quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Mão do FBI no 'Russia-gate


Ray McGovern, Consortium News

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

"Além do mais, o tal Russia-gate [como no Brasil o 'processo' inventado de Moro contra Lula] tornou-se tão central no discurso do establishment, que parece já não haver espaço para qualquer revisão ou para desfazer os malfeitos. O ímpeto é tal que alguns Democratas e os grandes veículos da mídia-empresa só fazem soprar mais e mais sobre as mesmas velhas brasas do Russia-gate, na esperança tresloucada de que, ninguém sabe como, o simples alarido acabe por justificar o impeachment de Trump [como CIA fez no Brasil de Dilma, com sucesso notável (NTs)] (...)
Mas o processo sórdido de usar meios legais e de investigação para influenciar resultados políticos, só faz desgastar e comprometer cada vez mais o princípio básico do "Estado de Direito" e a respeitabilidade das mídia-empresas e do jornalismo em geral aos olhos de muitos norte-americanos. Depois de um ano de Russia-gate, o "Estado de Direito" e a "busca da verdade" parecem reduzidos a frases grandiloquentes pintalgadas de latinismos, para mudar o veredito das urnas, processo que os Republicanos e fascistas em geral muitas vezes usaram contra os Democratas e agora parece já ser método universalmente aceito por todos os partidos para castigar adversários políticos, ainda que ninguém consiga encontrar nem um fiapo de prova de coisa alguma" [negritos nossos].

Pronto. Russia-gate já está virando FBI-gate, depois da divulgação oficial de mensagens de texto entre o agente de contrainteligência e língua-frouxa do FBI Peter Strzok e sua namorada muito falante e advogada do FBI Lisa Page. 


Apesar de ter trabalhado como chefe da sessão de contrainteligência do FBI, Strzok teve a ideia ingênua de que mensagens de texto, em telefones do FBI não poderiam ser rastreadas. Strzok deve ter dormido durante a aula "Security 101." Ou talvez estivesse ocupadíssimo trocando mensagens durante a aula. E a namoradinha Page não deve ter gostado de se ter deixado conversar pela ideia dele de que usar os telefones do Bureau seria via segura para levar adiante aquele (e talvez outros) casos amorosos.

Já teria sido desgraça suficiente para Strzok e Page ver expostas as suas juras adolescentes de amor, revelando segredos vãos e o nada vão descaso com os respectivos cônjuges enganados, aos próprios respectivos cônjuges, colegas de trabalho e ao resto do mundo, como nós. Mas, para os incansáveis conspiradores anti-Trump no FBI, a divulgação oficial de apenas uma fração (375) de quase 10 mil mensagens é desgraça e dano incalculavelmente maiores que isso.

De repente, aí estão provas documentais de que elementos chaves da comunidade de inteligência dos EUA tentavam aplicadamente pôr em curto-circuito mortal todo o processo democrático nos EUA. E isso põe em novo contexto, muito mais sinistro, a invenção e promoção, que durou um ano inteiro, do suposto escândalo conhecido como Russia-gate. Agora afinal se vê que não houve russos tentando fazer descarrilar as eleições nos EUA, mas, isso sim, altos funcionários da comunidade de inteligência dos EUA, personagens sinistros e sombrios às vezes chamados de "Estado Profundo".

Espera-se que se divulguem mais mensagens trocadas pela dupla Strzok-Page. E há informes de que o Inspetor Geral do Departamento de Justiça tem outras mensagens de texto igualmente estarrecedoras, sobre outros membros da equipe que o Conselheiro Especial Robert Mueller selecionou para ajudá-lo a investigar o suposto escândalo chamado Russia-gate.

Além de obrigar a demitir Strzok e Page, a divulgação dessas mensagens também foi o derradeiro prego na carreira do vice-diretor do FBI Andrew McCabe, em cujo gabinete a conspiração aconteceu e que já anunciou planos para aposentar-se em breve.

