segunda-feira, 5 de junho de 2017

Rússia 'não admitirá chantagem alimentar à Venezuela pelos grandes Estados imperialistas'


A oposição política venezuelana, apoiada pelos EUA, tem tirado proveito da terrível falta de alimentos no país, usando a crise para desestabilizar a população local. No entanto, a Rússia não admitirá essa "chantagem alimentar" ao país, disse o ministro do Comércio Externo da Venezuela à Sputnik.
Trigo russo
A crise alimentar na Venezuela está sendo aproveitada pela oposição no país, que visa desestabilizar a situação política no país com o apoio aberto, decidido e descarado dos EUA, disse o ministro do Comércio Externo e Negócios Internacionais, Jesus Faria, nas margens do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), que terminou no domingo (4).
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No entanto, segundo disse o ministro, a Rússia não permitirá que os grandes Estados imperialistas chantageiem a Venezuela.
Remessas de trigo russo desempenham um papel-chave na resolução da crise alimentar, disse Jesus Faria.
Os dois países estão desenvolvendo um programa de fornecimento de trigo russo à Venezuela. O trigo permanece o componente principal da alimentação dos venezuelanos, notou o ministro.
Jesus Faria agradeceu à Rússia pela ajuda que presta ao seu país natal em várias áreas.
"É uma ajuda muito importante e uma posição muito decente e construtiva do governo russo para incentivar o diálogo, a coexistência pacífica e o respeito pela democracia em nosso país", disse à Sputnik.
Além disso, o governo venezuelano aprecia positivamente todos os projetos dos quais participa a parte russa. Entre eles, há muitas iniciativas importantes nas áreas da energia e militar.
"Certas companhias russas estão fazendo investimentos em nosso país ligados às áreas militar e da energia e fornecimento de armas para defender a nossa soberania", contou.
Em uma entrevista separada sobre o assunto, Carlos Rafael Faría Tortosam, o chefe da missão diplomática venezuelana na Rússia, disse à Sputnik que Caracas, por sua vez, está considerando a possibilidade de expandir suas exportações de alimentos para a Rússia.
"O que estamos vendo agora é que os países mais pequenos, no que diz respeito ao desenvolvimento econômico, território e população, conseguiram obter acesso ao mercado alimentar da Rússia. Então, acabamos pensando por que é que a Venezuela ainda não fez a mesma coisa", disse o diplomata à Sputnik.
Ele também especificou que o maior elemento nessa cooperação pode vir a ser o fornecimento de frutas tropicais.
"Estamos falando de bananas. As maiores exportações desta fruta são realizadas pelo Equador, um país-vizinho com um modelo de desenvolvimento similar. Podemos exportar mangas e frutas cítricas, como laranjas e tangerinas. A Rússia consome muito suco de frutas tropicais, daí há muitas oportunidades para cooperar", disse Carlos Rafael Faría Tortosam.
A Venezuela também pode fornecer cacau e café de alta qualidade e está interessada em desenvolver as áreas em que a Rússia se especializa, tal como o setor relacionado à floresta.
Além disso, o diplomata sublinhou que a Venezuela tem uma das maiores indústrias metalúrgicas da América Latina.
"Temos planos para desenvolver e expandir as capacidades já existentes dessa indústria. Achamos que a Rússia é um bom candidato para concretizar estes planos através das suas empresas", concluiu Carlos Rafael Faría Tortosam.

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