sexta-feira, 4 de maio de 2018

EUA fornecem armas letais à Ucrânia – a escalada do conflito e o enterro das esperanças de paz


por Arkady Savitsky


Washington confirmou a entrega de sistemas de mísseis anti-tanque FGM-148 Javelin a Kiev. O pessoal ucraniano começa a treinar com as novas armas em 2 de Maio. 
Míssil Javelin.
O pacote de ajuda aprovado em Março especificava 210 mísseis anti-tanque Javelin e 37 lançadores Javelin. Desde 2014, os EUA entregaram mais de US$850 milhões para reforçar a segurança da Ucrânia. Embora o National Defense Authorization Act para Ano Fiscal 2018 conceda US$350 milhões para esta finalidade, esta é a primeira vez que Washington entrega armas letais a Kiev. Embarques de rifles Barrett M107A1 vêem a seguir. 
A notícia chegou no momento em que a "operação anti-terror" (OAT) na região separatista do Donbas, no leste da Ucrânia, acaba de terminar (em 30 de Abril), para ser substituída por uma operação de forças conjuntas (OJF). Os militares regulares, as forças de segurança (SBU), a polícia, a guarda nacional e o serviço de fronteira ficarão todos sob comando úco . O SBU fora antes encarregado do que está a ser chamado de "lei de reintegração" do Donbas, a qual foi assinada e entrou em vigor no fim de Fevereiro. Os EUA apoiam a ideia de trazer tropas de paz da ONU que serão posicionadas sob os termos exigidos por Kiev.

A partir de agora, as conversações entre Volker e Surkov serão vistas a uma luz diferente, porque Washington já não é um mediador, mas antes um cúmplice que está a atiçar o conflito. Com um apoio tão explícito dos EUA, Kiev redobrará sua solução militar. A corrupção é desenfreada na Ucrânia. Não será surpresa se as armas caírem em mãos erradas e forem utilizadas contra militares dos EUA em algum lugar fora da Europa. 

As entregas de armamento são sempre seguidas por instrutores militares que vêm providenciar treino local. Serão gradualmente absorvidos num conflito armado que não tem absolutamente nada a ver com a segurança nacional da América. Afinal de contas, a Ucrânia é uma dor de cabeça europeia. A US Navy já está presente em Ochakov. Sua presença militar próxima às fronteiras da Rússia não pode passar desapercebida em Moscovo. Washington será responsável pelas consequências. A Rússia não posicionou seus militares junto à fronteira americana. Nem enviou armas para quaisquer vizinhos dos EUA. 

Os Javelins foram despachados para um país que foi duramente criticado pelas suas violações dos direitos humanos num relatório redigido pelo Departamento de Estado. Muitas organizações internacionais tocaram a campainha de alarme quanto ao abuso de poder na Ucrânia, a qual se tornou um receptador da ajuda militar americana. Não há nada que responsáveis mais gostem do que dar lições aos outros sobre liberdade, democracia e direitos humanos. Estas são as suas palavras. Entregas de armas letais a um dos mais corruptos países do mundo são os seus feitos. Os Javelins enviado para a Ucrânia incharão o poder dos oligarcas que estão a arrecadar fortunas graças ao seu relacionamento de compadrio com os poderosos. O conflito no Donbas está a ser utilizado para distrair a atenção pública em relação ao agravamento dos problemas internos. 

Washington está a fechar os olhos para o abuso de poder naquele país porque Kiev concordou em abdicar da sua própria soberania nacional e permitiu-se ser transformada numa ferramenta da política externa dos EUA. Ela aderiu recentemente a um bloco de três países anti-Rússia e foi recompensada ao ser concedido um status oficial na NATO. 

Todo movimento tem consequências. A Rússia pode facilmente fornecer às auto-proclamadas repúblicas no leste da Ucrânia o sistema anti-tanque Kornet , o qual é militarmente superior ao Javelin. A arma russademonstrou-se eficaz no campo de batalha mesmo contra tanques no estado da arte, tal como o Merkava IV israelense. Moscovo pode abastecer aquelas repúblicas com armas e sistemas de guerra electrónica em maiores quantidades pela simples razão de que não tem de despachar esse equipamento através do Oceano Atlântico e de toda a Europa. A agora que os EUA cruzaram a linha vermelha, as mãos da Rússia estão livres. 

Em teoria a Rússia poderia reconhecer as repúblicas como estados independentes, uma vez que os acordos de Minsk II foram esquecidos e os preparativos de guerra estão em pleno andamento. Se os seus governos convidarem forças russas, a fim de garantir a sua própria segurança, Moscovo actuará estritamente de acordo com o direito internacional ao concordar com tais pedidos. 

Os Javelins não mudarão nada. Estes sistemas de armas não são suficientemente poderosos para dar às tropas ucranianas a vantagem crucial de que precisariam para assegurar uma vitória. Mas o movimento certamente inflamará tensões, tornando piores as vidas dos ucranianos comuns. Eles precisam de reformas políticas e económicas, não de novas armas. A última coisa que os europeus querem é o reinício da guerra na Ucrânia. Mas as armas estão ali. As advertências foram ignoradas e não há como voltar atrás. As repercussões serão destrutivas. A partir deste momento Washington deve arcar com a responsabilidade por tudo o que acontecer de errado. 


O original encontra-se em www.strategic-culture.org/... 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

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