terça-feira, 7 de agosto de 2018

Kudlow que compreenda a potência da China


Global Times, China (Editorial)

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

A China anunciou na 6ª-feira que imporá tarifas de $60 bilhões sobre produtos dos EUA. O principal conselheiro econômico da Casa Branca Larry Kudlow reagiu com leviandade: "Quer-me parecer que $60 bilhões é resposta fraca aos nossos $200." Também 'avisou' que "a China bem faria se levasse o presidente Trump a sério."

Kudlow também disse que a "economia chinesa é imunda, investidores fogem de lá, a moeda está desabando". Com isso Kudlow quer sugerir que a China não poderia sustentar uma guerra comercial, e que os EUA estão determinados a ampliar e aprofundar a guerra. Mas admitiu que Pequim "pode fazer muita coisa para causar dano a nossas empresas na China."

Kudlow falou como falaria de economias como a do Japão, da Coreia do Sul ou do México. Mas a China é a maior importadora de soja do mundo; primeiro mercado para automóveis e produtos de telecomunicações, e a economia de internet que mais cresce no mundo. O mercado chinês é chave para a sobrevivência de muitas grandes empresas norte-americanas e de grande parte do agronegócio nos EUA.

Os dois números, $200 bilhões e $60 bilhões, não mostram relacionamento econômico interdependente em desequilíbrio, mas, sim, que Washington perdeu a cabeça; e que a China mantém a racionalidade. Os EUA estão tentando resolver na correria importantes disputas comerciais; a China preparou-se para guerra longa.

A economia dos EUA cresceu o equivalente a 4,1% do PIB no segundo trimestre, depois de medidas desesperadas, inclusive corte de impostos. Praticamente todos os especialistas entendem que essa velocidade de crescimento não pode ser mantida. A economia chinesa cresceu 6,8% na primeira metade desse ano, resultado de várias medidas de desaceleração. A economia chinesa já chegou ao seu mínimo.

Massivo potencial de mercado garante combustível para que a China cresça ainda mais. A China está dando adeus à era de crescimento pesadamente dependente de exportações. No futuro, a economia dos EUA dependerá mais do mercado chinês, que o contrário. Todas as elites norte-americanas sabem perfeitamente disso, inclusive Mr. Kudlow.

Uma guerra comercial trará dor temporária à China, e aumentará a pressão sobre Pequim no primeiro round das disputas. Mas na sequência a China mostrará sua resiliência no comércio e na coesão social, quando a guerra entrar em total impasse. Em vez de ameaçar a China, Kudlow melhor faria se avisasse o governo dele de que não é prudente subestimar a determinação dos chineses; que os chineses lutam sempre até o fim.

O povo chinês quer muito evitar uma guerra comercial. Mas se se consideram as demandas irracionais dos EUA, vê-se que é guerra comercial para esmagar a soberania econômica da China, que tenta forçar a China a aceitar posição de vassalagem econômica, como o Japão aceitou o Acordo de Plaza (1985).

A China tem de defender seu direito ao desenvolvimento, e não tememos sacrificar interesses de curto prazo. Mas os EUA também perderão muito. Será sacrifício dos dois lados, e o povo nos dois países pagará o mesmo preço.

Ao longo da história, os EUA arrogantemente iniciaram incontáveis guerras, que acabaram por agredir eles mesmos. A arrogância de Washington dessa vez ergue-se contra uma grande potência. Enquanto alguns supunham que os EUA estivessem brincando levianamente de comércio, a Casa Branca convencia-se de que poderia derrubar a China. Mas os talentos dos EUA são correspondem à ambição dos EUA.


A China conta com o tempo, para lutar até o fim. À hora certa, o tempo provará que os EUA fizeram papel patético.




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