Mas a baixa mais significativa é a morte da campanha, que durou 18 meses, inventada e promovida pelo FBI para sabotar o então candidato e hoje presidente Donald Trump, servindo-se para isso de uma "avaliação" do suposto escândalo "Russia-gate" elaborada pela equipe de inteligência do então presidente Obama, que levou à montagem de um sistema de vigilância eletrônica de legalidade duvidosa e a elaboração de um suspeitíssimo dossiê que de modo algum poderia ter passado pelo primeiro teste para detectar podridões, ao mesmo tempo em que a mesma equipe, servindo-se de procedimentos e técnicas também muito suspeitos, cuidava de 'imunizar' Hillary Clinton e seus conselheiros mais próximos, cujos crimes incluíram mentir ao FBI e pôr em risco segredos de estado.

Ironicamente, os textos Strzok-Page oferecem abundantemente algo que faltou escandalosamente na investigação de Russia-gate: provas de primeira mão de intenção de corromper e de ações corruptas. Depois de meses de frenética 'investigação' em busca de 'provas' de colusão entre Trump e os russos, sem a qual, supostamente, Trump não chegaria à Casa Branca, o que hoje temos é prova indiscutível que de altos funcionários do governo Obama praticaram crime de colusão para impedir que Trump chegasse à Casa Branca – prova do bom velho tipo que os antigos costumávamos chamar de "meios, motivos e oportunidade demonstrados e provados".

Para desgraça ainda maior dos entusiastas do Russia-gate, a correspondência amorosa dos amantes no FBI oferece prova factual, que faz ver a falsidade de praticamente toda a chamada "narrativa da Resistência" – história inventada, da primeira à última linha, pelo The New York Times e por grande parte das empresas de mídia nos EUA, e que envolveria uma suposta ação de espiões russos brilhantemente pervertidos, contra os EUA. Toda aquela 'narrativa' mentirosa, baseada só em boatos e diz-que-disses, imposta ao cidadão norte-americano como se fosse jornalismo, explode hoje diretamente nas mãos e na cara de seus inventores.

Toda a narrativa falsificada de um suposto complô batizado de Russia-gate sempre dependeu da noção absurda de que o presidente russo Vladimir Putin teria adivinhado, há anos, o que nenhum analista político nos EUA ainda considerava impossível na noite anterior às eleições: a ascensão política de Donald Trump. Segundo a narrativa inventada por jornais e jornalistas, o mesmo Putin-adivinho ter-se-ia arriscado a criar problemas praticamente insolúveis com EUA nucleares, os quais, no caso de o 'complô' fracassar, teriam posto a Rússia na mira de uma presidenta Hillary Clinton furiosa e vingativa.

Além da total improbabilidade desse roteiro ridículo, houve várias negativas absolutas vindas de WikiLeaks – que teria distribuído os e-mails"hackeados" do Comitê Nacional dos Democratas –, e houve a muito suspeita incapacidade da Agência de Segurança Nacional, que, não se sabia por quê, não usou seus imensos poderes para produzir qualquer prova que desse alguma verossimilhança, que fosse, à versão de que teria havido "hackers" russos.

O choque Trump

Mas o choque produzido pela eleição de Trump e a decisão de muitos inimigos figadais de Trump de apostar todo o próprio prestígio a favor da "Resistência" levaram a uma situação na qual qualquer ceticismo prudente ou exigência de provas foram atropelados.

Dia 6/1/2017, o diretor da Inteligência Nacional do presidente Obama, James Clapper, distribuiu um relatório sem qualquer prova que, segundo Clapper, teria sido redigido por analistas da CIAFBI e Agência de Segurança Nacional "escolhidos a dedo", no qual haveria uma "avaliação" segundo a qual a Rússia e o presidente Putin estariam por trás da divulgação de e-mails democratas, todos conspirando para ajudar Trump a chegar à presidência.

Apesar da extraordinária gravidade da acusação, até o correspondente do New York Times Scott Shane observou que faltavam as provas. Naquela ocasião, ele escreveu: "O que falta no relatório público [de 6 de janeiro] é o que muitos norte-americanos mais esperavam: prova firme que confirmasse o que dizem as agências, que o governo russo teria arquitetado o ataque à eleição. (...) Em vez disso, a mensagem das agências resume-se a um fraco 'confiem em nós'."

