segunda-feira, 25 de junho de 2018

Daraa é disputada em combate contra o ISIS. Al-Ridwan – Forças Especiais do Hezbollah – já estão em campo, por Elijah J. Magnier


Elijah J Magnier, em Elijah J Magnier Blog

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Não há dúvida de que acontecerá a batalha por Daraa – contra o grupo do 'Estado Islâmico' conhecido como Jaish Khaled Bin al-Waleed, a al-Qaeda e o "Exército Sírio Livre". 
O governo sírio não levará em consideração a ameaça dos EUA, de que bombardearão o Exército Árabe Sírio, nem a ameaça dos israelenses – Israel já apoia os jihadistas há anos, garantindo-lhes dinheiro, inteligência, informação e assistência médica –, para impedir que as forças de Damasco cheguem às fronteiras. Damasco também ignorará o acordo de Rússia-EUA-Jordânia para proteger e respeitar por muito mais tempo a zona de desescalada.

Damasco convocou suas Forças Especiais, comandadas pelo general Suheil al-Hassan (conhecido como al-Nimer, "o Tigre") para que se desloquem na direção de Daraa. Essas forças já operavam exclusivamente sob comando militar dos russos em todo o território sírio. O governo sírio também está reunindo unidades de mísseis antiaéreos em Daraa e também na retaguarda do front em torno de Damasco, e ordenou que as unidades de mísseis estratégicos mantenham-se em estado de prontidão para intervir, garantindo proteção às forças em solo. São sinais claros de que se espera o início dos combates, que serão duros; e de que não se exclui a possibilidade de intervenção, na Síria, de outras forças regionais.

O comando sírio ignorou as 'exigências' de EUA e Israel para excluir de Daraa o Hezbollah e aliados iranianos. Assim, o presidente Bashar al-Assad da Síria instruiu as Forças Especiais do Hezbollah, al-Ridwan, para que tomem posição em Daraa e em torno da cidade, porque participarão do ataque iminente.

Fontes em solo creem que ninguém espera que os EUA retirem-se da passagem de fronteira de al-Tanf entre Síria e Iraque – como Damasco exige em troca de Hezbollah e Irã serem afastados de Daraa –, porque Israel acredita que não haverá combate. Mas o governo sírio decidiu levar avante a batalha por Daraa, cujo objetivo é remover todos os jihadistas do sul, para recuperar total controle do território, e até impor uma negociação pela força, até obrigar as forças dos EUA a se retirarem de al-Tanf.




O Exército Árabe Sírio também visa a pôr fim aos combates no sul, de modo a poder deslocar todas as forças ofensivas para o norte e depois para al-Badiya, para atacar os remanescentes do 'Estado Islâmico' naquela parte da Síria.

Os EUA enfrentam um dilema, com milhares de milícias sírias treinadas, apoiadas e financiadas a serviço dos EUA na área de fronteira entre Síria e Iraque. Essas milícias que ali estão como 'representantes procuradores' dos EUA podem converter-se num peso, caso os EUA decidam retirar-se, porque são forças árabes e não curdas. 

Assim, qualquer acordo que devolva al-Tanf ao governo central implica a retirada desses milhares de militantes para área controlada pelas forças curdas na província al-Hasakah no norte, também sob forças de ocupação controladas pelos EUA. Podem gerar-se assim batalhas étnicas entre tribos curdas e árabes da região que recusam a dominação curda, considerando-se especialmente que Ankara e Damasco veem com forte hostilidade a cooperação entre curdos e as forças de ocupação. 

Além disso, é evidente que nenhuma força de ocupação visa a permanecer para sempre em país ocupado, e o ocupante sempre sabe historicamente que, mais cedo ou mais tarde, enfrentará resistência popular.

Quanto à posição dos russos em relação à batalha de Daraa, as fontes militares no sul da Síria disseram que o brigadeiro sírio Suhail al-Hasan não estaria na região se a Rússia não solicitasse especificamente e claramente a presença dele. As forças "Tigre" são forças especiais que operam sob comando da Rússia por acordo e especial consentimento do presidente Bashar al-Assad. Moscou não quer qualquer força jihadista trabalhando com Israel ou com os EUA para preservar para si território na Síria. Sobretudo, a Rússia não visa a obter vitória parcial no Levante, agora que a parte útil da Síria (a área geográfica mais populosa do país) está libertada, com exceção do norte. Por isso passa a ser necessário que o sul seja libertado.

A Rússia tem planos maiores no Levante: chamou-me a atenção, quando visitei a cidade de Palmyra e arredores, a presença de milhares de soldados russos, o que indica que Moscou está enviando novas forças de infantaria e forças especiais em grandes números. Essa forte presença russa não foi anunciada.

Pode ser sinal também de que a Rússia não quer que os EUA mantenham esfera de influência de longo prazo na Síria e quer manter-se como única força em sua esfera de influência na Síria. É difícil e complicado hoje perceber a abordagem da Rússia em relação aos aliados da Síria. Moscou não pode ter a última palavra sobre quem fica e quem sai da Síria. Além disso, por hora, a Rússia considera que todas as forças aliadas – incluindo o Hezbollah e Irã e seus aliados – são absolutamente necessárias, enquanto houver forças norte-americanas de ocupação no país.

A Turquia não é nem ameaça nem dilema pra a Rússia. Moscou e Ankara já construíram vários termos de entendimento e convivência desde a batalha de Aleppo Ampliada, a batalha de Ghouta e depois a batalha de Afrin, e os turcos estão por toda a parte em Idlib e arredores, com o objetivo de atacar e "dividir" a al-Qaeda (os "Hurraas al-Deen" mais radicais separaram-se, a pedido da Turquia, dos "Hayat Tahrir al-Sham" comandado por Abu Mohammad al-Joulani).

Rússia e Turquia consideram que os EUA são a principal ameaça na Síria por causa da obsessão dos EUA com "mudança de regime" e dos projetos de partição da Síria que os EUA são capazes de promover, e pelo desejo dos EUA de criar para os curdos uma entidade especial, não por amor aos curdos, mas para manter a pressão sobre Ankara e Damasco.

Assim sendo, aproxima-se a batalha pelo sul, apesar das provocações e ataques israelenses a forças aliadas do Irã que combatem o ISIS em Albuqmal e a insistência de Israel – sem sucesso – para que o Hezbollah saia de Daraa. Israel está tentando quebrar a estabilidade da Síria, mas não consegue atrair atenção séria para esse seu objetivo, porque o objetivo estratégico hoje é libertar o sul. Assad não está preocupado com o que interesse a Israel e está longe de respeitar a fronteira de segurança de Israel ou a linha de demarcação de 1974 nas colinas ocupadas do Golan.


Damasco trabalha sem hesitação com seus aliados para libertar o sul, livre de quaisquer influências ou ameaças, de quaisquer magnitudes, porque é chegada a hora de exterminar, primeiro, a al-Qaeda e o ISIS no sul; em seguida o exército avançará rumo ao deserto oriental para se concentrar nas forças norte-americanas e turcas que ainda ocuparem o norte.

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