quinta-feira, 31 de maio de 2018

Fracassará o plano de Donald "Mão-Pequena"* Trump para estrangular o Irã


Said Mohammad Marandi, Middle East Eye

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Ao aproximar-se o 40º aniversário da República Islâmica, a obsessão à Capitão Ahab[1] contra o Irã em Washington aprofunda-se todos os dias. Possuído por todos os anjos caídos do céu, o patrão de Ahab não consegue apagar a obsessão que o liga À Baleia. 
Como Ahab, a trindade nada santificada formada de Donald Trump, John Bolton e Mike Pompeo perseguem incansavelmente a Moby Dick que os atormenta.

Os 12 mandamentos do Capitão Pompeo
Há menos de um ano, em discurso para um grupo dos Mujahideen-e-Khalq (MEK) – grupo financiado pelo ocidente, com características de culto, que nasceu sob o comando e controle de Saddam Hussein –, um Bolton que falava como num surto de alucinação disse que antes do fim desse ano e do 40º aniversário da Revolução, todos os ali presentes estariam reunidos para celebrar, em Teerã.

Mais recentemente, um Pompeo similarmente surtado distribuiu seus 12 mandamentos ao povo iraniano, alertando homens mulheres e crianças iranianas de que o amo lhes imporia não apenas sanções "dolorosas" mas também "as mais fortes sanções de toda a história". O secretário de estado dos EUA, ex-diretor da CIA de Trump, acrescentou que "esmagaria" os "agentes" iranianos.

Se Trump saberá superar as variadas formas do barbarismo de Barack Obama – com suas "sanções incapacitantes", o adestramento e sustento de extremistas na Síria, a guerra de drones, as operações na Líbia e a imposição de fome generalizada no Iêmen – é questão ainda não decidida.

Afinal, há poucos modos objetivos pelos quais aferir as duas situações, uma vez que as 'comunicações' ocidentais parecem ignorar absoluta e completamente que os EUA financiarem extremistas takfiriprovocarem e manterem uma guerra civil suja, com ocupação de território e ataques contra forças armadas sírias, são ações ilegais e configuram crimes contra a humanidade, nos termos da lei internacional.

Em vez disso, as 'comunicações' do Império só olham o tamanho das mãos de Trump, o papel decisivo que Russia Today (RT) teria tido no resultados das eleições presidenciais nos EUA, repetindo sempre, insistentemente repetindo detalhes de um recente fenômeno atmosférico que atende pelo nome de Stormy [lit. 'tempestuosa'] Daniels.

Tudo isso considerado, não é o caso de culpar as 'comunicações' do Império pelo fracasso coletivo, quando ninguém ali compreende que os ataques de Israel à Síria são também ilegais. Afinal de contas, a Síria não é o Líbano, onde os "terroristas" do Hezbollah alcançaram sucesso estrondoso e realmente expulsaram de seu território a força israelense de ocupação, depois que combatentes inimigos assassinaram mais de 20 mil libaneses e palestinos.

A mídia-empresa

É compreensível. Afinal a região é tão complexa, que os veículos da mídia empresa ocidental supõem sinceramente que jovens palestinos estariam sendo diariamente empurrados para a rota das inocentes balas israelenses, pelas próprias famílias, pelo Hamas e pela Jihad Islâmica. Assumem que palestinos de pele marrom, como o povo negro sul-africano no Massacre de Sharpeville, não compreendem o valor da vida. "Israelenses falam sobre Gaza: 'Pelo menos tenho esperança de que cada bala tenha uma justificativa'", como se lia em manchete no New York Times.

É possível que, se os palestinos levassem os filhos para a Disneylândia, em vez de os deixarem apodrecer lentamente no campo de concentração de Gaza, todos eles alcançassem real compreensão do mundo civilizado, além de valores familiares que prestassem. Talvez, se Ahed Tamimi não fosse malcriada, mimada, irracional e oriental, não teria reagido de modo tão inaceitável ao assassinato de seus amigos e parentes por assassinos europeus colonialistas.

