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terça-feira, 13 de agosto de 2013

EUA-Rússia: Desfazendo o “reset”

Barack Obama recebeu críticas de todos os lados por sua política para a Rússia, considerada muito branda

O Presidente Barack Obama cancelou, na quarta-feira, 7, a reunião de cúpula que manteria com o Presidente Vladimir Putin em Moscou. A grande questão é saber se isso significa que chegou ao fim o processo de relançamento das relações entre os dois países, ou se é tão somente uma parada na sequência de reuniões de cúpula, e que esse processo vá ser reiniciado mais adiante.

Para alguns, o cancelamento marca de fato o fim do processo iniciado em março de 2009. Naquela data, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o seu correspondente da Rússia, Sergey Lavrov, acionaram um simbólico botão de "reiniciar" – ou "reset", em inglês.

Logo depois, veio a reunião de cúpula do G20, realizada em 2 de abril de 2009 em Londres. O comunicado conjunto dos dois presidentes falava de "um novo começo" nas relações russo-americanas. Sinal desse novo começo, o comunicado conjunto pedia ao Irã que abandonasse seu programa nuclear.

Precisamente um ano depois, os Estados Unidos e a Rússia firmaram acordo para a redução de seu estoque de armas nucleares. O novo tratado (Nuclear Arms Reduction Treaty, START, em inglês) tinha em sua sigla a mesma intenção de começo – uma vez que "start", em inglês, significa precisamente "começo".

O tratado em questão ampliava o corte de armas nucleares estipulado no Tratado de Moscou de 2002 e substituía o Tratado de Redução de Armas Estratégicas que então expirava.

Em seu conjunto, essas iniciativas marcaram significativo progresso no relacionamento entre os Estados Unidos e a Rússia. Para alguns, como observou Steven Pifer, especialista nas relações entre os dois países, em longa entrevista para a Rádio Free Europe, em dezembro do ano passado, o "reset" foi bem-sucedido.

Para Pifer, a estratégia de Obama partia da premissa de que melhorar o relacionamento bilateral era de interesse dos Estados Unidos. A ideia era assegurar a cooperação da Rússia em temas de interesse americano, tais como pressionar o Irã e assegurar acesso ao Afeganistão.

Além do novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, a Rússia apoiou a resolução do Conselho de Segurança da ONU que impôs um embargo sobre as vendas de armas ao Irã. E tem permitido o acesso das forças dos EUA e da OTAN ao Afeganistão, depois que o Paquistão negou esse acesso.

No entanto, nem tudo eram rosas, e alguns problemas delicados persistiam. Um deles era e é a questão da Síria. Para os russos, a derrubada do presidente sírio Bashar al-Assad coloca um grande sinal de interrogação: após sua queda, quem o substituirá? A separá-lo da fronteira russa há apenas três minúsculos países, Azerbaijão, Armênia e Geórgia.

Encontrar uma solução para a guerra civil síria e para a sucessão do Presidente Assad é da maior importância para os dois presidentes, mas não deveria ter se tornado um tema que levasse ao cancelamento da reunião de cúpula. Porém, realizar a reunião sem progresso na questão síria também perderia muito de seu sentido.

Para outros, como Dmitri Trenin, diretor do Centro Carnegie, em Moscou, o cancelamento da reunião de cúpula marca o encerramento formal da política de "reset" do Presidente Barack Obama.

Segundo Trenin, o caso de Edward Snowden não foi o motivo do cancelamento do encontro. No máximo, foi um pretexto. O real motivo seria a política interna nos Estados Unidos.

Nas semanas que antecederam a reunião de cúpula, Obama recebeu críticas de todos os lados por sua política para a Rússia, considerada muito branda. Essas críticas, pelo menos em parte, refletem o descontentamento com sua agenda interna, especialmente com a reforma do sistema de saúde. Reduzir o número de críticos pode ter sido o motivo do cancelamento da cimeira com o presidente russo Vladimir Putin.

Cogitou-se levar mais adiante o gesto de Obama com o boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno a realizarem-se na Federação Russa. Mas o próprio presidente americano se encarregou de desfazer esse rumor.

É possível que o cancelamento deixe marcas na relação EUA-Rússia. A decisão de Obama poderá ser interpretada como um sinal de vulnerabilidade política do presidente americano e de que não haverá progresso em novas negociações com a atual administração. Nenhuma crise iminente decorrerá dessa decisão, mas a relação não será produtiva por algum tempo.

Há ainda aqueles que acham que o cerne da política externa se deslocou para o Pacífico, e que a Rússia se tornou irrelevante para os Estados Unidos. O tempo se encarregará de testar essa instigante proposição.

[Este artigo foi originalmente publicado no “Diário do Comércio”, de São Paulo]

Diário da Rússia

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