sexta-feira, 5 de maio de 2017

Poderia Coreia do Norte lançar um ataque nuclear contra EUA a partir de um submarino?


Não está claro como os norte-coreanos pretendem usar seus submarinos de mísseis balísticos. Robert Farley, colunista do The National Interest, analisa as chances de a Coreia do Norte realizar um ataque preventivo contra Japão ou Estados Unidos a partir de um submarino.
Morador de Pyongyang na marginal do rio Taedong
O míssil

Durante os últimos três anos, a Coreia do Norte vem realizando testes de um míssil descrito por analistas ocidentais como KN-11. Estima-se que o alcance do KN-11 é de até 2.500 km, mesmo as versões testadas terem atingido apenas 500 quilômetros.


Enquanto que as primeiras versões do míssil eram de combustível líquido, as mais recentes parecem usar propelente sólido, diz Farley.
Os relatórios indicam que a maioria dos testes foi levada a cabo a partir de navios submersíveis.

Testes mostraram um progresso significativo, e parece provável que os norte-coreanos são capazes de solucionar os problemas técnicos restantes para conseguir um míssil confiável.

A implantação de um míssil deste tipo, mesmo com limitada fiabilidade, complicaria os esforços de defesa antimíssil da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, assim como daria para os norte-coreanos o maior alcance de suas armas nucleares, opina o jornalista.

O submarino

Apesar das afirmações sobre que a Coreia do Norte poderia ter restaurado um dos velhos submarinos soviéticos, não há evidências, observa o autor.

De acordo com Farley, parece que os norte-coreanos construíram um novo navio chamado Sinpo. É um submarino diesel-elétrico de cerca de 1.600 toneladas, capaz de lançar um único míssil balístico a partir de uma lançadeira.
O colunista considera provável que o submarino se aproxime da superfície para lançar o míssil, talvez, de uma profundidade de 10 a 15 metros. Não obstante, a velocidade e o alcance são incertos, acrescenta Farley.

O primeiro submarino Sinpo, que serviu de plataforma para testes de KN-11, poderia ser apenas um protótipo de submarinos maiores que aparecerá em breve, sugere o autor.

A estratégia

Não está claro como os norte-coreanos pretendem usar seus submarinos de mísseis balísticos, diz Farley.

Geralmente, os submarinos de mísseis são mais difíceis de apontar que as instalações de mísseis estacionárias ou aeródromos.

No entanto, a capacidade dos submarinos da classe Sinpo de escapar do porto, perseguição dos EUA, Japão e os sistemas antissubmarino da Coreia do Sul está em grande dúvida, destaca o autor. Inclusive, mesmo se conseguisse escapar, as forças navais dos três países dispõem de instrumentos suficientes para acompanhá-lo e tê-lo na mira enquanto este está em patrulha.


Por outro lado, a Coreia do Norte falha nos requisitos básicos para levar a cabo uma "estratégia de fortaleza", que precisa de uma ampla defesa antiaérea, antissubmarino e antimíssil. As forças navais existentes do país sofreriam uma rápida destruição durante um ataque norte-americano, e os sistemas norte-coreanos não poderiam fornecer condições para que os submarinos operem.

Por último, qualquer submarino de mísseis seria alvo de um ataque preventivo dos EUA contra instalações de mísseis da Coreia do Norte. Dado o alto valor dos objetivos, os ataques provavelmente passarão qualquer defesa portuária e destruiriam os submarinos antes que pudessem lançar suas cargas úteis. Até mesmo um esforço para proteger o submarino através de defesas difíceis (uma caverna, por exemplo), além de limitar o tempo para que o barco lance seus mísseis.

No entanto, em condições de paz, a Coreia do Norte poderia implantar um submarino de mísseis balísticos. Apesar de sua extrema vulnerabilidade, é pouco provável que as forças norte-americanas ou japonesas ataquem o submarino norte-coreano.

sputniknews

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