Barack Obama recebeu críticas de todos os lados por sua política para a Rússia, considerada muito branda
O Presidente Barack Obama cancelou, na quarta-feira, 7, a reunião de cúpula que manteria com o Presidente Vladimir Putin em Moscou. A grande questão é saber se isso significa que chegou ao fim o processo de relançamento das relações entre os dois países, ou se é tão somente uma parada na sequência de reuniões de cúpula, e que esse processo vá ser reiniciado mais adiante.
Para alguns, o cancelamento marca de fato o fim do processo iniciado em março de 2009. Naquela data, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o seu correspondente da Rússia, Sergey Lavrov, acionaram um simbólico botão de "reiniciar" – ou "reset", em inglês.
Logo depois, veio a reunião de cúpula do G20, realizada em 2 de abril de 2009 em Londres. O comunicado conjunto dos dois presidentes falava de "um novo começo" nas relações russo-americanas. Sinal desse novo começo, o comunicado conjunto pedia ao Irã que abandonasse seu programa nuclear.
Precisamente um ano depois, os Estados Unidos e a Rússia firmaram acordo para a redução de seu estoque de armas nucleares. O novo tratado (Nuclear Arms Reduction Treaty, START, em inglês) tinha em sua sigla a mesma intenção de começo – uma vez que "start", em inglês, significa precisamente "começo".
O tratado em questão ampliava o corte de armas nucleares estipulado no Tratado de Moscou de 2002 e substituía o Tratado de Redução de Armas Estratégicas que então expirava.
Em seu conjunto, essas iniciativas marcaram significativo progresso no relacionamento entre os Estados Unidos e a Rússia. Para alguns, como observou Steven Pifer, especialista nas relações entre os dois países, em longa entrevista para a Rádio Free Europe, em dezembro do ano passado, o "reset" foi bem-sucedido.
Para Pifer, a estratégia de Obama partia da premissa de que melhorar o relacionamento bilateral era de interesse dos Estados Unidos. A ideia era assegurar a cooperação da Rússia em temas de interesse americano, tais como pressionar o Irã e assegurar acesso ao Afeganistão.
Além do novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, a Rússia apoiou a resolução do Conselho de Segurança da ONU que impôs um embargo sobre as vendas de armas ao Irã. E tem permitido o acesso das forças dos EUA e da OTAN ao Afeganistão, depois que o Paquistão negou esse acesso.
No entanto, nem tudo eram rosas, e alguns problemas delicados persistiam. Um deles era e é a questão da Síria. Para os russos, a derrubada do presidente sírio Bashar al-Assad coloca um grande sinal de interrogação: após sua queda, quem o substituirá? A separá-lo da fronteira russa há apenas três minúsculos países, Azerbaijão, Armênia e Geórgia.
Encontrar uma solução para a guerra civil síria e para a sucessão do Presidente Assad é da maior importância para os dois presidentes, mas não deveria ter se tornado um tema que levasse ao cancelamento da reunião de cúpula. Porém, realizar a reunião sem progresso na questão síria também perderia muito de seu sentido.
Para outros, como Dmitri Trenin, diretor do Centro Carnegie, em Moscou, o cancelamento da reunião de cúpula marca o encerramento formal da política de "reset" do Presidente Barack Obama.
Segundo Trenin, o caso de Edward Snowden não foi o motivo do cancelamento do encontro. No máximo, foi um pretexto. O real motivo seria a política interna nos Estados Unidos.
Nas semanas que antecederam a reunião de cúpula, Obama recebeu críticas de todos os lados por sua política para a Rússia, considerada muito branda. Essas críticas, pelo menos em parte, refletem o descontentamento com sua agenda interna, especialmente com a reforma do sistema de saúde. Reduzir o número de críticos pode ter sido o motivo do cancelamento da cimeira com o presidente russo Vladimir Putin.
Cogitou-se levar mais adiante o gesto de Obama com o boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno a realizarem-se na Federação Russa. Mas o próprio presidente americano se encarregou de desfazer esse rumor.
É possível que o cancelamento deixe marcas na relação EUA-Rússia. A decisão de Obama poderá ser interpretada como um sinal de vulnerabilidade política do presidente americano e de que não haverá progresso em novas negociações com a atual administração. Nenhuma crise iminente decorrerá dessa decisão, mas a relação não será produtiva por algum tempo.
Há ainda aqueles que acham que o cerne da política externa se deslocou para o Pacífico, e que a Rússia se tornou irrelevante para os Estados Unidos. O tempo se encarregará de testar essa instigante proposição.
[Este artigo foi originalmente publicado no “Diário do Comércio”, de São Paulo]
Diário da Rússia
Author Details
Templatesyard is a blogger resources site is a provider of high quality blogger template with premium looking layout and robust design. The main mission of templatesyard is to provide the best quality blogger templates which are professionally designed and perfectlly seo optimized to deliver best result for your blog.


Nenhum comentário:
Postar um comentário