Mas a "avaliação" serviu a um propósito útil aos que pregavam "Trump nunca": aplicou um selo oficial, um imprimatur, ao caso, para deslegitimar a eleição de Trump e inflou a esperança de longo prazo de que o Colégio Eleitoral talvez revertesse o resultado, para pôr na presidência um candidato de conciliação, como, por exemplo, o ex-secretário de Estado Colin Powell, na Casa Branca. Embora o golpe com Powell tenha gorado, a esperança de remover Trump continuou a ferver, alimentada pela crescente histeria em torno do escândalo inventado conhecido como Russia-gate.

Foi apagado virtualmente todo o ceticismo em torno da "avalição" sem qualquer prova. Por meses, o Times e outros grandes jornais repetiram a mentira de que todas as 17 agências da inteligência dos EUA teriam colaborado na conclusão sobre o "hacking" russo. Mesmo quando aquela mentira foi tardiamente confessada, os principais veículos de notícias apenas alteraram ligeiramente o fraseado, para dizer que agências de inteligência dos EUA teriam chegado àquela conclusão sobre os 'hackers' russos. O reconhecimento nu e cru, por Shane, de que absolutamente não havia provas desapareceu da narrativa que a mídia-empresa dominante aprovara para o 'caso' Russia-gate.

Dúvidas sobre o 'hacking', por obra de russos que teriam 'invadido' computadores, ou sugestões de dissidentes, para os quais estaríamostestemunhando um "golpe soft" foram todas solenemente descartadas pelos comentadores dos principais veículos. Outros avisos vindos de profissionais veteranos da inteligência dos EUA, sobre a fragilidade de toda a narrativa do chamado Russia-gate e sobre o grave perigo de permitir que um setor fortemente partidarizado da inteligência derrubasse um presidente eleito e comprometesse toda a eleição e a própria Constituição dos EUA, também foram descartados, com todos os principais 'formadores de opinião' empenhados em tirar Trump da Casa Branca.

Nem quando descobertas da própria investigação sobre o chamado Russia-gate mostraram-se em conflito com a narrativa inicial de que Putin teria 'imposto' Trump, sabe-se lá como, como um 'candidato da Manchúria'. Todo o ceticismo normal e esperado dos jornalistas foi suspenso. Era como se os pregadores de um Russia-gate começassem pela conclusão de que Trump tem de sair, e daí fossem à caça de semifatos e até de deslavadas mentiras que se encaixassem no molde, e todos que vissem que os procedimentos normais da boa investigação estavam sendo violados eram atacados como "defensores de Trump" ou "fantoches de Moscou".

As provas 

Mas de repente apareceram as mensagens de texto trocadas por gente do FBI, que trouxeram provas documentais de que funcionários de alto escalão do FBI envolvidos na investigação do chamado Russia-gate estavam, sim, profundamente empenhados em derrubar Trump, o que afinal confirmou o lamento de Trump, já antigo, de que era vítima de uma "caça às bruxas".

Justificados ou não, os ímpetos de vingança de Trump não poderiam ser mais perigosos – sobretudo em tempos nos quais a mais urgente necessidade é drenar os excessos de testosterona do autoproclamado Gênio-Estável-em-Chefe e seus generais Martinets.

No front doméstico, Trump, seus amigos milionários e seguidores-de-igrejinha no Congresso talvez sintam hoje que afinal têm carte blanche para jogar a mais abjeta e violenta miséria sobre os pobres, as viúvas, os estrangeiros e outros seres humanos vulneráveis. Um dos mais graves riscos subjacentes na estratégia do golpe e dos golpistas reunidos sob a chamada 'Resistência' sempre foi a rapidez com que podiam passar a mão em qualquer tipo de arma que aparecesse – e não importa o quanto suja ou injusta ou irresponsável, para "derrubar Trump".

Além do mais, o tal Russia-gate tornou-se tão central no discurso do establishment, que parece já não haver espaço para qualquer revisão ou para desfazer os malfeitos. O ímpeto é tal que alguns Democratas e os grandes veículos da mídia-empresa só fazem soprar mais e mais sobre as mesmas velhas brasas do Russia-gate, na esperança tresloucada de que, ninguém sabe como, o simples alarido acabe por justificar o impeachment de Trump.

