"O combate ao terrorismo no Mali não pode violar direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais", afirmou a presidente, após encontro com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.
Na semana passada, a França, que até 1960 foi a potência colonial do Mali, iniciou uma intervenção militar no país africano. O objetivo declarado das autoridades francesas é combater grupos rebeldes islâmicos que vinham assumindo crescente controle no norte do país.
A intervenção francesa se ampara em pedido do governo malinês e em resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em janeiro, que previa o envio de forças estrangeiras ao país para frear o avanço dos grupos rebeldes.
Líbia
Segundo Dilma, o conflito no Mali é um desdobramento da recente guerra na Líbia.
"É muito preocupante a situação de conflito armado no Mali, decorrente e como consequência de todo o conflito que ocorreu na Líbia e que desbordou devido ao acesso a meios armados que foram apropriados por grupos que agora criam instabilidade não só no Mali, mas em toda a região."
Há relatos de que armas enviadas por potências militares ocidentais, entre as quais a França, para os grupos que combatiam o regime de Muamar Khadafi na Líbia tenham ido parar nas mãos de rebeldes que agora atuam no Mali.
Em sabatina no Senado americano nesta quarta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton (que deve ser substituída nas próximas semanas por John Kerry), afirmou que armas provenientes da Líbia estão sendo usadas no Mali, mas que a "a vasta maioria delas veio dos arsenais de Khadafi" e não do Ocidente.
Em discurso após a fala de Dilma em Brasília, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, defendeu a intervenção no Mali como forma de frear "atos perpetrados por grupos terroristas, que estão colocando em risco a integridade territorial do país bem como a segurança da população".
"A decisão da União Europeia de estabelecer uma missão para assessorar o Exército do Mali, bem como nosso apoio à missão encabeçada pelos militares no Mali e a pronta resposta da França e outros países europeus, é parte integral desses esforços".
Cúpula
A visita de Barroso e Rompuy a Brasília ocorre às vésperas de uma cúpula entre a UE e a Celac (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos), no Chile, neste fim de semana.
Durante a cúpula, representantes europeus deverão ter reunião paralela com membros do Mercosul, para discutir a associação entre os dois blocos.
Terceiro a discursar, Barroso disse que no encontro com Dilma foi reafirmado o empenho para que o acordo de associação saia do papel. Segundo ele, trata-se de um acordo "abrangente, arrojado e ambicioso".
Ele afirmou que, apesar das dificuldades vivenciadas pela economia europeia nos últimos anos, a UE continua a ser "o maior bloco comercial e o maior mercado interno em termos de valor do mundo".
"Não obstante a crise internacional, nossas relações com o Brasil não param de crescer", disse Barrroso. Segundo ele, as trocas comerciais entre Brasil e UE cresceram 17% em 2011.
Defesa Net


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