domingo, 15 de abril de 2018

Quem ganhou? Síria atacada por F.O.D.A.M-SE-E.U.A.



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Noite passada, França, Reino Unido e os EUA lançaram ataque ilegal contra a Síria e bombardearam vários pontos civis e militares dentro do país. A 'justificativa' para o ataque é que seria vingança ou punição por um suposto 'ataque químico' que teria acontecido uma semana antes.
O 'incidente químico' dia 7 de abril em Douma foi concebido para reverter a decisão publicamente anunciada de Trump, de ordenar a saída dos militares dos EUA, da Síria. 
Os 'rebeldes' salafistas empregados da Arábia Saudita trouxeram cadáveres, provavelmente recolhidos em algum outro morticínio próximo, e os empilharam num apartamento em Douma, para encenar um 'evento' e filmar vídeos falsos de um 'ataque químico' o qual, também falsamente, foi atribuído ao governo sírio.

Trump fingiu acreditar nos vídeos e pôs-se a tuitar ameaças contra Síria e Rússia. A Rússia ameaçou responder com força equivalente, no caso de os EUA atingirem soldados ou interesses russos na Síria.

O Reino Unido e a França, países que, como os EUA foram recentemente visitados pelo príncipe palhaço saudita [orig. clown prince, trocadilho comcrown prince, príncipe coroado] e receberam chuvas de novos bilhões sauditas, pularam logo na mesma carroça dos EUA. A França agora admite que a 'inteligência' (sic) que tem sobre o incidente em Douma baseia-se apenas nos vídeos descaradamente forjados, como qualquer um vê, e no que 'informaram' as operações de propaganda financiadas pelo 'ocidente' e que cooperam com os terroristas e jihadistas locais.

Ontem o Ministério da Defesa da Rússia acusou a Grã-Bretanha de ter organizado o 'incidente químico':


"Hoje o departamento militar russo já tem novas provas concludentes da participação direta da Grã-Bretanha na organização do ato de provocação em Ghouta Leste.

Os russos sabemos com certeza que de 3 a 6 de abril, representantes dos chamados "Capacetes Brancos" foram induzidos por Londres para que apressassem a implementação do ato de provocação já preparado com antecedência.

Os Capacetes Brancos receberam informação de que militantes de Jaysh al-Islam realizariam uma série de fortes ataques de artilharia contra Damasco, entre os dias 3 e 6 de abril.

Aqueles ataques serviriam para gerar uma resposta de tropas do governo. Os Capacetes Brancos receberam ordens para, na sequência, levar adiante atos de provocação com as supostas armas químicas."


Os "Capacetes Brancos" são financiados pelo governo britânico e comandados por um 'ex-'oficial da inteligência militar britânica. As acusações diretas contra a Grã-Bretanha podem ter sido fator decisivo para apressar o ataque disparado ontem à noite. Outro fator foi a chegada a Damasco de técnicos da Organização para a Proibição de Armas Químicas [ing. Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW)]. 

Esses especialistas investigarão hoje o suposto incidente em Douma e muito provavelmente descobrirão que nunca aconteceu. O fato de que os três países sequer esperaram os primeiros resultados da investigação deve ser interpretado como admissão de responsabilidade. Os criminosos não podiam esperar pelos resultados da investigação, porque sabem que o tal 'ataque químico' jamais aconteceu.

Os militares dos EUA conheciam o risco de potencial conflito grave com a Rússia. Houve intensas negociações durante toda a semana passada, entre o Pentágono e o Ministério da Defesa da Rússia. Consta que o Secretário da Defesa Mattis teria tido de convencer Trump a desistir de ataque mais sério. Assim se evitou a 3ª Guerra Mundial.

Noite passada, coisa de 107 mísseis e cruzadores foram disparados contra dois centros de pesquisa e oito aeroportos militares na Síria. O ataque é responsabilidade de forças dos EUA, França e Grã-Bretanha. As forças russas e sírias foram alertadas. Pessoal e equipamentos foram transferidos. 

As forças russas não responderam diretamente, porque suas áreas na Síria não foram atingidas. As defesas aéreas da Força Aérea da Sírianeutralizaram, derrubaram ou desviaram 71 dos mísseis, antes de que atingissem qualquer alvo. O Pentágono mente que nenhum míssil norte-americano foi destruído ou desviado do alvo. Conhecido grupo sírio, conhecido como de forte oposição ao governo de Bashar al-Assad já desmentiu o Pentágono:


"O Observatório Sírio de Direitos Humanos conseguiu monitorar a interceptação, por forças do regime, de dezenas de mísseis disparados contra suas posições e bases militares em território sírio, onde várias fontes independentes consultadas confirmaram, para o Observatório Sírio, que foram neutralizados mais de 65 mísseis (...)."


Taxa de 60-70% de sucesso de defesas aéreas contra mísseis em voo é sucesso espantoso. A maior parte dos mísseis foram detonados pelos sistemas Pantsir-S1 que a Rússia forneceu à Síria. Todos os aeroportos militares sírios estão já protegidos por esses sistemas de curto alcance; de oito deles, visados como alvos, só um foi atingido.

Um dos alvos atingidos foi o Centro Barzah de Pesquisa Científica próximo de Damasco, que não estava defendido. O Pentágono diz que as armas químicas são feitas ou armazenadas lá. É mais uma mentira óbvia:


  • Em 2013, a Síria assinou a Convenção das Armas Químicas e entregou todas as suas armas químicas.
  • OPCW examinou todos os locais acessíveis onde foram armazenadas armas químicas na Síria e testemunhou a destruição do equipamento de produção.