Mas o processo sórdido de usar meios legais e de investigação para influenciar resultados políticos, só faz desgastar e comprometer cada vez mais o princípio básico do "Estado de Direito" e a respeitabilidade das mídia-empresas e do jornalismo em geral aos olhos de muitos norte-americanos. Depois de um ano de Russia-gate, o "Estado de Direito" e a "busca da verdade" parecem reduzidos a frases grandiloquentes pintalgadas de latinismos, para mudar o veredito das urnas, processo que os Republicanos e fascistas em geral muitas vezes usaram contra os Democratas e agora parece já ser método universalmente aceito por todos os partidos para castigar adversários políticos, ainda que ninguém consiga encontrar nem um fiapo de prova.

Strzok e Page

Peter Strzok (pronuncia-se /strãc/) tem interessante pedigree em matéria de multitarefas relacionadas a ambos, à Hillary e a Trump. Como chefe de contraespionagem do FBI durante a investigação sobre o uso não autorizado pela então secretária de Estado Hillary Clinton de um servidor pessoal dee-mails para receber e distribuir informação sigilosa, sabe-se que Strzok trocou as palavras "grosseiramente negligente" (que obrigariam a instaurar processo judicial), por "extremamente descuidada", muito menos grave, no documento assinado por James Comey, diretor do FBI, que descreve oficialmente as ações da Clinton. Esse 'golpe semântico' abriu o caminho para que Comey pudesse concluir, apenas 20 dias antes do início da Convenção Nacional dos Democratas, em julho de 2016, que "nenhum procurador razoável" aceitaria acusar Hillary, que então aspirava à indicação de seu partido.

Depois, como vice-diretor assistente da Divisão de Contrainteligência, Strzok comandou a investigação feita pelo FBI sobre suposta interferência de russos nas eleições de 2016. Pode-se apostar que pesou a mão ao escolher "a dedo" o contingente de analistas que se uniu a outros escolhidos "a dedo" na CIA e na Agência de Segurança Nacional para prepararem a "avaliação", absolutamente sem prova alguma, divulgada dia 6/1/2017 e que acusava o presidente russo Vladimir Putin de ter interferido na eleição de 2016. (Apesar de acolhida no Establishment como se fosse verdade revelada por deus, aquele documento indigente sob todos os aspectos técnicos só refletiu o ápice da partidarização – de fato da 'Democrataização' – dos serviços de inteligência [como, no Brasil, o golpe 'jurídico' com STF-com-tudo só reflete o ápice da tucanização & UDNização ilegais de todo o judiciário]. 

A violência do golpe que os serviços de inteligência aplicam hoje contra a nação norte-americana só encontra equivalente na farsa das "armas de destruição em massa" que levou à guerra do Iraque, há 15 anos.)

Em junho e julho de 2017 Strzok era o mais alto funcionário do FBI que trabalhava na investigação do Conselho Especial de Robert Mueller sobre possíveis conexões entre a campanha de Trump e a Rússia, mas perdeu o cargo quando a inteligência do Departamento de Justiça soube da troca de mensagens entre Strzok e Page e disse a Mueller.

Há interessante ironia no fato de o que perdeu os namorados do FBI foi o seu desdém visceral contra Trump, o encantamento adolescente e o modo reverente como tratavam a candidata Clinton e seus asseclas, e a atitude antiquada da dupla, à moda dos anos 1950, James Clapperesca, contra os russos, que para eles seriam "quase geneticamente orientados para o mal"; e a convicção elitista da duplo Strzok-Page de que saberiam o que seria bom para os EUA, mais e melhor que os cidadãos comuns, inclusive os "deploráveis" que Clinton disse que seriam metade dos eleitores de Trump.

Mas Strzok/Page nunca imaginaram que a húbris, o elitismo, o intuito conspiracional dos dois seriam tão escancaradamente expostos, de modo tão tangível. Para piorar, o objetivo primordial a favor do qual Strzok, particularmente, tanto trabalhou – sabotar a candidatura de Trump e imunizar a candidata Clinton e seus asseclas mais íntimos – fracassou e já começa a esfacelar-se, rebentando nas costuras.

