Em reunião extraordinária realizada ontem, o Conselho de Ministros, presidido por Wael al Halqi, insistiu no vínculo entre a "agressão israelense" e os "grupos terroristas" no país. Em sua opinião, tudo isso "faz parte de um complô de Israel, Catar e Turquia com o objetivo de derrubar a estrutura do Estado sírio privando-lhe de elementos de seu poder militar e econômico e de sua união nacional".
Durante o encontro, o ministro da Defesa sírio, Fahd al Freich, informou ao governo os detalhes do "ataque terrorista" perpetrado por aviões israelenses na quarta-feira e lembrou que esta agressão "atroz" deixou dois mortos e cinco feridos, além de danos em um centro de pesquisa científica militar.
O ministro sírio reiterou que o ataque está relacionado com as agressões de grupos armados e negou que o motivo fosse destruir equipamentos e armas "preparados para serem transformados em outro lugar".
Por sua parte, o titular de Relações Exteriores, Walid Muallem, destacou que o objetivo foi "obstruir os esforços internacionais para resolver a crise na Síria mediante o diálogo e meios pacíficos".
Após a reunião, o Gabinete emitiu um comunicado no qual qualificou "a agressão israelense como uma violação flagrante da soberania nacional da Síria e dos princípios da lei internacional". Além disso, atribuiu à comunidade internacional, à ONU e ao Conselho de Segurança a responsabilidade de suas repercussões legais e fez uma chamada a que se adote uma postura "direta e séria frente à arrogância e à teimosia israelense".
O órgão também advertiu que a ação israelense é "um perigo que representa uma ameaça à segurança da região e seus Estados, assim como uma afirmação da hostilidade de Israel e uma transgressão de todas as normas e princípios". Por último, reiterou que "Israel nunca teria se atrevido a lançar este ataque a menos que os grupos terroristas armados não tivessem preparado as circunstâncias práticas para este ato por meio de alvos organizados contra os sistemas de defesa aérea e radares".
Há dois dias, as Forças Armadas sírias asseguraram que aviões de guerra israelenses entraram em seu espaço aéreo e bombardearam um centro de pesquisa militar no distrito de Jamraiya, na província de Rif Damasco.
Ontem, Damasco reivindicou seu direito de se defender frente à "agressão israelense" e apresentou uma queixa oficial perante o Conselho de Segurança da ONU. Por enquanto, as autoridades de Israel não confirmaram nem desmentiram o ataque.
Síria responde ataque aéreo de Israel com hackers
Exército Eletrônico Sírio teria invadido sites israelenses
A Síria respondeu ao ataque aéreo israelense pelo ciberespaço. Um grupo de hackers do país, autodenominado Exército Eletrônico Sírio, apreciadores do regime do Presidente do país, Bashar al-Assad, anunciaram ter invadido sites relacionados a Israel em resposta a um bombardeio na quarta-feira, 30.
O ataque teria acontecido a um centro de pesquisas em Damasco, mas a imprensa ocidental noticiou que o alvo era um comboio de armas químicas e mísseis antiaéreos russos que chegariam ao Hezbollah. A Rússia, em nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros, divulgou que iria investigar o caso e, caso se confirmasse a veracidade, este seria uma grave violação do direito internacional.
A ONU, porém, não confirmou que o espaço aéreo sírio havia sido violado, conforme declarou o vice-porta-voz do secretário geral do organismo, Eduardo del Buey.
Defesa Net


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