quarta-feira, 20 de junho de 2018

AS IRONIAS DA HISTÓRIA.


Nos anos 30 do século passado, todo o Oriente Médio era área de influência inglesa e na Palestina, os árabes que lá viviam há séculos e os judeus, que começaram a chegar depois da Primeira Grande Guerra, viam os ingleses como seus inimigos e os alemães como possíveis aliados.


No seu livro Para Onde Vai o Sionismo, o filósofo esloveno Slavoj Zizek, lembra um fato que os governos de Israel, hoje, querem esquecer: “26 de setembro de 1937 é uma data qualquer que um interessado na história do anti-semitismo deve se lembrar.

Naquele dia, Adolf Eichmann e seu assistente embarcou em um trem em Berlim, a fim de visitar a Palestina. O próprio Heydrich deu permissão a Eichmann para aceitar o convite de Feivel Polkes, um alto membro da Hagannah (a organização secreta sionista), para visitar Tel Aviv e discutir lá a coordenação das organizações alemães e judias para facilitar a emigração de judeus para a Palestina.
Ambos os alemães e os sionistas queriam mover tantos judeus quanto possível para a Palestina: alemães preferiram-los fora da Europa Ocidental, e sionistas próprios queriam os judeus na Palestina para superarem os árabes o mais rápido possível.

A visita falhou porque, devido a alguma agitação violenta, os britânicos bloquearam o acesso à Palestina, mas Eichmann e Polkes se encontraram depois no Cairo e discutiram a coordenação das atividades alemãs e sionistas.

Pelo lado palestino, existe outra lembrança que ainda hoje serve de arma para os governos de Israel acusarem os árabes de antissemitismo.
Em novembro de 1941, em plena guerra, Haj Amin Al – Hussein, o Grande Mufti de Jerusalém (líder religioso islâmico) visitou Hitler em Berlim, para pedir seu apoio na luta contra os ingleses e também contra a migração de judeus para a Palestina, seguindo o lema de que “inimigo do meu inimigo, meu amigo é.


Sabe-se que o Mufti estimulou a formação de grupos militares islâmicos da Bósnia e da Albânia para lutar ao lado dos nazistas na Segunda Guerra e ajudou a brecar uma troca de 4 mil crianças e 500 homens judeus, que estavam nos campos de extermínio nazistas por 20 mil soldados alemães, capturados pelos ingleses no Oriente Médio.


Autor: Marino Boeira, jornalista, formado em História pela UFRGS
Fonte: Pravda.ru



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