Congresso: Supervisionar? Ou Fingir que nem vê?

A essa altura, a pergunta que vale o milhão é se os vários comitês e comissões de supervisão e acompanhamento do Congresso permanecerão paralisados na modorra habitual, ou se terão coragem de cumprir o seu dever constitucional. Para fazer o que a lei lhes ordena fazer, o Congresso terá de fazer frente a um poderoso Estado Profundo e à sua potentíssima caixa de ferramentas de bem conhecidas técnicas de retaliação, incluindo a chantagem à moda J. Edgar Hoover hoje super turbinada, extremamente facilitada pela vigilância eletrônica que hoje opera quase sobre tudo e todos. Ah, sim, a tecnologia hoje permite recolher informações de arrastão, e o mote é "pegue tudo".

O senador Chuck Schumer, Democrata de New York, com seus quase 40 anos de Câmara e Senado, ameaçou abertamente o presidente Trump em janeiro de 2017, para que não criticasse a comunidade de inteligência, porque eles/elas tem "mil e uma maneiras de acabar com você", se você foi "idiota" a ponto de se meter com eles.

Graças às quase 10 mil mensagens de texto que Strzok e Page trocaram, e das quais só uma pequena parte foi entregue ao Congresso há quatro semanas, há agora prova substancial de que realmente houve um golpe, pelo estado profundo, para "corrigir" o resultado da eleição de 2016. Sabemos agora que os funcionários supostamente apolíticos do FBI tinham enormes alavancas políticas a acionar, e acionaram. A correspondência Strzok-Page pinga de desprezo por Trump e por seus eleitores considerados deploráveis e malcheirosos. Numa das mensagens, Strzok expressou desprezo visceral pelos eleitores trabalhadores pobres de Trump. Dia 26/8/2016 ele escreveu que "Acabo de ir a um Virginia Walmart no sul. FEDIA a apoiadores de Trump... Ali, a coisa realmente dá medo."

Há textos que até mostram Strzok alertando para a necessidade de uma "apólice de seguro" para reduzir as chances de Trump, na hipótese improvável de que pesquisas mostrassem que ele se aproximava dos números da Clinton.

Mensagem de 6/8/2016, por exemplo, mostra Page brindando o seu cavaleiro andante de armadura brilhante com afirmação forte: "Talvez você deva ficar onde estão, porque é seu destino proteger o país contra essa ameaça [Trump]." Essa mensagem para Strzok inclui um link para uma coluna de David Brooks no The New York Times, na qual Brooks conclui com toque de clarins: "Chega uma hora em que a neutralidade é desonrosa. Se você não está em revolta, você é cúmplice. Quando alguém falar desse momento, e mencionar o seu nome, daqui a décadas, seus bisnetos desviarão o olhar, de vergonha."

Outra mensagem mostra que outros altos funcionários do governo – alarmados ante a possibilidade de um governo Trump – entraram na discussão. No que parece ser referência a uma reunião em agosto de 2016 com o vice-diretor do FBI Andrew McCabe, Strzok escreveu à namorada Page, dia 15/8/2016: "Quero muito acreditar na trilha que você expôs para discussão no escritório de Andy – que não há hipótese de ele [Trump] ser eleito –, mas temo que não podemos correr o risco." E Strzok acrescentou que "é como apólice de seguro, para o evento improvável de você morrer antes dos 40."

Apólice de seguro?

O presidente da Comissão de Justiça do Senado Chuck Grassley, Republicano do Iowa, diz que exigirá que Strzok explique a tal "apólice de seguro", quando o convocar para depor. O que parece já claro é que o tão elogiado "Dossiê Steele" já era parte da "apólice de seguro", bem como a lenda (porque até hoje não surgiu qualquer prova consistente) de que a Rússia teria hackeado o Comitê Nacional Democrata e os e-mails do coordenador da campanha de Clinton, John Podesta, e os teria repassado a WikiLeaks.

