo Tillerson, Xi Jinping "concordou que a situação atingiu um novo nível de ameaça" e declarou que "gostaria de apoiar as tentativas para influenciar Pyongyang com o objetivo de mudar sua posição em relação às armas nucleares".
Seul em confusão
A reação da Coreia do Sul revela que o país tem sentimentos dúbios. O país está dividido entre dois pontos de vista diferentes.
"O posicionamento do grupo aeronaval mostra uma atitude séria dos EUA perante a situação na península da Coreia e se destina ao reforço da capacidade de defesa", disse na segunda-feira (10) Mun San-gyun, representante do Ministério da Segurança Nacional da Coreia do Sul. 
Mun San-gyun também admite que o Norte possa fazer alguma coisa inesperada por ocasião do aniversário de Kim Il-sung, celebrado em 15 de abril.
Hon Yon-phyo, ministro para Assuntos de Reunificação da Coreia do Sul, falou com cuidado sobre o ataque preventivo dos EUA, pressupondo que este é destinado à regulação do problema da Coreia do Norte, mas para o Sul é também muito importante em termos de segurança nacional.
Vladimir Ardaev lembra que a situação política interna na Coreia do Sul, devido ao último escândalo com a presidente que levou ao seu impeachment, fez com que o Partido Conservador perdesse a popularidade e o atual favorito Moon Jae-in, que é contra a implementação do THAAD no país, é partidário firme do diálogo com o Norte e a China. A vitória das forças liberais na Coreia do Sul pode pôr fim aos planos ambiciosos de Washington.

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