Na Sibéria foram encontradas antigas moedas árabes - Noticia Final

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domingo, 4 de agosto de 2013

Na Sibéria foram encontradas antigas moedas árabes

Pela primeira vez na região de Tyumen e inclusive em toda a Sibéria Ocidental foram encontradas moedas dos séculos 10 e 11 com inscrições árabes. Quatro pedacinhos de prata enegrecida pelo tempo são capazes de alterar completamente as concepções históricas sobre o passado desse país.

A cidade de Tyumen é chamada frequentemente de capital de petróleo e gás da Rússia. Na região de Tyumen existem mais de 600 importantes jazidas de hidrocarbonetos. O subsolo guarda aqui não só os tesouros naturais mas também os históricos. Escavações que os arqueologistas vêm realizando cá trazem resultados muito valiosos para a ciência histórica.

A Sibéria nunca chegou a ser densamente povoada. Cidades relativamente grandes começaram a surgir lá apenas no século 17, e os achados arqueológicos são bastante raros nessa região. A descoberta feita recentemente por uma equipe de arqueologistas chefiados por Alexei Gordienko é ainda mais valiosa porque não tem precedentes. "Antes, os historiadores nem sequer podiam presumir que há mil anos os habitantes da Sibéria tivessem relações comerciais com o Oriente Médio", disse ele à Voz da Rússia:
"Estávamos escavando num terreno rodeado por fosso e muralha, quer dizer, numa antiga fortificação, e no solo de uma vala, a 50 centímetros de profundidade, descobrimos esse tesouro. Dentro de uma caldeira de cobre, de 30 centímetros de diâmetro e 2 quilos de peso, manufaturada na região do Volga ou em território da Antiga Rússia, encontravam-se adornos de prata, nomeadamente, quatro torques (uma espécie de enfeite para o pescoço e, às vezes, o peito), três grandes pendentes temporais, colares e um cinto. Todos esses objetos eram ornamentos tradicionais dos povos da Europa de Leste e foram importados para cá. No entanto, o mais interessante é que na caldeira havia 4 dirhams. Não moedas inteiras mas sim fragmentos que se usavam como troco. Por enquanto, eu não sou capaz de dizer exatamente onde foram cunhadas mas se pode as datar, a título prévio, do século 10 ou 11."

Dirham (derivado da dracma grega) é uma moeda fina de prata, de 2 a 2,5 centímetros de diâmetro. Essas moedas eram fabricadas em distintas partes do Oriente Médio segundo um padrão similar. Ambas as faces da moeda levavam inscrições: palavras devotas em árabe, o nome do governante, o ano do calendário hegírico e o local de emissão.
Moedas dos califas de diferentes dinastias – Omíadas, Abássidas e Tahiridas – que eram cunhadas durante séculos em Bagdá, Samarcanda, Kufa e Ispaã, são frequentemente encontradas por arqueologistas na parte europeia da Rússia. Por exemplo, em distintos anos foram descobertos em Moscou e na região de Moscou quinze depósitos secretos de dirhams. Todos eles se localizavam nas margens do rio Oka, ao longo de uma antiga via fluvial de comércio.

Mas os quatro fragmentos de moedas árabes encontrados na Sibéria, a mais de dois mil quilômetros de Moscou, têm um valor especial para a ciência, assinala Alexei Gordienko:

"Até aqui, havia sido registrada apenas uma descoberta de moedas antigas na Sibéria Ocidental, e aquelas moedas eram datadas de um período mais tardio – entre os séculos 14 e 16. No que diz respeito concretamente aos dirhams, nunca antes foram encontrados na Sibéria Ocidental. O depósito que nós encontramos era, evidentemente, um patrimônio tribal. Foi enterrado, segundo conjecturamos, para escondê-lo quando o assentamento foi agredido por inimigos. O nosso achado é singular, pois amplia os conhecimentos científicos sobre a época Medieval na Sibéria Ocidental.”

As escavações na região do sítio em que foi descoberto o tesouro vêm sendo realizadas desde os finais do século 19. Durante o tempo transcorrido, foram encontrados numerosos artefatos, como armas, utensílios religiosos, adornos e artigos de prata que se importavam da Ásia Central, em troca de peles. No entanto, os achados anteriores foram atribuídos às épocas mais tardias.

Alexei Gordienko, candidato a doutor em ciências históricas e arqueologista com 13 anos de experiência profissional, ficou maravilhado com o achado do tesouro milenário: tal sorte de descoberta sucede, talvez, uma vez em toda a vida:

"Após as pesquisas e análises científicas, os artefatos encontrados serão entregues ao museu nacional. Antecederá a isso um artigo científico na revista Arqueologia, Entologia e Antropologia da Eurásia."

O subsolo da Sibéria guarda, com certeza, ainda muitos secretos. Os arqueologistas estão esperançados de os revelar. Atualmente, a equipe do Alexei Gordienko, após uma breve pausa para descrever e catalogar os artefatos e os enviar para a cidade, retomou as escavações.

Voz da Rússia

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