Se os investigadores no Congresso estivessem prestando atenção, já teriam visto o que o ex-inspetor de armas Scott Ritter partilhou essa semana com seus colegas do grupo Veteranos da Inteligência a Favor da Sanidade [ing. Veteran intelligence Professionals for Sanity (VIPS)], a saber: que Glenn Simpson da empresa Fusion GPS, que encomendou o dossiê anti-russos pagando com dinheiro do Partido Democrata, disse que procurou Steele depois de 17 de junho, apenas três dias antes de que fosse publicado o primeiro relatório de Steele, citando sete fontes.

"A chance de Steele ter recolhido diretamente aquela inteligência toda é zero; muito mais provável é que ele tenha contado com um só 'intermediário de confiança' que lhe passou todos os boatos que já circulavam sem qualquer tipo de prova que confirmasse qualquer coisa."

Outro colega veterano da inteligência e membro dos VIPS, Phil Giraldi, escrevendo sobre a própria experiência em consultoria no setor privado, acrescentou: "O fato de que você não controla as próprias fontes significa frequentemente que as fontes lhe dão o que elas supõem que você queira ouvir. Dado que fazem tudo por dinheiro, quando mais espetaculosos os detalhes, melhor, porque acham que assim aumentam o valor da informação. A empresa privada de segurança, por sua vez, que também só trabalha por dinheiro, passará adiante o boato, e o pintará em cores ainda mais escandalosas, para satisfazer o cliente e estimulá-lo a voltar em busca de mais do mesmo. Quando li o dossiê de Steele achei-o estranhamente familiar, como as pilhas de relatórios semelhantes que vi, e que misturavam merda e pequenas pílulas de informação crível, para darem ares de respeitabilidade ao produto."

Hoje já não há quem não saiba que os Democratas pagaram os "prêmios do seguro", por assim dizer, ao ex-funcionário da inteligência britânica Christopher Steele, fornecendo a eles detalhes coloridos – mas nenhuma prova – da "inteligência" que teriam sobre um "acerto" que haveria entre Trump e os russos. Se, como muitos concluíram, o dossiê foi usado como justificativa para o requerimento feito ao tribunal da FISA para espionar a campanha de Trump, todos os envolvidos estarão em palpos de aranha, no caso de os congressistas supervisionadores resolverem trabalhar.

Como, vocês talvez perguntem, Strzok e gangue conseguiram tomar tantas medida à margem da lei, sem nenhuma preocupação com consequências possíveis no caso de serem apanhados? Essa é fácil: porque La Clinton zelava por eles, lembram? Tratava-se só de um seguro extra, que não considerava qualquer real possibilidade de alguma 'morte' –, porque todos davam por favas contadas a derrota eleitoral de Trump em novembro de 2016. A atitude parecia indicar que, se alguém algum dia descobrisse o uso ilegal da Corte FISA – quem se interessaria por investigar alguma coisa? Os editores do The New York Times e outros jornais anti-Trump, e qualquer problema que persistisse seria facilmente controlado pela presidenta Hillary Clinton.

O senador Lindsey Graham, Republicano da Carolina do Sul, que preside a subcomissão de Justiça para Crimes e Terrorismo, uniu-se ao senador Grassley e assinou a carta que indicia Christopher Steele para ser investigado pelo Departamento de Justiça, sobre o que parecem ser declarações mentirosas sobre o dossiê. Na assinatura, Graham observou os "muitos sinais de "pare", que o Departamento de Justiça ignorou no uso que deu ao dossiê." A assinatura de membro destacado do comitê, a senadora  Dianne Feinstein, Democrata da Califórnia, porém, não aparecia no documento – sinal precoce de que ruge uma feroz batalha entre os partidos. Na 3ª-feira, Feinstein distribuiu, por iniciativa dela, uma volumosa transcrição de depoimento anterior de Glenn Simpson e, como reação automática, especialistas do Establishment puseram-se a 'informar' que Steele seria fonte fidedigna, e Glenn Simpson, da empresa Fusion GPS, seria uma vítima.

Prossegue o pega-p'ra-capar. O resultado ainda está indefinido.



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