terça-feira, 7 de agosto de 2018

'Elites' traíram/traem o voto da maioria.


Oriental ReviewEditorial

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

O presidente Trump foi selvagemente atacado pela comunidade política e pela comunidade acadêmica depois da reunião de cúpula EUA-Rússia, em Helsinki, onde, na opinião dessas 'elites', Trump teria "capitulado" diante do presidente Putin, em todas as questões.


Todos os esforços para defender o presidente foram em vão 

As mídia-empresas norte-americanas, que se consideram as mais livres do mundo, com os jornalistas mais profissionais do mundo, só fazem avançar a passo acelerado rumo ao fundo do poço. Primeiro, fizeram de tudo para humilhar o próprio presidente eleito pelos norte-americanos durante a reunião em Helsinki. 
Em vez de fazer perguntas sobre as mais importantes questões da agenda global, aqueles jornalistas só fizeram repetir uns os outros, com perguntas sobre as manchetes dos próprios jornais, que só fazem repetir pautas velhas sobre a 'interferência' dos russos nas eleições nos EUA. 

Como se a 'única' superpotência já não tivesse nenhum outro problema que carecesse de discussão com os russos (as ambições nucleares da Coreia do Norte? O poder crescente do Irã no Oriente Médio? O fracasso de todas as ações para 'conter a China'? O colapso da aliança transatlântica? A incapacidade de transferir a Ucrânia para a conta de outro patrocinador financeiro?), além dessa suposta influência de Moscou nas eleições de 2016 nos EUA. 

Seja como for, ainda que esse fosse o único tópico crucialmente importante, caberia aos jornalistas perguntar, em vez de só 'emitirem declarações' – como se jornalistas-empregados fossem autoridades a ser consultadas! –, que são todas variações de "Por que o povo dos EUA e Trump deveriam acreditar em você [em qualquer um que esteja sendo entrevistado] quando diz que a Rússia não interferiu nas eleições de 2016?" As coisas chegaram a tal ponto, que o presidente dos EUA foi obrigado a defender seu contraparte russo, ante o comportamento obsceno dos jornalistas.

O presidente Trump e a primeira-dama Melania Trump chegaram a Helsinki, Finlândia [imagem], no domingo anterior ao encontro com o presidente Vladimir Putin. Trump estava pressionado para confrontar Putin diretamente a propósito da denúncia feita pelo conselheiro especial Robert Mueller, contra 12 russos acusados de conspirar para interferir na eleição de 2016. 

E aqueles repórteres/agentes de propaganda exigiam que alguém pedisse desculpas por aquele 'crime. 

Rápido exame dos artigos e colunas publicados nos EUA depois da reunião confirma que nenhum 'analista' ou 'especialista' deu qualquer atenção nem à questão síria nem à questão ucraniana, nem a questões de desarmamento, nem aos avanços que estivessem sendo obtidos nas reuniões de trabalho dos diplomatas dos dois países. O foco de praticamente todos foi sempre o comportamento "inaceitável" e "vergonhoso" de Trump. "O momento exigia que Trump se erguesse em defesa dos EUA. Ele escolheu curvar-se" – escreveu o Washington Post. Thomas Friedman chegou a dar à sua coluna [regular] no NYT e no Seattle Times o título de "Trump e Putin versus EUA".

BARRA LATERAL: O mesmo 'especialista', teve a mesma coluna obscena apresentada como "Análise" e republicada também no Brasil em péssima tradução, pelo jornal O Estado de S.Paulo(NTs).

Trump jamais apoiou essa gente 

Naturalmente, a maior parte do barulho vem de inimigos pessoais, que afinal têm chance de atacar o principal pilar da legitimidade de Trump — seu empenho a favor dos interesses nacionais dos EUA. O ex-diretor do FBI no governo de Obama James Comey escreveu indignado: "Foi o dia em que um presidente dos EUA em solo estrangeiro e ao lado de um assassino mentiroso recusou-se a defender o próprio país". Comey é o homem que apoiou Hillary assassina e mentirosa quando ela se recusou a cumprir a lei atacou os EUA e a Constituição dos EUA.

Mas (infelizmente para Trump) também muitos Republicanos se integraram ao uivo das críticas. O senador Republicano Jeff Flake tem a mesma opinião de Comey, aos gritos de que jamais pensou que viveria para ver tal coisa. 

Os Republicanos não gostaram, para começar, de que, na presença de Putin, Trump tenha posto em dúvida o que a inteligência nacional dos EUA só faz repetir (sem provar) sobre uma 'interferência' dos russos no período pré-eleitoral. O presidente dos EUA até já se retratou, pelo menos em parte – e tem dito que tem em alta conta o trabalho da comunidade de inteligência. E quer, simplesmente, deixar para trás o passado. Mas nem assim arrefece a fúria contra ele.

Estupidez, traição, ou defesa dos melhores interesses dos EUA?