  • O Centro Barzeh foi visitado, inspecionado e declarado 'limpo' (PDF). Duas vezes.

  • Depois que o equipamento foi removido, o centro Barzeh foi abandonado.

  • Ninguém ataca com bombas convencionais algum local onde se saiba que há armas químicas estocadas. As bombas destruiriam as proteções locais e o vento distribuiria agentes químicos venenosos por área muito extensa, com risco de todos serem afetados.

  • Depois dos ataques dos EUA, veem-se várias pessoas caminhando entre os prédios recém reduzidos a ruínas. Nenhuma delas usa qualquer tipo de proteção. Com certeza absoluta, ali não havia nada 'químico'.

O mesmo vale para o prédio Jaramana atingido no ataque norte-americano. O Pentágono diz que os ataques atingiram prédios de produção e armazenamento 'químico sírio' (sic). É mentira.

Ninguém morreu nos ataques. Pela avaliação do Ministério da Defesa da Rússia, três pessoas foram feridas. Outras avaliações do efeito dos ataques se leem em 12 e 3.

Quais as consequências desses ataques?

Arrefeceu o surto de movimento a favor de guerra total contra a Síria (e também contra a Rússia), vindo da mídia, de intervencionistas e de neoconservadores em geral. Até John McCain, que sempre quer mais e mais guerra, parece de certo modo satisfeito.

O presidente da Rússia Vladimir Putin emitiu declaração dura:


"Um ato de agressão contra estado soberano que está na linha de frente da luta contra o terrorismo foi cometido sem mandado do Conselho de Segurança da ONU e violando a Carta da ONU e normas e princípios da lei internacional."


O governo chinês também lamenta a violação da lei internacional e da Carta da ONU.

Ao ordenar o ataque, o presidente Trump também violou a lei dos EUA, especificamente a Resolução sobre os Poderes de Guerra.

Uma reunião do Conselho de Segurança está marcada para hoje [sábado] mas, dado que EUA, Grã-Bretanha e França têm poder de veto, nada acontecerá.

Evento que absolutamente não causa alegria alguma aos EUA é a demonstração do sucesso dos sistemas de defesa antimísseis que os russos forneceram à Síria e que os sírios usaram ontem contra os ataques dos norte-americanos. A declaração abaixo, do Ministério de Defesa da Rússia também criará dores de cabeça adicionais:


"Deve-se destacar que há vários anos, atendendo a insistentes pedidos de nossos parceiros ocidentais, a Rússia decidiu não fornecer os sistemas S-300 AD à Síria. Considerado o recente incidente, a Rússia crê que seja possível reconsiderar aquela decisão, não só com vistas à Síria, mas também a outros países."




Agora, outros países poderão comprar e receber o equipamento russo, que é o estado da arte na indústria de sistemas de defesa. Futuras interferências pelos EUA, e também ataques de Israel contra a Síria, tornar-se-ão consideravelmente mais arriscados. Quando a Síria tiver recebido os sistemas S-300, terá meios para detectar e abater qualquer avião israelense que sobrevoe o Líbano. Israel frequentemente usa o espaço aéreo do Líbano para atacar alvos na Síria. Em breve, esse luxo acaba.

Síria, Irã e Hizbullah emitiram declaração em que prometem retaliar. As respostas dessas autoridades virão provavelmente em solo, contra alvos e interesses dos EUA no Iraque, Líbano, Síria e Israel. 

Em Damasco, o povo sírio assistiu ao sucesso das defesas aéreas instaladas pelo governo do presidente Bashar al-Assad e festejou nas ruas. Com certeza os sírios responderão com apoio ainda mais massivo ao governo do presidente Bashar al-Assad e aos seus planos para libertar toda a Síria.

Trump contornou as pressões públicas geradas pelo 'ataque químico' forjado, com um ataque, pode-se dizer, simbólico: tuitou "Missão Cumprida!

Espero que Trump continue a pressionar na direção de se pôr fim a todas as operações dos EUA na Síria. Quem tenha instigado o ataque forjado nada conseguiu.

A reação de Trump ao incidente é também um convite aos jihadistas e aos seus patrocinadores e influenciadores, para que repitam essa modalidade de encenação, sempre que atender a interesses deles.

O Pentágono mantém aberta a possibilidade de futuras encenações de 'ataques químicos' e bombardeio por aviões norte-americanos. Hoje mesmo declarou que a Síria ainda manteria outras fábricas e armazéns de armas químicas. Não é verdade. Se fosse, por que os EUA não requereram inspeção e desmonte das tais 'fábricas e instalações', pelos especialistas da OPCW? A Síria é signatária da Convenção sobre Guerra Química e seria obrigada a permitir a inspeção e a acatar o veredito.

O evidente descaso que os EUA dedicam a toda a legislação internacional e a organizações internacionais como ONU, OPCW e Agência Internacional para Energia Atômica terá consequências graves. 

Claro que os EUA não podem esquecer o quanto desejam um acordo de desarmamento com a Coreia do Norte. Rússia, China e outros países têm agora o exemplo dos ataques de ontem à noite para 'esquecer' a lei internacional quando lhes parecer conveniente. É o fim dos favores tipo não vender os sistemas S-300 ou aderir às sanções dos EUA contra outros países.

Feitas as contas, os instigadores do ataque ilegal à Síria – EUA e seus cúmplices no crime – feriram-se mais, eles mesmos, do que feriram a Síria.




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