sábado, 15 de abril de 2017

Temendo a queda, Judas acelera ‘reformas’


Por Altamiro Borges

A quadrilha que assaltou o poder em Brasília está desesperada. A popularidade de Michel Temer despenca em ritmo acelerado – segundo a mais recente pesquisa Vox Populi, apenas 5% dos brasileiros ainda confiam no usurpador. 
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A economia segue em queda, apesar do discurso otimista da mídia chapa-branca. E a “lista de Fachin” atingiu em cheio o golpista, que “abençoou” as propinas da Odebrecht, segundo um dos executivos da empreiteira. Diante do risco iminente da sua queda – que já é prevista pela imprensa internacional –, Michel Temer tenta acelerar as suas contrarreformas. Ele encara como sendo o único caminho para agradar a elite (ou cloaca) empresarial, que financiou o golpe dos corruptos, e para garantir uma sobrevida à quadrilha moribunda.


Segundo matéria publicada neste sábado (15) no jornal O Globo – um dos principais protagonistas da conspiração golpista –, “os maiores esforços do governo se voltarão para acelerar a votação das reformas no Congresso. Em reunião nos últimos dias, Michel Temer combinou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que eles tentarão aprovar na próxima terça-feira o regime de urgência para tramitação da reforma trabalhista e o projeto que institui o Regime de Recuperação Fiscal dos estados. Também na terça, Temer receberá ministros e parlamentares em café da manhã para apresentação do relatório da reforma da Previdência. A previsão é que o texto seja lido no mesmo dia pelo relator, Arthur Maia (PPS-BA), na comissão especial que trata do caso”.

Ainda de acordo com a repórter Júnia Gama, “auxiliares de Temer dizem que o presidente tem insistido que é preciso estimular o Congresso a continuar seu funcionamento normal, como forma de mostrar que as investigações não vão paralisar o país. ‘Há uma percepção de que é importante para o país o Congresso mostrar vitalidade e essencialidade ao votar na próxima semana. Tem que expressar que, apesar de todas as dificuldades, prossegue funcionando. Isso tudo era esperado. Tem esse impacto todo, mas tem que continuar votando como planejado. É isso que o Executivo estimula’, afirma um interlocutor de Michel Temer. Em uma movimentação que gerou polêmica, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), articula a suspensão do recesso parlamentar, que começa em 17 de julho, para que a proposta de reforma da Previdência possa ser votada antes de agosto”.

Desconfianças do “deus-mercado”

O desespero do Judas é plenamente justificável. Michel Temer sabe que será rapidamente descartado caso não consiga aprovar as contrarreformas exigidas pelo “deus-mercado”. Nos últimos dias, os abutres do capital financeiro inclusive emitiram sinais de que desconfiam da sua capacidade política. Na terça-feira (11), logo após a divulgação da “Lista de Fachin”, a Bolsa de Valores recuou e o dólar caiu. Os rentistas ainda não abandonaram o covil, mas mantém a faca no seu pescoço. “A lista não causou grande surpresa e, por envolver muita gente, deve demorar a ter desdobramentos", atenuou Ignácio Crespo, economista da Guide Investimentos. Mas ele alertou: "A princípio, isso não deve inviabilizar o governo Temer nem a tramitação das reformas”. “A princípio”, enfatizou!

Diante das ameaças já nem tão veladas do “deus-mercado”, Michel Temer ainda tenta mostrar serviço, garantindo que não cederá nas principais maldades contra os trabalhadores. Como apontou o jornalista Bruno Boghossian, em matéria publicada na Folha na quinta-feira (13), “o governo quer acelerar a aprovação da reforma trabalhista para criar uma agenda positiva e mostrar que não está paralisado pela lista de políticos citados nas delações da Odebrecht. A avaliação é de que as mudanças foram bem recebidas na Câmara e entre empresários e especialistas. Assim, o relatório apresentado pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) deverá ter apoio do Planalto”. Esse aparente otimismo, porém, não esconde as dificuldades que o covil encontra na própria base aliada.

Nos últimos dias, o Congresso Nacional empacou. Segundo relato da Agência Brasil, “as atividades previstas nas comissões foram esvaziadas ou canceladas devido à falta de quórum... Pouco antes, a sessão do plenário do Senado foi cancelada pelo presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE). Na Câmara, a maior movimentação pela manhã ocorreu em torno da reunião da comissão especial da reforma trabalhista, onde ocorreu a leitura do parecer do relator sobre a proposta. A liderança do PSOL na Câmara defendeu que os parlamentares investigados na Lava-Jato e que mantêm posição de comando no Congresso devem ser afastados de seus cargos”. Mas o esvaziamento não se deu apenas devido aos impactos da “Lista de Fachin”. Há um princípio de rebeldia na base governista!

Fraturas na base governista

Senadores e deputados que apoiaram o “golpe dos corruptos” já não escondem que estão apavorados com o desgaste causado nas suas bases eleitorais pelas maldades de Michel Temer. Muitos ameaçam abandonar o barco à deriva; outros aproveitam para fazer maiores exigências. Na semana passada, por exemplo, o vice-presidente da Câmara Federal, Fábio Ramalho – do mesmo partido do usurpador – defendeu que o governo retire da pauta a proposta de “reforma” da Previdência. “Neste momento é muito ruim passar qualquer tipo de reforma aqui no Parlamento. Eu se fosse o governo recolhia a da Previdência. É melhor recolher do que perder. E mandaria uma nova reforma discutida com a sociedade. É a melhor maneira de ganhar essa batalha. A sociedade brasileira é toda contra a reforma da Previdência”, afirmou o amedrontado deputado governista.

Já o sinistro deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da “reforma” da Previdência, fez uma proposta indecorosa para seduzir a base rebelde. Ele defende que os parlamentares sejam excluídos das novas regras, que preveem o fim da aposentadoria especial para deputados e senadores eleitos a partir de 2018. Eles passariam a se enquadrar nas regras do chamado Regime Geral da Previdência Social, com idade mínima de 65 anos e teto de aposentadoria de R$ 5.531,31. “Maia afirmou em reunião nesta quarta-feira (12), no Palácio do Planalto, que pretende reverter essa alteração, permitindo que os novos parlamentares contribuam para um regime complementar e recebam aposentadoria proporcional ao tempo de mandato”. Este privilégio deve prejudicar ainda mais a frágil imagem da reforma da Previdência, mas é o preço cobrado pelos governistas para viabilizar a sua aprovação.

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