No que tenha a ver com o tom, os artigos da imprensa só divergem quanto ao que cada 'veículo' pressupõe sobre quais seriam os motivos pelo qual Trump teria 'capitulado' diante de Putin. Alguém escreveu que Trump não é 'profissional' e não tem espinha dorsal. Segundo oWashington Post, antes da reunião de cúpula, os assessores teriam preparado coisa de 100 páginas de conselhos e 'dicas' estratégicas para ajudar Trump a negociar com Putin de uma posição de força – mas que o presidente teria ignorado quase tudo.

Outros dizem que o problema não é que o presidente dos EUA tenha déficit de alguma coisa: é o líder russo [Putin nunca é "presidente da Rússia", o que ele é de pleno direito e eleito; Putin sempre é "o líder russo" (NTs)] que tem coisas extras: "A fraqueza do presidente Trump diante de Putin foi embaraçosa, e prova que os russos tem algo com o que podem chantagear o presidente, pessoalmente, financeiramente ou politicamente" – disse a líder da minoria na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi. E o ex-diretor da CIA John Brennan disse brutalmente que as ações do presidente dos EUA teriam sido "traição". Será interessante observar se os Democratas insistirão nessa ideia, porque traição, diferente de muitas outras acusações que o establishment tem feito contra Trump, é crime que, se provado, pode servir de base para iniciar procedimentos de impeachment contra o presidente.

Houve realmente traição, sim – mas o traidor não foi Trump, mas a comunidade política e acadêmica nos EUA. Poucas vozes racionais, como o professor e especialista em Rússia Stephen F. Cohen, tentaram explicar o óbvio. Trump está fazendo o que outros presidentes fizeram antes dele – reunir-se com o cabeça do Kremlin, para impedir uma guerra nuclear. Além disso, o presidente dos EUA está tentando um recomeço com a Rússia, e quer fazer de um rival um instrumento da política exterior dos EUA — como meio para ajudar os EUA a conter Irã ou China. 

Nada muda nada. Os neoliberais e globalistas declararam guerra ao presidente e minam cada esforço que o ocupante do Salão Oval esboce ou inicie . Com isso, neoliberais e globalistas enfraquecem a posição dos EUA no cenário global. E, claro, ninguém tentará o impeachment de neoliberais e globalistas em geral. — No fim, é gente que não responde por coisa alguma em tribunal algum, nunca, e, segundo o presidente Trump, "[única coisa que] eles sabem fazer é oposição e obstrução". Diferente de neoliberais e globalistas em geral, o presidente "assumiu um risco político em busca da paz, e arrisca a paz ao insistir na via política."

O que conseguiu o presidente dos EUA?

Que objetivos específicos o presidente Trump conseguiu alcançar durante a reunião de cúpula de Helsinki?

Primeiro de tudo, Donald Trump e Vladimir Putin firmaram o compromisso de retomar o diálogo sobre a estabilidade estratégica e a não proliferação de armas de destruição em massa. Dadas as tensões dos últimos poucos anos de tensões crescentes em torno dessas questões, somadas a eventos recentes durante os quais todo o planeta chegou literalmente à beira da guerra nuclear, esse compromisso entre Trump e Putin e abertura real e espetacular. 

Na reunião, o presidente dos EUA recebeu propostas específicas do contraparte russo, que ainda não foram anunciadas.

Segundo, como resultado das negociações, chegaram a um acordo quanto ao mais importante aspecto da política dos EUA no Oriente Médio: reduzir a influência do Irã na Síria. O presidente Putin reafirmou o compromisso da Rússia com restabelecer perfeito cumprimento do acordo de 1974 para as colinas do Golan, para alcançar o fim, pelo menos por enquanto, dos contatos belicosos entre Síria e Israel.

Terceiro, o presidente dos EUA conseguiu estabelecer os pré-requisitos para construir uma nova arquitetura para o mercado global das emissões de carbono, com vistas a salvaguardar interesses econômicos dos EUA.

Além disso, na conferência de imprensa depois do encontro, Putin deu a Donald Trump um trunfo importante de barganha, que poderá usar em sua batalha política doméstica, nos EUA, contra seus incansáveis inimigos. Ao responder perguntas sobre uma suposta interferência da Rússia nas eleições presidenciais nos EUA, Vladimir Putin anunciou que a empresa de William Browder, Hermitage Capital  —  acusada de evasão de impostos no valor de $1,5 bilhão, sobre dinheiro que ganhou na Rússia e que levou para fora do país – realmente e comprovadamente participou com $400 milhões de dólares, da campanha para eleger Hillary Clinton.

Assim, além da demanda que o presidente dos EUA já fizera publicamente, para que o Partido Democrata dê acesso ao FBI para que examine os servidores e computadores do Comitê Nacional Democrata – os mesmos que teriam sido supostamente 'hackeados' "por ordens de Moscou" – Donald Trump tem agora um depoimento público de que a campanha para eleição de Hillary Clinton foi, sem dúvida possível, financiada com "dinheiro sujo".


Desenvolvimentos no futuro imediato mostrarão como o presidente dos EUA lidará com o período pós-cúpula de Helsinki, com o contraparte russo. Se saberá, ou se lhe será permitido pôr em execução os acordos firmados, dependerá enormemente do resultado do próximo round da batalha política doméstica, em Washington.


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