Só porque o primo dela Mohammed, de 15 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça por forças israelenses de ocupação, claro que ela não tem o direito de aplicar uma bofetada num soldado ocupante respeitador da lei. Na verdade, deveria considerar-se jovem de muita sorte por não ter cabelo escuro, pele marrom e por não usar um hijab, porque, se assim fosse, ela jamais teria recebido a imerecida simpatia de uns poucos "repórteres corajosos" das "comunicações" das mídia-empresas ocidentais.

Voltando aos mandamentos do Capitão Pompeo – o infeliz jamais alcançou essas altitudes na escadaria militar, coitado –, o sétimo mandamento, diz que "o Irã tem de respeitar a soberania do governo iraquiano". Taí! Ninguém mais qualificado que os norte-americanos para dar lições em assunto de respeito à soberania iraquiana.

Afinal, nenhum norte-americano interferiu quando Saddam matou com gás venenoso milhares de iraquianos como ele, usando armas químicas que os EUA lhe deram, doações. Depois de "libertar" o Iraque, com as bênçãos do povo iraquiano e da lei internacional, os EUA roubaram o melhor terreno que havia em Bagdá e ali construíram uma linda nova cidade chamada embaixada dos EUA.

Fortaleceram também muito o sistema judiciário iraquiano com a construção de prisões como Abu Ghraib, onde ofereceram cursos de educação sexual de primeiro mundo a crianças, em companhia dos pais e mães. Infelizmente, grande parte dos vídeos e fotos perderam-se, fenômeno estranhamente semelhante ao que aconteceu com as experiências, na Tailândia, da "quebradora de telhados de vidro" e nova diretora da CIA de Trump.

Estrangular iranianos

Em procedimento de estrita não intervenção, os norte-americanos também implantaram uma progressista política de Não-pergunte/Não-conte sobre a al-Qaeda no Iraque mantida pelos sauditas, que adiante evoluiu para "Estado Islâmico" (EI). Afinal, era assunto de família: Estado Islâmico, al-Qaeda, os Taliban, Boko Haram e Arábia Saudita leem os mesmos livros de religião e partilham os mesmos elevados valores ideológicos.

Contudo, é claro que os perversos iranianos ignorarão os 12 mandamentos de Pompeo. O regime de apartheid na Palestina e seus aliados moderados amantes da democracia na Arábia Saudita adorarão que assim seja, mesmo que o mundo os veja, pouco gentilmente, como líderes da torcida a favor da instabilidade regional e global.

Por mais que sempre haja lampejos de esperança no Império e nos porta-vozes do Império em língua persa quando veem qualquer mínimo indício de agitação no Irã, parece suficientemente claro que os iranianos comuns, que Trump sonha com estrangular com as próprias minimãos, continuarão decididamente sem agradecer ao ditador famigerado de cabelos cor de laranja.

Em lugar de questionar a nenhuma humanidade das ameaças geradas da Casa Branca e de se preocupar com o destino de mulheres, homens e crianças inocentes que estão amarrados no alvo, os "ilustrados" analistas ocidentais parecem mais preocupados com quem "se beneficia" das políticas malévolas dos EUA contra o Irã.

Quando se trata de defender soberania e dignidade, exceto para um pequeno grupo de elogiadores do ocidente, todos nós somos variantes de terroristas linha-dura. O governo em Washington já é retumbante fracasso.*******



* Orig. "Why Trump's small-handed plan to strangle Iran will fail". A história escandalosa 'midiática' de Trump ter mãos pequenas é longa e cheia de subtramas. Nas grandes linhas, está contada em https://abcnews.go.com/Politics/history-donald-trump-small-hands-insult/story?id=37395515 (ing.). No artigo acima o atributo da pequenez e/ou impotência aparece transferido da anatomia para o plano de Trump contra o Irã. Correções e comentários são bem-vindos [NTs].
[1] Nesse parágrafo há várias referências ao romance Moby Dick. "Ahab" é o capitão obcecado com matar a grande baleia branca, por exemplo, além de uma citação parafraseada: ["Enlouquecida pelos ferros que no dia anterior haviam ferido seu corpo, Moby Dick] (Bolton) parecia possuída(o) por todos os anjos caídos do céu" (MELVILLE, Hermann, Moby Dick [1851], Google Books) [NTs].

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